quinta-feira, 28 de julho de 2011

Da Idolatria

por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju. in: http://costa_hs.blog.uol.com.br/


Estava meditando no Livro da Sabedoria e dei com estas palavras: “Nenhum homem pode modelar um deus à sua semelhança: porque, sendo mortal, forja com suas mãos iníquas um morto! De fato, ele é melhor do que aqueles aos quais cultua, porquanto pelo menos vive, mesmo sendo mortal, ao passo que aqueles nunca viverão!” (Sb 15,16b-17).
São palavras contra a idolatria. No sentido bíblico mais profundo a idolatria consiste em o homem endeusar, divinizar e idolatrar a criatura ao invés do Criador e a obra de suas mãos, como se fosse um deus que lhe pudesse dar a vida...
É de pensar, a situação do mundo atual... A humanidade tem modelado tantos deuses: a tecnologia, as ciências tão avançadas, o divertimento, o culto do corpo e do bem estar, do sucesso e da fama, o prazer em todas as formas possíveis e imagináveis... E tem colocado em tudo isso a sua esperança de uma vida feliz, de realizar sua existência...
Mas, é uma ilusão, uma armadilha, uma mentira: essas coisas não salvam, não dão o sentido, não podem servir de fundamento válido e duradouro para a existência! Elas não são Deus!
Aliás, como adverte o texto sagrado, o homem mortal – pó que o vento leva – não pode modelar um Deus imortal! Tudo quanto modelam os filhos de Adão não passa de pó e não pode servir para dar sustento à nossa existência.
Veja bem, meu caro Leitor: a humanidade nunca foi tão iludida e enganada, tão superficial como nestes nossos tempos! Como diz ainda o texto santo, este homem de agora “ignora aquele que o plasmou, que nele inspirou uma alma ativa e nele insuflou o espírito que faz viver. Chega a considerar nossa vida um jogo e nossas atividades como voltadas para o lucro; por isso diz que deve tirar proveito de tudo, até do mal” (Sb 15,11-12).
Penso que um dos grandes desafios e uma das maiores responsabilidades nossas, que cremos, é viver de tal modo e colocarmo-nos no mundo de tal maneira que apareça claramente que vivemos na consciência profunda e convicta de que aqui estamos de passagem, de que “não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da que está para vir” (Hb 13,14). Crer é viver à luz do Absoluto, é ter como alicerce da vida a convicção de que não somos a fonte nem o fim de nossa própria vida e nossos poucos dias neste mundo não encontram sentido neles próprios nem em nada como possamos fabricar com nossa inteligência. Se pensarmos bem, veremos claramente que o homem é uma seta que indica um Outro, uma Origem e um Destino; o homem é um grito irrefreável chamando e clamando pelo Sentido, pela Finalidade pelo Fundamento de tudo, a começar pela sua própria vida pessoal.
Para nós, valem ainda as palavras do Autor sagrado: “Tu, ó nosso Deus, és bom e verdadeiro, és paciente e tudo governas com misericórdia. Mesmo pecando, somos teus, pois acatamos o teu poder; mas não pecaremos, sabendo que somos contados como teus. Conhecer-te é a justiça perfeita, e acatar teu poder é a raiz da imortalidade” (Sb 15,1-3).
 
 


quarta-feira, 27 de julho de 2011

“O mundo, lugar de encontro com Deus”

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA
26 de julho de 2011
 
Precisas de formação, porque deves ter um profundo senso de responsabilidade, que promova e anime a atuação dos católicos na vida pública, com o respeito devido à liberdade de cada um, e recordando a todos que têm de ser coerentes com a sua fé. (Forja, 712)

Um homem ciente de que o mundo - e não só o templo - é o lugar do seu encontro com Cristo, ama este mundo, procura adquirir um bom preparo intelectual e profissional, vai formando - com plena liberdade - seus próprios critérios sobre os problemas do meio em que se desenvolve; e, por conseqüência, toma suas próprias decisões, as quais, por serem decisões de um cristão, procedem além disso de uma reflexão pessoal, que tenta humildemente captar a vontade de Deus nesses detalhes pequenos e grandes da vida.

Mas jamais esse cristão se lembra de pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja, e que suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas. Isso não pode ser, meus filhos! Isso seria clericalismo, catolicismo oficial, ou como queiram chamá-lo. Em qualquer caso, é violentar a natureza das coisas. Há que difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que deve levar a três conclusões: temos que ser suficientemente honrados, para arcar com a nossa própria responsabilidade pessoal; temos que ser suficientemente cristãos, para respeitar os irmãos na fé, que propõem - em matérias de livre opinião - soluções diversas da que cada um sustenta; e temos que ser suficientemente católicos, para não nos servirmos de nossa Mãe a Igreja, misturando-a em partidarismos humanos (...)

Interpretem, portanto, minhas palavras, como elas são realmente: um chamado para que exerçam - diariamente!, não apenas em situações de emergência - os direitos que têm; e para que cumpram nobremente as obrigações que têm como cidadãos - na vida pública, na vida econômica, na vida universitária, na vida profissional - assumindo com valentia todas as conseqüências das suas livres decisões, e arcando com o peso da correspondente independência pessoal. E essa cristã mentalidade laical permitirá fugir de toda e qualquer intolerância, de todo fanatismo; vou dizê-lo de um modo positivo: fará que todos convivam em paz com todos os concidadãos, e fomentará também a convivência nas diversas ordens da vida social. (Questões Atuais do Cristianismo, 116-117).

       http://www.opusdei.org.br/art.php?p=17512

terça-feira, 26 de julho de 2011

MISTÉRIOS NA EUCARISTIA.

« A obra de Deus consiste
em acreditar n'Aquele que Ele enviou »
(Jo 6, 29)

 Na Eucaristia, revela-se o desígnio de amor que guia toda a história da salvação (Ef 1, 9-10; 3, 8-11). Nela, o Deus-Trindade (Deus Trinitas), que em Si mesmo é amor (1 Jo 4, 7-8), envolve-Se plenamente com a nossa condição humana. No pão e no vinho, sob cujas aparências Cristo Se nos dá na ceia pascal (Lc 22, 14-20; 1 Cor 11, 23-26), é toda a vida divina que nos alcança e se comunica a nós na forma do sacramento: Deus é comunhão perfeita de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Já na criação, o homem fora chamado a partilhar, em certa medida, o sopro vital de Deus (Gn 2, 7). Mas, é em Cristo morto e ressuscitado e na efusão do Espírito Santo, dado sem medida (Jo 3, 34), que nos tornamos participantes da intimidade divina. Assim Jesus Cristo, que « pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha » (Heb 9, 14), no dom eucarístico comunica-nos a própria vida divina. Trata-se de um dom absolutamente gratuito, devido apenas às promessas de Deus cumpridas para além de toda e qualquer medida. A Igreja acolhe, celebra e adora este dom, com fiel obediência. O « mistério da fé » é mistério de amor trinitário, no qual, por graça, somos chamados a participar. Por isso, também nós devemos exclamar com Santo Agostinho: « Se vês a caridade, vês a Trindade ».
(Papa Bento XVI. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis. In: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20070222_sacramentum-caritatis_po.html)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

POEMA DA TARDE





"E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim.
Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?”"
(Gn 3,8-9)


"Então todos o abandonaram e fugiram". (Mc 14,50)


Ó tarde sem fim...
Tanto vos amei.
Convosco estive, vos alimentei.
Meus amigos... meus amigos!
Onde estaríeis vós?
Fugistes?
Vos escondestes?
Tanto vos amei!
Acaso não vos dei tudo a conhecer?
Então, que fostes buscar no centro do Jardim?
Procurei-vos, mas
Vós vos escondestes nas árvores?
Por quê?
Acaso, Natanael,
Não estavas debaixo de uma quando o chamei?
André, João, vós me procuráveis
por volta décima hora?
atardinha!...
Pedro! Ah, Pedro!!!
Negaste me conhecer...
Filipe, há quanto tempo contigo e não me conhecíeis...
Tomé... ah, Tomé,
só me crerias se me tocasses;
Deixei-Me tocar.
Amigos.
Meus amigos,
Vos espero na Galileia!

+ + +
Eudes Inacio, sJpVM.

sábado, 23 de julho de 2011

A graça e as virtudes (Tema 28)

A graça é a fonte da obra de santificação; cura e eleva a natureza fazendo-nos capazes de agir como filhos de Deus.

1. A graça

Deus tem chamado ao homem a participar da vida da Santíssima Trindade. «Esta vocação à vida eterna é sobrenatural» (Catecismo, 1998)[1]. Para nos conduzir a este fim último sobrenatural, concede-nos já nesta terra um início dessa participação que será plena no céu. Este dom é a graça santificante, que consiste em uma «incoação da glória»[2]. Por tanto, a graça santificante:

— «é o dom gratuito que Deus nos concede de sua vida, infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la» (
Catecismo, 1999);

— «é uma
participação na vida de Deus» (Catecismo, 1997; cfr. 2 Pe 1, 4), que nos diviniza (cfr. Catecismo, 1999);

— é, portanto, uma
nova vida, sobrenatural; como um novo nascimento pelo que somos constituídos em filhos de Deus por adoção, partícipes da filiação natural do Filho: «filhos no Filho»[3];

— introduz-nos assim na intimidade da vida trinitária. Como filhos adotivos, podemos chamar Pai» a Deus, em união com o Filho único (cfr.
Catecismo, 1997);

— é graça de Cristo», porque na situação presente —isto é, após o pecado e da Redenção feita por Jesus Cristo— a graça chega-nos como participação da graça de Cristo (
Catecismo, 1997): «De sua plenitude todos temos recebido graça sobre graça» (Jo 1, 16). A graça nos configura com Cristo (cfr. Rm 8, 29);

— é
«graça do Espírito Santo», porque é infundida na alma pelo Espírito Santo[4].

A graça santificante chama-se também graça
habitual porque é uma disposição estável que aperfeiçoa a alma pela infusão de virtudes, para fazê-la capaz de viver com Deus, de agir por seu amor (cfr. Catecismo, 2000)[5].

2. A justificação

A primeira obra da graça em nós é a justificação (cfr.
Catecismo, 1989). Chama-se justificação a passagem do estado de pecado ao estado graça (ou “de justiça”, porque a graça faz-nos “justos”)[6]. Esta tem lugar no Batismo e a cada vez que Deus perdoa os pecados mortais e infunde a graça santificante (ordinariamente no sacramento da penitência)[7]. A justificação «é a obra mais excelente do amor de Deus» (Catecismo, 1994; cfr. Ef 2, 4-5).

3. A santificação


Deus não nega a ninguém sua graça, porque quer que todos os homens se salvem (1
Tm 2, 4): todos sãoMt 5, 48)[8]. A graça «é em nós a fonte da obra de santificação» (Catecismo, 1999); sana e eleva nossa natureza fazendo-nos capazes de agir como filhos de Deus[9], e de reproduzir a imagem de Cristo (cfr. Rm 8,29): isto é, de ser, cada um, alter Christus, outro Cristo. Esta semelhança com Cristo manifesta-se nas virtudes. chamados à santidade (cfr.
A santificação é o progresso em santidade; consiste na união cada vez mais íntima com Deus (cfr. Catecismo, 2014), até chegar a ser não só outro Cristo senão ipse Christus, o mesmo Cristo[10]: isto é, uma só coisa com Cristo, como membro seu (cfr. 1 Co 12, 27). Para crescer em santidade é necessário cooperar livremente com a graça, e isto requer esforço, luta, por causa da desordem introduzida pelo pecado (o fomes peccati). «Não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual» (Catecismo, 2015)[11].

Em conseqüência, para vencer na luta ascética, antes de mais nada há que pedir a Deus a graça mediante a oração e a mortificação —«a oração dos sentidos»[12]– e a receber nos sacramentos[13].


A união com Cristo só será definitiva no Céu. Há que pedir a Deus a graça da perseverança final: isto é, o dom de morrer em graça de Deus (cfr.
Catecismo, 2016 e 2849).

4. As virtudes teologais


A
virtude, em general, «é uma disposição habitual e firme a fazer o bem» (Catecismo, 1803)[14]. «As virtudes teologais referem-se diretamente a Deus. Dispõem aos cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para fazê-los capazes de agir como filhos de Deus» (Catecismo, 1813)[15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cfr. 1 Co 13, 13).

A
«é a virtude teologal pela que cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe» (Catecismo, 1814). Pela fé «o homem entrega-se inteira e livremente a Deus»[16], e se esforça por conhecer e fazer a vontade de Deus: «O justo vive da fé» (Rm 1,17)[17].

— «O discípulo de Cristo não deve só guardar a fé e viver dela, senão também professá-la,  testemunhá-la com firmeza e difundi-la» (
Catecismo, 1816; cfr. Mt 10,32-33).

A
esperança «é a virtude teologal pela que aspiramos ao Reino dos céus e à vida eterna como felicidade nossa, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas nos auxílios da graça do Espírito Santo» (Catecismo, 1817)[18].

A
caridade «é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo e a nosso próximo como a nós mesmos por amor de Deus» (Catecismo, 1822). Este é o mandamento novo de Jesus Cristo: «que vos ameis uns a outros como eu vos amei» (Jo 15,12)[19].

5. As virtudes humanas

«As
virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais do entendimento e da vontade que regulam nossos atos, ordenam nossas paixões e guiam nossa conduta segundo a razão e a fé. Proporcionam facilidade, domínio e satisfação para levar uma vida moralmente boa» (Catecismo, 1804). Estas «se adquirem mediante as forças humanas; são os frutos e os gérmenes dos atos moralmente bons» (Catecismo, 1804)[20].

Entre as virtudes humanas há quatro chamadas
cardeais porque todas as demais se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança (cfr. Catecismo, 1805).

— A
prudência «é a virtude que dispõe a razão prática a discernir em toda circunstância nosso verdadeiro bem e a eleger os meios retos para o realizar» (Catecismo, 1806). É a «regra reta da ação»[21].

— A
justiça «é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido» (Catecismo 1807)[22].

— A
fortaleza «é a virtude moral que assegura nas dificuldades a firmeza e a constância na busca do bem. Reafirma a resolução de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza faz capaz de vencer o temor, inclusive à morte, e de fazer frente às provas e às perseguições. Capacita para ir até a renúncia e o sacrifício da própria vida por defender uma causa justa» (Catecismo, 1808)[23].

— A
temperança «é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e busca o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos» (Catecismo, 1809). A pessoa temperada orienta para o bem seus apetites sensíveis, e não se deixa arrastar pelas paixões (cfr. Sir 18, 30). No Novo Testamento é chamada "moderação" ou "sobriedade" (cfr. Catecismo, 1809).

Com respeito às virtudes morais, afirma-se que
in medio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste em um meio entre um defeito e um excesso[24]. In medio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o meio-termo entre dois ou mais vícios, mas a retidão da vontade que —como um cume— se opõe a todos os abismos que são os vícios[25].

6. As virtudes e a graça. As virtudes cristãs

a) As feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição e o exercício das virtudes humanas (cfr.
Catecismo, 1811)[26]. Para adquiri-las e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que sana a natureza humana.

A graça, ademais, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina, eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cfr.
Catecismo, 1810), levando a pessoa humana a atuar segundo a reta razão iluminada pela fé: em uma palavra, a imitar a Cristo. Deste modo, as virtudes humanas chegam a ser virtudes cristãs[27].

7. Os dons e frutos do Espírito Santo

«A vida moral dos cristãos está sustentada pelos
dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que fazem o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito Santo» (Catecismo, 1830)[28]. Os dons do Espírito Santo são (cfr. Catecismo, 1831):

1º dom de sabedoria: para compreender e julgar com acerto a respeito dos desígnios divinos;


2º dom de entendimento: para a compreensão da verdade sobre Deus;


3º dom de conselho: para julgar e seguir as ações singulares os desígnios divinos;


4º dom de fortaleza: para acometer as dificuldades na vida cristã;


5º dom de ciência: para conhecer a ordenação das coisas criadas a Deus;


6º dom de piedade: para comportar-nos como filhos de Deus e como irmãos de nossos irmãos os homens, sendo outros Cristos;


7º dom de temor de Deus: para recusar todo o que possa ofender a Deus, como um filho recusa, por amor, o que pode ofender a seu pai.


Os
frutos do Espírito Santo «são perfeições que formam em nós o Espírito Santo como primícias da glória eterna» (Catecismo, 1832). São atos que a ação do Espírito Santo produz habitualmente na alma. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, gozo, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Ga 5, 22-23).

8. Influência das paixões na vida moral

Pela união substancial da alma e do corpo, nossa vida espiritual —o conhecimento intelectual e o livre querer da vontade— encontra-se sob o influxo (para bem ou para mau) da sensibilidade. Este influxo manifesta-se nas paixões que são impulsos da sensibilidade que inclinam a fazer ou a não fazer em razão do que é sentido ou imaginado como bom ou como mau» (
Catecismo, 1763). As paixões são movimentos do apetite sensível (irascível e concupiscível). Podem-se chamar também, em sentido amplo, “sentimentos” ou “emoções”[29].

São paixões, por exemplo, o amor, a ira, o temor, etc. «A mais fundamental é o amor acordado pela atração do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de obtê-lo. Este movimento culmina no prazer e o gozo do bem possuído. A apreensão do mal causa o ódio, a aversão e o temor ante o mal que pode sobrevir. Este movimento culmina na tristeza por causa do mal presente ou na ira que se opõe a ele» (
Catecismo, 1765).

As paixões influem muito na vida moral. «Em si mesmas, não são boas nem más» (
Catecismo, 1767). «São moralmente boas quando contribuem a uma ação boa, e más no caso contrário» (Catecismo, 1768)[30]. Pertence à perfeição humana que as paixões estejam reguladas pela razão e dominadas pela vontade[31]. Após o pecado original, as paixões não se encontram submetidas ao império da razão, e com freqüência inclinam a realizar o que não é bom[32]. Para orientá-las habitualmente ao bem se precisa da ajuda da graça, que cura as feridas do pecado, e a luta ascética.

A vontade, se é boa, utiliza as paixões ordenando ao bem[33]. Em contrapartida, a má vontade, que segue ao egoísmo, sucumbe às paixões desordenadas ou as usa para o mal (cfr.
Catecismo, 1768).

Francisco Díaz



Bibliografia básica


Catecismo
da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia
Virtudes humanas, em Amigos de Deus, 73-92.
[opusdei.org.br]

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Boa Noite, Senhor Jesus

Senhor, eu vos peço: iluminai minha inteligência,
Inflamai minha vontade,
purificai meu coração
E santificai minha alma.

Dai-me chorar os pecados passados,
repelir as tentações futuras,
Corrigir as más inclinações
e praticar as virtudes do meu estado.

Concedei-me, ó Deus de bondade,
Ardente amor por vós e aversão por meus defeitos,
Zelo pelo próximo e desapego do mundo.
Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores,
Auxiliar os que dependem de mim,
Dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos.

Tudo isso Vos rogo, Senhor, apelando para Vossa Mãe que me deste por adoção. Amém!

Ó Maria, Mãe dos pecadores, rogai por mim!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

2ª Conferência de Juventude de Alagoas

"Nesta quinta-feira (21) foi realizada a abertura da 2ª Conferência da Juventude de Alagoas.
O evento foi uma preparação para Conferência Nacional de Políticas Pública de Juventude marcada para os dias 9 a 12 de dezembro e aconteceu no auditório Aquatune do Palácio República dos Palmares. 
A finalidade da Conferência é eleger as prioridades e propostas que serão discutidas nas etapas regionais e municipais da Conferência e depois apresentadas na etapa nacional."
[http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticias/ii-conferencia-da-juventude-reune-jovens-de-varios-municipios]


Eu trouxe este assunto porque, por causa da Pastoral da Juventude, fomos convidados Rogério Leite (coordenador PJ), Mariany Chaves (secretária PJ) e eu por José Benedito (Superintendência de Articulação da Juventude) para esta Conferência, que foi apenas um lançamento, não a execução dela propriamente dita. 
Nos dias 23 e 24 de setembro é que ocorrerá a Conferência sob o tema: "Conquistar os direitos. Desenvolver Alagoas."
Foi-nos dito que a PJ tem lugar na comissão de organização da Conferência - fato que achei importante e de alta relevância para a juventude católica também poder contribuir nas ações governamentais de políticas para a juventude.
Neste meio, jovens pertencentes a movimentos estudantis, partidos políticos, associações e entidades ligadas à juventude. Considero importante abrir o diálogo com este jovens que também são de Cristo (talvez ainda não o saibam!).
Em tempo que a PJ se prepara com toda juventude para a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, a Padroeira de Maceió, corre atrás de enxergar o horizonte de ações que humanizem a juventude.

Particularmente, como assessor, imagino os ganhos para a ação pastoral, sem descuidar dos embates por nos abrirmos ao diálogo com jovens de esquerda e suas instituições que defendem.

Não temo. Se cuidamos de ações em prol da juventude extra-eclesial, cuidamos também do ser integral do jovem.

Nossa contribuição tem valia de expor, sob a Luz do Evangelho de Cristo, o que a juventude precisa.

Enquanto os jovens socialistas falam da construção do social, "democracia" e da utopia marxista; enquanto os órgãos do governo falam em geração de emprego, das "oportunidades"; nós, do essencial: Cristo é Salvador e a resposta a todas as ânsias de felicidade existentes.


Que nosso Senhor nos ilumine.

A MISSA COMO CULTO (Parte III)

Que nos diz ensina a Encíclica Mediator Dei :

64. Idênticos, finalmente, são os fins, dos quais o primeiro é a glorificação de Deus. Do nascimento à morte, Jesus Cristo foi abrasado pelo zelo da glória divina e, da cruz, a oferenda do sangue chegou ao céu em odor de suavidade. E porque este cântico não havia de cessar, no sacrifício eucarístico os membros se unem à Cabeça divina e com ela, com os anjos e os arcanjos, cantam a Deus louvores perenes, (63) dando ao Pai onipotente toda honra e glória.(64)
65. O segundo fim é a ação de graças a Deus. O divino Redentor somente, como Filho de predileção do Eterno Pai de quem conhecia o imenso amor, pôde entoar-lhe um digno cântico de ação de graças. A isso visou e isso desejou "rendendo graças"(65) na última ceia, e não cessou de fazê-lo na cruz, não cessa de realizá-lo no augusto sacrifício do altar, cujo significado é justamente a ação de graças ou eucaristia; e porque isso é "verdadeiramente digno e justo e salutar".(66)
66. O terceiro fim é a expiação e a propiciação. Certamente ninguém, fora Cristo, podia dar a Deus onipotente satisfação adequada pelas culpas do gênero humano; ele, pois, quis imolar-se na cruz, "propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos de todo o mundo".(67) Nos altares se oferece igualmente cada dia pela nossa redenção, afim de que, libertados da eterna condenação, sejamos acolhidos no rebanho dos eleitos. E isso não somente por nós que estamos nesta vida mortal, mas ainda "por todos aqueles que repousam em Cristo, os quais nos precederam com o sinal da fé, e dormem o sono da paz",(68) pois, quer vivamos, quer morramos, "não nos separamos do único Cristo".(69)
67. O quarto fim é a impetração. Filho pródigo, o homem malbaratou e dissipou todos os bens recebidos do Pai celeste, por isso está reduzido à suprema miséria e inanição; da cruz, porém, Cristo, "tendo em alta voz e com lágrimas oferecido orações e súplicas... foi ouvido pela sua piedade",(70) e nos sagrados altares exercita a mesma mediação eficaz; a fim de que sejamos cumulados de toda bênção e graça.

[pelo Papa Pio XII, 20/XI/MCMLXVII] 
Citações:

63. Cf . Missal Rom., Prefácio.
64. Cf. Ibidem, Cânon.
65. Mc 14,23.
66. Missal Rom., Prefácio.
67. 1Jo 2,2 .
68. Missal Rom., Cânon.
69. S. Agostinho, De Trinit., 1. XIII, c.19. 
70. Hb 5, 7.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A MISSA COMO CULTO (parte II)

Continuando o que já começamos na postagem imediatamente anterior, vejamos o que disse Santo Agostinho:
"Ecce post sermonem fit missa catechumenis: manebunt fideles, venietur ad locum orationis." (Sermão XLIX)


Missa é aqui usado para a demissão dos catecúmenos, que era ofício do diácono proclamar. Todo o serviço (liturgia) foi dividido em duas partes, (1) a Missa dos catecúmenos, contendo as lições das Escrituras, sermão e orações para os catecúmenos (Missa catechumenorum), e (2) a Missa dos fiéis (Missa Fidelium), ou a Eucaristia propriamente. No final da primeira parte, o diácono advertia os catecúmenos para partir, em palavras ligeiramente diferentes, mas substancialmente do mesmo para todos, leste e oeste: por exemplo, na Liturgia de S. Crisóstomo o formulário é "Que todos os catecúmenos partam: não deixes que qualquer um dos catecúmenos --- Que todos os fiéis ---"; na de S. Marcos é ainda mais breve:" Olhe para que nenhum dos catecúmenos ". (.. Dial. Livro II c. xxiii) do missal romano não agora contêm esse recurso, mas certamente foi originalmente encontrada no mesmo, pois é aludida por Gregório Magno, que dá a forma como se segue: "Si quis non communicat det locum " [se alguém não compartilha (da Fé), dê lugar].

Eis aí, caros irmãos, mais motivos para nossa reflexão sobre o Culto da Santa Missa.


+ + +
Eudes Inacio, sJpVM.
servo de Jesus pela Virgem Maria.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A MISSA COMO CULTO.

Caros amigos que me vêm acompanhando neste blog,

Pax Domini!



Gostaria de tratar da vida eclesial referente ao Culto da Santa Missa e a participação (se é que podemos chamar "assistir à Missa" de participar...) de pessoas mal catequisadas, de pessoas alheias à Fé, de pessoas alheias ao Credo, de pessoas inimigas da Fé, de pessoas inimigas do Credo e de pessoas sequer batizadas.
O Culto que é a Missa não é, nem de longe, semelhante a um culto praticado por protestantes. E qualquer aproximação, ainda que por boa intenção, por parte de sacerdotes ou leigos é perniciosa.
Ora, recordemos que é a Missa:
"A Santa Missa é o Sacrifício da Nova Lei, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual são oferecidos a Deus o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, sob as aparências de pão e de vinho." 
"... é uma prolongação perene e incruenta (sem derramamento de sangue) do mesmo Sacrifício do Calvário."
"(...) se distinguem seis atos principais, nos quis procurarei tomar parte, associando-me ao sacerdote celebrante que realiza o Santo Sacrifício em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sumo Sacerdote:
1º) Rezar. (...)
2º) Escutar. (...)
3º) Oferecer. (...)
4º) Sacrificar. (...)
5º) Comungar. (...)
6º) Agradecer. (...)"
"FINALIDADES DA SANTA MISSA
1) Adorar e cultuar a Deus, nosso Criador e Pai (sacrifício latrêutico).
2) Aplacar a sua justiça e obter misericórdia (sacrifício propiciatório).
3) Dar-Lhe graças pelos benefícios recebidos (sacrifício eucarístico).
4) Pedir-Lhe favores e graças (sacrifício impetratório)"

(Missal Dominical. 4ª ed. Ave Maria, 1965).
[este livrinho é de uma riqueza, não acham?]

 Pelo exposto acima, dá-se a lição que qualquer pessoa, mesmo que batizada, deve ter, ao menos, noção dos seis atos principais de sua estada no templo durante a Missa. Além de que deve estar ciente das finalidades da Santa Missa.

Além do que já disse o Papa Pio XII na Encíclica Mediator Dei (n. 73):
"É necessário, pois, veneráveis irmãos, que todos os fiéis tenham por seu principal dever e suma dignidade participar do santo sacrifício eucarístico, não com assistência passiva, negligente e distraída, mas com tal empenho e fervor que os ponha em contato íntimo com o sumo sacerdote, como diz o Apóstolo: 'Tende em vós os mesmos sentimentos que Jesus Cristo experimentou' (Fl 2,5), oferecendo com Ele e por Ele, santificando-se com Ele."


Não é um "louvorzão" ou uma "festança" de ação de graças, nem muito menos uma "confraternização". É um sacrifício de qualidades latrêutica, propiciatória, eucarística e impretatória. Portanto, não é um "oba-oba" dominical.
Lembremo-nos do culto dos profetas de baal (cf. 1Re 18, 21-39) que costumavam gritar, pular até retalharem-se para ver se o deus deles os ouvia. E tomemos cuidado a nós para não fazermos isso a Deus! Elias já indagava até quando mancariam os que tinham duas pernas...


Que quero dizer? Que Missa não é lugar para começar uma relação próselita (ou pastoral) com jovens nem adultos. Missa é ação para os admitidos, convertidos, fiéis cristãos. A Igreja, como mãe, já tem este discernimento com os catecúmenos: os ainda não batizados não podem participar da Missa.
Lembremos o que diz a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 9):

"A sagrada liturgia não é a única atividade da Igreja, pois, antes de ter acesso à liturgia é preciso ser conduzido à fé e se converter. 'Como invocar se não crêem? Como crer, se não ouvem? Como ouvir, sem pregador? Como haverá pregação sem missão?'(Rm 10,14‑15)."

Pois então: "... antes de ter acesso à liturgia é preciso ser conduzido à Fé e se converter." Digo mais: faz-se necessário primeiro o Querigma (o anúncio) - pois não se pode crescer a Fé se nem sequer tem uma; após, deve vir a Catequese - para firmar os conceitos e preceitos. Não devemos "catolizar" sem primeiro cristianizar uma pessoa.
Se para catecúmenos, conforme o Ritual de Iniciação Cristã para Adultos (RICA) deve haver um pré-catecumenato, uma iniciação à iniciação, por que teriam direito a participar das Missas quem leva vida de pagão-batizado?

Não podemos admitir à Igreja e sua Sagrada Liturgia quem despreza a Igreja, o Magistério e aos preceitos evangélicos.

[continuarei]