domingo, 29 de abril de 2012

Liturgia: Celebração que emana do Altar (2)

Caríssimos, na penúltima postagem falamos sobre o fundamento da Vida Espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil: A Liturgia!

Neste passo, gostaria logo de ressaltar o porquê do "negrito" acima ("no" não "do"). A ideia pode conferir pouco patriotismo, mas quando falo de Fé em Cristo, não sou, sequer, deste mundo, pois na Casa do Pai há muitas moradas (Jo 14,2).

Pois bem! Ao pensarmos que somos "Igreja do Brasil", dá-nos a vontade de fazermos "à brasileira" a Liturgia, esquecendo-nos que somos filhos de tradição apostólica do Bispo de Roma, Pedro, e que não podemos, a bel-prazer "adaptar" a Liturgia, mas somente conforme os documentos conciliares. A respeito destes, o que já li de "livros explicativos" sobre liturgia - principalmente tentando explicar a Sacrosanctum Concilium - que mais deturpavam maldosa ou inocentemente o sentido do documento, que o explicavam, mesmo sob a alegação de tornar mais "prática" a exortação conciliar.

Muitas vezes, o sacerdote que se ateve unicamente a seguir a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), o Missal Romano (MR) com suas rubricas, foi considerado conservador, tradicionalista... (sic!) Não! Ele é só um sacerdote que não inventa na celebração!

Aqui no Brasil, vale o "jeitinho brasileiro", o improviso, a "adaptação", a "inculturação"... o dever de entreter o povo...

Confesso que me dá muito medo essa "necessidade" de entretenimento popular, pois me faz recordar dos profetas de baal, que gritavam e dançavam ao redor do altar (1Reis 18,26) e tinham transes proféticos(?) (1Re 18,29)... de nada lhes serviu, mesmo apesar da longa duração do "seu culto". Elias, por sua vez, construiu um altar de 12 pedras, encheu 4 talhas, e as derramou 3 vezes.


Enquanto os 450 de baal (1Re 18,19) se "sacudiam" e utilizavam seus corpos (1Re 18,28), gritos e transes para "invocar" seu deus, que parecia dormir (1Re 18,27), Elias rezou: "... Ouvi-me, Senhor, ouvi-me: que este povo reconheça que vós, Senhor, sois Deus, e que sois vós que converteis os seus corações!" (1Re 18,37).



Ah, meus irmãos... Tão profunda, para mim, esta oração de Elias:
- Ele pediu pelo povo, para que cresse;
- Ele constatou que só Deus é Quem converte os corações.

Daí que não acredito que as ideias minhas ou as de outrem na Liturgia para "entreter" o povo sejam, de fato, necessárias ao povo. Pois Elias não entreteu o povo; Elias rezou pelo povo, para que cresse no Deus do impossível, numa Fé fundamentada nas 12 pedras (dos Apóstolos), nos 4 Evangelhos e em um único Deus em Pessoas 3 (o Pai, o Filho e o Espírito Santo).

A Igreja no Brasil precisa ensinar o Povo de Deus a rezar como partícipes da celebração - Elias não se deu às mãos com o povo para invocar ao Senhor. Sim, o povo de Israel montou o Altar, mas foi Elias e somente ele quem invocou ao Altíssimo: ele foi o único "celebrante-cabeça", qual Cristo na última Ceia, que distribuiu aos seus 12.

Mas, há quem pense em se fazer da Eucaristia um banquete à moda de churrasquinho, tipo self-service, como li num livro (sic!). Há quem queira fazer do Culto ao Altíssimo uma grande festança entre amigos (sic!), uma confraternização, com abraços e beijos e sorrisos e palavras lisonjeiras entre si... (sic!) Pensam que alegria está no ato de sorrir e sentir-se bem.

O Culto ao Altíssimo é para o Altíssimo. Se fico me virando para o irmão que está ao lado e lhe falando, como é que posso rezar assim? A Celebração Eucarística, o Culto, emana do Altar e é para lá que se devem voltar todas as atenções.

- Ah, mas o povo não entende isso... - dizem alguns (até estudiosos e zelosos). Então, ensinem ao povo a ver a Eucaristia como deve ser. Ou será preferível fingir que celebramos?

É maior participação do povo no Culto da Missa: o ato de um ou dois ou três carregarem os vasos sagrados? Uma pessoa entrar rodando pela nave central com a Bíblia na mão? Um grupo se apresentar em jogral no fim da Missa? Uns simularem que doam no ofertório bandeira, camisas, etc e depois pegarem de volta? Outros adultos e até crianças com cartazes (na maioria das vezes mal rabiscados) e encherem a frente do Altar e todos passarem a Missa inteira olhando ora para as crianças, ora para seus cartazes?...

Cada coisa no seu lugar! Só fala que isso é maior participação quem nunca teve que obrigatoriamente fazer isso acima.

Até logo mais.


+ + +
Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria.







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