quinta-feira, 14 de abril de 2016

MARKETING PESSOAL OU PROSTITUIÇÃO DE CARÁTER

A palavra inglesa "marketing" refere-se à mercado, relações de compra e venda.
No dicionário Houaiss, marketing é “um conjunto de ações, estrategicamente formuladas, que visam influenciar o público quanto a determinada ideia, instituição, marca pessoal, produto, serviço etc.”. E, segundo Kotler (2007), "o Marketing é um processo administrativo e social pelo qual indivíduos e organizações obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação e troca de valor com os outros".

Bem, é por aí que vamos!
Juntando tudo, podemos ter: Influenciar a determinado público para obter o que se necessita através da criação ou troca de valores...
Valores, quais sejam, éticos, morais, de caráter...
Em tempos de crise material ou de conhecimento, a maioria, por natureza, age com imensa rapidez, automaticamente, no sentido de autopreservação, de si, ou do que julga valoroso em si - para si - o que envolve dinheiro, poder, etc.

Muitas pessoas, até desapercebidamente, têm aberto mão de valores que não são seus, são construção histórica de anos de convivência com seus pais, parentes, amigos, amores... Não são seus, pois não foram criados por si, mas moldados, configurados por relações de afeto interpessoais; aprendido.

A não percepção ou aceitação, em si mesmo, desses valores conseguidos a partir de alegrias, decepções, vitórias e derrotas, torna-os descartáveis por quem os deveria zelar e transmitir. Se tidos os valores como peças de negociação ou teatrais, facilmente são suprimidos e transmutados. Temos uma pessoa sem caráter.

Tristemente, na intenção de autopromoção, pessoas prostituem seus valores éticos, morais, de caráter: vale a pena mentir, dissimular, trair,..., matar. Isso, no seio familiar ou da amizade é uma catástrofe irreparável. No meio do trabalho, vitimizante, agressivo e igualmente catastrófico.

Talvez, a pequenez moral provenha de se considerar que tudo é o trabalho, o ganha-pão, ou simplesmente manutenção do poder. Poder? Que poder? Ou que tipo de poder? A noção de "temporalidade" ou finitude poderia ajudar a desmitificar certos "poderes".

A impressão de si, com ego super inflado de materialidades, causará o inevitável reencontro com a perda, a falha, a derrocada: a finitude da vida.

A sabedoria do salmista, entendida e repetida pelos monges, faz buscar a compreensão: "Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim, e o número de meus dias, para que eu veja como sou efêmero." (Salmo 38/39,5), ou "Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração." (Salmo 89/90, 12)

Pois bem! Esta compreensão ou olhar teleológico pode socorrer aos náufragos da vida sem sentido, ou com sentido total no que se pode obter dos outros; da alegre e risonha vida de prazeres que precisam ser repetidos: por não durarem, precisam de uma nova dose a cada dia.

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A perda de si ou o não reconhecer-se leva sempre a projeção para fora de si, para outros, para objetos, para prazeres... Jogar-se em, confiar-se a, Cristo, o Deus que se permitiu esmagar numa cruz, traz um começo de solução para esta nossa vida efêmera.




REFERÊNCIA.

Bíblia Católica.
Dicionário Houaiss.

KOTLER, Philip; Armstrong, Gary. Princípios de Marketing. - 12ª Ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007. 600 p.

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