domingo, 7 de maio de 2017

Um lugar com ninguém

É uma sala
Um quarto
Decorado com quadros
Estátuas
Lembranças
Não passo muito lá
Não entro muito lá
Não fico muito lá
Mas está sempre...

Cômodo da casa pequena
Cômodo da memória
Repouso de ideias e vestígios
Por vezes
Sapatos, bolsas de viagens
Nunca usados
Pouco usados
Abandonados
Mas, ali

Na extensão do complexo
Emaranhado tensões do eu
Do nós
De ninguém

Onde sempre estado
Nunca visitado
Mas ocupa um espaço físico
Onde memórias não
Olhar para ele
Às vezes, recorda
Não entro, não fico, não vou

Assombra, arremete, traz
Assim, eu lá
Eu aqui
Mas lá
É extensão de mim.

Um comentário:

Desenvolvimento Infantil disse...

Excelente poema. Conciso, moderno, emotivo. Parabéns.
Só precisa juntá-los num livro.