quarta-feira, 10 de novembro de 2010

UMA VIDA, UMA IDEOLOGIA

Nos últimos anos, temos visto como a descaracterização da palavra tem sido tomada como correta. A palavra dada já não assevera absolutamente qualquer coisa.

O receio de ofender e a nova onda do "politicamente correto" tem feito com que os homens não empenhem honestidade no que dizem, preferindo os "talvez", os "é possível" ou os "pode ser" ou os "cada um com sua sentença" ou "faça o seu que eu faço o meu".

O receio virou medo. Medo de ser "indelicado", ofender ou ser "preconceituoso" tem feito com que os "Princípios" fossem relegados ao ermo, porque hoje em dia "tudo é relativo"!

Falar em Princípios tornou-se quase anti-ético, porque pode ofender; mas a própria Ética vem dos Princípios que a norteia.

Calam-se os Princípios, amarra-se a Ética, cala-se a voz, morre a Palavra. Tudo em nada.

Há os que trocam os Princípios da Ética por uma "etiqueta", isso mesmo, "etiqueta". Preferem ser simpáticos, numa empatia pífia, ilusória e enganadora a serem "anti-etiquetas". É: "anti-etiqueta", não anti-éticos.

Queremos o jeito fácil, do prazer imediato, o sanativo, não o curativo. Queremos vantagens; queremos encantar, ser aplaudidos; tememos impopularidade, porque podemos perder "negócios" ou parcerias. Puro mercantilismo relacionamental. Tudo em nada.

Como não tem vergonha os que se consideram simpáticos e aliados os que sorriem mais...

Diz-me sempre o meu velho pai, o senhor Inacio de Taquarana, nos seus 78 anos de vida: - "Meu filho, o mau do sabido é pensar que todo mundo é besta". Verdade!

Chegam de mansinho, com retórica farta de sinônimos, bajulações e temas que só interessam ao interlocutor em questão: venenos saborosos.

Preferem parecer gentis a corrigirem qualquer conduta adversa aos Princípios ora idos.

Que resta a um homem sem Princípios?

"Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?" (cf. Mc 8,36)

Ensinou-me tantas vezes o então reitor da Igreja de Nossa Senhora do Livramento, Padre Henrique Soares: "Meu filho, um homem tem que honrar as calças que veste". Verdade.

Já o culto Paulo de Tarso disse aos efésios que não fossem incoerentes naquilo que tinham como Princípios e tivessem a coragem de falar abertamente suas opiniões. (cf. Ef 5,11). Semelhantemente o Filho de Deus nos ensinou que devemos dizer sim, quando for sim; e não, quando for não (cf. Mt 5,37), arrematando que se não fosse pra falar a Verdade, o que fosse falado seria da parte do maligno.

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Finalizo esta reflexão com este trecho do Salmo 93:

Até quando, Senhor, triunfarão os ímpios?
Até quando se desmandarão em discursos arrogantes, e jactanciosos estarão esses obreiros do mal?
Eles esmagam o povo, Senhor, e oprimem Vossa herança.
O Senhor conhece os pensamentos dos homens, e sabe que são vãos.
Feliz o homem a quem ensinais, Senhor, e instruís em Vossa Lei,
para lhe dar a paz no dia do infortúnio, enquanto uma cova se abre para o ímpio,
porque o Senhor não rejeitará o seu povo, e não há de abandonar a sua herança
Quando em meu coração se multiplicam as angústias, vossas consolações alegram a minha alma.
Acaso poderá aliar-se a Vós um tribunal iníquo, que pratica vexames sob a aparência de lei?
Atentam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente.
Mas o Senhor certamente será o meu refúgio, e meu Deus o rochedo em que me abrigo.

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Que vossa sabedoria me dirija,
Vossa justiça me contenha,
Vossa clemência me console,
Vosso poder me proteja

Tornai-me, Senhor, prudente nas decisões,
corajoso nos perigos
paciente nas adversidades
e humilde na prosperidade.

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