segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CULTO CRISTÃO CATÓLICO

Como toda pessoa religiosa, assim também o cristão precisa de um lugar onde possa realizar ritualmente o seu culto e, conseqüentemente, que seja símbolo do seu encontro com Deus. Este lugar não corresponde nem ao templo hebraico nem ao pagão, pois estes espaços são caracterizados pela presença da divindade e é esta presença que os torna “sagrados” e sacralizantes. O lugar do culto cristão não é identificado pela presença da divindade, mas pelo que nele se realiza, isto é, a celebração do mistério.
Nele o Cristo está presente pela força de sua palavra e os fiéis se reúnem no seu nome porque são convidados a fazer memória Dele. “Fazei isto em memória de mim.” (Lc. 22,19) – “Onde dois ou três estão reunidos no meu nome, lá estou eu no meio deles.” (Mt. 18,20).
Nos templos o encontro com os fiéis é casual. Para os cristãos é a reunião que define o espaço, o templo, compreendido como lugar da presença divina. Os fiéis são as pedras desse edifício. Paulo VI tem uma frase que resume isso: “Se a Igreja é o lugar de uma divina presença, este lugar é a assembléia dos fiéis...” (Paulo VI, 1965)
A eclesia significava a reunião e só mais tarde passou a designar também o lugar da reunião. Para o cristão não existe a materialização de um lugar onde Deus habita. Já Salomão, quando construiu o templo exclamou: “Mas é verdade que Deus habita na terra? Eis que os céus e os céus dos céus não vos podem conter, muito menos esta casa que eu construí!” (1Re. 2,27). E São Paulo aos atenienses diz: “Deus não mora em templos construídos pelo homem.” (At. 17,24). O verdadeiro tempo no qual Deus pode morar foi o corpo que Maria lhe ofereceu por obra do Espírito Santo. Jesus mesmo diz: “Destruí este templo e eu o reedificarei em três dias” (Mt. 26, 61). E João Evangelista faz questão de esclarecer: “Ele falava do templo do seu corpo”. (Jo. 2, 21). Por participação e pela força do batismo também o corpo do Cristão se torna templo de Deus: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vocês, que recebestes de Deus e que não vos pertenceis?” (1Cor. 6,19); “Nele também vocês sois edificados para vos tornar morada de Deus por meio do Espírito.” (Ef. 2, 22). “Também vocês são as pedras vivas na construção de um edifício espiritual...” (1 Pe. 2, 5). “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque Santo é o templo de Deus que sois vós.” (1Cor. 3,16 - 17).
Na unidade do Espírito Santo todos os cristãos constituem o corpo místico de Cristo, isto é, a Igreja. Este é o lugar do culto indicado por Jesus à samaritana. “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”. (Jo. 4, 23). E na liturgia o cristão expressa o seu louvor pleno, por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Deus Pai, na unidade do Espírito Santo.
Cristo portanto é o verdadeiro lugar do culto cristão, capaz de elevar o perfeito louvor. Todavia a pessoa manifesta esta realidade espiritual servindo-se da materialidade do próprio corpo. Para obedecer ao mandado de Jesus as pessoas se reúnem com outras e acabam determinando lugares, que se tornam lugares de culto pela ação que neles se desenvolve.
Panorama histórico
Na primeira fase da história, quando Jesus ainda está presente fisicamente, os lugares de culto eram a sinagoga e o templo. Sabemos dos Evangelhos como Jesus freqüentava a sinagoga; é só lembrar o texto de Lc. 4,17 - 21: “O Espírito do Senhor está sobre mim...”
No templo hebraico Jesus ensina, principalmente de sábado, e cura os doentes. Porém todo lugar onde o Cristo Jesus está presente – como adorador do Pai e salvador dos homens – se torna lugar do culto cristão. Cada lugar na terra onde o Senhor Jesus se torna presente na comunidade e com maior ênfase onde Jesus se manifestou como homem e através de seus sinais, principalmente na sala onde realizou a ceia com os Discípulos antes de sua morte.
Segunda fase: período apostólico e pós-apostólico
Depois da ascensão de Jesus o espaço é determinado pela reunião e celebração que os cristãos faziam.
a) no contexto judaico, depois de Pentecostes, os lugares de culto dos cristãos continuam sendo os mesmos do culto dos hebreus. Estes espaços eram freqüentados pelos discípulos para a escuta da palavra e para a oração de louvor.
b) os convertidos ao cristianismo vão se distanciando gradualmente dos lugares de celebração dos hebreus, mas rompem definitivamente com os templos dos pagãos e começam a se reunir em casas particulares, usando os mesmos móveis que havia nelas.
c) A “domus eclesiae” - à medida que as comunidades cristãs iam crescendo e as casas de família tornavam-se incapazes de conter todos os que se reuniam para fazer memória de Jesus e a partilha do pão, foi necessário adquirir outros espaços, casas maiores que fossem destinadas somente para o culto. A preferência era dada à casas onde algum apóstolo já havia ensinado e partilhado o pão com a comunidade, isto para manter viva a memória daquele que testemunhou com a vida o Cristo morto e Ressuscitado. Começa neste período o processo de ritualização e sacralização inclusive do espaço e dos objetos que se destinam ao culto. Não se utilizam mais objetos de uso doméstico como anteriormente.
d) também as catacumbas, ocasionalmente, se tornam lugar de culto. As perseguições obrigam os cristãos a se proteger e portanto se reúnem nos cemitérios, geralmente escavados em grandes galerias fora dos muros da cidade.
Terceira fase: quando toda a liturgia se estrutura
À medida que a liturgia vai se estruturando, estrutura-se também o espaço celebrativo. A “domus eclesiae” se estabelece em locais fixos e acaba sendo projetada de forma que os cômodos correspondam às exigências de caráter celebrativo-litúrgico, de acolhida, de serviço e caridade. Os pobres eram contemplados sempre.
Não existe um modelo arquitetônico fixo para essas funções, mas o que importa é que esses espaços se articulem entre si.
No entanto, o espaço que merecia uma atenção maior era o da ceia, que se inspirava na sala escolhida e preparada para a ceia de Jesus e na estrutura da sinagoga, na qual era dada ênfase à proclamação e escuta da palavra e o louvor.
Outro espaço imprescindível era a sala do batismo e a fonte batismal.
A forma e as dimensões desses locais variavam muito, dependendo da situação geográfica e das necessidades locais. A aparência externa não tem valor. A estrutura da “domus eclesiae” muda quando o número de fiéis que se reúnem aumenta exageradamente. Os cristãos a partir disso se inspiram em modelos de uso civil, como a basílica. Claro que a passagem de um modelo para outro é gradual e vão se inserindo aos poucos vários elementos. Por exemplo no século III se define o lugar do bispo, através da introdução dos presbíteros e da cátedra.
João Cipriano (+ 258) lembra o ambão como um lugar alto de onde o leitor, visível a todo o povo, proclama o Evangelho.
A partir da metade do século III, o local de reunião passa a ser denominado “eclesia”, antes “eclesia” referia-se à reunião de pessoas.
A basílica
Acontece uma mudança estrutural muito grande na época de Constantino. Para um imperador que se dizia cristão, o aspecto exterior e a grandiosidade do templo eram muito importantes.
A atenção que na “domus eclesiae” era dada à celebração agora é dada ao local da celebração. A Domus eclesiae passa a ser a “Domus Dei” ou “Domus regis” e na terminologia grega “basiliké oichia”, basílica.
A forma externa e interna é da basílica civil, porém com o acréscimo do quadripórtico – adro. Sendo este edifício considerado “Domus Dei” a tendência é decorá-lo, enriquecê-lo para torná-lo digno do Rei Divino.
A decoração e iconografia têm como objetivo viabilizar e tornar compreensíveis os mistérios celebrados.
As construções seguem um padrão, não são mais livres, existem regras. O edifício é orientado conforme o percurso solar. A abside está voltada para oriente e a porta para ocidente. Além do valor simbólico existe o lado prático – a insolação.
No conjunto arquitetônico há perda de unidade, destacando cada vez mais o lugar da celebração do restante do edifício, como se este espaço fosse acessório.
Além das basílicas são construídos outros edifícios como os batistérios e os “martiria”, ou igrejas sobre os túmulos dos mártires.
O batistério
O batistério como vimos no “domus eclesiae” fazia parte da estrutura arquitetônica do edifício, também em sala própria. Como as basílicas, este local se desloca, destaca-se do conjunto arquitetônico e assume formas que eram típicas das termas, dos tepidarium e locais de banho. Geralmente são conjuntos arquitetônicos de planta centrada: redondos, poligonais, octogonais.
Os martiria
Também os túmulos dos mártires por vezes serviam como local de culto. No túmulo, ou num local ao lado se celebrava o chamado “refrigerium”, ou banquete fúnebre e mais tarde se introduziu a “fração do pão”.
O rito da “fração do pão” suplantou o banquete fúnebre e constituiu o único e novo banquete, garantia a Ressurreição memorial do mistério de Cristo.
Com o edito de Constantino, sobre estes túmulos foram edificadas basílicas capazes de conter grande número de fiéis.
As memórias
São chamadas memórias as construções erguidas nos locais onde Jesus sofreu a Paixão, morte e Ressurreição. Temos por exemplo o santo Sepulcro, ou basílica do Santo Sepulcro.
Os santuários
Como as Memórias e os Martiria, os santuários lembravam e marcavam algum acontecimento religioso. Nas fases que analisamos até agora podemos perceber que:
a) Num primeiro tempo, no contexto judeu-cristão temos a presença de elementos hebraicos e cristãos.
b) Após o primeiro período segue um outro no qual se rejeitam totalmente os elementos culturais não cristãos. “Nós não temos nem santuários nem altar”.
c) À medida que o perigo do sincretismo é afastado vão sendo recuperados elementos expressivos da religiosidade, presentes também nas outras religiões. Entre eles destacamos: o lugar, as vestes, alguns gestos e objetos rituais, o uso do incenso e a luz (vela).
d) Na idade-média, inicia-se o processo que vai privilegiando uma religiosidade genérica sem perder o Cristo como centro.
e) Destacam-se aspectos particulares, com a conseqüente perda da unidade do mistério. Isto é evidente sobretudo na iconografia e na decoração do espaço.
Os locais de culto perderam a sua originalidade.
a) A domus eclesiae se torna santuário.
b) O santuário assume também a função de “domus”. O túmulo do mártir é que faz esta transposição. O mártir é tido como o continuador do mistério do sacrifício de Cristo. O túmulo do mártir se torna altar e depois o altar se torna túmulo ou depósito de relíquias.
c) Existe uma diferença substancial na concepção espacial do domus eclesiae e os santuários. Na “domus eclesiae” é a celebração do mistério que determina a estrutura do lugar. Nos santuários é o evento ou o túmulo, ou a imagem presente que polariza e organiza o espaço em função da devoção ou da “presença”.
d) Quando a “domus eclesiae” se torna a “domus Dei” a sua organização interna se aproxima mais do santuário. E, quando no santuário o culto e a devoção se expressam através da fração do pão, ou Eucaristia o arranjo espacial também é adequado. Exemplos dessas situações os temos nas igrejas pós-tridentinas. Nestas a relação Espaço-Eucaristia não se dá pela celebração mas pela devoção Eucarística. Some o altar para dar lugar ao trono eucarístico.
Lugar sagrado que consagra
O espaço da assembléia, ou “Domus eclesiae”, quando se torna “Domus Dei” acaba sendo considerado espaço sagrado que sacraliza. Adquire importância por si mesmo e não pelo mistério que nele se celebra ou pela “eclesiae” reunida.
A simbologia se sobrepõe à função, a alegoria ao sinal, a estrutura aos fiéis. O mandato de Jesus, “Fazei isto em memória de mim” não tem mais contexto para ser celebrado.
A estrutura arquitetônica e a iconografia remetem à escatologia, ao triunfo, algo que se celebra no presbitério enquanto o povo de Deus presta atenção e expressa a sua devoção a uma certa distância, na nave. Quando se introduzem os bancos e os fiéis começam a se ajoelhar, perde-se também a imagem escatológica do povo de Deus a caminho.
[www.padrefelix.com.br]

MISSA: Dos Sacrifícios dos Patriarcas

Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX, publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP - Madrid,
NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975
IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral
Apresentação de Angel Garcia Y Garcia
 (extraído da fonte: www.monfort.org.br)
 
 
PRIMEIRA PARTE
Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa
e as preparações prescritas para oferecê-lo
 
CAPÍTULO III
Os sacrifícios antigos no tempo dos Patriarcas, na Lei Mosaica e os sacrifícios dos pagãos
 

P103. Quais seriam os deveres religiosos do homem no estado de inocência, antes do pecado de Adão?

R. Os deveres religiosos do homem naquele estado seriam:
1 - Adorar a Deus como seu Senhor, soberano e absoluto;
2 - Manifestar seu reconhecimento a Deus como seu Criador e autor absoluto de todos os seus bens, e manter sua vida numa perpétua ação de graças, para que Ele conserve e aumente seus benefícios, a cada dia;
3 - Implorar a Deus graças e auxílio com oração humilde, fervorosa e perseverante.

P104. Que afirmou Sto. Agostinho sobre os deveres religiosos dos homens se tivessem perseverado naquele estado de inocência?

R. Nesta hipótese, sem mancha de pecado, Sto. Agostinho afirmou que os homens deveriam se oferecer a Deus, como vítimas puras (Cidade de Deus, 1. I, c. 26).

P105. Que conseqüências derivaram do pecado original sobre aqueles deveres religiosos dos homens para Deus?

R. Desde que o pecado nos despojou dos nossos privilégios originais, tornou-se necessário acrescentar, àquelas grandes obrigações religiosas, a obrigação de apaziguar a justiça divina, ultrajada por nosso orgulho e nossa ingratidão, bem como de conhecer mais profundamente nossa miséria e nossa contínua dependência dos socorros celestes, em todas as nossas necessidades espirituais e materiais.

P106. Quais são, portanto, as finalidades do sacrifício após a queda do homem?

R. Após o pecado original, as finalidades do sacrifício a Deus são:
1 - adorá-lo;
2 - agradecer as graças recebidas;
3 - implorar a remissão dos pecados;
4 - implorar sua benção.

P107. Por que o homem, após a queda, edificou templos para imolar as vítimas do sacrifício?

R. Porque, no estado de degradação e de miséria em que se encontrou devido ao pecado original, o coração do homem não podia mais servir de altar e vítima. Assim, incapaz de reparar o pecado, apesar da penitência feita, foi preciso pedir à natureza um templo, ou edificá-lo mediante ordem expressa, para sacrificar suas vítimas.

P108. Por que a vítima era imolada sobre uma pedra?

R. Porque uma pedra fria, e sem adornos, era menos indigna que o coração do homem, para sustentar a hóstia de propiciação.

P109. Por que se utilizavam outros elementos materiais nos sacrifícios?

R. Simples elementos da natureza, como o sangue de animais, deviam substituir, exteriormente no holocausto, os pensamentos e os afetos do homem culpável, e extrair o mérito da grande vítima do mundo que representavam, bem como a fé dos sacrificadores, elevada à esperança do cordeiro de Deus.

P110. Que nos diz S. Paulo sobre o holocausto destas hóstias ineficazes pela sua própria natureza?

R. S. Paulo nos diz que tais hóstias eram utilizadas como perpétua lembrança da impotência e da nulidade dos homens, imposta até o tempo fixado para o grande restabelecimento, e abolido na plenitude dos tempos, quando apareceu Jesus Cristo oferecendo-se, a si mesmo, em sacrifício, dando ao homem o direito de unir-se a Deus, não somente com um coração puro, como no dia da inocência, como também com um coração redimido, que apresenta um Deus como vítima de adoração, de expiação e de ação de graças.

P111. Antes da vinda de Cristo, que era oferecido a Deus como vítima do sacrifício a Ele devido?

R. Como conseqüência da degradação do homem, que não podia oferecer seu coração no altar, a não ser unindo-o a rudes e impotentes símbolos da natureza, até que viesse o cordeiro de Deus, imolado em promessa e em figura (Apoc. 13), desde a origem do mundo, houve as seguintes ofertas:
1 - Abel oferece o melhor cordeiro do seu rebanho e, Caim, os frutos da terra que cultiva;
2 - Noé, ao sair da arca, oferece pássaros e animais;
3 - Melquisedeque, sacerdote e rei de justiça e de paz, oferece ao Senhor pão e vinho no altar de Deus dos exércitos, para distribuí-lo aos soldados vitoriosos;
4 - Abraão e os patriarcas imolam hóstias solenes, conforme o número de famílias e das tribos.

P112. Por que Deus mandou que Abraão sacrificasse seu próprio filho?

R. Para mostrar, de uma vez por todas, até onde vai o Seu direito nos sacrifícios que Ele exige das suas criaturas, e até onde chegará um dia a misericórdia divina, o Senhor manda Abraão imolar Isaac, seu único filho, se bem que se contente com a obediência do santo patriarca, e aceita a imolação de um cordeiro em seu lugar.

P113. A noção da necessidade de sacrifício a Deus era prerrogativa só dos judeus?

R. Não; mesmo os povos que se esqueceram de Deus, da sua fé e do seu culto, para prostituir seus corações na idolatria, conservaram sempre, e por toda parte, a oblação dos sacrifícios, como um dogma primitivo.

P114. Que diz Sto. Agostinho sobre o sacrifício dos pagãos?

R. Sto. Agostinho diz que, se os homens puderam se enganar sobre a unidade e natureza de Deus, não se enganaram neste ponto da religião; se suas falsas divindades exigiam, com orgulho, uma profusão de vítimas, era porque o demônio sabia que se devia oferecê-las ao verdadeiro Deus; e se as imolações dos gentios foram ridículas e bárbaras, como os sacrifícios humanos, foi porque era necessário acomodá-las às extravagâncias e às desordens da teogonia pagã.

P115. O sacrifício físico da vida do homem poderia aplacar a justiça divina?

R. Não, porque, como a ofensa é proporcional ao ofendido, o homem sendo criatura, portanto contingente, jamais poderia aplacar a ofensa feita ao seu Criador, eterno e infinito.

P116. Então, só Deus poderia aplacar sua justiça devida ao pecado do homem?

R. Sim; através da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem Deus, Cordeiro de Deus, como canta a Igreja, contenta-se Deus com a imolação moral do homem, e das suas paixões, aceitando-a com misericórdia quando unida ao sacrifício do seu Deus.

P117. Deus exigiu explicitamente sacrifícios do povo eleito?

R. Sim, quando o Senhor, elegendo para seu povo os filhos de Israel, os separou das nações idólatras, para conservar sua aliança e suas promessas, estabeleceu, nos mandamentos ditados a Moisés, a sucessão e a perpetuidade do sacerdócio de Aarão, a forma do seu tabernáculo, o lugar do seu templo, o número de vítimas e os ritos de cada oblação.

P118. Que ordenou Deus ao seu povo, durante a caminhada no deserto em direção à terra prometida, após o jugo egípcio?

R. Deus ordenou que cada família imolasse e comesse um cordeiro, observando várias cerimônias simbólicas, e que assinalassem suas moradas com o sangue do cordeiro pascal, e renovassem esta imolação solene de ano em ano.

P119. Até quando durou este rito?

R. Este rito vingou até a última páscoa, quando Jesus ceou com seus discípulos, e em que instituiu o verdadeiro Cordeiro Pascal, ou seja, seu sangue e seu corpo, cuja aplicação por nossas almas, nos livra da escravidão do pecado, e nos faz obter o céu, verdadeira terra prometida aos filhos de Deus.

P120. Quando começou o sacerdócio da tribo de Levi, escolhida por Deus, para oferecer os sacrifícios?

R. Desde o sacrifício geral da nação ordenado por Deus, em que Ele estabeleceu que se multiplicasse o número de vítimas, devido à própria imperfeição das oblações, para atender, quanto possível, os fins do sacrifício, e para representar os méritos super abundantes da hóstia única que deveria, posteriormente, substituí-las.

P121. Quais eram os sacrifícios sangrentos da lei mosaica?

R. Na lei mosaica havia os seguintes sacrifícios sangrentos:
1 - O sacrifício de latria, ou holocausto: nesta imolação a vítima era totalmente consumida no fogo, como reconhecimento do absoluto domínio de Deus, prestando-lhe, assim, o culto de latria ou de adoração e dependência;
2 - O sacrifício de impetração ou hóstias pacíficas: esta hóstia eucarística, ou impetratória, era oferecida para agradecer a Deus por todos os bens recebidos ou pedir-lhe graças, para a vida, a saúde, a paz, etc.
3 - O sacrifício de propiciação pelo pecado: instituído para expiar as faltas cometidas e obter o correspondente perdão. Era oferecido por particulares, pelos sacerdotes, ou por todo o povo; e, quando oferecido por toda a nação, como sacrifício único, além de se retirar o sangue das vítimas no Santo, sobre o altar dos perfumes e dos holocaustos, faziam-no no Santo dos Santos, como figura que o sangue de Cristo se apresentaria ao céu, abrindo-nos, assim, suas portas.
Cada uma destas oblações eram cheias de símbolos e de esperanças.

P122. Que era o Santo dos Santos?

R. Assim era denominado o local do Templo dos judeus, onde se encontravam o altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual havia uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão, que tinha brotado, e as tábuas da aliança. Nesse local entrava somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, levando o sangue que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo cometera por ignorância (Heb 9, 3-7).

P123. Havia sacrifícios incruentos na Antiga Lei?

R. Sim, havia, também, os seguintes sacrifícios incruentos na Antiga Lei:
1 - A oferenda da flor de farinha, misturada ao azeite e incenso, queimada no altar dos holocaustos;
2 - O sacrifício do bode expiatório: na festa da expiação solene o povo apresentava dois bodes, embora um fosse degolado, o outro era oferecido vivo. O sacerdote impunha suas mãos na cabeça da vítima, confessava os pecados da nação, carregava-os no animal imundo e lançava-o no deserto.
3 - O sacrifício do pássaro posto em liberdade: para purificar uma casa infestada pela lepra, tomavam-se dois pássaros puros; imolava-se um num vaso cheio de água, no qual se vertia seu sangue, e, o outro, era imerso até a cabeça na água misturada com sangue, com um madeiro de cedro, hissopo e púrpura; após espargir a água, soltava-se o pássaro puro, livremente.

P124. Que significavam estes sacrifícios da lei mosaica?

R. Facilmente se compreenderá que todas estes sacrifícios e cerimônias da lei mosaica eram figuras vivas do sacrifício de Jesus Cristo e dos frutos que deles resultariam aos homens para sua salvação.

P125. Que méritos havia naquelas oferendas imperfeitas?

R. Embora imperfeitas, todo o mérito daquelas oferendas se baseava na obediência à ordem divina que as havia prescrito, e na fé e nas disposições interiores dos que as ofereciam, principalmente na esperança de hóstia perfeita, que tira os pecados do mundo (Jo 1, 29).

P126. Como Deus sustentava a fé e a esperança do sacrifício futuro do Seu Filho em tais oblações?

R. Por meio de fortes e expressivas figuras como a do sacrifício de Isaac, de Melquisedeque, do cordeiro pascal, do bode expiatório sobre o qual se descarregavam os pecados de todos, e da ave pura, cujo sangue libertava a outra.

P127. Que papel tiveram os profetas na expectativa da futura oblação?

R. Todos os profetas solenemente anunciavam, de século em século, a grande vítima que deveria chegar, e clamavam, sem cessar, contra a impotência das hóstias representativas.

P128. Que dizia o profeta Davi sobre os sacerdotes do Antigo Testamento?

R. Nossos sacerdotes, dizia Davi, são conforme a ordem de Aarão; sucedem-se e substituem-se quando a morte os arrebata; porém virá outro pontífice que é o meu Senhor, a quem disse Deus: "Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 109, 4).

P129. Que disse Davi sobre os holocaustos?

R. "Escuta Israel e entende o que diz este celeste pontífice pela boca de um dos seus enviados: os holocaustos, ainda que ordenados por Vós, Senhor, não lhes são agradáveis, mas Vós me destes um corpo para Vos oferecer e eu disse: "eis que eu venho" (Sl, 39, 8).
 
P130. Que disse o profeta Malaquias sobre o sacrifício prometido?
R. Disse Malaquias:
1 - "A glória do segundo templo apagará o esplendor do templo erigido por Salomão" porque eu nele aparecerei para começar meu sacrifício.
2 - Finalmente, eu "não receberei mais vítimas de vossas mãos; meu nome não só será conhecido na Judéia, mas será grande entre todos os povos da terra, porque desde o "ocaso até a aurora, e em todo lugar se sacrifica e se oferece uma oblação pura em meu nome. Parece que já vejo esta oblação, e os tempos em que ela será oferecida não estão distantes (Mal 1, 10 -11).
 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DOMINGO, DIA DE ALEGRIA

Que maravilha ser filho de Deus!!!!!


Hoje é domingo, dia do Senhor!!!!

Compartilhe comigo esta alegria, cantando:

PARA OUVIR:

VOU À MISSA AOS DOMINGOS, PORQUÊ?

Para responder a esta pergunta, preciso de ter em conta toda a minha vida, a educação e o testemunho da minha família, a formação catequética e acadêmica que fui adquirindo durante a vida e as leituras que fui fazendo nos meus tempos de lazer, de pesquisa e de formação permanente.

Vou à Missa aos domingos por obrigação ou porque a Igreja assim o “preceitua”? Vou à Missa porque acredito. Poderia ir à Missa por rotina, porque sempre foi assim (domingo, dia do Senhor), não esquecendo os “dias santos de guarda”.

Quero deixar bem claro que vou à Missa aos domingos por necessidade. Sim, por necessidade de rezar em comunidade, porque todos os dias faço a minha oração pessoal. Vou à Missa aos domingos, porque tenho necessidade de rezar em comunidade, com as pessoas que conheço e também com aquelas que desconheço, ou que nunca as tenha visto ou cruzado na minha vida. Vou à Missa para, com os outros, partilhar um momento de oração, de Ação de Graças que é toda a celebração da Eucaristia.

Vou à Missa porque gosto, ninguém me obriga, a não ser uma necessidade interna: necessidade de ir à Missa.

Também quero dizer que vou à Missa para, em comunidade, contemplar e fazer uma experiência de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, para agradecer tudo, a vida, o fato de ser e de estar vivo, a capacidade de fazer opções, apesar das minhas misérias humanas.

Mas, algumas crianças também me fazem esta pergunta: ir à Missa, para quê? Bem, tenho que dar uma resposta simples, clara e compreensível. Dentro das minhas limitações, lá tento dar uma resposta.

Começo por lhes dizer que a missa é um acto de amor, de um amor como aquele que existe entre os pais e os filhos. O amor é algo que existe, ou seja, tem vida. Ora, tudo o que tem vida precisa de se cuidar e de se dar atenção. Há que cuidar da vida e também do amor.

Se temos plantas em casa, temos de cuidar delas, regando-as, adubando-as, para que estejam sempre bonitas e possam dar flores ou frutos. Se temos animais, temos de os estimar, alimentar e cuidar da sua saúde. Temos pessoas que gostamos muito. Devemos também cuidar deste amor, porque ele está vivo e vive porque estamos vivos (vive em nós e nos outros).

Assim, vamos à Missa, porque amamos Deus, nosso Pai, que nos ama, e porque somos seus filhos também nos amamos uns aos outros, conhecidos e desconhecidos. Este amor tem de ser cuidado, alimentado, para crescer e dar fruto. Se este sentimento está gravado no meu íntimo, a Missa ao domingo terá outro sabor.

PARA MEDITAR:


Fontes:
www.divinoespiritosanto.org
 www.sdplviseu.web.pt

POR QUE VOU À MISSA

Por que devo ir á Missa?

"Eu não vou à Missa; eu posso rezar em casa."
 
Esta frase, ou variações dela, tem sido freqüentemente dita e ouvida nestes últimos anos.
Ora, isso mostra uma incompreensão total do que seja a Missa. A Missa não é uma reunião de pessoas em oração. A Missa é um Sacrifício, ou melhor dizendo, é O Sacrifício que nos reconcilia com o Pai - o Sacrifício de Cristo na Cruz - tornado novamente presente diante de nós para nosso bem.
O sacerdote, durante a Missa, não é uma pessoa qualquer que esteja conduzindo um grupo em oração; ele naquele momento age na Pessoa de Cristo, ele é Cristo, oferecendo-Se em Sacrifício a Deus Pai por nossos pecados.
A Missa tem várias partes, todas elas orientadas rumo a seu auge, o Sacrifício. Ao iniciar a Missa, temos o Confiteor ("Confesso a Deus Todo-Poderoso..."), em que mostramos a nossa indignidade e imploramos o perdão de Deus e a intercessão das orações dos Santos e de nossos irmãos. Após este nosso reconhecimento de nossa condição de pecadores, o sacerdote, que age na Pessoa de Cristo, único Mediador entre nós e Deus-Pai, pede a Deus por nós.
Em seguida, temos uma aula: a Liturgia da Palavra. Nesta aula ouvimos trechos da Sagrada Escritura, seguidos por uma explicação do que ouvimos (a homilia). Após a homilia, professamos a nossa Fé no Credo ("Creio em Deus..."). Começa então aquilo que é o centro da Missa, a razão de ser da Missa, da Igreja e, porque não dizê-lo, do Universo criado: o Sacrifício.
Sim, o universo inteiro foi criado para a celebração da Santa Missa. A celebração da Santa Missa é o Sacrifício Perfeito, o ato de adoração mais completo e perfeito que pode existir, o único que é digno de Deus. E como o universo foi criado para a maior glória de Deus e a Santa Missa é o mais perfeito ato de adoração a Deus, podemos dizer que o universo foi criado para a Santa Missa!
Este é um problema que encontramos muitas vezes em pessoas que tiveram contato exagerado com algumas heresias modernas, especialmente o chamado protestantismo: como o protestante não tem a Missa, ele considera que veneração é adoração. Venerar é o que o filho faz em relação a seu pai: ele o louva, ele pede aquilo de que necessita, ele agradece a ele pelo que dele recebe. Adorar é oferecer sacrifício. O macumbeiro adora suas "entidades": ele oferece sacrifícios de bichos a elas. O protestante venera a Deus, dando-Lhe louvor, pedindo-Lhe e agradecendo-Lhe graças recebidas. O católico, porém, adora a Deus. Esta adoração é feita pelo Sacrifício da Missa, oferecido pelo sacerdote na Pessoa de Cristo em nome de todos os fiéis.
Como ocorre este Sacrifício?
Ele ocorre de maneira incruenta, ou seja, sem mortes e derramamento de sangue. Ele é o mesmo Sacrifício de Cristo na Cruz, que não é repetido, mas tornado novamente presente. Ele ocorre de acordo com a vontade do próprio Senhor, ou seja, sob as espécies (aparência) de Pão e Vinho. Pelas palavras de Cristo (Isto é o Meu Corpo/Isto é o Meu Sangue) o pão e o vinho deixam de ser pão e vinho e passam a ser o Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Este Corpo e este Sangue de Cristo são então oferecidos "por Cristo, com Cristo e em Cristo" a Deus. Este oferecimento é feito pelo sacerdote, que em virtude de sua ordenação sacerdotal, que pode ser traçada até os Apóstolos e deles a Cristo, tem este poder. Alguém não ordenado não conseguiria fazer com que pão e vinho deixassem de ser pão e vinho para tornar-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Do mesmo modo, alguém não ordenado não conseguiria oferecer o Sacrifício, e é por isso que o único som que se ouve na igreja durante o "Per Ipsum" ("Por Cristo, com Cristo e em Cristo") é a voz do sacerdote, que sozinho tem o poder de oferecer o Sacrifício na Pessoa de Cristo. À voz do sacerdote responde a assembléia, em cujo benefício foi oferecido o Sacrifício: "Amém".
A Comunhão
É permitido que haja a distribuição de Comunhão, ou seja, de partículas do Santíssimo Sacramento (cada partícula é o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo por inteiro; Ele não é despedaçado), aos leigos. É obrigatório comungarmos uma vez por ano pela Páscoa. Não é necessário de modo algum comungar a cada Missa ou a cada semana (ainda que seja sim necessário que assistamos à Missa todos os Domingos e dias santos de guarda), apesar disso ser muito bom.
Não podemos, entretanto, comungar se não estivermos preparados. O que significa estar preparado? Estar preparado significa estar em estado de graça, não haver cometido nenhum pecado mortal desde a última confissão. Não importa o estado emocional da pessoa; ela pode estar alegre ou triste, feliz ou infeliz. Ela não pode, porém, ter pecado mortalmente depois de sua última confissão.
Assim, não pode comungar: - Quem usa, vende, distribui, permite que use ou manda usar pílulas anticoncepcionais, "camisinhas", DIUs, etc. - Quem vive conjugalmente com alguém com quem não é casado na Igreja - Quem nega verdades de Fé ou Moral propostas de maneira definitiva pela Igreja - Quem cometeu qualquer outro pecado mortal depois de sua última confissão ou o comete de maneira habitual.
Receber o Santíssimo Sacramento é receber a Deus dentro de nós, literalmente. Não podemos receber a Deus se somos Seus inimigos, como nos tornamos pelo pecado mortal. Comungar em pecado mortal é um atentado contra Deus e um pecado gravíssimo.
"Ora", poderia alguém dizer, "como pode ser que haja gente que comunga a cada domingo, tendo confessado seus pecados, e mesmo assim não se vejam frutos desta comunhão? Se ela está recebendo Deus dentro de si, deveria estar visivelmente mais santa, não?"
Não necessariamente. O fruto da Comunhão depende da disposição da pessoa, da aceitação que ela dá à Graça. Alguém que se fecha para a graça não deixa Deus agir, e Deus não arrombará suas portas. Quanto mais aberta para a graça a pessoa for, maiores serão os frutos da Comunhão. Se ela estiver totalmente fechada para a graça (pelo pecado mortal, por exemplo), os frutos serão de condenação. Se ela estiver aberta para a graça, ela será tornada mais santa.
Mesmo assim, os frutos da presença na Missa já são muito grandes para as pessoas que não comungaram, caso elas estejam abertas para a Graça. Não poder comungar não é motivo para não assistir à Santa Missa, pelo contrário; assistir ao Sacrifício de Cristo vai ajudar a pessoa a livrar-se daquilo que a impede de abrir-se para a Graça, até que ela consiga confessar-se e assim poder comungar.
Assim, podemos dizer com certeza: podemos sim rezar em casa, mas ir à Missa não é sinônimo de rezar. Rezar é louvar, pedir, agradecer; rezar é venerar o autor da Graça. Ir à Missa é adorar, é oferecer o Sacrifício, é entrar em contato direto com o próprio Senhor.   
 
Autor: Carlos Ramalhete - Livre cópia e difusão do texto em sua íntegra com menção do autor.
 
PARA MEDITAR:
Il Signore ti ristora

Agradecimento à fonte www.taize.fr

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Maceió: Capital do medo para os jovens 4

Sou a favor de que os governos municipal e estadual sejam convocados à Câmara ou à Assembleia para dar explicações, em audiência pública, sobre o que têm feito pela Assistência Social e pelas Políticas para a Juventude.

Claro que eles não têm muito o que dizer, até porque criança, adolescente e juventude não passam de "conselhos", desabrigados, desassistidos, sem verba, sem funcionários capacitados; tem é gente sem bônus brigando com arrojo, mas sem voz.

Onde estão os conselhos da criança e adolescente ou da juventude? Mera ficção; além de ficção, é mera.

Vão falar de orçamento, claro! Se não sabe administrar essa joça, peça pra sair! Chega de governante dizendo que não tem dinheiro; o que não tem é ORGANIZAÇÃO. [eu tenho família e me viro com pouco mais de um salário mínimo]. Secretários, assessores, combustível, apartamento, enxoval... tudo isso custa no meu bolso e eu resisto sobrevivendo; e nenhum assessor ganha menos de R$ 1.000,00. Não sou contra as assessorias, mas espero que se pague a quem trabalha, somente a quem trabalha... somente!

Há tempos venho frisando o descaso com a juventude e agora o Ministério da Justiça, com colaboração do Instituto Sangari, traçou o mapa da violência no Brasil, e o que temos é Alagoas violenta e Maceió a capital do medo para a juventude.

Descaso, prostituição, drogas, perda dos valores morais e cristãos numa sociedade que só pensa em idolatria do dinheiro. Pois é, dinheiro é deus: quem não lhe presta culto (capitalismo), não recebe $ua$ graça$; para se cultuar o dinheiro, deve-se ter cada vez mais dinheiro e comprar, comprar...
Trabalho e emprego não são considerados formas de oportunidade de valorização do homem e da mulher, mas uma forma de ter mais dinheiro para comprar mais e "girar" a economia.

Tem gente que só vai à Assembleia pra receber. Tem gente que só tem o nome como "a serviço" e ganha dinheiro sem dar um dia de trabalho, mas ganha nosso dinheiro... Pega esse dinheiro, toma dessa cambada de parasita e invista em juventude, na promoção da cidadania, da cultura, da moral.

Será que não tem quem preste nesse meio da governança? Será que Deus quando olha para a Assembleia só vê bandido? E o que será que ele vê quando olha para o Tribunal de Contas? O que será que Deus vê quando anoitece nas ruas periféricas de Maceió? Carrões parados na orla, luzes acesas... seriam velas? Não, é mais um pedra de nóia acesa, desta vez é a filha de um advogado influente que entrou na cabaninha de lona pra acender um.

E nós, pais e mães, que fazemos? Deixando a TV ensinar... passamos a semana inteira prestando culto ao dinheiro e não temos tempo de ficar no domingo em família, ir à Missa (3º Mandamento da Lei de Deus). Não, não temos tempo... são muitas contas a pagar... juntar dinheiro pra pagar a Unimed, porque no ritmo que vai, nossa familia logo vai se tornar cardíaca e esquisofrênica; então, mais dinheiro.

Educação religiosa pra quê? O importante é meu filho ser dotô, ter dinheiro... e os meninos e meninas pobres o que veem na TV e na casa dos que cultuam dinheiro? Ter dinheiro é tudo, só é feliz quem tem dinheiro.

Aqui, usineiro é dotô, fazendeiro é dotô, bacharel em Medicina é dotô... até bacharel em Direito é dotô. Estamos na terra dos dotôs. E cada um que ponha mais farinha no seu prato...

A que chegamos... Nietzsch disse que matamos Deus. E, por mais estranho que pareça, estamos sim. Matamos Deus nos nossos semelhantes, quando não rezamos mais, quando não ensinamos nossos filhos a rezar, quando não vamos à Igreja, quando o ignoramos no dia-a-dia. Dizemos ter fé e acreditar mas levamos o dia todo sem pensar n'Ele.

Precisamos de educadores cristãos, catequistas, pais e mães empenhados na valoração cristã de nossa juventude. Mas que seja por testemunho, porque só de palavras, os jovens não são bobos. Ou sentamos e aprendemos com eles, ou vamos falar um dialeto surreal pra eles.

Estas causas são das que me levam a pregar que nossas paróquias tenham mais grupos jovens (a diversidade possibilita ampla abrangência), tenhamos pastorais jovens e juvenis acompanhadas (não mandadas, tá?) por adultos cristãos; que tenhamos uma catequese baseada nas virtudes e nos testemunhos; que nossas equipes de perseverança tenham mais apoio. Só vontade, não é suficiente. Também, só meter a boca pra criticar os padres, as irmãs, os líderes jovens e aos catequistas não resolve qualquer coisa. Prefiro dez minutos de sugestões a uma hora de críticas e apontamentos de defeitos alheios (que é o que normalmente ocorre)

Maceió: Capital do medo para os jovens 3

Em razão do assassínio de nossa juventude alagoana, tristemente com a cidade líder Maceió e a quinta colocada no Brasil, Pilar, resolvi expressar num rap.

NSC - Meu Povo Sofrido
(por palcomp3.com)

-clique para ouvir-



' Não faz isso não meu povo não merece já sofreu demais! '

Morro da cocada onde eu for cês ta comigo Hélio Jatobá represento esse pico
meu povo é sofrido no trampo o dia inteiro trabalhador rural explorado por usineiro
meu Deus que mundo é esse preciso de um batismo quanto mais nois corre atrás mais as coisa fica dificil
cheguei até pensar que o senhor não gosta de mim ou ta fazendo eu pagar por tudo que eu fiz
vamo parar por aqui sei que não é bem assim não se arrepender de coração pra merecer o perdão
só que não é fácil não amanhã é outro dia agente é forçado a várias correria
lembrei da Dona Maria a Vó da Carlinha, Vanessa, Guigui, Daniel, Batatinha
cinco netos pra criar fora os três filhos isso é que revolta faz vários virar bandido
não é aposentada leva ele na escola com medo de perder o rango vende a Bolsa Escola
que num da quase nada sem marido que doidera história real mulher miguelense guerreira
por isso que eu não paro não deixo de sonhar vai que uma letra dessa estore eu tenho umas tias pra ajudar
vim representar aqueles excluídos sururu de capote meu povo é sofrido
clima bom, jacintinho, joaquim leão, vergel são miguel umas tia do multirão
for rimar todas quebradas sofrida desse lugar um caderno de mil matéria ainda não dá
depois vem investigar se quem quebrou foi uma criança secretário de turismo investi na segurança
os menor aqui do gueto com fome é um perigo meti carro as porra toda mete pânico nos gringo
não se humilha pra vocês morre mais não pede esmola era pra ta estudando invés de ta cheirando cola
que futuro a droga dá o crack levou a paz meu Deus que mundo é esse meu povo sofreu demais

' Não faz isso não meu povo não merece já sofreu demais! '

um lejo na quebrada na madruga o que vai dá só quem sabe é os carniceiro que vem pronto pra humilhar
pra matar esquartejar de viatura alguns são mal só protege a ponta verde defesa social
na favela faltou água os avião só de Cyclone um ajudando o outro mais ninguém passa fome
se não corre atrás quem é que vem nos dá quer vê sufoco mermo pra quem tem filho pra criar
no gueto também tem cidadão sem maldade batalha o dia a dia na honestidade
saudade do meus mano leal que não se entrega da rua da bica, caixa d'água do brega
jaqueira, bom parto mutange tamo junto bebedouro fernão velho favela feijão puro
meu povo em apuro quem vem nos socorrer os doido se envolve sabendo que é cadeia ou morrer
a polícia vai bater nos vê como inimigo me pega com uma baga quer que eu dê conta de um quilo
no poder descompromisso politico incompetente a sua assinatura é que ta matando agente
to no luxo o gabinete whyski lagosta e puta aos pouco to me formando bando de filha da puta
do rap bater de frente conhecimento pra cá pra onde vai nossos impostos alguém pode me explicar
cansei de ver mãe chorar sem nenhum tustão no bolsão o armário vazio devendo dos pés ao pescoço
o filho virou noia como é que vai ter calma o pior ainda ta por vir ta devendo até a alma

o patrão já deu a ordem deixo o resto pros menino favela jaraguá meu povo é sofrido
sobrevivendo da pesca oi tio quer sururu pra muitos ela uma mãe lagoa mundaú
meu psicológico querendo me abater umas bronca que rolou que eu prefiro esquecer
preto NSC NEURÔNIO SUB CONSCIENTE se errei no passado te apago no presente
meu sub consciente resgatar pregando a paz meu Deus que mundo é esse meu povo sofreu demais
que futuro a droga dá o crack levou a paz meu Deus que mundo é esse meu povo sofreu demais.

' Não faz isso não meu povo não merece já sofreu demais! '

' - Aê politico ae polícia pensa que é fácil sobreviver na favela
o pai vê o vizinho comprando roupa brinquedo pros filho e nóis como é que fica
que na maioria das vezes tem nem um rango moral em pleno final do ano ta ligado
pra falar a verdade eu nem curto muito essa idéia de feliz ano novo, que feliz ano novo moral
vinte e cinco anos passou e eu nunca tive se quer um aniversário
o que eu posso desejar pros mano é saúde e respeito entre nóis mermo ta ligado
pra que essa guerra tudo correria se na maioria das vezes pode se resolver na melhor maneira
sem derramamento de sangue na favela basta moral meu povo já sofreu demais e ainda sofre ta ligado mô fio.

 * * *

Os grifos são meus.

+ + + 

Eu quis mostrar a expressão que não gostamos de ouvir. Não sou eu tecendo conjecturas. É um irmão (ou um mano, como se tratam) que expressa de forma diferente.

Confesso, essa letra expressa o que vejo. Mas passamos de carro, às pressas para o trabalho...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Maceió: Capital do medo para os jovens 2

Parece premonição. Parece "profecia". Não. Eu não sou premonitivo. Há alguns dias postei neste blog o quanto os jovens são esquecidos (nos direitos) e lembrados (nos malfazejos) aqui em Maceió.

Hoje, o Instituto Sangari, que faz o "Mapa da Violência 2011 - Os Jovens do Brasil", lançou a constatação que eu não gostaria que fosse verdade, mas é.

Neste link (Instituto Sangari), podemos ver que Alagoas é a Unidade da Federação mais violenta.

Alagoas:
- Tem a maior taxa de homicídios do Brasil: 60,3%;
- Tem a maior taxa de morte de jovens do Brasil: 60,9%  (2008);
- Entre 2002 e 2008, houve 3211 homicídios, sendo que 2985 destes eram de negros;
- Em 2008, foram assassinados 1591 pessoas, sendo que 1540 eram negros;
- É o 2º na taxa de homicídio negro, com 70,1% [Pernambuco tem 72,2%];
- Tem a taxa de 78,7% de vitimização entre jovens de 15 a 24 anos;
- Em 2008, teve a taxa de 125,3% de assassinatos de jovens e 44,4% de não-jovens;
- Houve aumento de 38,2% na taxa de suicídio (1998/2008);
- Houve aumento de 61,1% na taxa de suicídio entre jovens de 15 a 24 anos (1998/2008);
- É 19º em casos de suicídio jovem no Brasil;
- Entre 2002/2005/2008, houve aumento de 91,3% na taxa de suicídios;
- Entre 2002/2005/2008, houve aumento de 57,1% na taxa de suicídio entre jovens de 15 a 24 anos;
- Em se tratando de vitimização, para cada 1 branco assassinado, 13 jovens negros são assassinados;
- Mais da metade da morte dos jovens é por homicídio;
- Em 2008, em se tratando de homicídios, 5,2% para os não-jovens e 60,9% para os jovens.
- Houve aumento de 222,6% na taxa de homicídios e 177,2% (por 100 mil hab.) [1998/2008];
- Houve aumento de 309,3% na taxa de homicídios de jovens entre 15 e 24 anos (1998/2008);
- Nos homicídios de jovens entre 15 e 24 anos, é primeiro no ranking no Brasil com 125,3% de taxa;
- É o líder no ranking da violência nacional.

Em Maceió:
- Houve aumento para 222% na taxa de morte por assassinato (1998/2008);
- Houve aumento para 13,5% na taxa de suicídio (por 100 mil hab. 1998/2008)
- Houve aumento de 100,9% na taxa de suicídio de jovens de 15 a 24 anos (1998/2008);
- Em 2008, 51 jovens entre 15 e 24 anos, cometeram suicício;
- Houve de 38,7% na taxa de suicídios (1998/2008); 
- Sobre homicídios, entre as capitais, em 1998 era a 14ª (com  33,3), em 2008 é a 1ª (com 107,1);
- Houve aumento para 251,4%  na taxa de homicídio de jovens de 15 a 24 anos (1998/2008);
- São 250 assassinatos juvenis por 100 mil habitantes;
- Houve aumento de 107% na taxa de homicídios, (por 10 mil hab. 2006/2008).

 Enquanto ficarmos achando que tudo isso só se deve ao "bando" dos viciados, ao bando de pobres, ao bando de bêbados e preguiçosos ou ao bando desocupados, e continuarmos com nossos pensamentos medíocres e mesquinhos sobre os problemas que assolam nossa vida [é isso mesmo, nossa vida; não à sociedade, porque se continuamos a pensar que sociedade é da minha calçada pra lá, já será tarde].
Claro que o prefeito e o governador são culpados. Assim como cada vereadorzinho vendido e seus comparsas sem-vergonhas na Assembleia Legislativa.
E tem mais culpado: o professor preguiçoso, o assistente social desleixado, os líderes comunitários salafrários, os catequistas presunçosos, eu e você.
Somos nós os culpados! Chega de jogar sujeira pela janela!
Caríssimos, se cada um de nós fizer o que é correto, não precisaremos matar nossos jovens.
Chega dos pais pensarem que Fé é coisa pra escolher depois de grande: se queremos dar o melhor, demos a Fé, pois não temos nada melhor para dar seguida da educação. Se tememos o roubo e lutamos para nossa defesa, por que não lutar pela moral cristã? Acaso o traficante espera que nossos filhos cresçam? Não. Então, por que temos que deixar que nossos filhos cresçam para dar-lhes o melhor?
Deixemos de ser cristãos-de-meia-tijela e acenarmos com o mundo que nos corrompe com porcalhadas de BBB, novelas e "sangue-show" ao meio dia.
Nossas crianças sabem mais sobre TV do que sobre Deus.
Não, não é teocracia, como teimam em dizer alguns desiludidos, é tomar e tornar a ser aquilo que somos: cristãos.
Somos católicos que não gostam de rezar, que têm vergonha de fazer o Sinal da Cruz, que têm preguiça de ir à Missa e saber sobre sua Fé e relativizamos tudo que é seita chamando de religião.
Confiamos mais em nossos bens e dinheiro e desconfiamos de Deus. Só lembramos dele pra batizar e nas missas de 7º dia. Descofiamos da Graça e nos apegamos aos ditames do capitalismo que só nos diz: ganhe dinheiro pra ser feliz... consuma, consma e seja feliz...
Vendemos nosso voto por R$ 30,00 assim como Judas vendeu o Cristo por 30 moedas.
Onde está a raiz do problema de assassínio dos jovens? Agora, que importa? Temos é que arregaçar as mangas e fazer, a partir de nosso lar, a cristianização de nossos valores: Cristo em primeiro lugar (amar a Deus sobre todas as coisas, com toda a força, toda inteligência, de toda alma).
Temos que denunciar as explorações sexuais e comerciais; e denunciar quando o poder público se omite a olhos vistos para as denúncias.
Temos que cobrar a expulsão, sem excessão e regalias, de todo agente público metido com assassinato e/ou exploração de vulnerados.
Temos que exigir que todo preso tenha julgamento rápido e justo, mesmo e principalmente os pobres e negros.
Temos que nos oferecer nos projetos e ações que minimizam ou extinguem a dor e a humilhação do ser humano, a exemplo da Casa do Servo Sofredor, Fazenda da Esperança...
Caríssimos, não tenhamos dúvidas: é a exclusão que gera a violência. Se alguém não se sente daqui ou é tratado como alienígena, logo não se sentirá nem agirá com respeito ao que temos como sociedade. Por que respeitariam o que não lhes permite viver, aquilo que os marginaliza, por quê?
 Lembremos que homicídio não é coisa somente para o outro. A violência pode bater na nossa porta, inclusive pelo lado de dentro.
Dobremos nossos joelhos, juntemos nossas mãos e rezemos... cuidemos de nossa alma, pois nossa carne é fraca, muito fraca.

PARA MEDITAR:
-clique-


Fontes:
www.divinoespiritosanto.org
www.sangari.com

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Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ENCHER OS BANCOS DAS IGREJAS

"(...) O que enche os bancos das igrejas? Jesus! Jesus pregado com plena fidelidade ao Evangelho e à fé da Igreja! O que enche os bancos das igrejas? Bispos, padres e leigos santos, religiosos que sejam religiosos, que tenham religião! O que enche os bancos das igrejas? Cristãos que acreditem no que creem, deixem de falar bobagens, desistam de namorar com o mundo, deixem de criticar a própria Igreja e cuidam de amar Jesus e, com humildade, santidade e coerência, preguem o Evangelho com todas as suas exigências! O que enche os bancos das igrejas? Mas, espere um momento! E encher banco de igreja deveria mesmo ser a nossa preocupação? Que encher banco de igreja que nada! Nossa preocupação deve ser a fidelidade ao Senhor, à fé apostólica, às exigências do Evangelho. O resto é secundário, é acréscimo, é conseqüência! (...)" [Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju. Coisas que fazem rir... Ou seria melhor chorar? em http://costa_hs.blog.uol.com.br]


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Caros amigos de leitura,

Alguns poderiam até dizer que o Apóstolo é tradiciolista (e assim o chamam alguns), outos diriam que ele é muito radical (há quem considere suas palavras assim), há ainda  quem o chame de  "moderninho" e progressista (como a Monfort o fez), mas a verdade é que Dom Henrique revela uma tendência de alguns "pensadores", que é antiga, de que precisamos "pintar" Jesus de "carinha legal" para atrair pessoas para serem cristãs católicas.
Daí, querer mudar a Missa, imitar às seitas protestantes, fazer "showsinhos", mudar a Liturgia, trocar as vestes dos sacerdotes, dizer que homossexualismo é admissível - ignorando o que diz a Sagrada Escritura, dizer que quem celebra é o povo, afirmar (copiando) teorias holísticas, criar uma nova teologia (se é que se pode dizer que é!) baseada em gnose... Tudo isso, sem consultar o Dono, o próprio Cristo... êh, mania humana!... Como me ensinou certa vez, meu irmão em Xto, Luciano: "(...) o mal é que temos é a mania usar as coisas de Deus sem perguntar pra Ele. (...)" Verdade!
Que teologia é essa? Posso estar enganado, e já peço correção se eu estiver errado, mas penso que toda forma de teologia que se diz precisar o movimento ou a ação de Deus, equivoca-se; talvez dizer que algo já realizado vem ou tem a ação de Deus, seja uma virtude da teologia. 
Afirmo isso baseado nas vezes em que o povo do Antigo Testamento se consolidou na Telogia da Retribuição - quem fizer que se manda, se dá bem com Deus -, mas aí viram que os que eles chamavam do mal, se darem bem sobre eles, que eram o povo escolhido.
Veio a Teologia da Libertação, por exemplo, essa é totalmente antropocêntrica: quanto mais "humana" é que o divino "vem"... virou o culto ao homem.
Ainda tem a Teologia da Prosperidade: se você dá muito, recebe muito... o Edir Macedo e sua seita Univer$al do reino de deus estão riquíssimos, com a conversinha de "tome posse", "quando deus quer é assim"...
Já na Teologia Neo-Pentecostal que "aprisionou" o Espírito Santo que agora só sopra onde se berra mais. E eles se acham "o novo".
E os sola-escriptura tipo dos Adventistas que tornou Deus num livro: basta você ler a Bíblia e pronto, tá salvo: todas as respostas estão na Bíblia - como num manual de receita ou de horóscopo. Palhaçada! Se, para salvar-se (isso mesmo, pois pensam que o homem salva-se) basta ler a Bíblia, bastava Jesus descer dos Céus e dizer que lêssemos a Bíblia e pronto, pra quê morrer na Cruz, se tudo tá no Livro?

Por isso, receio teologias "premonitivas" da Ação de Deus. Acredito que sirva a Teologia para mais levar o homem a Deus, justamente cada um quem é: Deus é Deus, o homem, por mais amado que seja, é criatura. Nossa intenção de "prever" Deus, nos levou ao longo da história, desde nossos irmãos do primeiro chamado - os hebreus, às idolatrias.

Prefiro que quando for necessário falar de Deus, utilizemos o conselho de Santo Agostinho: "No essencial, a unidade; na dúvida, a liberdade; em tudo, a Caridade." E, quando os saberes teológicos forem "muito superiores" e os egos estufados, usemos da humildade.

"Quando tiramos os olhos da Cruz de Cristo, começamos o processo de idolatria"

PARA MEDITAR:
- clique para ouvir - 


Per cru-cem et passionem tuam, / libera nos Domine, libera nos Domine, Domine. /
Per cru-cem et passionem tuam, / libera nos Domine, libera nos Domine, Domine. /
Per sanctam ressurectionem tuam (Partitura)

Agradecimento à fonte: www.taize.fr
Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Missa - uma breve explicação

Introdução

A Igreja e os santos sempre ensinaram que as coisas ocorridas no Antigo Testamento são prefigurações daquelas que aconteceriam no Novo Testamento. Isso quer dizer que Deus, para poupar a fraqueza do homem e para ensinar-lhe as verdades da Revelação de modo gradativo e adequado à nossa inteligência, quis ou permitiu que ocorressem os fatos do Antigo Testamento para que estes servissem como analogias em relação aos fatos que se realizariam no futuro, no Novo Testamento.

  Além de utilizar os fatos ocorridos no Antigo Testamento com a finalidade de preparar os homens para o que seria revelado no Novo Testamento, Deus se utilizou também das profecias.

E é assim que vemos, no Antigo Testamento, a Santa Missa prefigurada por muitos fatos e também predita pelos profetas.
Dentre os fatos do Antigo Testamento que são prefigurações do Santo Sacrifício da Missa estão: 
  1. o oferecimento de pão e vinho a Deus por Melquisedec, sacerdote e rei de Salém (Gen. 14, 18-20);
  2. o maná, sustento milagroso que o Senhor fazia cair todas as manhãs em torno do campo dos hebreus no deserto, depois de terem saído do Egito guiados por Moisés (Ex. 16, 4-36). O maná era um alimento descido do céu. Nosso Senhor na Santa Eucaristia é o Pão vivo descido do céu. – O maná substituía todos os alimentos, tendo nele todos os sabores. A Santa Eucaristia é o pão por excelência: basta para todas as necessidades da alma. – O maná durou até que os hebreus entrassem na terra prometida. A Santa Eucaristia nos será dada até que entremos no céu, onde veremos face à face o Deus que recebemos, no Sacramento, sob o véu de pão.
Várias coisas a respeito da vinda e da obra de Jesus Cristo foram também preditas pelos profetas, e uma delas é o Sacrifício da Missa, que seria instituído por Nosso Senhor e que se haveria de oferecer por toda a terra.

O profeta Malaquias nos mostra Deus irritado com as negligências e as provas de má vontade dos sacerdotes judeus da Antiga Lei quando ofereciam os sacrifícios:

“O filho honra seu pai, e o servo reverencia o seu senhor. Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha honra? E se eu sou o vosso Senhor, onde está o temor que se me deve? diz o Senhor dos exércitos. Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome, e que dizeis: em que desprezamos nós o teu nome? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo, e dizeis: Em que te profanamos nós? Nisso que dizeis: A mesa do Senhor está desprezada. Se vós ofereceis uma hóstia cega para ser imolada, não é isto mau? E se ofereceis uma que é coxa e doente, não é isto mau? Oferecei estes animais ao vosso governador, e vereis se eles lhe agradarão, ou se ele vos receberá com agrado, diz o Senhor dos Exércitos”
(Mal. 1, 6-8).

Diante disto, Deus, pela boca do profeta, se mostra resolvido a rejeitar e abolir os sacrifícios antigos: “O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos; nem eu receberei algum donativo de vossa mão” (Mal 1, 10).

E passa a anunciar um Sacrifício Novo, oferecido em toda a terra: “Porque desde o nascente do sol até o poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura” (Mal. 1, 11).

A expressão “do nascente do sol até o poente” é usada nas Escrituras para significar o mundo inteiro. A palavra “gentes” é sempre empregada na Escritura para significar os gentios, os povos que não são o povo israelita.
Esta oblaçãoa que o profeta se refere não é tomada no sentido metafórico de oração ou sacrifício espiritual ou esmola: ela vem substituir os sacrifícios dos sacerdotes da Antiga Lei.

E não se refere diretamente ao Sacrifício cruento da Cruz, pois este foi oferecido em um só lugar, uma vez só, no monte Calvário, ao passo que aqui se trata de um sacrifício oferecido em todo lugar, de modo a tornar o nome do Senhor engrandecido entre as gentes: a Santa Missa, renovação incruenta daquele mesmo Sacrificio do Calvário.

O fato de Deus ter usado de figuras e profecias no Antigo Testamento com a finalidade de preparar o povo escolhido para aceitar o Sacrifício da Missa mostra-nos a grande importância deste mesmo Sacrifício e a grande estima que Deus tem por ele. A finalidade deste pequeno trabalho é tornar mais conhecido este Sacrifício tão estimado por Deus e que tem tão grande valor, expondo seu significado e as verdades que ele exprime, e que estão contidas em cada palavra e ação do sacerdote.



Primeira parte: o Sacramento da Eucaristia

§ 1° Do que é a Santíssima Eucaristia e da presença real de Jesus Cristo neste Sacramento


  1. Que é o Sacramento da Eucaristia?
    A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu preciso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual.
     
  2. Na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem?
    Sim, na Eucaristia está verdadeiramente o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem.
     
  3. Por que acreditais que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo?
    Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo porque Ele mesmo o disse, e Ele, sendo Deus, não pode mentir. E assim no-lo ensina a Santa Igreja.
     
  4. Que é a hóstia antes da consagração?
    A hóstia antes da consagração é pão de trigo.
     
  5. Depois da consagração, que é a hóstia?
    Depois da consagração, a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de pão.
     
  6. Que está no cálice antes da consagração?
    No cálice, antes da consagração, está vinho de uva com algumas gotas de água.
     
  7. Depois da consagração, que há no cálice?
    Depois da consagração, há no cálice o verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de vinho.
     
  8. Quando se faz a mudança do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo?
    A conversão do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo de faz precisamente no ato em que o sacerdote, na Santa Missa, pronuncia as palavras da consagração.
     
  9. Que é a consagração?
    A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na Última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.
     
  10. Como é chamada pela Igreja a miraculosa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo?
    Esta miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os nossos altares, é chamada pela Igreja de transubstanciação.
     
  11. Quem deu tanto poder às palavras da consagração?
    Foi o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus onipotente, que deu tanto poder às palavras da consagração.
     
  12. Deve-se adorar a Eucaristia? A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque Ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.
     
  13. Quando instituiu Jesus Cristo o Sacramento da Eucaristia?
    Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na Última Ceia que celebrou com seus discípulos, na noite que precedeu sua Paixão.
     
  14. Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
    Jesus Cristo instituiu a Santíssima Eucaristia por três razões principais: 1a. para ser o sacrifício da Nova Lei; 2a. para ser alimento de nossa alma; 3a. para ser um memorial perpétuo da sua Paixão e Morte, e um penhor precioso do seu amor para conosco e da vida eterna.
Referências: Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.

Segunda parte: Do Santo Sacrificio da Missa

§ 1 Da essência, da instituição e dos fins do Santo Sacrificio da Missa


  1. A Eucaristia deve ser considerada só como Sacramento?
    A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes.
     
  2. Como se chama este sacrificio da Nova Lei?
    Este sacrifício da Nova Lei chama-se Santa Missa.
     
  3. Que é, então, a Santa Missa?
    A Santa Missa é a renovação do sacrifício que Jesus Cristo fez no Calvário. Entretanto, o sacrifício do Calvário foi feito por Jesus Cristo de forma cruenta, isto é, com derramamento de sangue, ao passo que na Santa Missa esse mesmo sacrifício é renovado por Jesus Cristo de forma incruenta, isto é, sem derramamento de sangue. Na Santa Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Santa Missa seja sem sofrimento físico.
     
  4. Então o Sacrificio da Missa é o mesmo que o da Cruz?
    Sim, o Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes, seus ministros, sobre os nossos altares. Mas quanto ao modo como é oferecido, o sacrifício da Missa difere do da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.
     
  5. Que diferença, pois, e que relação há entre o Sacrificio da Missa e o da Cruz?
    Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: Jesus Cristo sobre a Cruz se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos de sua Paixão e Morte.
     
  6. Não é porventura o Sacrificio da Cruz o único sacrificio da Nova Lei?
    O Sacrifício da Cruz é o único sacrifício da Nova Lei, porque por meio dele Nosso Senhor aplacou a Justiça Divina, adquiriu todos os merecimentos necessários para nos salvar, e assim consumou de sua parte a nossa redenção. São estes merecimentos que Ele nos aplica pelos meios que instituiu na sua Igreja, entre os quais está o Santo Sacrifício da Missa.
     
  7. Para que fins se oferece o Santo Sacrificio da Missa?
    Oferece-se o Santo Sacrifício da Missa para quatro fins: 1o. para adorá-lo como convém, e sob este aspecto o sacrifício é latrêutico; 2o. para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este aspecto o sacrifício é eucarístico; 3o. para aplacá-lo, para Lhe dar a devida satisfação pelos nossos pecados, e sob este aspecto o sacrifício é propiciatório; 4o.para alcançar todas as graças que nos são necessária, e sob este aspecto o sacrifício é impetratório.
     
  8. Quem oferece a Deus o Santo Sacrificio da Missa? O primeiro e principal oferente do Santo Sacrifício da Missa é Jesus Cristo, e o sacerdote é o ministro que em nome de Jesus Cristo oferece este sacrifício ao Pai Eterno.
     
  9. Quem instituiu o Santo Sacrificio da Missa? Foi o próprio Jesus Cristo quem instituiu o Santo Sacrifício da Missa, quando instituiu o Sacramento da Eucaristia, e disse que ele fosse feito em memória de sua paixão.
     
  10. A quem se oferece o Santo Sacrificio da Missa?
    O Santo Sacrifício da Missa oferece-se só a Deus.
     
  11. Se a Santa Missa se oferece só a Deus, por que se celebram tantas Missas em honra da Santíssima Virgem e dos Santos?
    A Missa celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos é sempre um sacrifício oferecido só a Deus; diz-se, porém, celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos para louvar a Deus neles pelos dons que lhes concedeu, e para alcançar, pela intercessão deles, em maior abundância, as graças de que necessitamos.
     
  12. Quem participa dos frutos da Santa Missa?
    Toda a Igreja participa dos frutos da Missa, mas particularmente: 1o. o sacerdote e os que assistem à Missa; 2o. aqueles por quem se aplica a Missa, a que podem ser vivos ou defuntos.
     
  13. Terminada a Missa, que devemos fazer?
    Terminada a Missa, devemos das graças a Deus por nos ter concedido a graça de assistir a este grande sacrifício e pedir-Lhe perdão das faltas cometidas enquanto a assistíamos.

Referências:

Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.


Terceira parte: O conhecimento e a compreensão das orações e cerimônias da Santa Missa

§ 1º Do conhecimento profundo da Santa Missa



  1. É necessário conhecer profundamente a Santa Missa?
    Um ato de religião praticado com tanta freqüência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida de nossas capacidades.
     
  2. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
    Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.
     
  3. Para que devemos conhecer tudo isto?
    Para que a Santa Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.
     
  4. Que mais devemos conhecer da Santa Missa?
    Devemos conhecer suas palavras sagradas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para nos lembrar que um Deus se imola por nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.
     
  5. Que mais é salutar conhecer?
    Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.
     
  6. Deus exige de todos os fiéis um conhecimento profundo e detalhado da Santa Missa?
    Não. Deus supre com a fé o conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado (Sal. 50, 19).
     
  7. Por acaso a Igreja ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?
    Não. Na Igreja nada há de oculto e Ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa ou de qualquer outra cerimônia litúrgica.
     
  8. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
    Devemos deixar fora da igreja a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo e sermos, na igreja, adoradores em espírito e verdade.
§ 2º Da celebração da primeira Missa e da sua relação com a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: as ações e palavras do sacerdote
  1. Quando foi celebrada a primeira Missa? Pode-se e deve-se crer que a primeira Missa foi celebrada no Cenáculo, à véspera da morte de Salvador.
     
  2. Que paralelo podemos fazer entre o Cenáculo e a Santa Missa?
    Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Cenáculo     
 Santa Missa
 Jesus dirige-se ao Cenáculo: acompanhado dos seus apóstolos, chega ao Cenáculo, onde estava preparada a mesa do sacrifício e da comunhão.  O sacerdote dirige-se ao altar, precedido dos seus ministros, onde tudo está disposto para o sacrifício da Santa Missa.
 Jesus deixa a mesa depois da ceia prescrita pela Lei, humilha-se ao lavar os pés dos apóstolos e os manda que se lavem mutuamente, voltando, depois, a ocupar o seu lugar à mesa.  O sacerdote desce ao pé do altar, mesmo puro de faltas graves, para lavar-se e purificar-se das faltas mais leves. Por isso o sacerdote faz a confissão mútua com os assistentes, subindo depois ao altar.
Jesus senta-se à mesa eucarristica: instrui seus apóstolos e lhes dá o resumo de sua doutrina, dizendo: “ Eu vos dei o exemplo para que façais como eu fiz” (Jo. 13).
O sacerdote faz no altar a instrução pública e preparatória, com o objetivo de explanar estes dizeres profundos de S. Justino: “ Só pode participar da eucaristia aquele que crê que nossa doutrina é verdadeira, que recebeu a remissão dos pecados e que vive como Jesus ensina” (Apologia, 2).
 Jesus toma o pão e o vinho num cálice, e os abençoa.  O sacerdote toma o pão e o vinho num cálice: eis a oblação, as orações e bênçãos que a acompanham.
Jesus deu graças, elevando os olhos aos céus: embora os evangelistas não registrem as palavras de que Jesus se serviu nesta ação de graças, sabemos pela Tradição que Ele enumerou os benefícios da criação, da providência e da redenção, que iriam se concentrar nesta vítima adorável; depois o Senhor partiu o pão e o deu aos seus discípulos dizendo: “ Isto é o meu corpo”; em seguida os deu também o cálice, dizendo: “ Isto é o meu sangue”. Eis a fórmula da consagração. É a comunhão no Cenáculo.
 O sacerdote emprega as mesmas palavras e gestos no Cânon da Missa, repetindo a fórmula da consagração: É a comunhão na Santa Missa.
 Jesus pronuncia um hino de ação de graças  O sacerdote termina o Santo Sacrifício da Missa com a ação de graças.
 

3. que fizeram Jesus e os apóstolos após a Ceia? Os apóstolos saíram do Cenáculo com o seu Mestre, e se dirigiram ao Horto das Oliveiras, para serem testemunhas da renovação e da consumação do grande sacrifício da Cruz, da mesma forma que o sacerdote se dirige ao santuário, subindo ao altar.

4. Que paralelo podemos estabelecer entre a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo e a Santa Missa? Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

  1. Cenas da Paixão, Morte e Ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo
    Cenas da Missa
    Jesus ora no Horto, com o rosto prostrado na terra em agonia.
    O sacerdote, ao pé do altar, recita o Confiteor, em humilde postura.
    Jesus, amarrado, sobe a Jerusalém.
    O sacerdote,  cingido com todos os paramentos, sobe ao altar.
    Jesus foi, de tribunal em tribunal, instruindo o povo, seus acusadores e seus juizes.
    O sacerdote vai de um ao outro lado do altar, para multiplicar e  difundir a  instrução preparatória.
    Jesus   Cristo, assim que sentenciado e despojado de suas roupas, oferece seu corpo à flagelação, prelúdio da sua execução e morte.
    O sacerdote descobre as oblações, retirando o véu que cobre o cálice e a hóstia, ainda não consagrados, e faz a oferenda do pão e do vinho, que vão ser consagrados, e cuja  substância vai ser consumida.
    Jesus é pregado na cruz.
    Jesus se torna presente no altar com as palavras da Consagração.
    Jesus é suspenso na Cruz, entre o céu e a terra. Como no momento da Elevação, na Missa.
    Jesus expira na cruz.
    O sacerdote parte a Hóstia, indicando, visivelmente, esta morte.
    Jesus é colocado no sepulcro.
    Na Comunhão, Jesus é recebido pelo sacerdote e pelos fiéis.
    Jesus ressuscita glorioso.
    A ressurreição é significada pelo lançamento de um fragmento da hóstia consagrada (o corpo de Cristo) no cálice que contém o sangue de Cristo, na hora em que o sacerdote diz a oração “ Pax Domini sit semper vobiscum”, fazendo cinco cruzes sobre o cálice e fora dele. O sacerdote pede o efeito desta vida nova através das orações após a Comunhão.
    Jesus sobe aos céus, abençoando sua Igreja.
    O sacerdote se despede dos fiéis e os abençoa.
    Jesus envia o Espírito Santo aos seus discípulos.
    No final da missa, é lido o início do Evangelho de S. João, que nos exorta a tornar‑nos filhos de Deus, dirigidos e movidos pelo seu Espírito, conforme estas palavras do apóstolo S. Paulo: "aqueles que são conduzidos pelo Espírito
    de Deus, são filhos de Deus" (Rom. 8, 14).
     5. Que relação há entre a Santa Missa e as palavras de Cristo na Última Ceia?

    Nosso Senhor instituiu, após a Última Ceia, a parte essencial das orações e cerimônias da Santa Missa.       
  2. 6. Quem estabeleceu as orações e cerimônias das outras partes?
    As orações e cerimônias das outras partes foram estabelecidas pelos apóstolos, pela Tradição e pela Igreja, que acrescentaram o que convinha à dignidade do Santo Sacrifício, em nada alterando o substancial da Instituição Divina.
Referências:
Extraído do Catecismo da Santa Missa


§ 3o Da celebração da primeira Missa e da sua relação com a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: as vestimentas do sacerdote


  1. O sacerdote deve usar vestes específicas para rezar a Santa Missa?
    Sim, o sacerdote deve usar vestes específicas para rezar a Santa Missa.
     
  2.  Estas vestes que o sacerdote deve usar para rezar a Santa Missa nos remetem ao que sofreu Nosso Senhor em sua Paixão e em sua Morte na Cruz?
    Sim, as vestes que o sacerdote deve usar na Santa Missa nos remetem ao que Nosso Senhor sofreu em sua Paixão e em sua Morte na Cruz.
     
  3. Estas vestes sacerdotais nos lembram mais alguma coisa?
    Sim. Estas vestes nos lembram diversas virtudes que devemos nos esforçar para possuir e diversas boas obras que devemos praticar.
     
  4. Quais são as vestimentas do sacerdote que vai celebrar a Santa Missa?
    As vestimentas do sacerdote que vai celebrar a Santa Missa são o amito, a alva, o cíngulo, o manípulo, a estola e a casula.
     
  5. O que é o amito?
    O amito é um véu branco que o sacerdote passa sobre a cabeça e com que cobre os ombros. Remete a coroa de espinhos com a qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi coroado. O amito recorda-nos que devemos sempre ter pensamentos puros, combatendo sobretudo aqueles que nos vêm contra a castidade. Lembra-nos também a modéstia das palavras e o cuidado que devemos ter de não conversar inutilmente na Igreja.

 [Fonte: www.monfort.org.br]