sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DO ESSENCIAL: A intimidade com o Criador e Senhor


Caríssimos, passo algumas linhas do que pretendo consumir e deixar-me consumir em planejamento neste ano de 2011, e que me valha a toda a vida.

Trago linhas dos Padres do Deserto. Agora, a importância da intimidade, da oração ao Deus Altíssimo que, para mim, é o "elo" perdido desde o Éden.

Alguém contou: “- Três amigos, cheios de zelo (filoponói), fizeram-se monges. Um deles se propôs ser um conciliador de lides, segundo o que está escrito: ‘- Bem-aventurados os pacíficos’; o segundo escolhera visitar os doentes; o terceiro meteu-se na prática da hesequia na solidão. O primeiro se esgotava nos processos dos homens e não conseguia pôr todo o mundo a termo: desencorajado se dirigiu ao que cuidava dos doentes e o encontrou desiludido, com ser incapaz de cumprir o mandamento (divino). De comum acordo ambos foram ver o hesicasta. Eles lhe contaram os percalços e lhe rogaram dizer que estado ele alcançara. Este ficou um momento em silêncio, encheu d’água um copo e lhes disse: ‘- Vede esta água’; ela estava túrbida. Após certo tempo, retomou: “- Vede agora como ficou limpa”. Eles se inclinaram e viram suas caras como num espelho. “- Assim é, continuou ele, quem se conserva entre os homens: a agitação os impede de enxergar seus pecados, mas se guarda a hesequia, sobretudo no deserto, perceberá seus pecados”. (N. 134).

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Demorei a entender, ou melhor, aceitar, tal apotegma. Mas li, reli. Joguei o livro pra lá. Retomei-o e fui mastigando, ruminando cada palavra. Uma ascese em busca do mínimo: entender o porquê de minha resistência a fazer ou ter o mínimo juízo que levou a tal ensinamento.

Por ter o costume da vida pastoral e, neste contexto, minha oração, a aceitação da parada, da busca por si mesmo dentro da sala mais escura, mais cheia de espelhos e recantos que já tive de me colocar, meus pensamentos (minha mente). Muitos fogem dela (da mente), eu inclusive.

Os trabalhos psicoanalíticos são fustigantes e trazem um transtorno: nunca se sabe quando se acabaram - ou se ainda permanecem. Como se ainda estivéssemos dentro do nada, de um planeta desconhecido cheio de personagens e locais conhecidos, mas inanimados de sentido.

Recordo que a perseguição das utilidades diárias consome todas as forças e todo imaginário possível para um único fim: sobressair-se, literalmente, sobressair! Sair sobre si mesmo, nunca em si mesmo. Semelhante a ida ao planeta dos conhecidos inanimados.

Ainda que na perseguição das virtudes que contemplem o bem-comum ou o autruísmo, ainda assim, é sobressair-se.

No livro de Grün (abaixo citado), a revelação da verdadeira intenção dos que passam todos os tempos tentando cuidar do alheio sem se meter consigo mesmo:

"Em muitos homens piedosos, percebe-se que eles querem, por meio de sua religiosidade, esquivar-se da própria verdade. Eles se refugiam em pensamentos e sentimentos piedosos para não precisarem encontrar-se consigo mesmos." (pag. 41)

... Estou aprendendo...
Veja mais em:

GRÜN, Anselm. O céu começa em você: sabedoria dos padres do deserto para hoje; tradução de Renato Kirchner. Petrópolis: Vozes, 1988.


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