sábado, 23 de abril de 2011

JESUS DESCE AO INFERNO

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo

(PG43,439.451.462-463)           (Séc.IV)

A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e
uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e
ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há
séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão
de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão
ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa.
Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito
e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E
com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre
os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram
de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos
que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos
mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas
mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te,
saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de
escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado
debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre
os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos
judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê
na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza
corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o
peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti,
como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. 



Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao
adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do
sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te
coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida;
eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te
guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.



Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito
nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os
tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”. 


quarta-feira, 20 de abril de 2011

MINHA PAIXÃO, A DE CRISTO

Lamentos do Senhor

Eugênio Jorge

1. Povo meu, que te fiz eu?
Dize: em que te contristei?
Por que à morte me entregaste?
Em que foi que eu te faltei?


2. Eu te fiz sair do Egito,
Com maná te alimentei.
Preparei-te bela terra:
Tu, a cruz para o teu Rei!


Refrão: Deus santo, Deus forte, Deus imortal, Tende piedade de nós!

3. Bela vinha eu te plantara,
Tu plantaste a lança em mim;
Águas doces eu te dava,
Foste amargo até o fim!


4. Flagelei por ti o Egito,
Primogênitos matei;
Tu, porém, me flagelaste,
Entregaste o próprio Rei!


Refrão: Deus santo, Deus forte...

5. Eu te abri o mar Vermelho,
Tu me abriste o coração;
A Pilatos me levaste,
Eu te levei pela mão.


6. Só na cruz tu me exaltaste,
Quando em tudo te exaltei;
Que mais podia eu ter feito?
Em que foi que eu te faltei?


Refrão: Deus santo, Deus forte...

terça-feira, 19 de abril de 2011

SEMANA SANTA MINHA


No Domingo, poderiam os cristãos somente ler trecho do Evangelho; poderia somente ler trechos do Antigo Testamento...

Mas nós, Católicos, agrupamo-nos com ramos e acompanhamos o sacerdote cantando qual fizeram a Jesus há dois mil anos - Hosana, Filho de Davi!...

Fizemos mais:

Fizemos a entrada na Igreja - em Jerusalém - e, lá, entragamo-LO à morte. Louvamo-LO e O condenamos.

A Semana Santa está apenas começando...

Cada dia é a vivência, não só lida, mas encarnada da redenção da humanidade por meio de Jesus, da Sua Gloriosa Paixão, Sua Dolorosa Paixão.

Eu amo ser Católico Apostólico Romano.

Quem quiser saber mais, procure uma Igreja de Cristo perto de você!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre homossexualismo

Santa Catarina de Sena (1347-1380)

Santa Catarina, uma grande mística e Doutora da Igreja viveu em tempos difíceis. O Papado estava no exílio em Avignon, na França. Ela foi fundamental para trazer de volta os Papas para Roma. Os seus “Diálogos com Deus” são escritos famosos.
santa-clara
“Esses desgraçados não só são frágeis na sua natureza, mas pior, cometendo o pecado maldito contra a natureza e, como cegos e tolos, com a luz do seu intelecto escurecida, eles não sabem o mau cheiro e da miséria em que se encontram. Não só este pecado cheira mal diante de Mim, que sou o Supremo e Eterna Verdade, mas realmente desagrada-me muito. Não só a Mim, mas aos próprios demónios. Não é que o mal lhes desagrada, porque eles não gostam de nada que seja bom, mas porque a sua natureza foi originalmente angelical, e sua natureza angelical faz com que eles se afastem quando este grande pecado é cometido.”
[paraclitus.com.br]

+ + +
Convertei-vos e crede no Evangelho!

domingo, 17 de abril de 2011

ESTUDO BÍBLICO

A nova Lei: Cristo Jesus que nos salva 
 
Em Gl 2,16.19-21 São Paulo mostra aspectos essenciais da fé cristã:

“Sabendo que ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo, nós também abraçamos a fé em Jesus Cristo” – Esta é uma das convicções centrais do Apóstolo: o homem torna-se justo diante de Deus, torna-se amigo do Deus de Israel não por cumprir a Lei de Moisés, mas pela fé em Jesus. A porta de acesso ao Pai não é o cumprimento dos preceitos legais do judaísmo, mas o acolhimento do Evangelho de Cristo com tudo que ele traz de exigência e de salvação. Exata “fé em Jesus” de que fala São Paulo não é um sentimento do tipo que se vê nas pregações das seitas protestantes, mas uma fé como adesão a Cristo e a tudo que ele significa: fé, batismo, vida cristã, eucaristia, boas obras nascidas do amor ao Senhor. Uma fé que seja simplesmente um “creio” sentimental não tem nenhum valor salvífico e nem mesmo pode ser chamada fé.

“Assim, somos justificados pela fé em Cristo e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado” – É importante compreender que São Paulo está rebatendo os cristãos judaizantes: aqueles que pensavam que o cristianismo seria apenas uma continuação do judaísmo – judeus que acreditavam em Jesus, mas tendo como centro de sua fé não o Evangelho de Cristo, mas a Lei de Moisés. São Paulo responde a tal visão afirmando que em Cristo, Deus cumpriu o que prometera na Lei, de modo que a esta já cumpriu seu papel.

“Aliás, foi em virtude da Lei que eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus”. – Paulo superou a Lei de Moisés a abraçou o Cristo para cumprir a Lei, que prometia o Messias e já anunciava que ele estabeleceria uma nova Aliança, com uma nova lei, esculpida no coração e não em tábuas de pedra.

“Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou a por mim se entregou” – A Lei, agora, já não é a de Moisés, mas a de Cristo: a lei daquele que deu a vida por amor e derramou no nosso coração o Espírito de amor. Na potência do Espírito, Cristo vive no cristão, vivificando-o, sustentando-o e dando um novo sentido à sua vida. A Lei para Paulo é o amor a Jesus e o amor de Jesus: Paulo em Jesus e Jesus em Paulo, unidos no Espírito, amor de Deus derramado no nosso coração.

“Eu não desprezo a graça de Deus. Ora, se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu inutilmente” – A santidade, a amizade com Deus vem por Jesus Cristo, pela adesão a ele, não pela Lei. Se viesse pela Lei, não haveria necessidade de Cristo: bastaria cumprir a Lei! A graça é graça, é presente de Deus e nos é dado por Jesus Cristo na sua cruz e ressurreição! Sem Cristo, o homem jamais seria justo diante de Deus, mesmo com todas as boas obras do mundo; só no Senhor Jesus a nossa justiça e salvação!
[in: domhenrique.com.br]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PALAVRAS PARA PENSAR NA LITURGIA

 
A imprensa sempre apontou o Cardeal Godfried Danneels, Arcebispo Emérito de Bruxelas e ex-Primaz da Bélgica, como um dos mais progressistas do Colégio cardinalício. Eis algumas idéias do Cardeal, apresentadas numa entrevista à Revista 30 Dias, durante o Sínodo sobre a Eucaristia!

Ele afirma: “A indicação mais útil surgida no Sínodo foi a recomendação de celebrar bem a Missa. A primeira obra de evangelização é a própria liturgia. Se ela é bem celebrada, exerce uma força de atração e é já uma evangelização em si mesma. Não é necessário acrescentar coisas... O que é belo, atrai e desarma. Muitos bispos africanos e asiáticos falaram-me dos ‘prosélitos de porta’... aqueles pagãos que chegam à porta das igrejas atraídos pela beleza da liturgia. Sentem que algo importante acontece ali...”

O Cardeal recordou que a Eucaristia não é um simples banquete festivo, mas é primeiramente o Sacrifício de Cristo: “Depois do Concílio, colocou-se a ênfase na Eucaristia como banquete. Mas, a última ceia não foi simples banquete. Foi um banquete ritual e ao mesmo tempo sacrifical. Os apóstolos e Jesus não se encontraram no cenáculo somente para comer juntos... Reuniram-se para fazer memorial da ceia pascal dos judeus e comemorar a obra da salvação realizada por Deus no Egito”. Daneels está certíssimo! Nunca esqueçamos que a Celebração eucarística não é uma folia, um teatro, uma invenção da cabeça de padre espertinho e de uma comunidade “criativa” em inventar modas! A Missa é um sacrifício em forma ritual de banquete. Um rito não deve ser mudado, inventado, adulterado! O rito é algo sagrado e santo: deve ser simplesmente recebido e celebrado! Por isso mesmo, Jesus seguiu à risca o rito judaico e estabeleceu um novo rito, o rito eucarístico, que devemos celebrar com reverência, unção e respeito amoroso.

O Cardeal também ficou muito contente com a ênfase na adoração eucarística: “Vejo que tantos jovens a descobrem como uma coisa nova. Viu-se isso em Colônia e na adoração silenciosa dos meninos de primeira comunhão (com Bento XVI), na Praça de São Pedro. Os jovens apreciam uma fé anunciada sem enfeites, sem intermináveis preâmbulos e truques de pré-evangelização (ou seja, aquelas coisas que querem tornar a fé mansinha, fácil e agradável ao mundo). Eles são abertos a quem testemunha a sua fé cristã na liberdade, sem procurar convencer-lhes fazendo pressão sobre eles...” O Cardeal está coberto de razão! Basta pensar em João Paulo II e Bento XVI... Vejam ainda o que ele diz: “Os sacramentos são gestos concretos, que utilizam sinais materiais. O sinal é sempre visível, mas é sempre apenas um sinal de “algo” invisível, a realidade mesma do sacramento, que nos é dada através do sinal. É aqui que está a força da liturgia! Este “algo” não é perceptível quando a liturgia se torna um teatro, uma auto-celebração inventada por nós mesmos. Quando acontece isso, a liturgia torna-se algo pesado. Não tem sentido sair de casa para assistir todo domingo à mesma peça teatral!” Vejam que a afirmação do Cardeal é perfeita. Se a liturgia for inventada pelo padre ou pela comunidade, não passa de um teatro chato e de mau gosto! A liturgia somente encanta se for maior que o padre e que a comunidade, se for sagrada, se nos der a presença santíssima e misteriosa do Senhor Jesus, o Enviado do Pai!

E pensar que no nosso Brasil a gente tem que conviver com cada celebração, cada invenção, cada criatividade! É dança litúrgica, é um palavreado vazio, é uma inflação de comentários, é um repertório de cânticos que não tem nada de litúrgico, é a invasão de músicas melosas e intimistas de origem protestante, é aviso que não acaba mais, é palma para lá e para cá, é o mau gosto na ornamentação, é a bagunça nos paramentos inventados, é a falta de respeito ao texto do missal... E chamam a isso “liturgia”! Pobre Igreja...
[domhenrique.com.br]

terça-feira, 12 de abril de 2011

O que ensinam nas escolas?

Caros leitores, é de chocar o que acontece em nossas escolas...

Escandalizamo-nos com assassinatos, mas o que andam ensinando aos nossos pequenos?...

Aos pais cristãos, o alerta:


SER CRISTÃO E TOLERANTE NÃO É SER BOBO E CONIVENTE... EMPURRADO PELAS ONDAS DESSA IMUNDÍCIE "MODERNISTINHA"

Agora, vejamos o que já estão ensinando na "escolinha" para nossos filhos.
(do blog: advhaereses.blogspot.com):
 
"São trabalhos que os professores de ciências passam para os alunos do fundamental."

TRABALHO DE CIÊNCIAS?

Advhaereses.blogspot.com

Advhaereses.blogspot.com
Estão educando com "amor" ou para "fazer amor"? (ao incauto, "fazer amor"=tranzar, fazer sexo...)

CRISTÃOS, UNI-VOS!


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ir à Igreja

Todo o povo ficava suspenso dos Seus lábios


Reza-se no templo de Deus quando se reza na paz da Igreja, na unidade do Corpo de Cristo, porque o Corpo de Cristo é constituído pela multidão dos crentes espalhados por toda a terra. [...] Para sermos atendidos, é neste templo que temos de rezar, «em espírito e verdade» (Jo 4, 23), e não no Templo material de Jerusalém. Este era «uma sombra das coisas que hão-de vir» (Col 2,17), e por isso caiu em ruínas. [...] Este templo que caiu não podia ser a casa de oração da qual foi dito: «A Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações» (Mc 11, 17; Is 56, 7).
Será que os que a transformaram num «covil de ladrões» foram realmente os causadores da sua queda? Pois também os que levam na Igreja uma vida de desordem, os que procuram fazer da casa de Deus um covil de ladrões, estando ela em seu poder, também esses não poderão destruir este templo. Virá o tempo em que serão expulsos sob o chicote dos seus pecados. Esta assembléia de fiéis, templo de Deus e Corpo de Cristo, tem apenas uma voz e canta como um só homem. [...] Se quisermos, essa voz será a nossa; se quisermos escutar o cântico, cantá-lo-emos também no nosso coração..
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África)
Sermão sobre o Salmo 130, § 3
Fonte:
ecclesia.com.br

* Os Grifos são meus.

Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria

domingo, 10 de abril de 2011

MISSA EM LATIM: Rito Tridentino - São Benedito



Hoje pela manhã, fui à Missa na Igreja dedicada a São Benedito (em frente à Secretaria de Educação), no Centro de Maceió, onde o gentil e não menos exigente, Padre Érico Falcão celebra em Rito Tridentino (= relativo ao Concílio Trento), todos os domingos às 09h e 30min.

Minha primeira vez, mas muito instigante - o novo!



Sacerdote Pe. Érico Rodrigues
Meus amigos do Ministério Oração ao Sagrado Amor foram comigo com a missão de cantar a Missa, ajudar o povo a rezar - ou ao menos não atrapalhar o povo de Deus a prestar seu Culto ao Criador Onipotente.

Os textos em latim, ao menos para mim e os membros do Ministério, eram instigantes e nos trouxeram um "quê" de místico, qual nos ajudou a rezar com mais atenção - sem querer dizer que no rito atual não o façamos; o novo sempre fascina ou espanta.
Ministério Oração ao Sagrado Amor
(Josane, Neide, Cris, Jamyly, Karina, Luciano - Maestro -, Val, eu e Thales)
Fomos felizardos em poder participar da Missa, do Sacrifício do Senhor em um Rito que só nossos avós vivenciaram mais.

Ainda somos aprendizes no prestar Culto ao Senhor. Mas, esforçar-nos-emos para que a cada dia seja a razão de nosso viver o Senhor, nossa Alegria e Força!


sábado, 9 de abril de 2011

PARA HOJE, sábado, 09 de abril de 2011

"A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, e querer com mais doçura."
(Lya Luft)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ORAÇÃO DO DIA: 07 de Abril de 2011.

Reza comigo:


Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, 
de toda a tua alma e de todas as tuas forças. (Dt 6,4-5)

Escutemos na voz de Kelly Patrícia:

Shema Yisrael adhonay elohenu adhonay ehadh...




[Agradecimento à fonte: diviniespiritosanto.org]

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DIREITO, RELIGIÃO, HOMOSSEXUALISMO

Caros companheiros de leitura, acredito valer a pena lermos os comentários acertivos do Advogado Adriano Soares em seu blog ascdialogando.blogspot.com.

A religião é matéria apenas privada?

Nos grandes temas públicos da atualidade há sempre questões morais envolvidas. Seja no campo da engenharia genética, na medicina, no direito, na economia, estamos sempre em face de relevantes questões de natureza ética e moral, desafiando cada vez mais debates em razão de vivermos em um mundo difuso, policêntrico e sem monopólio da última palavra. É dizer, um mundo desmanchado no ar, como profetizara Marx.
Quando se discute sobre aborto, eutanásia, homossexualidade, utilização de embriões, celulas-tronco, há sempre grandes discussões, mais da vez apaixonadas, em que diferentes grupos de pressão digladiam-se no manejo de argumentos com fundamentação as mais diversas, que vão desde um ceticismos ético extremado até um fundamentalismo religioso, duas pontas extremas que se tocam no mesmo irracionalismo.
Nesses debates, alguns deles submetidos a apreciação do Poder Judiciário, não raro busca-se eliminar, desde o início, qualquer possibilidade de uso de argumentos religiosos, a um duplo fundamento: (a) religião seria matéria privada, de foro íntimo; e (b) as proposições religiosas seriam inverificáveis, partindo de uma verdade revelada insuscetível de ser comprovada. Razão pela qual, tido por irracional, o discurso religioso passa a sofrer uma discriminação preconceituosa, havendo constante tentativa de expurgá-lo do debate público.
Na verdade, a nossa sociedade dispersa e confusa rejeita, de antemão, a racionalidade de qualquer discurso ético e, desse modo, expurga desde já qualquer validade racional do discurso religioso. Isso se percebe em qualquer debate público, quando o interlocutor deseja constranger as razões do outro, saca logo o que seria um forte ataque final: "Ah, mas essa fala sua tem conteúdo religioso...".
Há pouco, travei interessante debate no Twitter sobre o chamado "Kit de Combate à Homofobia", um programa equivocado do Ministério da Educação, que pretende combater a homofobia estimulando nas escolas públicas a cultura da homossexualidade, com filmes de péssimo gosto e moral duvidosa. Filmes que, em última análise, dizem que é o máximo ser gay e questionam - vejam que estupidez - até mesmo a separação de banheiros entre masculino e feminino...
O vídeo abaixo reproduz parte da sessão da Comissão de Legislação Participativa da Câmara, ocorrida no dia 23 de novembro de 2010, em que André Lázaro, então secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, fala sobre o material "didático", enfatizando que a discussão relevante mesmo na sua confecção foi sobre “Até onde entrava a língua” num beijo lésbico.




No dabate no Twitter, acusavam-me - parece o melhor termo - de fazer uma crítica a partir de um discurso religioso, que seria - penso eu - irracional, conservador, ultrapassado e opressor. Sendo a religião assunto privado, não poderíamos, sob pena de invalidar de antemão os argumentos, falar em opções religiosas ou mesmo morais.
E qual o meio próprio para afastar o cognitivismo e racionalidade do discurso moral e religioso? A fuga para o naturalismo, de um lado, e para o relativismo moral, de outro lado. O naturalismo aparece muito forte ao se afirmar que a homossexualidade é legítima porque é natural; o relativismo moral, ao se afirmar que tudo que não prejudique o outro pode ser feito (um argumento muito interessante, sobre o ponto, pode ser resumido assim: "tenho o mesmo direito de debater sobre a homossexualidade que teria em debater sobre a reforma do banheiro do meu vizinho").
O problema do argumento naturalista é posto quando confrontamos outras situações que desafiam a sua absurdidade, como a pedofilia, o incesto, o homicídio... Homens matam, logo é uma conduta natural e não pode ser discutida. Pai adulto pode desejar manter relações sexuais com a sua filha adulta, por ser algo natural, não seria possível de análise moral. Os tabus universais das civilizações ruiriam todos mediante o recurso retórico ao naturalismo.
De outra sorte, mais refinada teoricamente, seria a objeção do não-cognitivismo ético, que diz serem as proposições éticas inverificáveis. Hirlary Putnam, filósofo americano, é crítico contundente dessa forma niilista de pensar, sustentando que os debates éticos "são desacordos racionais que requerem uma decisão que chegue até onde se encontram as melhores razões" ("Valores e normas", in: HABERMAS, Jürgen e PUTNAM, Hilary. Normas e valores, Madri: Trotta, 2008, p.61). Ou seja, podemos sustentar, sim, um debate racional consistente em questões éticas e religiosas, que estão na nervura do mundo da vida e são responsáveis por padrões de comportamento aceitáveis no meio social.
Ser contrário ao incentivo da cultura homossexual não é ser homofóbico, como ser contrário ao sionismo não é ser antissemita. É preciso que o discurso da intolerância não seja incentivado nem contra nem pró determinadas formas de pensar. E o Kit Contra a Homofobia, feito pelo MEC, não apenas não contribui com os fins a que visa, como ainda causa espécie até mesmo a quem, não sendo homossexual, tem simpatia pela causa gay. Ter simpatia pelo tratamento acolhedor não é o mesmo que estimular, em pessoas em formação, a cultura gay.
Neste passo, fico com o discurso religioso e moral, que apela ao diálogo sincero, ao acolhimento, mas sem militância e políticas oficiais de estímulo às crianças e adolescentes, inclusive mostrando, em vídeos, beijos (com ou sem língua) entre casais gays. E, sim, a religião tem todo o direito de se manifestar sobre o tema, porque ela é sim essencial como modeladora da vida social e do debate público.