segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Mesa da Palavra



 É Cristo quem fala à Igreja.

A partir do Vaticano II a Mesa da Palavra – as Sagradas Escrituras – ganha status celebrativo. Nesta mesa, o cristão não pertencente à hierarquia faz a celebração das leituras e canta os Salmos.
Faz-se entrada solene dos Livros, dos Lecionários e do Evangeliário, e este é levado direto ao Altar para que, sob cortejo de luzes e incenso, seja levado ao ambão.
Assim como o sacerdote abre o Livro (Missal) sobre o Altar, segue as rubricas, reza ao Pai, em Cristo e por Cristo por toda Igreja para que seja agradável o Sacrifício incruento, os cristãos não pertencentes a hierarquia admoestam, recitam, exortam e salmodiam qual Cristo que fala à Igreja. No Altar, o Cristo ao Pai; na Mesa da Palavra, o Cristo à Igreja.
Quanta importância!
Quão significante a Mesa da Palavra!
Daí a importância do ministério do leitor (leitorato). Nossas comunidades necessitam criar e avivar este serviço dado, às vezes, a quem pouco preza o serviço litúrgico: leitores mal preparados, salmistas que não sabem salmodiar; quem se porta vestido inadequadamente, etc.
Há os que pregam que proclamar a Palavra do Presbitério pode ser do “jeito que a pessoa quiser” pois é o jeito da comunidade “celebrar a Palavra”. Ora, isto dito está certo, como teria o Cristo várias vozes? Acaso, como saberiam as ovelhas que se trata da “voz do Bom Pastor” se a todo instante “Ele muda o jeito que fala”? (cf. Jo 10,4)
Para o Altar, o celebrante não dá as costas; antes, o reverencia e, quando na Prece Eucarística, volta-se totalmente para o Altar, segue o Rito, de olhos fixos no Livro (Missal) e no Crucificado sobre ele, até que, tomando a Oferenda Perfeita, o Corpo e o Sangue de Cristo, ergue-os ao Céu e assembleia dos batizados, na Doxologia, entoam o “grande Amém”.
Na Mesa da Palavra, no ambão, a celebração que antes do Vaticano II fora chamado de “pré-Missa” ou “Missa dos Catecúmenos” agora é parte integrante e de igual sacralidade na “Única Missa”. O Cristo fala à Igreja desta “Mesa” e, como na outra Mesa (da refeição), devemos reverenciar o Sagrado Rito da Missa.
Quão desrespeitoso é o celebrante que vira as costas ao Altar! Igualmente se o faz à Mesa da Palavra. É tão comum que quase passa desapercebida tal atitude. Toma-se um microfone e se vai à frente do presbitério, às vezes até desce-se dele, sob alegações muito subjetivas de “ir ao povo”, mas não passam de argumentos subjetivos, e só! Porque objetivamente é da Mesa da Palavra que se proclama a Palavra e a Homilia deve ser feita na Mesa da Palavra.
A valorização da Palavra está intimamente ligada à conduta litúrgica que damos a Ela em nossas assembleias para celebrarmos a Missa: Lex orandi, Lex craedendi.
Tornar a Palavra conhecida não deve passar pelo modelo que os protestantes que parecem valorizá-LA mas vulgarizam as Sagradas Escrituras. Os cristãos católicos celebram a Palavra, não A leem somente como em certos cultos.
E a inculturação? Respondo: Quando Cristo fala à Sua Igreja, Ele não precisa de rodeios, assovios e palmas, só espera dela, da Igreja, o silêncio, que é próprio daqueles e daquelas que se põem à escuta e desejam ouvir a Voz do Verbo, que é o próprio Verbo.
Certos feitios, em algumas comunidades, têm deixado de ser excepcionais para serem ordinários; e o que é ordinário passando a ser excepcional.

Eudes Inacio, sJpVM

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