quinta-feira, 19 de abril de 2012

Liturgia: Celebração que emana do Altar.


À medida que o povo de Deus souber o que se celebra e como se celebra, maior desejo terá em participar e colaborar no Culto Divino.

Ainda que se modifique o linguajar, o modo de se celebrar; ainda que acrescentem gestos e movimentos corporais à Celebração, ainda assim, se não se sabe o quê se Celebra, pouco importa o como se celebra, pois não há engajamento na Fé daquele que faz o que não conhece.

As festas populares, por exemplo, são celebradas porque a maioria do povo já bem conhece, por tradição, o que se festeja: São João, Natal, Carnaval – com suas músicas próprias, comidas típicas de cada festa e até as vestimentas, apesar de, também nestes dias, ter havido muito mais ingerências de outros ritmos que desejam influenciar o como se festeja.

A correta forma de se celebrar a Eucaristia, com suas rubricas respeitadas,  assistida por uma catequese –  essa sim, de linguagem própria, pormenorizada, atuante e até contundente –, pode trazer a ampla participação do Povo de Deus.

A Catequese pode revolucionar a Fé daquele e daquela que se aproximarem do Altar. Sem uma catequese adequada, a aproximação do Altar não passará de mera superstição, ainda que tradicionalmente aceita. O devocionismo encobre o Real, fazendo com que o devoto ou a devota pensem que só há um único meio de se chegar ao Senhor, por meio de sua devoção, mas desconhecem o acesso direto ao próprio Senhor. Sim, que haja devoção! Contanto que seja consciente do Todo, não só da parte. Eis um papel inerente à Catequese: formar o Povo de Deus!
Portanto, para se pensar em uma melhor proposta para o engajamento, adesão, ou a maior participação do Povo de Deus na Celebração, é necessário que o Povo saiba o quê se celebra e como se celebra. Se, constantemente, houver alternância no modo de se celebrar, será impossível celebrar bem, pois não se conhece.
Merece reconhecimento o sacerdote que nos seus 30 ou 45 minutos de homilia se atém a:
- Explicar as leituras bíblicas;
- Explicar o que celebra (memória, festa, solenidade, devoção, etc.);
- Fazer a mensagem ecoar nos dias atuais; e
- Avivar a Fé do Povo de Deus.

Sim, dou Graças ao Senhor pelo sacerdote que se digna “gastar” seu tempo preparando essas homilias. E rogo, também, por mais catequistas, os que gostam de aprender, de ler, de amar e rezar, principalmente.

Eis a minha consideração:
Como a Espiritualidade da Igreja emana do Altar (da Eucaristia). Que se pense em melhora a partir do Altar, pois, na Celebração do Santo Sacrifício, é para lá que viram todos os olhos e corpos.

Devemos dar o melhor ao Altíssimo, e no Culto ao Altíssimo igualmente devemos proporcionar o mais belo Àquele que é o mais Belo, o Amado. Todas as manifestações artísticas devem ser de máximo cuidado, zelo e beleza no trato do Sagrado. 

Devemos ofertar o melhor de nossas artes. No Sacrifício da Santa Missa, devemos ofertar e possibilitar que a beleza kenótica* seja expressa sem véus; nitidamente. As músicas, os ornamentos, as posturas corporais não podem “contracenar” com a Celebração – ainda mais quando não se trata de espetáculo público.

Funcional e organicamente, ornamentação, acolhida, procissões, músicas, leituras, gestos, palavras, tudo mais no Santo Sacrifício da Missa devem evocar ao que se prestam: o Culto de Sacrifício do Filho de Deus humanado.

Se, por qualquer motivo, algum dos itens acima se sobressair sobre os demais, ou se um deles for omitido ou ainda insipientemente elaborado, ocorre grande falta.

Que tudo se dirija ao Cristo! Que as alfaias e demais toalhas sejam limpas e belas. Que a ornamentação dê enfoque ao que se celebra e não seja uma dispersão de atenção do Altar e do Rito.  Que o Altar, que é mesa do Senhor, lembre também que é local do Sacrifício do Senhor e centro da Ação de Graças – que não esqueçamos o Memorial da Paixão de Cristo.

Que a acolhida seja bem feita. Que todo povo de Deus saiba para onde olhar e tenha onde se acomodar para decentemente cultuar nosso Deus. Que as músicas evoquem alegria da ressurreição e também o Mistério da Fé – assim mesmo – permitindo que o Povo de Deus reze o que celebra e celebre cantando. Que todos os leitores saibam que nutrem o Povo de Deus com a Palavra proclamada quais os discípulos logo após o Pentecostes. Que os acólitos ajam com simplicidade, organização, zelo, atenção e distinção capaz de passarem desapercebidos nos ofícios do Altar.

Que tudo se dirija ao Cristo no Altar da Celebração da Eucaristia com harmonia, possibilitando, com entendimento, que participemos com os olhos vendo as cores litúrgicas; que sintamos os odores do incenso; que nossos ouvidos reconheçam a voz do Senhor nas leituras, no Salmo e nas canções; que, assim, nossa alma elevada possa saborear o gosto da Eucaristia, do Corpo do Senhor. Eis a Missa! Eis o Culto Católico!


(*sobre Beleza Kenótica, recomendo as seguintes leituras:  
Via Puchritudines (Vaticano: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/cultr/documents/rc_pc_cultr_doc_20060327_plenary-assembly_final-document_en.html)
 A Porta da Beleza (Bruno Forte)

por Eudes Inacio, sJpVM

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