sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Missa e a Pastoralidade

É muito comum em rodas de pastoralistas e liturgistas pastorais a pergunta do que fazer para as pessoas da comunidade participarem mais; gostarem mais da Missa; engajarem-se eclesialmente.
Daí, as ideias correm soltas e logo vêm as comparações com algumas atividades de protestantes: Ah, lá se faz isso, toca aquilo, e acontece aquilo lá... porque eles são assim, e eles agem daquele modo...
Essa criatividade me angustia!
Não seria mais apropriado culparem-se os pastoralistas e seus liturgos por tantas vezes, eles que se dizem fieis, criticarem a Missa e vociferarem a qualquer um que a Missa é chata, monótona, rubricista... 
Se se critica e assim ensinam que a Missa é chata, como então os que se achegarem gostarão?
Se os membros da comunidade eclesial ensinam que a Missa é chata, os neófitos assim aprenderão.
Se qualquer pastoralista ou membro do corpo eclesial se queixa da Missa, é por culpa sua. Pois, cabe a todo membro da comunidade catequizar e explicar o sentido do Culto ao Deus Altíssimo chamado de Missa.
Infelizmente, o que consta, é que muitos ignoram o que é um Culto a Deus; ignoram o que é o Santo Sacrifício da Missa; ignoram qual o papel de cada cristão na Missa.
Por estes motivos, dentre outros, a má vontade com sacerdotes que celebram a Missa sem exageros, sem enxertos, sem "acessórios". Estes sacerdotes são tachados de "rubricistas", de "romanos", de chatos...
O que está em moda é enfeitar, trazer "algo novo" na Missa... Algo novo!?... Aff...
O que é preciso é uma nova evangelização para que cada cristão ou neófito saiba o que é a Missa, uma vez que a Sacrosanctum Councilium (SC) afirma a centralidade da Missa e da necessidade da instrução de todo cristão.
Ajudem-se os sacerdotes, quer seculares quer religiosos, que já trabalham na vinha do Senhor, por todos os meios oportunos, a penetrarem cada vez melhor o sentido do que fazem nas funções sagradas, a viverem a vida litúrgica, e a partilharem-na com os fiéis que lhes estão confiados. Procurem os pastores de almas fomentar com persistência e zelo a educação litúrgica e a participação ativa dos fiéis, tanto interna como externa, segundo a sua idade, condição, gênero de vida e grau de cultura religiosa, na convicção de que estão cumprindo um dos mais importantes múnus do dispensador fiel dos mistérios de Deus. Neste ponto guiem o rebanho não só com palavras mas também com o exemplo.(SC. n.18-19)
 Como se vê, a nossa ignorância acelera nossa arrogância em dizer que se deve mudar antes mesmo de se conhecer bem. Afinal, são mais de 1000 anos de estruturação litúrgica para que qualquer um agora chegue à conclusão que está tudo errado, não é?

Que o Senhor nos ajude a evangelizar mais: com palavras, se necessário.

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Eudes Inacio, sJpVM
Catequista.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A MÁQUINA DE FAZER SANTOS

Fora descoberta uma máquina de fazer santos. A máquina é capaz de resolver problemas pastorais e fazer acontecer que todos participem da Celebração Eucarística plenamente sem necessidades de danças, tambores, palmas, comentários explicativos ou abraços no irmão do lado.
Na verdade, a Máquina já é bem conhecida mas é tida como relicário, como ultrapassada para alguns.
Há um número considerável de pessoas santificadas por ter entrado nela ou dela ter se aproximado.
A Máquina tem uma arquitetura simples, rústica - até, mas seus componentes como assento e "dispensório" são muitos comuns.
Há vários testemunhos, escritos até, da eficácia dessa Máquina, mas, por sua aparência, muitos a ignoram, principalmente os habilitados a dirigir e coordenar (liberar) a santificação dos que buscam a Máquina.
A Máquina tem um poder economizador de necessidade de criar shows ou festas para atrair pessoas à santidade. Basta a pessoa se aproximar dela e logo sai pronta - santa - para vida, para a Missa. A santificação é instantânea!
O desejo do Concílio Vaticano II era a maior participação do povo na Santa Missa. Esta Máquina faz qualquer pessoa participar de forma plena da Santa Missa.
Eis uma foto do modelo da Máquina.

CONFESSIONÁRIO
Chama-se "Confessionário". Santos como São Cura d'Ars e São Padre Pio passavam horas nele. E quantos homens e mulheres e crianças se aproximaram do Confessionário e saíram santos!!!!

Em tempos de "fixação por pastoral" disso ou daquilo; em tempos de "panelas", banhos de "água benta", danças, palmas... Ativismos com shows, sincretismos com candomblé e aproximação com atos pentecostais, pouquíssimos sacerdotes têm se afeito a produzir santos.
Não têm tempo, estão apressados.
O Sacramento da Penitência, se houvesse uma escala, seria constatado que está jogado à irrelevância, desprezado.
Os "chamegos" pentecostais invadem o Santo Único Culto ao Deus Altíssimo com sentimentalismos, psicologias, hipnoses e gritarias fazendo as ovelhas do Único Pastor pensarem que essas coisas são o desejo do Pastor. E não são!
Para quê se confessar? Eu já me sinto bem! (é comum se ouvir isso hoje em dia).
Não bastasse isso, está sempre raro perceber sacerdotes interessados em estimular o uso da "Máquina" e ele mesmo parar para distribuir a graça santificante oriunda do Sacramento da Penitência.

Ah, confessionário!... Santifica quem de ti se aproxima e quem de ti dispensa o perdão!

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Eudes Inácio, sJpVM.

sábado, 11 de outubro de 2014

POR QUE VOCÊ PENSA ASSIM?

Nestes dias tão decisivos para nossa Nação, resolvi tecer alguns pensamentos sobre nossos posicionamentos frente a alguns argumentos. Resolvi descobrir a origem de algumas afirmações que outrora sequer imaginara. Pensamentos, afirmações, posicionamentos, certezas... Qual sua raiz ou quais suas origens?

Começo com umas afirmações sociais que não dizem respeito a si, mas aos outros. Vejamos:

Há quem diga que só pobres votam no partido que governa este País.
Há quem se diga contra esses "favelados" terem muitos filhos.
Há quem diga que os "favelados" só têm filhos para ganhar "bolsa isso" ou "bolsa aquilo".
Há quem se diga contrário a essas "bolsas".
Há quem diga que é melhor prender independentemente da idade.
Há quem se diga ser contra cotas.

Será que não há empresários beneficiados, políticos achegados aqui em Alagoas que desfilam ao lado da PRESIDENTE?
Será que é errado ter filhos? Afinal, quem decide a natureza é o dinheiro? Será que distribuímos os excessos com os mais necessitados? Será que filhos, filhos de gente, filhos de seres humanos, incomodam mais que os já existentes que são corruptos e os nada fraternos? Estaria o erro na procriação? Será confortável ser "favelado"? Seria uma opção sua ou minha ser "favelado" como forma de vida e sustento, porque é vantajoso receber "bolsas"? O que nos faz não querer ser "favelado-bolsista"? O que teríamos de melhor a ofertar para o "favelado"? Que será que nos faz melhores que os "favelados"?...

É justa a distribuição de renda no Brasil? É justo um político receber cem salários mínimos por ano? É justo um banco cobrar taxas de nossas contas quando eles são beneficiados e pagos para fazerem tal coisa? É justo esperar horas por serviço no banco para o que ele recebe antecipadamente? É justo um banco usar o dinheiro da poupança para pagar contas ou emprestar para que ele, o banco, tenha lucro e não reparta com o dono da poupança?

É liberdade pagar impostos e ser chamado de contribuinte, quando foi tributado sem consentimento seu? Acaso o governo pergunta quando aumenta preços ou especula valores aumentando o preço de bens de consumo? É justo pagar imposto de renda se tudo que se compra já tem impostos?

Por que alguns cargos podem ser acumulados e outros não? Por que se pode ser secretário e receber como vereador ou deputado? Por que um servidor administrativo não pode ter dois empregos públicos se sua renda é uma das menores e ele só trabalha trinta horas? Por que outras categorias podem trabalhar sessenta horas e os administrativos não?

Se o sistema prisional não recupera um por cento de seus detentos, para quê jogarmos lá os jovens? Onde estaria o erro: em quem não os educou ou no sistema prisional?

Acaso o Brasil é um País justo? É justo o governo dizer quantos filhos podem os cidadãos terem? Se todos os cidadãos são iguais, por que uns não podem exercer o que sua natureza já o presenteou?
Acaso o Brasil tem educação igualitária em todo seu território? Seria justo esperar numa fila parar obter determinado bem ou vantagem, mas ao chegar no fim, saber que o bem não existe e a vantagem é uma perda de tempo? Já pensou no jovem ou no pai de família que se mete numa escola por quinze anos numa "fila" que conseguirá adquirir conhecimentos para ser um profissional ou entrar numa faculdade e deparar-se que nada sabe, nada poderá fazer ante os seus concorrentes? Isso é a educação pública no Brasil. Essa é a constatação do jovem ao sair do Ensino Médio em uma escola pública. Seria igual a concorrência entre o que "viu o livro todo" e o que "num viu um capítulo inteiro"?

Seria justo o governo ter o poder de dizer o que é sua casa, onde fica, e onde você pode ir ou fazer?
Tem capacidade um governante e seus achegados de dizerem para cada cidadão o que lhes convêm: ter filhos ou não, sua propriedade ou não, é família ou não?

Reflexões... reflexões...

domingo, 14 de setembro de 2014

Eu te amo!



Te amo!
Não posso negar que te rejeito... mas te amo!
Eu vivo o duelo de te amar e rejeitar-te.
Abraçar-te é fardo:
Escalas minhas costas, pesas.
Os risos, os escárnios por causa de ti,
Quase sempre me fazem chorar:
Desejo esquecer-te
Ou, no mínimo, ignorar-te...
Já te maldisse; reclamei; esbravejei...
Não sei explicar-te:
Se te tomo, pesas;
Se te olho, rasgo-me de elogios,
Enamoro-te.
Franzo a testa ao pensar em ti,
Mas, ao ouvir sobre ti,
Meu coração dispara...
... Ah, ó doce peso!
Ó peso de descanso.
Oh duelo que me provoca a ir
E a ficar, sempre...
Sempre contigo,
Ó Cruz!

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Na Festa de Exaltação da Santa Cruz.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Coisas sérias para pensar...

por Dom Henrique Soares da Costa (in Facebook, 22/07/2014)*


“Em cada forma de empenho pela liturgia o critério determinante deve ser sempre o olhar dirigido para Deus.
Nós estamos diante de Deus: Ele nos fala e nós falamos com Ele.
Quando nas reflexões sobre a liturgia nos perguntamos como torná-la atraente, interessante e bela, o jogo já está feito! Ou ela é opus Dei (obra de Deus), tendo Deus como sujeito específico, ou não é!
Neste contexto, peço-vos: realizai a sagrada liturgia tendo o olhar em Deus na comunhão dos santos” (Bento XVI).

Profundas, as afirmações do Papa Bento!
Toda liturgia deve ser "versus Deum", isto é, voltada para Deus.

É ação da Igreja para o louvor, adoração e glorificação de Deus e, consequentemente, para a santificação da humanidade.
...
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A liturgia não é um show, um teatro ou uma festa que fazemos para o povo; ela não é espaço para a criatividade do padre ou mesmo da Assembleia que celebra.

A Liturgia é a ação do Povo santo de Deus no seu serviço ao Senhor; é espaço de Deus antes de ser espaço do homem; é manifestação de Deus, do Deus vivo e santo!

Em cada celebração litúrgica, a palavra que deveria ressoar aos nossos ouvidos como uma música de fundo é a advertência do Senhor Deus a Moisés: "Tira as sandálias dos pés porque o lugar em que pisas é santo!" Como adverte a Epístola aos Hebreus: "Vós não vos aproximastes de uma realidade visível!" (12,18).
Trata-se de algo muito maior que aquilo que nossos sentidos podem captar!

Isto mesmo: os ritos, os gestos, os símbolos, as palavras, os elementos vários: tudo reflete o Mistério, tudo remete ao Mistério e tudo pelo Mistério é ultrapassado! Na ação litúrgica da Igreja, o Cristo Senhor torna presente, atual e atuante a Sua perene ação salvífica!

Na liturgia Deus nos visita em Cristo, Deus torna presente no hoje da nossa pobre existência, no aqui do caminho da criação inteira, a ação salvífica de Cristo Senhor, Aquele que continuamente vem à Sua Igreja "pela água do Batismo e o sangue da Eucarisita" (cf. 1Jo 5,6), na potência do Espíritio, "rio de água viva que alegra a Cidade de Deus" (Sl 46/45,5; Ap 22,1), que é a Igreja!
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A liturgia não é algo fabricado por nós, com joguinhos, trejeitos e coreografias: “o jogo já está feito”, dado pelo próprio Senhor Deus, com seu núcleo vindo da liturgia judaica, cristificado e transfigurado pelo Cristo na Sua Páscoa e recebido pela Igreja, desenvolvido orgânica e serenamente no correr dos séculos, de modo orante e receptivo ao impulso do Santo Espírito que ora discretamente no coração da Comunidade eclesial, dirigindo-a cada vez mais para o conhecimento amoroso, saboroso, sapiencial do Cristo Jesus.

Rito não se inventa do nada ou da nossa criatividade de momento!
Não existe rito de encomenda;
de encomenda existem as coreografias, que atrapalham, empanam, vulgarizam e esvaziam a nobreza cheia de graça salvífica que o rito traz em seu seio precisamente porque instituído no Espírito do Santo;
de encomenda existem os inúmeros e inoportunos comentários, que transformam a deliciosa simplicidade litúrgica numa aula chata, de cunho meramente conceptual... Tão chatos e inúteis os comentários que ninguém recorda o que eles dizem!
Sobram comentaristas onde faltam mistagogos (celebrantes que sabem conduzir os fieis aos Mistérios)!
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O que torna a liturgia atraente não são nossas invenções, mas unicamente a Presença sacramental, misteriosa e salvífica do Deus santo, Mistério eterno e vivificante: Ele nos cura, nos recentra, nos consola, nos corrige, nos adverte, nos salva.
Ele, o Senhor, nos gestos e palavras da liturgia, não o celebrante, como se fosse um animador de auditório!

Síntese feliz, o apelo final do Papa Bento XVI: realizar a liturgia tendo o olhar em Deus, voltados para Deus (“Corações ao Alto!”), no seio da Igreja, comunhão dos santos, dos santificados para ser Assembleia santa, Povo sacerdotal!

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* Bispo de Palmares-PE

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Do encontro marcado

Escutai, ó Senhor Deus, minha oração, atendei à minha prece, ao meu clamor. Dos confins do universo a vós eu clamo. Pois, ouvistes ó Senhor, minhas promessas e me fizestes tomar parte na herança daqueles que respeitam vosso nome.  Dos confins do universo a vós eu clamo. Sl 60 (61), 2-3a.6


Por que devemos rezar?

Apoiando-nos no que nos explica São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica II-II, q. 83, a.2:


"[...] deve-se considerar que a providência divina não somente determina os efeitos, mas também de quais causas, e em que ordem são causados. Entre as múltiplas causas, há também as que são atos humanos. Donde ser necessário, não que os homens façam alguma coisa para, pelos seus atos, mudarem o que foi disposto pela providência divina, mas que, pelos seus atos, realizem alguns efeitos, segundo a ordem disposta por Deus. Isto acontece também nas causas naturais e algo semelhante na oração. Não oramos para mudar o que foi disposto pela graça divina, mas para que façamos o que Deus dispôs para ser realizado devido à oração dos santos. Por isso, escreve Gregório: "Pedindo, os homens mereçam receber aquilo que Deus onipotente determinou conceder-lhes desde a eternidade.

[...], portanto, deve-se dizer que não é necessário apresentar as preces a Deus para torná-Lo ciente dos nossos desejos ou indigências, mas para que nós mesmos consideremos que, nesses casos, se deve recorrer ao auxílio divino”.
Daí, falo:
O encontro com Jesus por meio da oração é meio de Salvação e obrigatório.
Rezar o Rosário, a Liturgia das Horas ou fazer a Lectio Divina não se trata de preciosismo ou coisa para quem tiver tempo ou disposição.
É obrigação! Deve o servo prestar contas ao seu Senhor e isto se faz pela oração, para que não pensemos nós que as palavras e as ações que nos dispomos a dar são nossas e o afago do povo de Deus sejam por mérito nosso.
É por causa de Cristo! É de Cristo todo elogio, todo afago e mérito. Nosso dever é prestar contas a Ele em oração, para que também Ele nos corrija e nos ensine a melhor desenvolver as ações do Evangelho, quer anunciando, quer por ações manuais.
Evita a soberba, o orgulho e a sedição quem se obriga a rezar. 

Torna-se tendencioso à egolatria ou à idolatria quem julga não ser necessário rezar ou alega não ter tempo para rezar.
Invalida as ações, por mais humanitárias que se possam dizer, quem as faz sem o olhar e o zelo da oração.
Portanto, obriguemo-nos à oração para que não nos tornarmos idólatras!


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Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria


sábado, 10 de maio de 2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

UMA "DESMOCRACIA"

O Estado está longe de ser considerado como Nação, pois para esta definição necessitar-se-ia que houvesse um povo, ao menos com costumes e intenções de sê-lo.
Os cidadãos e cidadãs não têm amparo ético, moral, sequer político (à grega) para um ordenamento que nos permita dizer "somos". Vigora o "cada um por si".
Não há sentimento sequer de família, ou grupamento ordenado, porque a ordem estatal ou governamental é considerada, antes, uma repressão e inimiga do povo.
O caos. Vivemos o caos. Tempos de clãs; tempos de predadores; tempos de solidão. Este por conta do sentimento de não-pertença: ninguém é de ninguém! 
Um tempo em que é impróprio ou dificultoso falar na primeira pessoa do plural.
Acredito que para dizermos que "o homem é o lobo do próprio homem" (como afirmava Hobbes) deveríamos supor que houvesse, ao menos, uma matilha. Não o temos. É cada um por si. Sentimento este fomentado por uma economia individualista, consumista, utilitarista e sectarista fomentada pelos (des)governos de nossas Instituições Políticas.
Foi para isso que caminhamos com o modernismo? Foi para isso que rejeitamos e nos arroubamos em nossas universidades com augúrios de igualdade, fraternidade e liberdade?
Permanece Deus. A religião, tão primitiva forma de agregação -  tão criticada pela "Revolução Modernista" ou modernizante -, tem sido ainda o refúgio certo de homens e mulheres.
O Catolicismo é fiel. Criticado por seus dogmas e de ser alienante, ainda assim, é porto seguro contra um Estado que mata, desagrega e não assume suas próprias mazelas - o povo é sempre culpado!

Quem souber rezar, que reze!

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Eudes Inacio, sJpVM 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

ALAGOAS, ESTRELA RADIOSA!




Não sei se todos se atinam ou interessam por assuntos político-sociais, organizacionais, em nossa Capital, mas resolvi debruçar-me sobre algumas ponderações.

Uma constatação.
O crime começa a ser considerado um bom negócio. O ditado "o crime não compensa" já está atrofiado pelas evidências.
Nossos jovens roubam e traficam: têm "ócio" lucrativo: motocas, roupas de marca, correntes de prata...
Nossos deputados estaduais roubaram 300 milhões. Repito: trezentos milhões de reais! O que lhes aconteceu? Nada!
Como pode cobrar "saúde social" este Estado sem Ética?
Cada um por si. Grades, janelas, revólveres, facões, cocós... Tornamo-nos inimigos de nós mesmos. O crime não tem face agora, qualquer um, "bem vestido" ou não é ou pode ser bandido.
Caminhamos velozmente a "desumanização": tornamo-nos justiceiros, malvados, perversos, sociopatas, xenofóbicos... A vida alheia só tem valor mídia. Se a mídia der valor, aparecem logo os "caminhantes pela paz" com suas caminhadas pela paz.
Nietsche disse que nós matamos Deus. Agora podemos dizer que matamos a madrasta que colocamos no lugar de Deus, o Estado.
O Estado morreu!
Três poderes em harmonia qual nada! Agora é cada um por si!
O Executivo ou compra o Legislativo ou terá seus rendimentos apreciados por CPI's com uma única intenção: matar a reputação de alguém, em complô com a mídia que pertence a algum político, decerto.
O poder Judiciário vive às voltas com as ingerências e indicações do poder Executivo, que o manobra.
A mídia que contrariar ou denunciar os males do Estado perderá os investimentos financeiros - dinheiro do povo usado para comprar propagandas e empresários.
O Ministério Público de Alagoas resolveu investigar bandidos com cargos políticos. Os deputados cortaram o dinheiro do MP, um  verdadeiro "calaboca".
Temos ainda o grito das ruas clamando pela "Ordem" que existe hoje somente em nossa bandeira.
O que temos hoje foi ou é casual? Foi por acaso ou coincidência? Não. Pior que não.
Há pessoas com plano único de poder - eles no poder, óbvio. O Estado morto, o cidadão alienado, a incriminação da religião cristã, a separação do povo (por raça, cor, status, localização, religião, opção sexual...). Bem nos ensinou o bom Mestre Jesus: reino contra si ou casa dividida deixam de existir (cf. Marcos 3,24-25).
Pois, assim, caminhamos para o "Estado Novo", uma "nova ordem" onde deus e homem são uma mesma pessoa, o governante soberano de nossos cuidados, desejos e gostos, ainda que dê "sangue na canela" - dos discordantes do sistema que se avizinha.

Voltando no tempo.
Quando ingressei no curso de Psicologia na Ufal em 1997, cuidava em me aprofundar nas disciplinas de humanas do currículo então. Conheci a Sociologia. Uma professora declarada fã de Marx e anti-católica me fez ler mais os temas, porque ela amava me acordar em sua aula para debater e me ouvir discordar de seu ideário.
Naquele tempo, já havia delineado um raciocínio: quando a "Esquerda" chegar ao poder, trará o caos; surgirá o "líder" para botar ordem, teremos o ditador... O ciclo da História moderna me ajudou a chegar a tais conclusões.

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Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Súplica pela Igreja

Súplica pela Igreja - 1
                                                               Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju
Jesus!

Não permitas que Tua Igreja desvie o olhar de Ti!

Não permitas que, em Teu Nome, nos descuidemos de Te amar, de preocuparmo-nos Contigo, de Te proclamar, amorosa e convictamente, como o único Deus verdadeiro, o único caminho, o Bem supremo e definitivo de toda a humanidade!

São tantas as desculpas para nos distrairmos de Ti:

À esquerda, as preocupações pelas causas sociais.

Então, os olhos de muitos brilham quando fazem intermináveis e irreais análises de conjuntura, quando falam de questões como a fome, a pobreza, a ecologia, a falta de políticas públicas sérias, os vários sistemas econômicos... O discurso ideológico – e alienado, porque fora da realidade e dentro de uma gaiola ideológica que torna bobas as pessoas que, ainda assim, se pensam espertas e cheias de senso crítico – o discurso ideológico ocupa a vida desses que pensam fazer isto por Ti, mas de Ti pouco se lembram...

Tudo é instrumentalizado e sacrificado por esses Teus discípulos iludidos no altar maldito e estéril da ideologia; tudo é manipulado em prol da doutrinação ideológica, como os intelectuais orgânicos do marxista ateu Antônio Gramsci: a liturgia é desfigurada, o dogma é manipulado, a santidade é esquecida, as virtudes cristãs são deixadas em segundo plano... Assim, por Ti – e não é por Ti! – se esquecem de Ti! Tem-se, então, Senhor meu, uma Igreja sem graça, masculina, do fazer, da luta, do combate, dos slogans tolos e cansativos, da patrulha ideológica! Uma Igreja que não atrai, não encanta e que se mostra cada vez mais estéril!

Esta pseudo-igreja dos que de Ti se afastam pela esquerda já não Te considera mais como o único Salvador: colocam-Te abaixo e em função de um mentiroso diálogo interreligioso: consideram todas as religiões iguais e Tu, Salvador nosso, tornas-Te somente mais uma ilusão que só serve enquanto inspira lutas de ilusória e chata e mentirosa libertação...

Não, definitivamente, esta não é a Igreja que Tu sonhaste, Senhor! É uma deturpação pobre da Tua Pessoa, do Teu Evangelho e do que Tu pensaste... Tudo no molho do marxismo requentado e de um sociologismo tolo, que só agrada e convence aos incultos ou aos que disso se aproveitam, usando a Igreja para obter benefícios políticos ou econômicos... Em suma: uma Igreja que finge ser a Tua, mas para Ti não olha e Contigo não se encanta... Basta ver o desleixo com o que é Teu e o entusiasmo com o que é deste mundo...


Súplica pela Igreja - 2

À direita, a situação não é muito melhor: outras desculpas, também falsas, mas com o mesmo efeito: desviam o olhar de Ti, que és o Essencial. Confundem evangelizar com fazer show, falar na linguagem de hoje com ser vulgar e secularizado. Transformam o sacerdócio em meio para se promover artisticamente, usam o Teu Evangelho para aparecer, deixando-Te na penumbra. Pensam que juntar gente seja sinal de evangelização, esquecendo-se esses que não é a quantidade de pessoas que marca a verdadeira evangelização, mas a intensidade com que se anuncia a Ti, Salvador nosso bendito, e a fidelidade à Tua verdade!

À direita, quantos astros, ó Cristo, que se esquecem que somente Tu és o Sol que não tem ocaso! Quantos ministros Teus bonitinhos, simpaticozinhos, com coreografias e piruetas... Tu e o Reino que vieste anunciar tornam-se, então, somente um sentimento, um adocicado xarope de um Evangelho falsificado que cabe em qualquer programa de televisão e que pode ser proclamado numa passarela de samba, numa pista de dança ou até mesmo numa festinha pouco honesta. Tu entraste na casa de Zaqueu e o converteste; esses entram e saem em tudo quando é mundano e nada convertem: só amortecem as consciência e abençoam o que Tu reprovas!

Esvaziaram Tua mensagem, tornaram apenas um fantasma a Tua Pessoa, amoleceram e imbecilizaram Tua Palavra santa! Para esses, a missa é show, a pregação é conferência afetada e sem conteúdo sólido, a liturgia é colocada a serviço da emotividade, do intimismo e do individualismo. No fundo, Tu, o Jesus real, o Jesus da Igreja, o Jesus que nos foi transmitido por gerações de cristãos, é falseado e desaparece na penumbra desse cristianismo barato e invertebrado...


Súplica pela Igreja - 3

E há também aqueles, à direita, à esquerda e ao centro, que se esquecem de Ti e para Ti não mais olham, muito empenhados no ativismo da prática pastoral, nos mil planos de evangelização, pensando que a "pastoralite" é prova de amor a Ti e de construção do Reino que trouxeste.

Há ainda os que se perdem numa visão burocrática e fria de Igreja, pensando que cuidar de Ti, ó Salvador, é ser administrador de uma instituição, de obras ou de projetos pastorais...

Há os que confundem Tradição com tradicionalismo e pastoreio com jogos de poder; há, finalmente, os que pensam que zelo pela liturgia e pelo sagrado confunde-se com uma preocupação excessiva e gosto discutível por rendas e brocados, sem nenhuma expressão de piedade, sem profundidade espiritual, sem preocupação com a Tua glória, sem máscula sobriedade... Aí, a beleza da santa liturgia já não é por Ti, mas para o brilho das lantejoulas e a beleza sóbria e digna dos paramentos é confundida com o gosto do exótico, do chamativo, do extravagante... Tudo tão alheio ao verdadeiro espírito litúrgico e à sã tradição da Igreja, que sempre nos levam a Ti somente...


Súplica pela Igreja - 4

Jesus! Jesus, Senhor nosso!

Ser cristão é Te amar, é Te escutar, é olhar-Te nos olhos, é encantar-se Contigo!

Tua Igreja é a comunidade dos que Te amam, dos que já não saberiam viver sem Ti! Por Ti largam-se a si mesmos, por Teu amor rezam e fazem penitência, procurando Tua santa vontade, crescem humildemente na virtude e na caridade... Tua Igreja celebra com zelo e respeito profundo a santa Liturgia, jamais instrumentaliza a Tua Palavra ou falsifica a reta doutrina católica...

Tua Igreja – nossa Mãe católica – é a assembleia dos que proclamam que somente Tu és Senhor, somente Tu és Salvador, somente Tu és a Verdade. Os da Tua Igreja respeitam a todos, respeitam a todas as religiões, mas sabem, sem medo nem complexos, que somente no cristianismo encontra-se a verdade que o próprio Deus-Pai, por Ti, nos revelou nas Escrituras e na Tradição apostólica e, por Ti, nos deu como graça e vida nos sacramentos.

Teus discípulos, filhos da Mãe católica, têm certeza plena que somente aquela Igreja unida a Pedro na fé e na caridade é a Tua Igreja, a única e una Igreja que fundaste e à qual prometeste que as portas do Inferno não prevaleceriam sobre ela...

Senhor, que Tua Igreja seja feminina:

Esposa Tua, Mãe nossa,

acolhedora da Palavra,

virgem pela fé guardada fielmente,

fecunda pela abertura serena e profunda ao Espírito que nos gera para Ti,

terna pela beleza de sua liturgia celebrada com decoro e piedade,

compassiva pelas pobrezas, penas e debilidades humanas,

cuidadosa pela capacidade de ser atenta aos detalhes, coisa de quem ama,

apaixonada pela esperança coloca em Ti, Esposo, de modo inabalável...

Senhor, cuida e orienta a tua Igreja, nossa Mãe católica!

Não nos deixes desviar do reto caminho nas estradas tão tortuosas da história humana, peregrinação no tempo rumo à eternidade.

Senhor fiel e bom, faze que o Teu Espírito impila Tua Igreja a dizer-Te, cada dia, em cada ação, em cada respiro: “Vem!”

E Tu, Esposo fidelíssimo, fá-la ouvir a cada momento Tua resposta certa e consoladora: “Eis que venho em breve!”

Amém!
 


Fonte: https://www.facebook.com/domhenrique.dacosta