quinta-feira, 4 de novembro de 2010

INIMIGOS DO EVANGELHO

Por Padre Valmir Galdino, resp. do Setor Juventude da Arquidiocese de Maceió

Nos últimos tempos eclodiram muitas denominações religiosas. Somos quotidianamente bombardeados por propostas atraentes, e por que não dizer ultramiraculosas, que nos vem através, por intermédio dos meios de comunicação. Eles ocupam um singular ambiente para a divulgação e propagação da “fé”.

São anunciadas curas extraordinárias que nem mesmo Jesus, o do evangelho, realizou. Curas espantosas e sensacionais, para não dizer sensacionalistas. São verdeiros “shows da fé”. Espetáculos em nome de um evangelho chocho, sem graça, sem vida nem referencial. Um evangelho mascarado, anestesiado e troncho, algo torto, mal-acabado, mal-feito, tosco.

Impressiona-nos o “profissionalismo” dos ditos pastores. Homens de pouca cultura adestrados para enganar, para falar de um Jesus imaginário, fazedor de milagres, um milagreiro cínico e barato. Mas que cobra caro para a concretização de tais milagres. Cobra a carteira inteira, com cédulas e até mesmo poucas moedas.

Em que tempo estamos mergulhados, pois quando observamos as pregações vemos que são vazias de conteúdo, são apenas repetições mal elaboradas de versículos. São pregações que nunca conduzem à prática de uma corresponsabilidade fraternidade, de uma vivência do amor, aquele pregado por Jesus, o Filho de Deus, o da Cruz.

Elas, as pregações, conduzem a todo momento ao que costumamos chamar de teologia da prosperidade, não ao seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. As ditas “pregações” anunciam “milagres” que significam muitos bens: casas, ou melhor, mansões, carros de luxo, muito, mais muito dinheiro no banco, nos cofres. Uma infinidades de coisas, ou seja, bens materias que sofrerão a ferrugem e a traça.

Por conseguinte, nossas avenidas perderam a beleza de edifícios magnânimos, verdadeiras obras de arte. Cederam, que pena, seus espaços para longas fachadas que estampam bem claro o nome e, sobretudo, o rosto dos fundadores (apóstolos, bispos, pastores) das instituições ditas evangelhélicas. São homens trajando ternos e gravatas, mulheres bem vestidas que enfeiam a paisagem das ruas e avenidas das cidades. Tais apóstolos, bispos e pastores, por meio de fotos, imagens bem elaboradas são os sicerones da “fé”, os obreiros do senhor, tutores e fazedores de milagres.

É lamentável, profundamente lamentável perceber que o Evangelho, boa notícia de salvação de Jesus para nós, transformou-se em meio de vida. Virou motivo de escândalo no sentido bem pejorativo mesmo da palavra. É lastimável notar que muitos são atraídos para a ísca, para o engano dos que se intitulam pastores de Jesus.

Quanta farsa, quanto engano. Até quando teremos que conviver com estes lôbos vestidos de ovelhas. Enganadores do povo sofrido, marcado pela dor, pelas adversidades da vida. Que venha, venha mesmo, o Senhor em nosso socorro. Que o Evangelho do nosso Senhor e Salvador penetre as nossas vidas e almas, para não cairmos nas armadilhas dos filhos das trevas e nunca da luz.

(do site: http://www.arquidiocesedemaceio.org.br/blogs/pe-valmir-juventude/58/inimigos-do-evangelho)

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