segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

AS CRENÇAS AFRO, O USO DO ESPAÇO PÚBLICO E A HIPOCRISIA.

Fonte: advivo.com.br
Estamos vendo nos noticiários televisivos, saturadamente, que a Prefeitura de Maceió não está permitindo que as denominações afro utilizem todo o litoral, conforme queiram, a seu dispor, das zero hora às vinte três horas do dia oito de dezembro para suas manifestações, sob alegação da liberdade religiosa.
As redes locais "assoviam" o assunto como que contra o ato "arbitrário" da prefeitura e que ela estaria sendo intransigente: negando liberdade de expressão.
Gostaria de refletir sobre tamanha hipocrisia de mídias e pessoas "fazedoras de média", neste assunto também.
Parece que temos crise de consciência, sem identidade, sem caráter, sem ética... agimos como pessoas com remorso e, pior ainda, a todo instante queremos parecer "legais", ecumênicos, "socializados", integrados, cosmopolitas, "politicamente corretos". Que é isso, afinal? Não somos ainda? Estamos sempre como adolescentes esquizofrênicos, de natureza reprimida e que precisa se reafirmar com o que a mídia e a educação brasileira, "neocomunistaliberal", querem dizer que temos que ser e vamos sendo, de fato.
Ora, a mediocriodade, em termo, é "estar no meio", ser médio, não além, nem aquém, mediano. Vivemos, então, a mediocridade do ser brasileiro, do ser alagoano. Não sabemos ainda quem somos.
Outro ponto: liberar a orla o dia inteiro? Acaso somos todos de culto afro? Que diriam os protestantes se nós, católicos, quizéssemos utilizar toda uma faixa, litorânea ou não, a nosso bel-prazer? Eu, como cristão católico, não gostaria da ideia se, por um dia inteiro, tomassem a rua que moro para manifestações protestantes ou umbandistas de qualquer gênero.
Daí a mediocridade: se podemos dar uma faixa territorial para uso de uma crença, não podemos reclamar quando movimentos sociais tomam uma estrada por um determinado tempo. Não teriam estes o direito de usar a seu bel-prazer também?
Ademais, como já tive a incumbência de pedir aos órgãos competentes permissão para realização de eventos cristãos católicos, sei muito bem a burocracia e os transtornos que são causados para fazermos passeata nas ruas de Maceió e o desenrolar para evitar transtornos maiores ao trânsito de carros e pedestres por onde passamos.
Utilizar a faixa marítima das zero hora às vinte e três horas, pode?
Então vamos banalizar a cidade?
Vamos ignorar as regras?
Vamos, principalmente, parar com a hipocrisia de criticar os sindicalistas e membros de movimentos sociais, aqueles que lutam pela crença do sustento, da justiça, causa mútua, do direito.
Cada vez mais sinto que temos medo de parecer "antissociais", mas tolerantes às violências que a mídia nos impõe e ainda nos faz gritar em sua causa.


Eu não tenho vergonha de dizer que sem religião não sei viver.

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Eudes Inacio, sJpVM

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