terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Do Culto Cristão Católico II, 1

Caros amigos, prosseguindo sobre questões da nossa Liturgia cristã Católica, abordaremos assuntos um tanto mais profundos. (Mas há quem diga que estes assuntos são detalhes, não dignos de atenção, ou exagero, preciosismo; pois o que importaria seria somente o amor ao próximo...)

"O culto litúrgico jamais pode ser despojado do seu caráter sagrado... por isso é errado substituir os objetos sagrados pelo de uso comum ou vulgar"  (Paulo VI)

1) De que devem ser feitas as alfaias (os paninhos) utilizadas na Celebração do Culto Católico?
2) As flores, qual seu significado?
3) Vasos decorativos, para quê e por quê?
4) O retábulo (parede de fundo do Templo), como deve ser?

Então, lá vamos nós!

"Tenham os Bispos todo o cuidado em retirar da casa de Deus e de outros lugares sagrados aquelas obras de arte que não se coadunam com a fé e os costumes e com a piedade cristã, ofendem o genuíno sentido religioso, quer pela depravação da forma, que pela insuficiência, mediocridade ou falsidade da expressão artística. " (SC 124)

Sobre a questão (1).

 "A Igreja preocupou-se com muita solicitude em que as alfaias sagradas contribuissem para a dignidade e beleza do culto, aceitando no decorrer do tempo, na matéria, na forma e na ornamentação, as mudanças que o progresso técnico foi introduzindo." (SC 122)

"... Por outro lado, a natureza e a beleza do lugar sagrado, bem como de todas as alfaias do culto, devem ser de tal modo que fomentem a piedade e exprimam a santidade dos mistérios que se celebram." (IGMR 294)

"Tal como para a construção das igrejas, também, no que se refere a todas as alfaias sagradas, a Igreja admite as formas de expressão artística próprias de cada região e aceita as adaptações que melhor se harmonizem com a mentalidade e as tradições dos diversos povos, contanto que correspondam adequadamente ao uso a que as mesmas alfaias sagradas se destinam.

Também neste sector se deve buscar com todo o empenho aquela nobre simplicidade que tão bem condiz com a arte verdadeira." (IGMR 325)


"Nas alfaias sagradas, além dos materiais tradicionalmente usados, podem utilizar-se outros que, de acordo com a mentalidade da nossa época, se consideram nobres, resistentes e adaptados ao uso sagrado..."(IGMR 326)

"... todas as outras alfaias destinadas ao uso litúrgico, ou a qualquer título admitidas na igreja, devem ser dignas e adequadas ao fim a que se destinam." (IGMR 348)

"Tenha-se grande cuidado em respeitar, mesmo nos objetos de menor importância, as exigências da arte, aliando sempre a limpeza a uma nobre simplicidade." (IGMR 351)

"Ao promoverem uma autêntica arte sacra, prefiram os Ordinários à mera sumptuosidade uma beleza que seja nobre. Aplique-se isto mesmo às vestes e ornamentos sagrados." (SC 124)


Será que nossas alfaias estão limpas e conservadas como deveriam ser? Será que estão sendo feitas de material nobre, digno, simples, mas que leva ao reconhecimento da nobreza do ato litúrgico?
E o manustérgio é de igual dignidade como pede a Santa Mãe Igreja para a celebração? Ou será que é apenas uma "toalhinha de bidê", daquelas que encontramos nos banheiros por aí?

Às vezes ouço alguns dizerem da necessidade da simplicidade na Celebração Eucarística, mas logo descubro que estes mesmos, quando se trata de suas casas, suas lidas, só tomam refrigerante de cola (não aceitam qualquer um); só usam camisas "de marca" e não qualquer uma; anel, só de diamante; aliança, só de ouro; só comem na pizzaria "x" porque só lá é a melhor; só usam carro "tal" porque só ele tem melhor motor; só usam smart ou black-berry porque são completos; tv só led de 42 polegadas, porque menores que essas  são ultrapassadas; só querem a Faculdade "tal" porque é a melhor;...

Daí, concluo: Engraçado. Para Deus, o simples; para si, somente o melhor satisfaz.
Paradoxo, não?

Cri por muito tempo que eram esses comentários "simplistas" de má intenção. Enganado estive por aquele tempo.
De fato, criticavam, opinavam sobre o que não sabiam de verdade.
Também eu fruto de uma geração da catequese às mínguas, feita mais por uso do esforço de "destemidos" catequistas - também frutos de outras catequeses obsequiosas -, padeci deste mal.

Diante de um rei, faríamos cochichados? Daríamos o pior? Falaríamos mais alto para encobrir a voz do rei?...
Ah, gente do interior!... Lembrei agora de nossos alagoanos do agreste e sertão... Quando se vai à casa deles, mesmo como simples visita, pegam no armário pratos que não costumam usar (só pra ocasiões especiais), fazem seu melhor prato, acolhem na melhor hospedagem e, enquanto na casa deles, é-se tratado dignamente... E quando vão à Igreja, estes mais simples alagoanos, não economizam em dízimo nem em decoração do "andor" de Nossa Senhora.

Simplicidade é mais que a estética. É a disposição de ser um simples ser humano, percebendo-se necessitado de Deus; e assim reconhecendo que Deus é Rei e Senhor, e a Ele o melhor, a glória, o louvor, o poder, a majestade, o bendizer e a Ação de Graças.

A Eucaristia é a Ação de Graças. Ao Senhor devemos nos despojar das limitações para oferecer-LHE o que de melhor temos. Não panos sujos, que nem em nossas casas usaríamos.

Tenhamos o trato com o Sagrado dispensando a ele o que é de melhor. Não cabe aqui aqueles chavões de simplicidade: "Deus quer só nossa simplicidade"... daí os templos à míngua sem dizimistas.
Simplicidade, repito, é reconhecer-se simples criatura necessitada de Deus, o Altíssimo, o Todo-Poderoso, o Senhor dos Exércitos, o Pai Bondoso.

"Diante do Altíssimo, o baixíssimo se rasteja" (D. Bernardo Alves)

Eudes Inacio, sJpVM.


Nenhum comentário: