sábado, 23 de abril de 2016

Maniqueísmo à moda

Olá, gostaria de tratar sobre o Maniqueísmo ou suas versões tão utilizadas ultimamente nas mídias (ao menos às que tenho acesso).
Maniqueísmo fora uma corrente filosófica e(ou) religiosa do século III d.C, proferida por Manes (ou Maniqueu) na Pérsia, em que baseava o mundo em Bem e Mal, a existência de um deus bom e um deus mau. (vejam a regrinha de português mal com "l' mau com "u" - rsrssrr)

Nas atuais postagens, principalmente de estudiosos e conservadores (admiradores destes, também) sempre se tem usado o termo "maniqueísta" nas falas: não seja maniqueísta! Ou: isso é maniqueísmo! Ou ainda: você é um maniqueísta!... Pois bem, isso tem sido recorrente.

O que me intriga é que, na maioria das vezes, o acusado de maniqueísmo apenas diverge da opinião do que está escrito nos "posts" e afirma sua posição religiosa, moral ou ética a despeito dos temas.

Ora, discordar e mostrar sua posição moral é ser sempre um maniqueu?
Postam algo anti-ético ou imoral (de acordo com os valores cristãos), e quando alguém fala do que é o "Legal" regido pela moral, é logo advertido que está sendo maniqueísta.
Mas claro: se algo é imoral e lhe apresentam a devida responsabilidade ou punição, o que testemunha é maniqueu? Mas que coisinha mais pós-moderna isso! Em tempos e morais (e tudo mais) líquidos [confere Bauman] , ter posição firme já tem apelido: Maniqueísmo.

Se se afirma, baseado em evidências (postagens) que alguém, ainda que do clero ou qual seja, que o que faz é abominável e punível, aparece outro para defender:... Você é maniqueísta!

Bolas, para isso! Bando de covardes! Sim, existem atos imorais e puníveis e com responsabilidades conhecidas, e dizê-las não faz, de qualquer um, um maniqueu!

Em tempos de religiosidade líquida, moral líquida e coragem líquida, cristãos, principalmente os "intelectualizados", têm se portado com "medinhos" sociais. Uma frouxidão - líquida, se me entendem - capaz de aceitar o inaceitável à Fé; tolerar a afronta desmoralizante em favor da "grande religião socialmente aceita". Não! Acusar  ou denunciar erros não é Maniqueísmo!

Sim, o Mal existe, não aos moldes de Maniqueu, não temos deuses, mas um só Deus, em Pessoas Três: Pai, Filho, Espírito Santo.
Quanto ao Mal, entendido cristãmente, vem do anjo caído, Lúcifer, criatura de Deus. Lúcifer não é um deus, não existia antes dos tempos, fora julgado, derrotado e condenado.

Pois assim, ao invés de nossos (cristãos) conservadores ficarem medindo forças entre si - quem lê mais, quem fez mais Filosofia que o outro, etc., atuarem juntos contra os inimigos comuns à Santa Igreja. Temos tantos inimigos! E não podem perder tempo tentando se mostrar mais "general" que outros da mesma tropa.

Sim, há inimigos dentro da Igreja, mas o principal é a Vaidade, seguida sempre pelo Orgulho e sempre associada pela falta de vontade de praticar as Obras de Misericórdia Espirituais...

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Eudes Inacio, sJpVM

quinta-feira, 14 de abril de 2016

MARKETING PESSOAL OU PROSTITUIÇÃO DE CARÁTER

A palavra inglesa "marketing" refere-se à mercado, relações de compra e venda.
No dicionário Houaiss, marketing é “um conjunto de ações, estrategicamente formuladas, que visam influenciar o público quanto a determinada ideia, instituição, marca pessoal, produto, serviço etc.”. E, segundo Kotler (2007), "o Marketing é um processo administrativo e social pelo qual indivíduos e organizações obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação e troca de valor com os outros".

Bem, é por aí que vamos!
Juntando tudo, podemos ter: Influenciar a determinado público para obter o que se necessita através da criação ou troca de valores...
Valores, quais sejam, éticos, morais, de caráter...
Em tempos de crise material ou de conhecimento, a maioria, por natureza, age com imensa rapidez, automaticamente, no sentido de autopreservação, de si, ou do que julga valoroso em si - para si - o que envolve dinheiro, poder, etc.

Muitas pessoas, até desapercebidamente, têm aberto mão de valores que não são seus, são construção histórica de anos de convivência com seus pais, parentes, amigos, amores... Não são seus, pois não foram criados por si, mas moldados, configurados por relações de afeto interpessoais; aprendido.

A não percepção ou aceitação, em si mesmo, desses valores conseguidos a partir de alegrias, decepções, vitórias e derrotas, torna-os descartáveis por quem os deveria zelar e transmitir. Se tidos os valores como peças de negociação ou teatrais, facilmente são suprimidos e transmutados. Temos uma pessoa sem caráter.

Tristemente, na intenção de autopromoção, pessoas prostituem seus valores éticos, morais, de caráter: vale a pena mentir, dissimular, trair,..., matar. Isso, no seio familiar ou da amizade é uma catástrofe irreparável. No meio do trabalho, vitimizante, agressivo e igualmente catastrófico.

Talvez, a pequenez moral provenha de se considerar que tudo é o trabalho, o ganha-pão, ou simplesmente manutenção do poder. Poder? Que poder? Ou que tipo de poder? A noção de "temporalidade" ou finitude poderia ajudar a desmitificar certos "poderes".

A impressão de si, com ego super inflado de materialidades, causará o inevitável reencontro com a perda, a falha, a derrocada: a finitude da vida.

A sabedoria do salmista, entendida e repetida pelos monges, faz buscar a compreensão: "Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim, e o número de meus dias, para que eu veja como sou efêmero." (Salmo 38/39,5), ou "Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração." (Salmo 89/90, 12)

Pois bem! Esta compreensão ou olhar teleológico pode socorrer aos náufragos da vida sem sentido, ou com sentido total no que se pode obter dos outros; da alegre e risonha vida de prazeres que precisam ser repetidos: por não durarem, precisam de uma nova dose a cada dia.

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A perda de si ou o não reconhecer-se leva sempre a projeção para fora de si, para outros, para objetos, para prazeres... Jogar-se em, confiar-se a, Cristo, o Deus que se permitiu esmagar numa cruz, traz um começo de solução para esta nossa vida efêmera.




REFERÊNCIA.

Bíblia Católica.
Dicionário Houaiss.

KOTLER, Philip; Armstrong, Gary. Princípios de Marketing. - 12ª Ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007. 600 p.