quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Toda religião é igual?

Caríssimos, li no site da Gazetaweb este artigo que traz a inteligência e a pedagogia do seminarista Luciano Duarte - que tem ordenação diaconal marcada para próximo dia 07 de fevereiro, como também Charles Silva, Erivaldo Xavier e José Alex, na Catedral de Maceió, às 19h.

01.02.2011 | 08h12
A racionalidade da fé cristã
(*) José Luciano dos Santos

Na semana passada, uma revista de circulação nacional trouxe uma matéria de capa, na qual um estudioso afirma ter descoberto modificações no alinhamento das constelações em relação ao sol. Tais conclusões provocariam modificações na astrologia, uma vez que altera toda a disposição do horóscopo.

Não é foco do nosso interesse adentrarmos na discussão sobre a crença ou não na astrologia. Interessa-nos aqui as colocações da reportagem acerca da fé e da religião. E sejamos sinceros: são afirmações de uma simplicidade pueril.

O grande equívoco presente ali, intencional ou não, é colocar todas as formas de crença em pé de igualdade. Para quem escreveu a tal matéria, crer em duendes e fadas ou em Jesus Cristo é a mesma coisa, pois religião é sinônimo de mito. São frutos da subjetividade humana, na busca de preencher, segundo os doutos citados na reportagem, uma tal zona de conforto presente em casa pessoa. Em síntese: a fé serve mesmo como uma espécie de anestésico, seja lá qual for o conteúdo. O importante é que isso ajude a suportar as agruras desse mundo. Simples assim...
Por isso, a religião seria inquebrantável, apesar do avanço da ciência, visto que estaria à margem de qualquer possibilidade de verificação objetiva.
As crenças, no entanto, não são todas iguais. E religião não é sinônimo de mito. E aqui nos deteremos no cristianismo de um modo particular. Este sempre buscou, como nos recomenda o apóstolo Pedro (1Pd 3,15), dar as razões de sua fé. E dar razão sempre foi compreendida pelos teólogos cristãos como a busca de traduzir os conteúdos da fé em um discurso crível, digno de ser acatado pela racionalidade de quem crê. Essa concepção já era forte na época de São Justino, filósofo cristão, no segundo século. No seu tempo, os cristãos nem denominavam sua fé de religião, para não ser confundida com os mitos pagãos. Preferiam considerar o Cristianismo uma filosofia. Isto porque a fé cristã não é fruto de um conto de fadas, nem da subjetividade humana. Mas uma fé baseada na experiência objetiva de um povo com o seu Deus. Exemplo disso são as lutas filosóficas e teológicas dos primeiros concílios, na procura constante da compreensão dos conteúdos da fé. A fé cristã, portanto, tem uma dimensão racional.

Por fim, a ciência não é a única maneira de abarcamos a realidade. O real, tudo aquilo que existe, é muito vasto para ser compreendido por uma única via. Quem busca a verdade livre de ideologias reducionistas, há muito tempo descobriu a racionalidade da fé cristã como um meio de acesso a dimensões do real relegadas pela ciência. Voltaremos ao assunto em um próximo artigo.

(*) É seminarista e psicólogo.



[www.gazetaweb.com]
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OBS.: 
1- Pus lá, no site de origem do artigo, um comentário mas, como já aconteceram outras vezes, NÃO publicaram - liberdade de expressão, não?
2- O Grifos (negrito) são meus.

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