quinta-feira, 31 de março de 2011

SOBRE O IGNORAR O NOSSO REDOR

Reflitamos sobre a célebre frase do reverendo Martin Niemöller (1892-1984) – que viveu na Alemanha nazista:
“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

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CRISTÃOS, UNI-VOS!




CASAMENTO GAY e KIT GAY

O Deputado JAIR BOLSONARO, em seu discurso no vídeo abaixo, cita o Deputado GIVALDO CARIMBÃO, leiamos: 

"Sr. Presidente, meus companheiros, quero tratar de um assunto que, no meu entender, em 20 anos de Congresso Nacional, é o maior escândalo de que já tomei conhecimento. Não tem nada a ver com corrupção. Afinal de contas, esse é um tema corriqueiro neste Governo.

Na semana passada, Givaldo Carimbão, reunida na Comissão de Direitos Humanos e Minorias em conjunto com a Comissão de Educação, com a presença do Sr. André Lázaro, Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, esteve uma platéia composta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. (...)"
 
Eis o porquê de citar Carimbão:
 Esse texto abaixo está num blog 
a favor dos gays (e não vou citar, portanto)
para que eles não apoiem.
 
 MAS EU APOIO E CONCORDO COM GIVALDO
GIVALDO CARIMBÃO (PSB AL): "Ao chegar à Câmara dos Deputados e ler a Ordem do Dia, constatei que está em pauta, para ser discutido e votado, o velho e tão discutido projeto que dispõe sobre a união de homossexuais. De antemão, digo que sou absolutamente contra, porque não é justo e entendo perfeitamente, sem nenhum sofisma que existam homens que entendem de viver com homens, e mulheres que entendem de viver com mulheres. Em hipótese alguma podemos concordar com a abertura de uma situação que existe no popular: o casamento homossexual. Entendo tratar-se de abertura perigosa. Não podemos começar a oficializar esse tipo de comportamento, já existente na sociedade, pois a família é o lastro da sociedade. Casei-me com dezessete anos. Portanto, estou casado há 25 anos e muito bem casado, Graças a Deus. Não posso aceitar isso. Como cristão e como homem, entendo que (...) Deus trouxe ao mundo o homem, Adão, e Eva, a mulher, tirada de sua costela, exatamente para darem início à primeira família da Terra. Não é possível convivermos com alguém que quer destruir a família. Imaginem dois seres do mesmo sexo morando juntos dois homens , e, de repente, uma criança é criada no meio de duas pessoas desse nível, dizendo: 'são meus pais' ou 'são minhas mães'. Não consigo, como cristão, como homem que tem um compromisso com a vida, aceitar esse tipo de comportamento."
ESTOU COM CARIMBÃO!

Homofobia / Homossexualismo = KIT GAY

Kit Gay nas escolas gera polêmica: Material didático mostra história de lésbicas e adolescente que virou travesti.

Kit Gay para alunos conterá um DVD com uma história aonde um menino vai ao banheiro e quando entra um colega, se diz apaixonado pelo mesmo e assume sua homossexualidade

[do correiobraziliense.com.br]
Parte do que se pretende apresentar nas escolas foi exibida ontem em audiência na Comissão de Legislação Participativa, na Câmara. No vídeo intitulado Encontrando Bianca, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como um exemplo de um travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada.

O jovem travesti do filme aponta um dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino e simula flerte com um colega do sexo masculino ao dizer que superou o bullying causado pelo comportamento homofóbico na escola. Na versão feminina da peça audiovisual, o material educativo anti-homofobia mostra duas meninas namorando. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme. “Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário durante a audiência.

O material produzido ainda não foi replicado pelo MEC. A licitação para produzir kit para as 6 mil escolas pode ocorrer ainda este ano, mas a previsão de as peças serem distribuídas em 2010 foi interrompida pelo calor do debate presidencial. A proposta, considerada inovadora, de levar às escolas públicas um recorte do universo homossexual jovem para iniciar dentro da rede de ensino debate sobre a homofobia esbarrou no discurso conservador dos dois principais candidatos à Presidência.



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PARABÉNS AO DEPUTADO JAIR BOLSONARO. CONCORDO COM ELE!

É isso que queremos para nossos jovens?

Cristãos, uni-vos!

ROUBOS E ASSASSINATOS POR COMIDA

Caros leitores, transcrevo na íntegra o texto do jornalista Ricardo Mota, de seu blog no dia 30 de março 2011.
Ele escreve como que inspirado... como alguém que se dói ante a mediocridade dos governantes e a hipocrisia dos que os elegem.

Eles são mais do que ladrões – são assassinos
(blog.tudonahora.com.br/ricardomota)
 
Em um estado, o nosso, em que mais da metade a população apenas sobrevive, chamar os que roubam o dinheiro da merenda escolar de ladrões é apenas elogiá-los.

Repito: em um estado com pouco mais de três milhões de habitantes, registrando uma pobreza de 900 mil pessoas, que se somam a 760 mil miseráveis, os tais a quem nos referimos acima devem ser tratados por assassinos, homicidas, ou – talvez a melhor definição: latrocidas – aqueles que matam suas vítimas depois de roubar.

E é o que de fato acontece. Crianças que não têm o que comer morrem de inanição ou de doenças provocadas pela subnutrição. Não são poucos, também, os adolescentes que deixam as escolas porque lá não encontram um ambiente saudável, com uma alimentação que os satisfaçam – caem no mundo, nas drogas, nos crimes e, finalmente, no caixão de defunto. Não é só por isso, mas é por isso, também.

Quanto à essa gente podre, sem escrúpulo, que embolsa o dinheiro público, parco, escasso, para viver de prazeres e orgias merece o destino dos grandes bandidos que se encontram, hoje, nos presídios de segurança máxima.

Agora, quem são eles? A Polícia Federal já indiciou vários acusados em Alagoas pelo mesmo crime: roubo do dinheiro da merenda escolar. O que acontece desde 2004 – e já por três vezes.

Mas se não há julgamento, não há culpados. Só vitimas: as crianças e adolescentes que as estatísticas das mortes por assassinato não vão contabilizar. Os seus homicidas não serão assim, jamais, identificados e ainda serão beneficiados pela hipocrisia nossa de cada dia.


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Quase chorei ao ler o texto de Ricardo Mota, por suas implicações e verdade.
Como é triste perceber que crimes como este dão punição nenhuma; que os calhordas e as cínicas sorriem no ato da prisão - certeza da impunidade!
Advogados sem-vergonhas os defenderão e serão pagos com o dinheiro que roubaram.
Parentes políticos buscarão regalias para eles em Brasília: lembra da Gabiru?
Não têm escrúpulos. São perversos, maus. 

O vício e erro se apoderaram de suas razões e então nenhuma luz pode entrar em suas consciências. Chorarão, talvez, mas por causa de haverem sido pegos, não pela dor que causaram aos outros.
É a face da mediocridade humana sem Deus, sem percepção de que somos uma comunidade única, de meninos pobres e filhos de fazendeiros ricos - de bochechas rosadas pelo sol e a boa nutrição às custas do suor do caboclo sem perspectiva além da de cuidar dos animais dos "sinhozinhos".
Nossa miserável Alagoas com bandidos governantes e mantenedores da "ordem" de hipocrisia, que sobrevive na base do "você sabe com quem está falando?".
Nossa comunidade está sem Deus. Sim, nós matamos Deus: de dentro de nós, de dentro das famílias, de dentro de nossas instituições políticas.
Nossos políticos ainda julguam dinheiro público como dinheiro sem dono.Guiamo-nos a nós por nós mesmos. O "eumesmismo" prevalece.
Quando vemos os jovens se matando no interior (com Arapiraca, Pilar, Palmeira - entrando na rota do assassinato) pensamos: "onde está Deus?". Ora, matamo-LO. Deus virou figura de linguagem - metafórica, propriamente.
Os desígnios éticos e morais cristãos cada vez mais são apagados de nosso meio.
Nossos mandamentos agora são:
Um olho no peixe, outro no gato;
Aqui se faz, aqui se paga; (só se for pobre!, esclareço)
O mundo é dos mais espertos;
Ai dos sabidos se não fossem os bestas;
Cada macaco no seu galho;
Na terra dos cegos, que tem um olho é rei; (se cegos forem os analfabetos, imaginem a continuação...)



Caríssimos, ou voltamo-nos aos valores, à fonte, ou vai ser "um deus nos acuda", "é cada um por si", "se não sair da frente, eu passo por cima"...



Cristãos, uni-vos!


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Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Neo"-Pentecostalismo e Homossexualismo - Uma enquete.

Caros companheiros de leitura, por gentileza, partilhem comigo esta reflexão e sua opinião sobre a relação entre o movimento "neo"-pentecostal e o liberalismo crescente dentro das denominações cristãs (dentro do cristianismo), não como essência, mas como liberalidade exacerbada.

Não quero fazer juízo de valor; se eu já o tivesse, não perguntaria a ninguém. 

Deixo alguns textos informativos:

“O pentecostalismo nasceu do desejo de reavivar o elã religiosodos evangélicos que, no início do século XX, nos Estados Unidose na Inglaterra, se separaram das Igrejas da Reforma, na crença dapróxima vinda de Cristo e da necessidade do batismo no Espírito Santo. Os pentecostais, no Brasil, são 75% dos protestantes, destacando-se a Assembléia de Deus, com cerca de 1.500.000 de adeptos.” (p. 586)

O movimento de renovação surgiu dentro do metodismo e das Igrejas Batistas, que, no século XVIII, através de John Wesley, quis renovar o episcopalismo ou anglicanismo e, no século XIX, surgiu, dentro do metodismo, um movimento de renovação, para o qual não bastava a conversão para a salvação, mas se fazia necessário o cristão passar por uma experiência religiosa profunda, denominada batismo no Espírito Santo. (p. 587)

“Os pentecostais criticam as Igrejas tradicionais, acusando-as de envolvidas com compromissos mundanos. Nas práticas religiosas, ocorre a comunicação direta com o Espírito Santo, o que gera êxtase espiritual, que leva os crentes a falar línguas estranhas como aconteceu aos apóstolos no Pentecostes. Seus líderes são escolhidos por suas qualidades, independentemente do nível de formação. Qualquer um, independentemente de sua posição hierárquica, pode fazer o que faziam os discípulos de Cristo: curar, profetizar... Nas reuniões, o clima é de relatos, orações e ritmado bater-palmas com cânticos. Dão importância às experiências religiosas e à conversão.” (p. 588)

“Os pentecostais priorizam o sentimento comunitário, a participação, o entusiasmo de massa, os cultos alegres e simples.” (p. 588)

“O movimento carismático, ou neopentecostal, ou de renovação carismática é um movimento contemporâneo, originário da Califórnia,em Los Angeles, em 1906.
1) Para uns, o marco inicial teria sido a experiência do “batismo no Espírito Santo”, ao Rev. Dennis Bennett, pároco da Igreja Episcopal de São Marcos, na cidade de Van Nuys, em 1959.
2) Para outros, teria surgido na Associação Internacional de Homensde Negócio para o Evangelho Pleno, na paróquia episcopal de São Lucas, em Seattle, na paróquia episcopal do Redentor, em Houston, Texas, e na Congregação pentecostal de Melodyland.” (p. 589)

“Os cultos de adoração e o entendimento da adoração são outro ponto discutível. Adoração é a submissão de toda a nossa natureza a Deus, é vivificação da consciência pela sua santidade; o sustento da mente com a verdade de Deus; a purificação da imaginação pela sua beleza; a abertura do coração pelo seu amor; a submissão da vontade ao seu propósito – tudo reunido em adoração que é a emoção mais desprendida de que é capaz a natureza humana. Adoração a Deus que se realiza pelo corpo, por isso as pentecostais e carismáticas envolvem-se corporalmente nas manifestações de adoração, o que para as históricas é rejeitado pela maioria, tolerado por poucos e ridicularizado por muitos, ou visto como mera teatralização.” (p. 597)

Revista Teocomunicação, Porto Alegre, v. 37, n. 158, p. 586-600, dez. 2007

*grifos são meus.


Postem seus comentários, por favor.

Ser Igreja, ser Esposa de Cristo

A relação de Cristo e a Igreja é apresentada como relação esponsal. Importa considerar esse tema eclesiológico quanto a suas raízes bíblicas. Nesta primeira parte, é apresentada a relação esponsal entre Iahweh e o seu povo no Antigo Testamento. Afinal, o tema da Igreja-Esposa brota da Sagrada Escritura. Foi desenvolvido ao longo da tradição cristã, ajuda a considerar a Igreja como uma realidade própria que não surge de uma soma de membros, mas cuja personalidade é um verdadeiro mistério que nos leva ao íntimo de seu ser, e põe em consideração o fim último e central do mistério criador e redentor, ou seja, a união de Deus com os homens.

O termo relação esponsal deriva do latim (spondere, que significa prometer, obrigar-se a, dar garantia). Portanto, refere-se a responder eassumir a sua parte no engajamento. Importa verificar a relação esponsal, ou seja, a esponsalidade no que se refere ao amor de Deus a seu povo.Evidente está a não-confusão com os esponsais, ou seja, a promessa decasamento feita um bom tempo antes das núpcias.

Cabe lembrar que Bíblia é Palavra de Deus em linguagem humana. Ao apresentar notas e características da imagem de Deus, parte de conceitos e aspectos que o homem vive. Deus fala numa linguagem em que se possa fazer entender. Deus revela-se através de conceitos e noções conhecidas. Assim, temos o conceito de Deus-Esposo.
Na Bíblia, o amor de Deus por Israel é comparado ao do noivo por sua noiva, ou do esposo pela esposa (Os 2,16; Jr 2,2.30-37; 3,1-13; Ez 16,8). Deus tem “ciúmes” por causa de Israel infiel; por isso castiga-o, mas também lhe promete um coração novo (Jr 30,17; 31,2-4.21-22; Ez 16,53-63) e novas bodas após o castigo do exílio (Os 2,16-25; 3,1-5; Lm 1,1-21; Is 49,14-21; 50,1-2; 51,17s; 54,1-10; Ct 1,1s). João Batista chama Jesus de noivo (Jo 3,29; Ef 5,22s), sendo ele o amigo do noivo. Em Cristo, Deus realiza as bodas definitivas com a Igreja, que é a noiva (2Cor 11,2) ou esposa de Cristo (Ap 21,9). Por isso, o Reino é uma festa de casamento (Mt 22,1-14; 25,1-13; Lc 14,16-24; Jo 2,1-11; 3,25-30; Mt 9,14-15; Ef 5,25s; Gl 4,21-23; 2Cor 11,1-3).
Na compreensão do Antigo Testamento, pouco a pouco, são feitas considerações da aliança entre Yahweh e Israel com características nupciais. Já no Novo Testamento, distintos testemunhos nos dão a compreensão da Nova Aliança com característica nupcial, na qual Cristo é o Esposo e, aos poucos, aparece a Igreja como a Esposa. Importa apresentar esse percurso do Antigo e do Novo Testamentos, com o estudo dos principais textos considerados importantes para uma fundamentação da união esponsal entre Deus e a Igreja. O presente artigo detém-se no Antigo Testamento, onde a imagem de Deus-Esposo tem muita importância, porque ajudou Israel no conhecimento do ser e do agir de Deus. 
Deus criou tudo por amor. Fez o homem à sua imagem e semelhança. Em Adão, todos nós somos a esposa do Esposo. Deus preparou a esposa desde o início da criação. Satanás separou a criatura do Criador, a esposa do Esposo: o pecado rompe a harmonia, a unidade do amor.
Coordenadas a partir da fundamentação veterotestamentária

O que se percebe, numa leitura do Antigo Testamento, ao referir-se a esponsalidade de Deus com seu povo, é que não é fácil compreender e manifestar o paradoxo que se estabelece entre a cólera e o amor. Um exemplo disso encontra-se em Oséias:

Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, entregar-te, ó Israel? Como poderia eu abandonar-te como a Adama, tratar-te como a Seboim? Meu coração se contorce dentro de mim, minhas entranhas comovem-se. Não executarei o ardor de minha ira, não tornarei a destruir Efraim, porque eu sou um Deus e não um homem, eu sou santo no meio de ti, não retornarei com furor (Os 11, 8-9).

O profeta tem uma noção que o ajuda a compreender como o castigo e a salvação podem coexistir lado a lado. Na desgraça Israel lembrar-se-á do tempo em que era feliz: “Quero voltar ao meu primeiro marido, pois eu era outrora mais feliz do que agora” (Os 2, 9b).

Na maior parte dos textos proféticos que utilizam a imagem do Deus-Esposo, e que manifestam a cólera divina, aparece bem claro que a última palavra não pertence à ira, nem à rejeição, mas ao amor. O castigo e o sofrimento foram uma etapa necessária para que a esposa infiel pudesse dar-se conta da situação miserável e de infidelidade a que a levaram suas depravações. O esposo está à espera.

Porque o teu esposo será o teu criador, Iahweh dos exércitos é o seu nome. O Santo de Israel é o teu redentor. Ele se chama o Deus de toda a terra. Como a uma esposa abandonada e acabrunhada Iahweh te chamou; como à mulher da sua mocidade, que teria sido repudiada, diz o teu Deus. Por um pouco de tempo te abandonei, mas agora com grande compaixão torno a recolher-te. Em um momento de cólera, escondi de ti o meu rosto, mas logo me compadeci de ti, levado por um amor eterno, diz Iahweh, o teu redentor (Is 54, 5-8).


O Cântico dos Cânticos apresenta a união esponsal entre Deus e o Povo de Israel, prefigurando, dessa forma, o mesmo tipo de união que existirá na Nova Aliança entre Cristo e a Igreja. A fé cristã professa que, em Jesus, acontece o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento, as quais constituíam a esperança do povo de Israel. Dentre essas, pode-se salientar a de fidelidade mútua entre Deus e o povo: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ex 6,7). O que vem apresentado no Cântico dos Cânticos a Igreja aplica a sua relação com Jesus Cristo.

O salmo 45 (44) é como que a antecipação e a preparação da “nova e eterna aliança” esponsal entre Cristo e a Igreja. É um salmo messiânico e entra tão claramente na categoria de poesia literalmente nupcial como o Cântico dos Cânticos atribuído a Salomão e, ao mesmo tempo, por nós cristãos, fala de Cristo.
 
Deus ama a cada pessoa de maneira pessoal, íntima e profunda, e quer uma resposta igual. A Aliança feita no Sinai, e tantas vezes renovada, não era observada plenamente. Diante das inúmeras infidelidades do povo, Deus poderia rejeitar para sempre esse povo (sua esposa) por ser pecador e impenitente. Mas, sobrevém a novidade consoladora manifestada especialmente nos profetas: Deus fará nova Aliança, na qual predominem o amor e o conhecimento íntimo de Deus. A mudança será feita pelo próprio Deus no coração do homem (cf. Jr 31,31-34; Ez 36, 24-28). Essa nova Aliança realiza-se plenamente com a vinda e na pessoa de Jesus Cristo. Ao assumir a natureza humana na encarnação, ele desposa, de maneira profundamente íntima, toda ahumanidade.
 
[A ESPONSALIDADE DE CRISTO COM A IGREJA. Manoel Augusto Santos & Edson Pereira. Revista Teocomunicação. PUCRS; 2007. v 37, n 158.]

domingo, 27 de março de 2011

Lex orandi, Lex credendi

O adágio em seu contexto original

A expressão, consagrada como verdadeiro axioma*, encontra-se originalmente no opúsculo conhecido como Indiculus de gratia Dei [Pequeno catálogo sobre a graça de Deus], oriundo da Cúria Romana, no séc. V, por muito tempo atribuído ao Papa Celestino I, hoje considerado unanimemente pela crítica como da autoria de Próspero de Aquitânia**. 
Próspero († depois de 455) foi um leigo com boa formação teológica.
Embora atraído para Marselha pela fundação do mosteiro de Vítor deLérins, nunca se tornou monge. Quando iniciou a polêmica semipelagiana, entrou em contato epistolar com Agostinho que lhe enviou duas de suas obras: o De predestinatione sanctorum (A predestinação dos santos) e o De dono perseverantiae (O dom da perseverança).
Em 431 foi a Roma, onde obteve de Celestino I uma carta aos bispos da Gália, esclarecendo sobre a heresia dos mosteiros da Provença.Volta a Marselha, onde fica até a morte de João Cassiano (440), quando se muda para Roma. Lá se põe a serviço do Papa Leão Magno.
O semipelagianismo é uma reformulação moderada do pelagianismo. Pelágio († 427) negara a necessidade da graça para que o ser humano possa realizar o bem. Agostinho saiu em defesa da absoluta prioridade da graça. Os semipelagianos, temendo que a posição de Agostinho acabasse por anular o livre arbítrio, negar os méritos humanos e levara uma predestinação fatalista, procuraram um meio termo, pois estavam interessados em que não se viesse a considerar desnecessário o esforço ascético e espiritual, tão importante no monaquismo. Para eles o ser humano deve tomar a iniciativa para obter a graça. A experiência religiosa (initium fidei) está condicionada e é proporcional ao esforço humano. Contra os semipelagianos, Próspero sai em defesa da posição de Agostinho. Dado seu prestígio junto aos papas, Próspero teve oportunidade de exercer sua influência contra o semipelagianismo não sónas disputas locais. Em sua época romana redigiu sua obra mais famosa o Indiculus de gratia Dei, também denominado Capitula de gratia, que é a obra que aqui nos interessa.
Ela é uma coletânea de textos para provar a necessidade da graça para o “início da fé”. Como os adversários aceitavam a autoridade papal, os cap. 1-6 recolhem textos dos papas Inocêncio I (401-417) e Zózimo (417-418), razão por que, durante muito tempo, o Indiculus foi atribuído a Inocêncio I e gozou de prestígio magisterial. O cap. 7 traz as decisões do Concílio de Cartago, de 418, e no cap. 8 – que aqui interessa mais especificamente – Próspero argumenta a partir da “norma do orar”.
Leiamos o texto:
Além dessas decisões invioláveis da beatíssima Sé Apostólica, com as
quais os piedosíssimos Padres, rejeitando o orgulho da pestífera novidade,
nos ensinaram a atribuir à graça de Cristo tanto os inícios da boa
vontade, quanto os progressos devidos a esforços louváveis e a perseverança
neles até o fim, consideremos também os sacramentos das
súplicas sacerdotais, que, transmitidos pelos apóstolos, são celebrados
uniformemente em todo o mundo e em toda a Igreja católica, para que
a norma do orar estabeleça a regra do crer (UT LEGEM CREDENDI LEX STATUAT
SUPPLICANDI).
Quando quem preside as santas assembléias desempenha a missão
que lhe foi confiada, apresenta à divina clemência a causa do gênero
humano e, gemendo com ele, toda a Igreja pede e suplica
– que aos infiéis seja dada a fé;
– que os idólatras sejam libertos dos erros de sua impiedade;
– que, tirado o véu que cobre o coração, a luz da verdade se manifeste
aos judeus;
– que os heréticos se arrependam, acolhendo a fé católica;
– que os cismáticos recebam o espírito de uma caridade renovada;
– que aos apóstatas sejam concedidos os remédios da penitência;
– enfim, que aos catecúmenos conduzidos aos sacramentos do novo
nascimento seja aberta a morada da misericórdia celeste.

O efeito [dessas orações] demonstra que essas coisas não são pedidas superfluamente nem em vão ao Senhor, pois Deus se digna retirar muitos de toda espécie de erros e, arrancando-os do poder das trevas,os transfere ao reino do Filho de seu amor [cf. Cl 1,13] e dos vasos dei ra faz vasos de misericórdia [cf. Rm 9,22-23]. Tudo isso é obra deDeus, como o faz perceber o fato de sempre se oferecerem a Deus ações de graças e confissões de louvor pela iluminação ou correçãodessas pessoas.
 
O argumento de Próspero parte dos “sacramentos das súplicas sacerdotais” (obsecrationum sacerdotalium sacramenta) que se realizam em toda a Igreja, desde os tempos apostólicos. Essa prática da Igreja deve ser
considerada na discussão contra o semipelagianismo, “para que a norma do orar determine a regra do crer” (isto é, a regra de fé). Quando o encarregado da oração eclesial, sustentado pela súplica de toda a Igreja, pede pela conversão dos infiéis, dos idólatras, dos judeus, dos hereges, dos cismáticos, dos penitentes, dos catecúmenos, não o faz em vão, como se mostra pelos efeitos da oração, a graça da conversão dessas pessoas. Daí se segue que toda vez que uma conversão acontece, ela é obra da graça de Deus, suplicada pela Igreja.
Embora o adágio se encontre numa oração subordinada: “para que a norma do orar estabeleça a regra do crer (ut legem credendi lex statuat supplicandi)”, tem valor de princípio universal e é a premissa maior do raciocínio de Próspero. O caráter subordinado da oração é mero fato sintático. Analisado à luz da lógica menor, o argumento de Próspero pode ser esquematizado assim:
A norma do orar determina a norma do crer;
ORA, nós oramos para que Deus conceda aos “maus” a graça necessária à conversão, e muitos se convertem;
LOGO, devemos crer que, aos “maus” que se convertem, Deus concede a graça necessária à conversão.

* axioma é “uma sentença que goza de particular dignidade (cf. grego ajxivwma) e autoridade. Enquanto princípio que não tem necessidade de ser demonstrado, ou princípio primeiro, é admitido por todos e,
portanto, absoluto, normativo. Um exemplo clássico de axioma é ‘deve-se fazer o bem e evitar o mal’”.

** Cf. PRÓSPERO DE AQUITÂNIA: De gratia Dei et libero voluntatis arbitrio, 8. PL 51, 209-210 (DS 246). A obra é mais conhecida como Indiculus de gratia Dei e também chamada de Capitula de gratia.

[Francisco Taborda SJ. http://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/perspectiva/article/viewFile/588/1011 ]

quinta-feira, 24 de março de 2011

As pessoas celebram conforme creem.

Legem credendi lex statuat supplicandi.a lei da oração é determinada pela lei da fé

ABORTO: Aos políticos, especialmente os alagoanos.


SE NÃO ENTENDE O QUE DIGO, EU DESENHO!

E AGORA, ENTENDEU?

Ser Protestante ou Católico? (2)

PDF

POR QUE SOU CATÓLICO?                                                         

A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro. Eu poderia preencher todo o meu espaço com sentenças separadas, todas começando com as palavras, “É a única coisa que ...” Como, por exemplo, (1) É a única coisa que previne um pecado de se tornar um segredo. (2) É a única coisa em que o superior não pode ser superior; no sentido da arrogância e do desdém. (3) É a única coisa que liberta o homem da escravidão degradante de ser sempre criança. (4) É a única coisa que fala como se fosse a verdade; como se fosse um mensageiro real se recusando a alterar a verdadeira mensagem. (5) É o único tipo de cristianismo que realmente contém todo tipo de homem; mesmo o respeitável. (6) É a única grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis; etc.

Ou posso tratar o assunto de forma pessoal e descrever minha própria conversão; acontece que tenho uma forte impressão de que esse método faz a coisa parecer muito menor do que realmente é. Homens muito melhores, em muito maior número, se converteram a religiões muito piores. Preferiria tentar dizer, aqui, coisas a respeito da Igreja Católica que não se podem dizer mesmo sobre suas mais respeitáveis rivais. Em resumo, diria apenas que a Igreja Católica é católica. Preferiria tentar sugerir que ela não é somente maior que eu, mas maior que qualquer coisa no mundo; que ela é realmente maior que o mundo. Mas, como neste pequeno espaço, disponho apenas de uma pequena seção, abordarei sua função como guardiã da verdade.

Outro dia, um conhecido escritor, muito bem informado em outros assuntos, disse que a Igreja Católica é uma eterna inimiga das novas idéias. Provavelmente não ocorreu a ele que sua própria observação não é exatamente uma nova idéia. É uma daquelas noções que os católicos têm de refutar continuamente, porque é uma idéia muito antiga. Na realidade, aqueles que reclamam que o catolicismo não diz nada novo, raramente pensam que seja necessário dizer alguma coisa nova sobre o catolicismo. De fato, o estudo real da História mostrará que isso é curiosamente contrário aos fatos. Na medida em que as idéias são realmente idéias, e na medida em que tais idéias são novas, os católicos têm sofrido continuamente por apoiarem-nas quando elas são realmente novas; quando elas eram muito novas para encontrar alguém que as apoiasse. O católico foi não só o pioneiro na área, mas o único; e até hoje não houve ninguém que compreendesse o que se tinha descoberto lá.

Assim, por exemplo, quase duzentos anos antes da Declaração de Independência e da Revolução Francesa, numa era devotada ao orgulho e ao louvor aos príncipes, o Cardeal Bellarmine e Suarez, o Espanhol, formularam lucidamente toda a teoria da democracia real. Mas naquela era do Direito Divino, eles somente produziram a impressão de serem jesuítas sofisticados e sanguinários, se insinuando com adagas para assassinarem os reis. Então, novamente, os casuístas das escolas católicas disseram tudo o que pode ser dito e que constam de nossas peças e romances atuais, duzentos anos antes de eles serem escritos. Eles disseram que há sim problemas de conduta moral, mas eles tiveram a infelicidade de dizê-lo muito cedo, cedo de dois séculos. Num tempo de extraordinário fanatismo e de uma vituperação livre e fácil, eles foram simplesmente chamados de mentirosos e trapaceiros por terem sido psicólogos antes da psicologia se tornar moda. Seria fácil dar inúmeros outros exemplos, e citar o caso de idéias que são ainda muito novas para serem compreendidas. Há passagens da Encíclica do Papa Leão sobre o trabalho [conhecida como Rerum Novarum, publicada em 1891] que somente agora estão começando a ser usadas como sugestões para movimentos sociais muito mais novos do que o socialismo. E quando o Sr. Belloc escreveu a respeito do Estado Servil, ele estava apresentando uma teoria econômica tão original que quase ninguém ainda percebeu do que se trata. E então, quando os católicos apresentam objeções, seu protesto será facilmente explicado pelo conhecido fato de que católicos nunca se preocupam com idéias novas.

Contudo, o homem que fez essa observação sobre os católicos quis dizer algo; e é justo fazê-lo compreender muito mais claramente o que ele próprio disse. O que ele quis dizer é que, no mundo moderno, a Igreja Católica é, de fato, uma inimiga de muitas modas influentes; muitas delas ainda se dizem novas, apesar de algumas delas começarem a se tornar um pouco decadentes. Em outras palavras, na medida em que diz que a Igreja freqüentemente ataca o que o mundo, em cada era, apóia, ele está perfeitamente certo. A Igreja sempre se coloca contra a moda passageira do mundo; e ela tem experiência suficiente para saber quão rapidamente as modas passam. Mas para entender exatamente o que está envolvido, é necessário tomarmos um ponto de vista mais amplo e considerar a natureza última das idéias em questão, considerar, por assim dizer, a idéia da idéia.

Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres. A verdade sobre a atitude católica frente à heresia, ou como alguns diriam, frente à liberdade, pode ser mais bem expressa utilizando-se a metáfora de um mapa. A Igreja Católica possui uma espécie de mapa da mente que parece um labirinto, mas que é, de fato, um guia para o labirinto. Ele foi compilado a partir de um conhecimento que, mesmo se considerado humano, não tem nenhum paralelo humano.

Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.

Nesse mapa da mente, os erros são marcados como exceções. A maior parte dele consiste de playgrounds e alegres campos de caça, onde a mente pode ter tanta liberdade quanto queira; sem se esquecer de inúmeros campos de batalha intelectual em que a batalha está eternamente aberta e indefinida. Mas o mapa definitivamente se responsabiliza por fazer certas estradas se dirigirem ao nada ou à destruição, a um muro ou ao precipício. Assim, ele evita que os homens percam repetidamente seu tempo ou suas vidas em caminhos sabidamente fúteis ou desastrosos, e que podem atrair viajantes novamente no futuro. A Igreja se faz responsável por alertar seu povo contra eles; e disso a questão real depende. Ela dogmaticamente defende a humanidade de seus piores inimigos, daqueles grisalhos, horríveis e devoradores monstros dos velhos erros. Agora, todas essas falsas questões têm uma maneira de parecer novas em folha, especialmente para uma geração nova em folha. Suas primeiras afirmações soam inofensivas e plausíveis. Darei apenas dois exemplos. Soa inofensivo dizer, como muitos dos modernos dizem: “As ações só são erradas se são más para a sociedade.” Siga essa sugestão e, cedo ou tarde, você terá a desumanidade de uma colméia ou de uma cidade pagã, o estabelecimento da escravidão como o meio mais barato ou mais direto de produção, a tortura dos escravos pois, afinal, o indivíduo não é nada para o Estado, a declaração de que um homem inocente deve morrer pelo povo, como fizeram os assassinos de Cristo. Então, talvez, voltaremos às definições da Igreja Católica e descobriremos que a Igreja, ao mesmo tempo que diz que é nossa tarefa trabalhar para a sociedade, também diz outras coisas que proíbem a injustiça individual. Ou novamente, soa muito piedoso dizer, “Nosso conflito moral deve terminar com a vitória do espiritual sobre o material.” Siga essa sugestão e você terminará com a loucura dos maniqueus, dizendo que um suicídio é bom porque é um sacrifício, que a perversão sexual é boa porque não produz vida, que o demônio fez o sol e a lua porque eles são materiais. Então, você pode começar a adivinhar a razão de o cristianismo insistir que há espíritos maus e bons; e que a matéria também pode ser sagrada, como na Encarnação ou na Missa, no sacramento do casamento e na ressurreição da carne.

Não há nenhuma outra mente institucional no mundo que está pronta a evitar que as mentes errem. O policial chega tarde, quando ele tentar evitar que os homens cometam erros. O médico chega tarde, pois ele apenas chega para examinar o louco, não para aconselhar o homem são a como não enlouquecer. E todas as outras seitas e escolas são inadequadas a esse propósito. E isso não é porque elas possam não conter uma verdade, mas precisamente porque cada uma delas contém uma verdade; e estão contentes por conter uma verdade. Nenhuma delas pretende conter a verdade. A Igreja não está simplesmente armada contra as heresias do passado ou mesmo do presente, mas igualmente contra aquelas do futuro, que podem estar em exata oposição com as do presente. O catolicismo não é ritualismo; ele poderá estar lutando, no futuro, contra algum tipo de exagero ritualístico supersticioso e idólatra. O catolicismo não é ascetismo; ele, repetidamente no passado, reprimiu os exageros fanáticos e cruéis do ascetismo. O catolicismo não é mero misticismo; ele está agora mesmo defendendo a razão humana contra o mero misticismo dos pragmatistas. Assim, quando o mundo era puritano, no século XVII, a Igreja era acusada de exagerar a caridade a ponto da sofisticação, por fazer tudo fácil pela negligência confessional. Agora que o mundo não é puritano mas pagão, é a Igreja que está protestando contra a negligência da vestimenta e das maneiras pagãs. Ela está fazendo o que os puritanos desejariam fazer, quando isso fosse realmente desejável. Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo; e, nesse sentido, todos os católicos serão ainda puritanos quando todos os puritanos forem pagãos.

Assim, por exemplo, o catolicismo, num sentido pouco compreendido, fica fora de uma briga como aquela do darwinismo em Dayton. Ele fica fora porque permanece, em tudo, em torno dela, como uma casa que abarca duas peças de mobília que não combinam. Não é nada sectário dizer que ele está antes, depois e além de todas as coisas, em todas as direções. Ele é imparcial na briga entre fundamentalistas e a teoria da Origem das Espécies, porque ele se funda numa origem anterior àquela Origem; porque ele é mais fundamental que o Fundamentalismo. Ele sabe de onde veio a Bíblia. Ele também sabe aonde vão as teorias da Evolução. Ele sabe que houve muitos outros evangelhos além dos Quatro Evangelhos e que eles foram eliminados somente pela autoridade da Igreja Católica. Ele sabe que há muitas outras teorias da evolução além da de Darwin; e que a última será muito provavelmente eliminada pela ciência mais recente. Ele não aceita, convencionalmente, as conclusões da ciência, pela simples razão de que a ciência ainda não chegou a uma conclusão. Concluir é se calar; e o homem de ciência dificilmente se calará. Ele não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer. A própria controvérsia fundamentalista se destrói a si mesma. A Bíblia por si mesma não pode ser a base do acordo quando ela é a causa do desacordo; não pode ser a base comum dos cristãos quando alguns a tomam alegoricamente e outros literalmente. O católico se refere a algo que pode dizer alguma coisa, para a mente viva, consistente e contínua da qual tenho falado; a mais alta consciência do homem guiado por Deus.

Cresce a cada momento, para nós, a necessidade moral por tal mente imortal. Devemos ter alguma coisa que suportará os quatro cantos do mundo, enquanto fazemos nossos experimentos sociais ou construímos nossas Utopias. Por exemplo, devemos ter um acordo final, pelo menos em nome do truísmo da irmandade dos homens, que resista a alguma reação da brutalidade humana. Nada é mais provável, no momento presente, que a corrupção do governo representativo solte os ricos de todas as amarras e que eles pisoteiem todas as tradições com o mero orgulho pagão. Devemos ter todos os truísmos, em todos os lugares, reconhecidos como verdadeiros. Devemos evitar a mera reação e a temerosa repetição de velhos erros. Devemos fazer o mundo intelectual seguro para a democracia. Mas na condição da moderna anarquia mental, nem um nem outro ideal está seguro. Tal como os protestantes recorreram à Bíblia contra os padres e não perceberam que a Bíblia também podia ser questionada, assim também os republicanos recorreram ao povo contra os reis e não perceberam que o povo também podia ser desafiado. Não há fim para a dissolução das idéias, para a destruição de todos os testes da verdade, situação tornada possível desde que os homens abandonaram a tentativa de manter uma Verdade central e civilizada, de conter todas as verdades e identificar e refutar todos os erros. Desde então, cada grupo tem tomado uma verdade por vez e gastado tempo em torná-la uma mentira. Não temos tido nada, exceto movimentos; ou em outras palavras, monomanias. Mas a Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo.

Fonte:
CHESTERTON, G.K. Por que sou católico. Chesterton Brasil. [Traduzido por Antonio Emilia Angueth de Araujo]. Disponivel em: http://www.chestertonbrasil.org/ Acesso em: 17 Dezembro 2010.
[veritatis.com.br]

quarta-feira, 23 de março de 2011

HOJE, 23 DE MARÇO

Evangelho segundo S. Mateus 20,17-28.
Ao subir a Jerusalém, pelo caminho, chamou à parte os Doze e disse-lhes:
«Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte.
Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia.»
Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido.
«Que queres?» perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.»
Jesus retorquiu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles responderam: «Podemos.»
Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.»
Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos.
Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder.
Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer se grande, seja o vosso servo; e
quem, no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.
Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.»
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (África do Norte) e Doutor da Igreja
Confissões, XIII, 9
«Vamos subir a Jerusalém»
 
Dá-Te a mim, meu Deus, dá-Te sempre a mim. [...] Descansamos no dom do Teu Espírito; aí Te gozamos, aí está o nosso bem e o nosso repouso. Aí o amor nos educa, e o Teu Espírito, que é bom, exalta a nossa baixeza, retirando-a das portas da morte (Sl 9, 14). Na boa vontade encontramos a paz.

Um corpo, pelo seu peso, tende para o seu lugar próprio; o peso não significa necessariamente ir para baixo, mas para o lugar próprio de cada coisa. O fogo tende para cima, a pedra para baixo [...], cada coisa para o seu lugar próprio; o óleo sobe para cima da água, a água desce para baixo do óleo. Se uma coisa não está no seu lugar, não está em repouso; mas, quando encontra o seu lugar, fica em repouso.

O meu peso é o meu amor: é ele que me leva para onde me leva. O Teu dom inflama-nos e leva-nos para cima; ele abrasa-nos e nós partimos. [...] O Teu fogo, o Teu fogo bom, faz-nos arder e nós vamos, subimos para a paz da Jerusalém celeste – porque encontrei a minha alegria quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121, 1). É para aí que a boa vontade nos conduz por ser o nosso lugar, aí onde não desejaremos mais nada do que assim permanecer para toda a eternidade.


[www.evangelhoquotidiano.org]
+ + +

montanheiro.no.sapo.pt
Subir à Jerusalem. Para a morte, lá vai Jesus. Ele não desce à morte; Ele sobe.
Seguimos Jesus com medo da Jerusalém?
O que queremos de Jesus? O melhor lugar? Mandar, ser líder?
A qual Jesus seguimos: o do "renuncia-te a ti mesmo" ou o taumaturgo?

Senhor Jesus, mestre de minha vida, ensina-me a ser firme no Amor e paciente na subida. Pela intercessão de Tua Santa Mãe, qual rogo, amém!

Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria

segunda-feira, 21 de março de 2011

CURSO CAPACITAÇÃO CONTRA DROGAS



A partir da leitura da unidade 20 e do art. 227 da Constituição Federal, você avalia que seu município e/ou Estado colocam em prática medidas eficazes para prevenir e enfrentar a violência contra crianças e adolescentes? 

 {MINHA RESPOSTA}:
Diante desta realidade, verifica-se a necessidade premente de construir políticas públicas eficazes que possam alertar pais e responsáveis acerca deste fenômeno e que conscientize a população que a violência não deve ser utilizada em nenhum momento da vida da criança, do adolescente ou de qualquer outra pessoa.

Com isso há uma necessidade que seja implementada políticas públicas eficazes, programas, projetos e ações que visem o enfrentamento e a erradicação da violência, práticas profissionais competentes e inovadoras são formas e estratégias que precisamos adotar para que efetivamente as crianças e adolescentes sejam alvo de proteção e cuidado.

Enfrentar a exploração sexual de crianças e de adolescentes na cidade é missão de todos. Governo, agentes dos vários setores e sociedade devem se comprometer e tomar medidas eficazes para evitar esse tipo de violência.

domingo, 20 de março de 2011

Para minha posteridade

Sábado à noite, de um dia quente de março, na Quaresma dos cristãos.
Em frente de casa, sentado no chão ouvindo conversas de meu pai.
Verdade que isso não é comum, mas é Quaresma (rsrsrs - estou brincando)
Dei-me ao sacrifício de ouvir. E me surpreendi.
Ajuntaram-se meu irmão, minha irmã, minha esposa. Ioh se ajuntou em sua traquinagem costumeira.
Dia incomum. Mas ótimo.
Neste cenário, as gozações, as lembranças de família e a resenha atual desta.
Os trejeitos, os cacuetes e cacofonias comuns... isso tudo nos divertia.
Dia bom.
Família, um dom de Deus.
A falta dos que estão vivos e ausência daquela que partiu para estar com Cristo, enche-nos de uma saudade que dói de amor.
Eu sentado no chão, meus irmãos e esposa em cadeiras, Ioh às carreiras pelas calçadas...
Glorifico ao Senhor por me fazer gozar tal prazer, que não precisei comprar e não o senti hoje, mas durante o ontem sábado que vivia e perdura até então.
Fiz lucubrações juvenis, pueris e infantis nem sempre associadas, mas igualmente salutares.
Pudera eu ser mais ocupado, mais "endinheirado"... teria eu tal momento de prazer?
Sem os agitos da juventude, sem a secura do padrão de vida que nunca me impus, teria eu tempo livre?
Eu estava ali. Que bom!
Família, lugar sagrado.
Posso sentir, não somente ver, que o Senhor tem sido generoso com minha estirpe.
Mas não me iludo: foi preciso que ouvissem a voz de Deus e, no mínimo, não seguissem na direção oposta.
Sempre com sede de Deus, o Senhor tem mostrado a Fonte.

Subam comigo!

De noite, mesmo de noite, iremos encontrar a Fonte / 
só nossa sede nos guia / só nossa sede nos guia.

- clique e ouçam -
 


Agradecimento: taize.fr

A ditadura do relativismo

 Dom Henrique Soares da Costa. *

Esta semana revi uma antiga edição do programa Fantástico, da Rede Globo. Exibia-se a série “Ser ou não Ser”, tangenciando temas filosóficos. Como conclusão da “profunda” reflexão chegou-se à certeza que não há certeza: tudo é relativo, nada é realmente verdadeiro, tudo depende do ponto de vista da cada um. Vários jovens, com óculos de lentes multicoloridas, eram convidados a identificar as cores das coisas... E – que surpresa! – viam tudo com a cor das lentes... Eis, para os filósofos midiáticos, a grande verdade: não há verdade alguma na qual ancorar a vida, sobre a qual construir a sociedade, a partir da qual edificar uma hierarquia de valores que sirvam a todos!

É impressionante a tirania do mal que os meios de comunicação têm exercido no mundo! Tudo é desconstruído (para usar um termo de moda), tudo é relativizado, ridicularizado... O indivíduo torna-se a medida de todas as coisas; suas satisfações imediatas tornam-se o critério da verdade, do bem, do correto. Assim, caminhamos para o mundo da total solidão, uma multidão de solidões egoísticas e egocêntricas.

A idéia dos filósofos televisivos tem a superficialidade de quem não procura construir a existência sobre realidades mais profundas e, consequentemente, mais humanas. Somente pode defender uma posição assim quem nega teórica ou praticamente a existência de Deus e a sede de transcendência, que é própria do ser humano ( - “que ‘deus??”, perguntarão; “que ‘transcendência??”, indagarão).

Cada vez mais aparece claro o dever dos cristãos de darem testemunho da Verdade, que é Jesus Cristo! Muitas vezes um bom número de católicos, guiados por teólogos desavisados ou simplesmente festivos, enchem a boca para defender um certo diálogo com o “mundo pós-moderno” no sentido de adaptar o cristianismo, sua fé, sua moral, suas exigências, sua liturgia aos gostos da moda corrente. Ilusão pura! O mundo não crê em Deus, jamais aceitará o Crucificado! Aceitaria um Glorificado, desde que sem a cruz da Sexta-feira Santa e o silêncio tremendo do Sábado Santo. Mas, um Glorificado assim não é o Cristo Jesus, não é o Salvador, o Libertador... Eis: a Verdade existe, sim: é Jesus Cristo. Sobre ele se pode construir a vida de cada pessoa e da sociedade. O cristianismo pode criar cultura, sim, um lastro existencial que inspire o modo de ver e de caminhar de uma humanidade melhor.

(*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.

[gazetaweb.com]

TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

2º DOMINGO DA QUARESMA


Hino
Humildes, ajoelhados
na prece que a fé inspira,
ao justo Juiz roguemos
que abrande o rigor da ira. 
Ferimos por nossas culpas
o vosso infinito amor.
A vossa misericórdia
do alto infundi, Senhor. 
Nós somos, embora frágeis,
a obra de vossa mão;
a honra do vosso nome
a outros não deis, em vão. 
Senhor, destruí o mal,
fazei progredir o bem;
possamos louvar-vos sempre,
e dar-vos prazer também. 
Conceda o Deus Uno e Trino,
que a terra e o céu sustém,
que a graça da penitência
dê frutos em nós. Amém. 

Salmodia

Ant. 1 A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou!

Salmo 117(118)
Canto de alegria e salvação Ele é a pedra que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular (At 4,11).
1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
“Eterna é a sua misericórdia!”

2 A casa de Israel agora o diga: *
“Eterna é a sua misericórdia!”
3 A casa de Aarão agora o diga: *
“Eterna é a sua misericórdia!”
4 Os que temem o Senhor agora o digam: *
“Eterna é a sua misericórdia!”

5 Na minha angústia eu clamei pelo Senhor, *
e o Senhor me atendeu e libertou!
6 O Senhor está comigo, nada temo; *
o que pode contra mim um ser humano?
7 O Senhor está comigo, é o meu auxílio, *
hei de ver meus inimigos humilhados.

8 “É melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que pôr no ser humano a esperança;
9 é melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que contar com os poderosos deste mundo!”

10 Povos pagãos me rodearam todos eles, *
mas em nome do Senhor os derrotei;
11 de todo lado todos eles me cercaram, *
mas em nome do Senhor os derrotei; –

=12 como um enxame de abelhas me atacaram, †
como um fogo de espinhos me queimaram, *
mas em nome do Senhor os derrotei.

13 Empurraram-me, tentando derrubar-me, *
mas veio o Senhor em meu socorro.
14 O Senhor é minha força e o meu canto, *
e tornou-se para mim o Salvador.

15 “Clamores de alegria e de vitória*
ressoem pelas tendas dos fiéis.
=16 A mão direita do Senhor fez maravilhas, †
a mão direita do Senhor me levantou, *
a mão direita do Senhor fez maravilhas!”

17 Não morrerei, mas, ao contrário, viverei *
para cantar as grandes obras do Senhor!
18 O Senhor severamente me provou, *
mas não me abandonou às mãos da morte.

19 Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; *
quero entrar para dar graças ao Senhor!
–20 “Sim, esta é a porta do Senhor, *
por ela só os justos entrarão!”
21 Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!

22 “A pedra que os pedreiros rejeitaram, *
tornou-se agora a pedra angular.
23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: *
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, *
alegremo-nos e nele exultemos!

25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!”
26 Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!
– Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, *
aproximai-vos do altar, até bem perto!
28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! *
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
29 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
“Eterna é a sua misericórdia!”  
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Ant. A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou!


Leitura breve Is 30,15.18
Eis o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: 'Sereis salvos, se buscardes a salvação e a paz; no silêncio e na esperança estará a vossa força'. Por isso o Senhor está pronto a compadecer-se de vós, e, perdoando-vos, será glorificado na medida em que o Senhor é um Deus de justiça:
felizes todos aqueles que esperam nele.
V. Desviai o vosso olhar dos meus pecados.
R.
E apagai todas as minhas transgressões!
 
Oração
Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



[www.liturgiadashoras.org]


Ouçamos o comentário do Padre Paulo Ricardo:
Christo Nihil Praeponere










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sábado, 19 de março de 2011

MEDITAÇÃO QUARESMAL - PEREGRINO RUSSO

Caros leitores e amigos, ouçam O RELATO DE UM PEREGRINO RUSSO, pelo músico hesicasta Urbano Medeiros.

Muito bom, podem ouvir e refletir.
 - ouvir -

- clique no ícone para baixar todo áudio - 



AGRADECIMENTO À FONTE:

www.urbanomedeiros.com

José, o Justo

Hoje, dia dedicado a São José.

Ouça, enquanto reza: 
ou




Hino

Hoje um grande triunfo cantamos,
celebrando fiéis este dia.
São José mereceu hoje a vida,
e entrou na eterna alegria.

É feliz por demais este homem
que, na hora da extrema agonia,
recebeu o supremo conforto
pela voz de Jesus e Maria.

Homem justo, na paz adormece,
libertado dos laços mortais,
e recebe brilhante coroa
no esplendor das mansões eternais.

Ao que reina, fiéis imploremos,
fique perto de nós, os mortais;
nos liberte da culpa e nos dê
o presente supremo da paz.

A vós glória, poder, majestade,
Trino Deus, que no alto reinais,
com a áurea coroa para sempre,
vosso servo fiel premiais.

Salmodia

Ant. 1 José, filho de Davi,
não receies receber a Maria, tua esposa;
será Mãe de um Menino, e Jesus será o seu nome.

Salmo 20(21),2-8.14

2 Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra; *
quanto exulta de alegria em vosso auxílio!
3 O que sonhou seu coração, lhe concedestes; *
não recusastes os pedidos de seus lábios.

–4 Com bênção generosa o preparastes; *
de ouro puro coroastes sua fronte.
5 A vida ele pediu e vós lhe destes, *
longos dias, vida longa pelos séculos.

6 É grande a sua glória em vosso auxílio; *
de esplendor e majestade o revestistes.
7 Transformastes o seu nome numa bênção, *
e o cobristes de alegria em vossa face. –

8 Por isso o rei confia no Senhor, *
e por seu amor fiel não cairá,
14 Levantai-vos com poder, ó Senhor Deus, *
e cantaremos celebrando a vossa força!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. José, filho de Davi,
não receies receber a Maria, tua esposa;
será Mãe de um Menino, e Jesus será o seu nome.

Primeira leitura
Da Carta aos Hebreus 11,1-16

A fé dos santos patriarcas

Irmãos: 1A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem. 2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho.

3Foi pela fé que compreendemos que o universo foi organizado por uma palavra de Deus.
Assim, as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê.

4Foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim; e por causa dela, ele foi declarado justo, pois Deus aprovou a sua oferta. Graças a ela, mesmo depois de morto, Abel ainda fala!

5Foi pela fé que Henoc foi arrebatado, para não ver a morte; e não mais foi encontrado, porque Deus o arrebatou. Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. 6Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável, pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que recompensa os que o procuram.

7Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família. Pela fé, ele se separou do mundo, tornando-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé.

8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia.

9Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. 10Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.

11Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. 12É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão “comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar”.

13Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. 14Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, 15e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. 16Masagora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.

Responsório Rm 4,20.22; Tg 2,22

R. Ante a promessa do Senhor, Abraão não vacilou,
nem perdeu a confiança, mas foi forte pela fé,
rendendo glória a Deus.
* Eis porque foi-lhe imputada sua fé para a justiça.
V. Sua fé cooperava com as obras que fazia;
e sua fé se fez perfeita mediante suas obras. * Eis porque.

Segunda leitura
Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero

(Sermo 2, de S.Ioseph:Opera7,16.27-30)
(Séc.XV)

Guarda fiel e providente
É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando
a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à
pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.

Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e
verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo
Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a
Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse:
Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).

Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem
especialmente escolhido,por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no
mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a
Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São
José uma singular graça e reverência.

Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto
prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha
prometido.

E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe
tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada
disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou.

Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor!
Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer:
Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro
dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.

Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo;
tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina
com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.

Responsório Cf. Gn 45,8;50,20;
Sl 104(105),21; Sl 117(118),14

R. Deus me fez, como se eu fosse o pai do rei
e me fez senhor de toda a sua casa,
* Para salvar a muitos povos me exaltou.
V. O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar,
pois foi ele neste dia para mim libertação. * Para salvar.

Oração

Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja,
concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


AGRADECIMENTOS ÀS FONTES:
www.liturgiadashoras.org 
www.urbanomedeiros.com