sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Os covardes de Maceió



Motorista foi assassinado dentro de ônibus
Por volta do meio-dia da quinta (29), Josecler morreu após ser assaltado pelo segundo dia consecutivo pela mesma dupla de criminosos que lhe haviam abordado na noite da quarta (28), enquanto ele estava de serviço.
Após ter reconhecido os assaltantes, o motorista tentou impedir que a dupla fugisse, segurando um dos homens, que efetuou um disparo de arma de fogo contra seu peito. Depois de pegar dinheiro e pertences do cobrador e de passageiros, a dupla fugiu.
 Fonte: tudonahora.com.br


Sobre isto acima, escrevo:



O que ninguém quer falar. Sabe por que os cobradores e motoristas reagem? Porque as empresas descontam de seus salários o que for roubado.
A imprensa não fala.
O povo cala. Nada muda.
A covardia prossegue nesta selva de pedras, onde covar
des assassinos, às vezes meninos, matam por motivos fúteis.
Covardes somos nós que só militamos em causa própria.
A cidade de Maceió vai pessimamente aos últimos degraus da falta de razão, de sanidade.
O medo nos está fazendo, paulatinamente, calar, aguentar silenciosamente a nos dizermos e pensarmos pacíficos, qual em cemitério.
Somos, descaradamente, omissos - na causa comum, preguiçosos - pelo bem do outro, invejosos - pelo progresso alheio, fingidos, como diz o poeta Fernando Pessoa:


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
* * * * * * * *
O problema é que não somos poetas!

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=298658960250840&set=a.246145425502194.52763.100003202154042&type=1&theater

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Mesa da Palavra



 É Cristo quem fala à Igreja.

A partir do Vaticano II a Mesa da Palavra – as Sagradas Escrituras – ganha status celebrativo. Nesta mesa, o cristão não pertencente à hierarquia faz a celebração das leituras e canta os Salmos.
Faz-se entrada solene dos Livros, dos Lecionários e do Evangeliário, e este é levado direto ao Altar para que, sob cortejo de luzes e incenso, seja levado ao ambão.
Assim como o sacerdote abre o Livro (Missal) sobre o Altar, segue as rubricas, reza ao Pai, em Cristo e por Cristo por toda Igreja para que seja agradável o Sacrifício incruento, os cristãos não pertencentes a hierarquia admoestam, recitam, exortam e salmodiam qual Cristo que fala à Igreja. No Altar, o Cristo ao Pai; na Mesa da Palavra, o Cristo à Igreja.
Quanta importância!
Quão significante a Mesa da Palavra!
Daí a importância do ministério do leitor (leitorato). Nossas comunidades necessitam criar e avivar este serviço dado, às vezes, a quem pouco preza o serviço litúrgico: leitores mal preparados, salmistas que não sabem salmodiar; quem se porta vestido inadequadamente, etc.
Há os que pregam que proclamar a Palavra do Presbitério pode ser do “jeito que a pessoa quiser” pois é o jeito da comunidade “celebrar a Palavra”. Ora, isto dito está certo, como teria o Cristo várias vozes? Acaso, como saberiam as ovelhas que se trata da “voz do Bom Pastor” se a todo instante “Ele muda o jeito que fala”? (cf. Jo 10,4)
Para o Altar, o celebrante não dá as costas; antes, o reverencia e, quando na Prece Eucarística, volta-se totalmente para o Altar, segue o Rito, de olhos fixos no Livro (Missal) e no Crucificado sobre ele, até que, tomando a Oferenda Perfeita, o Corpo e o Sangue de Cristo, ergue-os ao Céu e assembleia dos batizados, na Doxologia, entoam o “grande Amém”.
Na Mesa da Palavra, no ambão, a celebração que antes do Vaticano II fora chamado de “pré-Missa” ou “Missa dos Catecúmenos” agora é parte integrante e de igual sacralidade na “Única Missa”. O Cristo fala à Igreja desta “Mesa” e, como na outra Mesa (da refeição), devemos reverenciar o Sagrado Rito da Missa.
Quão desrespeitoso é o celebrante que vira as costas ao Altar! Igualmente se o faz à Mesa da Palavra. É tão comum que quase passa desapercebida tal atitude. Toma-se um microfone e se vai à frente do presbitério, às vezes até desce-se dele, sob alegações muito subjetivas de “ir ao povo”, mas não passam de argumentos subjetivos, e só! Porque objetivamente é da Mesa da Palavra que se proclama a Palavra e a Homilia deve ser feita na Mesa da Palavra.
A valorização da Palavra está intimamente ligada à conduta litúrgica que damos a Ela em nossas assembleias para celebrarmos a Missa: Lex orandi, Lex craedendi.
Tornar a Palavra conhecida não deve passar pelo modelo que os protestantes que parecem valorizá-LA mas vulgarizam as Sagradas Escrituras. Os cristãos católicos celebram a Palavra, não A leem somente como em certos cultos.
E a inculturação? Respondo: Quando Cristo fala à Sua Igreja, Ele não precisa de rodeios, assovios e palmas, só espera dela, da Igreja, o silêncio, que é próprio daqueles e daquelas que se põem à escuta e desejam ouvir a Voz do Verbo, que é o próprio Verbo.
Certos feitios, em algumas comunidades, têm deixado de ser excepcionais para serem ordinários; e o que é ordinário passando a ser excepcional.

Eudes Inacio, sJpVM