terça-feira, 28 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

DA FIGURA À FORMA

Caros amigos, saudades deste espaço.

Blogueiros e amigos que me acompanham neste espaço, gostaria de partilhar alguns raciocínios sobre nossas palavras e linguagens cotidianas, especialmente no meio cristão eclesial.

Talvez estranhem o título, mas logo espero fazê-los entender o porquê.

Comecemos com nossa vontade pastoral de "exemplificar", "tornar fácil a compreensão", "melhorar a comunicação", "aproximar o diálogo" (ou discurso), "inculturar", ou qualque coisa que lhe valha.

É reconhecida nossa intenção, nossa vontade de fazer uma aproximação catequética - especialmente catequética! Já que esta é a principal fonte de formação cristã. (cf. Rm 10,17)

Preocupamo-nos tanto em fazer-se entender e exemplificar, com palavras do cotidiano do ouvinte, que damos nova conotação à Verdade, ao fato em si. E, a cada interpeleção de pedido por novo exemplo ou explicação melhor, aumentamos o leque de palavras novas sobre a Verdade ou fato.

Então, qual o erro por esta ação? Sim, temos boa vontade!

E lembremos que falamos português, uma língua rica em sinônimos oficiais e extra-oficiais também.

Vejamos um exemplo: a Eucaristia! Cristo se reúne com seus amigos, prepara-se uma refeição, todos se felicitam, confraternizam e Cristo pede que se faça em memória d'Ele. (cf. Lc 22,8-20) E os cristãos o fazem aos domingos (cf. At 20,7; 1Cor 16,2), nos lares deles mesmos (cf. At 2.46; 5,42; 8,3; 12,12).

Li um livro (que não farei propaganda) que, baseado nisso aí acima, divulgou um churrasco na casa de um amigo, no dia de domingo e CONOTAVA que isso era eucaristia. Pois bem, está aí: convite, amigos, comida, dia de domingo - eucaristia?

Talvez, a intenção dos autores fosse aproximar do quotidiano do seu possível público - dado a churrascos, certamente, a mensagem do Evangelho.

Daí, podem me auguir que mal há nisso. Ora, sou testemunha de muitos catecúmenos, catequisandos, crismandos,... cristãos que, quando perguntados sobre a Eucaristia, respondem de pronto: "é uma refeição!"

Está aí o clássico exemplo de um exemplo que assumiu o lugar da Verdade em si. E pior: muitas vezes, quando se percebe a falta da Verdade do fato em si, tenta-se ensinar a verdade, mas parece só mais um exemplo que é difícil de assimilar. E o aprendiz prefere o exemplo fácil já fixado. O fato em si, a Verdade, virou estranho ensinamento. = Desconstruir para reconstruir.

Nossa vontade Pastoral não prescinde a Verdade em si, o Evangelho e o Magistério. Se ainda não compreendemos bem algum ensinamento, vamos aos estudos, ad fontes

Aconselho a menor quantidade de exemplos e o maior conhecimento da Verdade para que seja ensinada a sã doutrina da Igreja - remédio para alma ferida e caminho para alcançar a Graça do Cordeiro. Se não for possível evitar os exemplos, que ao menos se afirme sempre a verdade em si, o fato, reiteradamente, e sempre corrigindo o emprego único do exemplo como forma do Ensino.


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Feliz  por voltar a postar no Blog,

Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria.

sábado, 18 de junho de 2011

A Igreja de Cristo e a Igreja católica


(Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju)


Na consciência de muita gente alojou-se, nos últimos tempos, uma idéia errada sobre a Igreja. Pensa-se que a Igreja de Cristo não está mais em nenhuma das denominações cristãs atuais. O que existiria seria simplesmente uma Igreja cristã, presente em todas as denominações, numa espécie de confederação de igrejas, de modo que não existe mais a Igreja de Cristo, mas igrejas que têm algo da Igreja de Cristo. Ora, isso foi, é e será sempre absolutamente inaceitável para a fé católica.
O Concílio Vaticano II, repetindo aquilo que sempre foi e será a nossa fé, afirma o seguinte: “... a única Igreja de Cristo, que no Credo professamos una, santa, católica e apostólica, e que nosso Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse... Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica” (Lumen Gentium 8).
Qual o sentido deste ensinamento? O Concílio quer dizer que a Igreja de Cristo não se perdeu nas estradas da história nem foi deteriorada pelo tempo. Ela existe na Igreja católica, ela é a Igreja católica. Em outras palavras, bem claras: a Igreja que Cristo fundou, ama, guia, vivifica e sustenta com a força do seu Espírito Santo é a Igreja católica. Nem mais nem menos. A expressão “subsiste” deseja, sobretudo, reafirmar que a Igreja de Cristo, com a plenitude de todos os meios instituídos por Cristo, subsiste (= continua, permanece) para sempre na Igreja católica (“católica” assim, com minúscula, pois não é um nome da Igreja, mas uma qualidade, um adjetivo: ela é “católica”, isto é, possui a totalidade dos elementos essenciais que Cristo pensou para sua Igreja. “Católica” para distinguir das várias denominações cristãs que foram surgindo no tempo, fruto da ruptura com a Igreja de Cristo, e que não possuem a totalidade desses elementos que Cristo quis para a sua Igreja). É preciso que fique bem claro que o Vaticano II aqui nos quer dizer que a Igreja de Jesus Cristo como sujeito concreto neste mundo pode ser encontrada somente na Igreja católica. Ela somente pode ocorrer com a Igreja católica! É totalmente errada e absolutamente contra a intenção do Concílio querer afirmar que a Igreja de Cristo pode subsistir também em outras comunidades cristãs. “Subsiste” quer exprimir exatamente o contrário. Só pode haver uma única subsistência da verdadeira Igreja, enquanto que fora da estrutura visível da Igreja de Cristo existem apenas elementos da Igreja de Cristo. Por isso mesmo, essas outras comunidades, ainda que não sejam realmente igreja, possuem, graças a Deus elementos eclesiais, elementos da única Igreja de Cristo, que é a Igreja católica, e somente a Igreja católica.
Sendo assim, é preciso afirmar sem medo nem reservas nenhumas que, do ponto de vista teológico, não é correto chamar as comunidades protestantes de “Igreja”. Elas são comunidades eclesiais, isto é, comunidades que, sem serem propriamente igrejas, possuem vários elementos eclesiais. E quais seriam eles? A Palavra de Deus, a fé em Jesus Cristo como único Salvador e a confissão do Deus uno e trino, a vida de piedade, bem como a caridade fraterna, o sacramento do Batismo, vários dons e carismas que ajudam na vida cristã, o desejo sincero de testemunhar e anunciar Jesus Cristo, a esperança na vida eterna... Todos estes dons, que pertencem à única Igreja de Cristo, graças a Deus, estão presentes nessas comunidades. As comunidades protestantes, do ponto de vista estritamente teológico, só podem ser chamadas “Igrejas” em sentido metafórico. Já a situação das Igrejas ortodoxas é diferente. Elas são Igrejas como as dioceses católicas são Igrejas: Igrejas locais. Teologicamente, não existe uma Igreja Ortodoxa; existem Igrejas (dioceses) Ortodoxas: são aquelas que, separadas de Roma, guardaram, no entanto a verdadeira fé, a inteireza dos sacramentos, a Eucaristia plena e a legítima sucessão apostólica.
Podemos, a partir do que foi exposto, colocar duas questões. (1) Por que somente a Igreja católica é a Igreja de Cristo? Isso não é uma pretensão demasiada e exorbitante? Não. A Igreja não se faz a si própria, não é obra humana. Cristo fundou sua Igreja, concedeu-lhe o dom de sua presença e assistência com a ação do seu Espírito, dotou-a de pastores legítimos, aos quais prometeu assistência, não pela força e fidelidade deles, mas pela sua graça. Ora, esta Igreja é a Igreja católica, da qual todas as outras comunidades cristãs apartaram-se por algum motivo (muitas vezes também por culpa nossa). Então, o fato de nós católicos sermos a única Igreja de Cristo não mérito nosso, mas fruto da fidelidade do Senhor, que jamais volta atrás nas suas promessas e na sua fidelidade. Se a Igreja de Cristo se tivesse perdido, então a Páscoa do Senhor não seria a palavra última e vitoriosa de Deus para a humanidade; as portas do Inferno seriam mais fortes que Cristo e sua Igreja... (2) Uma outra questão: esta visão do Concílio não atrapalha o ecumenismo? De modo algum! Não se faz ecumenismo na mentira, no escondimento da verdade, no engano e num irenismo frouxo. O Concílio Vaticano II soube maravilhosamente reafirmar a Tradição da Igreja e a fé verdadeira, buscando, no entanto, uma linguagem e um caminho que ajudem na compreensão recíproca. A novidade do Concílio no campo ecumênico foi reconhecer que fora da Igreja há elementos de salvação. Não só os reconheceu como também os exemplificou, como listei acima. Isso faz com que cresça realmente um sincero respeito pelos nossos irmãos separados e se desenvolva nossa capacidade de apreciar retamente os tantos pontos em comum que temos, graças a Deus.
É importante e imprescindível que os cristãos, no âmbito ecumênico, trabalhem em duas frentes: uma, na busca de uma verdadeira prática do amor recíproco, que deve sempre distinguir os discípulos do Senhor. Sem isso não há cristianismo. A outra, a paciente e sincera procura da verdade, até que cheguemos todos, um dia, àquela unidade que o Senhor desejou para a sua Igreja, quando todos os que são ornados com o precioso nome de cristão, comerão do mesmo Pão eucarístico e beberão do mesmo Cálice do Senhor. Até lá, sejamos verdadeiros católicos, sendo gratos ao Senhor que, sem nenhum mérito nosso, nos deu a graça de perseverar na sua santa Igreja, católica e apostólica.

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