sábado, 27 de novembro de 2010

SOBRE A VIOLÊNCIA DOS JOVENS

“Você quer receber um beijo de quem nunca foi beijado?”*


O Zeca acertou! Como esperar a reciprocidade daquilo que o outro não tem nem conheceu? Contentamo-nos em dizer que tem escola, que o governo dá “bolsa”, que o acesso e o dinheiro são mais fáceis… Na prática, na vida do jovem pobre, por exemplo, acontece que ele vê na TV que para ser feliz é necessário comprar o objeto “A” ou “B”; que é feliz quem tem isso ou aquilo; que só é feliz quem consome, independentemente se por cima de algum valor ou alguma pessoa.
Os Valores de outrora subsistem para os “valores” ($$$) de hoje.
Ensina o governo deste País: É insuportável ser pobre; só é pobre quem quer, porque já foi facilitado dinheiro nos bancos, existem as “bolsas” alimentação (compra de voto institucionalizada, a meu ver)… Não tem dinheiro quem não quer. É assim que o governo pensa: tome dinheiro e sorria, porque você é feliz.
Compramos objetos e vendemo-nos. Vendemos nossos valores para adquirirmos conforto e prazeres instantâneos.
Como pode, o jovem supracitado, vislumbrar ser sem ter?
Termino:
- Oi irmão, de qual denominação você é?
- Sou do Bradesco. E você?
- Ah, irmão, aceite vir pro do Brasil. Aqui a graça ($) acontece.
- É mesmo irmão?
- É. Tem até obras sociais como o PAC, construção de casas, apoio aos esportes… Tudo na minha instituição.
- É, irmão, tem praticar, né. Só depositar é obra morta…
- É verdade.
[enquanto isso, na porta da Instituição do Brasil, há uns pedintes das graças (moedas)].
Não esqueço que tudo começou com apoio dos cristãos (sinto!).

* Frase atribuída a Zeca Pagodinho, no Blog de Ricardo Mota em: http://blog.tudonahora.com.br/ricardomota/2010/11/26/voce-quer-um-beijo-depois-da-munhecada-no-espinhaco/#comments

domingo, 21 de novembro de 2010

QUEM SE DIZ CRISTÃO, SEGUE O SEU BISPO

Da Carta aos Efésios, por Santo Inácio de Antioquia (séc. II), bispo e mártir:

Exorto-vos a proceder segundo o pensamento de Deus. Pois Jesus Cristo, o indefectível princípio da nossa vida, é o pensamento do Pai. Do mesmo modo, os bispos, estabelecidos até aos confins da terra, estão no pensamento de Jesus Cristo.

Convém, pois, proceder segundo o pensamento do vosso bispo. É, aliás, o que fazeis. O conjunto dos vossos sacerdotes, verdadeiramente dignos de Deus, está ligado ao bispo como as cordas o estão à cítara. Assim, na conformidade dos vossos sentimentos e na harmonia da vossa caridade, cantais Jesus Cristo. Que cada um de vós se torne membro deste coro para que, na harmonia da vossa conformidade e no tom de Deus, canteis na unidade de uma só voz os louvores do Pai, por Jesus Cristo.

Vós sois as pedras do templo do Pai, talhadas para o edifício que Deus Pai construiu, que se eleva até ao cimo pelo instrumento de Jesus Cristo, que é a Sua cruz, servindo-vos como cabo do Espírito Santo. A vossa fé atrai-vos para o alto, e a caridade é o caminho que vos eleva até Deus. Sois também companheiros de caminho, portadores de Deus e do Seu templo, portadores de Cristo, levando os objetos sagrados, ornados em tudo com os preceitos de Jesus Cristo. Convosco, vivo na alegria; regozijo-me convosco pelo fato de que, vivendo uma vida nova, amais apenas a Deus.

(Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju, em: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

sábado, 13 de novembro de 2010

A PALAVRA E SEU PODER

Tua Palavra é vida para a minha vida - I

A Palavra de Deus que, em última análise, é Cristo, é a Verdade da nossa vida! Isto significa que somente à luz da Palavra, poderemos encontrar o verdadeiro sentido da existência e, caminhando pelo caminho reto, encontrar a plenitude da vida e nela viver.

Se hoje, a angústia, verdadeiro monstro que nos ameaça, é a falta de sentido, a Palavra, que é Cristo, aparece, precisamente como o Sentido! Então, viver na Palavra é viver na verdade da própria existência, é viver a vida no sentido que Deus pensou para nossa existência e, assim, viver autenticamente, viver na verdade, sem falsear a própria vida. O fruto disso é a paz! Era isso que São Jerônimo queria dizer à Paula, sua discípula: “Que mel, que manjares podem ser mais doces que conhecer a providência de Deus, penetrar seus segredos, examinar o pensamento do Criador e ser instruído nas palavras do Senhor, objeto de zombaria dos sábios deste mundo, mas que estão cheias de sabedoria espiritual? Que outros tenham suas riquezas em outros lugares, bebam em copos engastados de pérolas, brilhem com a seda, gozem de popularidade e, por causa da variedade de prazeres, não sejam capazes de vencer sua opulência! Nossas delícias sejam meditar na lei do Senhor dia e noite, chamar à porta que se abre, receber os pães da Trindade e, com o Senhor à frente, pisar as ondas deste século”.

Nós somente seremos nós mesmos, na medida em que alicerçarmos nossa existência na Palavra do Senhor: ela nos abre o sentido da vida, o rumo da existência, a direção de nossos passos, dando-nos, assim, o acesso ao país da paz e da salvação!

Poderíamos nos perguntar: Tenho procurado pelo sentido de minha vida? Onde o encontro? Tenho esforçado-me para ver e sentir a partir da Palavra de Deus, que é o próprio Cristo? Cristo – sua pessoa, suas palavras, sua vida... – tem sido o referencial de minha existência? Tem sido minha verdade e vida da minha vida?

Mas, viver na Palavra exige freqüentar a Palavra, isto é, a leitura contínua, fiel e crente da Escritura Sagrada. É o que tradicionalmente se chama lectio divina. Trata-se da reverente, piedosa, perseverante e humilde busca da Palavra na palavra! Ler, escutar, reter, aprofundar, viver a Palavra de Deus contida na Escritura, mergulhar nela com fé e amor: nisso consiste, essencialmente, a lectio divina. É preciso que tenhamos bem claro que abrir a Escritura é encontrar a Deus; esta é o livro dos que buscam o Senhor! Como dizia Orígenes: “Nas Escrituras, com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor”.


Tua Palavra é vida para a minha vida - II

A Escritura é o livro da contemplação de Deus, é o “lugar” por excelência de oração, pois aí Deus fala e se manifesta pessoalmente a mim, coração a coração! Não basta que estejamos convencidos que Deus falou no passado; é necessário fazer um profundo ato de fé que Deus continua falando, fala no presente, que ele me fala: Deus falou, Deus fala, Deus me fala; dirige-se a mim pessoalmente, aqui e agora, dirigindo-me uma mensagem pessoal e única que enche de novo sentido e luz o meu cotidiano, por mais banal que pareça ser! Já o santo Papa Gregório Magno ensinava: “Deus não responde ao coração de cada um por revelações particulares, porque preparou uma palavra que pode solucionar todos os problemas. Na Palavra de sua Escritura, com efeito, se soubermos procurar, encontraremos resposta para cada uma de nossas necessidades... Deus recolheu na Escritura Santa tudo o que pode suceder a cada um de nós e nos deu por modelo os exemplos dos que nos precederam”. E São Bento, Pai dos monges cenobitas, exortava seus filhos: “Tendo nossos olhos abertos à luz de Deus, escutemos atentos o que diariamente nos admoesta a voz divina que clama!”

Por isso mesmo, como ensinava o reformador dos camaldolenses, Paulo Giustiniani: “O monge deve aproximar-se da Palavra, não para entreter-se, nem para estudar, mas como se subisse ao Altar de Deus, com grandes preparativos de alma e de corpo, com profundíssimo respeito”.

É claro que Deus não está aprisionado na Bíblia nem a Bíblia é o único modo de Deus nos falar! Ele é um Deus vivo que fala ora na Escritura, ora por uma inspiração interior... mas a norma de toda inspiração e de toda oração é a Bíblia!

Aqui, duas observações: 1) a lectio não é leitura espiritual. Esta pode ser feita com um piedoso livro escrito por homens piedosos; aquela é feita unicamente com a Palavra de Deus! 2) A própria oração mental e a adoração cotidiana ao Santíssimo Sacramento devem estar relacionadas com a lectio: o que Deus me falou na sua Palavra deve ser motivo de meditação e de resposta adorante!



Tua Palavra é vida para a minha vida - III


Recordemos brevemente os passos da lectio divina: (a) a lectio (leitura atenta e fiel, calma e amorosa do texto bíblico); (b) a meditatio (não significa que eu medito racionalmente, cerebralmente, sobre a Palavra, mas que a deixo entrar afetivamente no meu coração: vou saboreando-a, repetindo-a, deixando que ela se aposse de mim... vou descobrindo o coração de Deus na Palavra de Deus!) (c) a oratio (naturalmente, a meditatio torna-se oratio: aquele estar gozoso diante do Senhor, aquele saborear o Senhor em nosso coração, aquele arder de amor diante do Senhor). (d) a contemplatio (aqui Deus conduz a alma ao puro silêncio, sem palavras ou imagens, sem pensamentos ou sentimentos. É como se a alma se tornasse uma só com Deus, numa união de amor transformante). É bom deixar claro que podemos exercitar os três primeiros momentos. O último, é pura iniciativa de Deus!

Podemos nos perguntar: para que a lectio? Simplesmente para encontrar Deus na sua Palavra, que é Jesus! Não é para sabermos mais, não é para sermos melhores e mais santos... É, simplesmente, por uma questão de amor: estar com Deus, freqüentar o seu coração! A Sagrada Escritura não nos quer dizer o que devemos fazer e sim, o que somos, isto é, qual é o mistério da nossa vida. Assim, ler a Escritura significa, antes de tudo, encontrar o Deus que me convoca, que se dirige a mim na Palavra e que me abre o seu coração e, no encontro com Deus, encontrar o mistério da minha própria vida e do meu próprio eu, descobrindo o sentido da existência à luz do coração do Senhor! Pensemos bem que riqueza, que honra, que segurança, que plenitude, viver alicerçados na Palavra do Senhor, na sua santa vontade, na sua infinita sabedoria! “Bem-aventurados somos nós, ó Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado!” (Br 4,4)


Tua Palavra é vida para a minha vida - IV

Uma última observação. Esta Palavra certamente vai nos colocar em crise: “Eu lhes dei a tua Palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo” (Jo 17,14). Isto porque freqüentar a Escritura é como lutar com a Palavra de Deus, é colocar em crise aquilo que em mim é mundano e, portanto, alheio a Deus. Se não compreendo a Palavra, se meu coração a sente distante e a escuta com fria indiferença, é porque eu mesmo não me compreendo adequadamente! A luta com a Palavra me conduz ao encontro de Deus e, portanto, a um novo encontro comigo mesmo. De repente, Deus e a minha própria existência saltam claramente aos meus olhos! Na medida em que compreendo a Palavra de Deus, compreendo a mim mesmo de um modo todo novo! Já Santo Agostinho nos advertia: “A Palavra de Deus se opõe à tua vontade enquanto não se tornar artífice de tua salvação. Na medida em que tu mesmo fores o teu inimigo, também a Palavra de Deus o será. Torna-te amigo de ti mesmo e também a Palavra de Deus estará em harmonia contigo”.

Escutar a Palavra exige, portanto, que nos abramos a ela, arrancando do nosso coração tudo aquilo que é mundano, que é contrário à vontade de Deus a nosso respeito. Somente com esta sinceridade e seriedade diante da Palavra, a lectio será verdadeira e eficaz! Não esqueçamos que a Palavra nos julga: “Em verdade, em verdade, vos digo: quem escuta a minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não vem a julgamento, mas passou da morte para a vida” (Jo 5,24); “Por que não reconheceis minha linguagem? É porque não podeis escutar minha Palavra!” (Jo 8,43); “Quem me rejeita e não acolhe minhas palavras tem seu juiz: a Palavra que proferi é que o julgará no último dia” (Jo 12,47).

O Pe. Antônio Vieira, com razão, advertia: “A Palavra de Deus é tão fecunda, que nos bons faz muito fruto, e é tão eficaz que nos maus, ainda que não faça fruto, faz efeito!” No caso, efeito de morte, pois mata Deus em nós, silencia sua voz salvadora no nosso coração!

Dom Henrique Soares, Bispo da Acúfida, em: http://costa_hs.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

UMA VIDA, UMA IDEOLOGIA

Nos últimos anos, temos visto como a descaracterização da palavra tem sido tomada como correta. A palavra dada já não assevera absolutamente qualquer coisa.

O receio de ofender e a nova onda do "politicamente correto" tem feito com que os homens não empenhem honestidade no que dizem, preferindo os "talvez", os "é possível" ou os "pode ser" ou os "cada um com sua sentença" ou "faça o seu que eu faço o meu".

O receio virou medo. Medo de ser "indelicado", ofender ou ser "preconceituoso" tem feito com que os "Princípios" fossem relegados ao ermo, porque hoje em dia "tudo é relativo"!

Falar em Princípios tornou-se quase anti-ético, porque pode ofender; mas a própria Ética vem dos Princípios que a norteia.

Calam-se os Princípios, amarra-se a Ética, cala-se a voz, morre a Palavra. Tudo em nada.

Há os que trocam os Princípios da Ética por uma "etiqueta", isso mesmo, "etiqueta". Preferem ser simpáticos, numa empatia pífia, ilusória e enganadora a serem "anti-etiquetas". É: "anti-etiqueta", não anti-éticos.

Queremos o jeito fácil, do prazer imediato, o sanativo, não o curativo. Queremos vantagens; queremos encantar, ser aplaudidos; tememos impopularidade, porque podemos perder "negócios" ou parcerias. Puro mercantilismo relacionamental. Tudo em nada.

Como não tem vergonha os que se consideram simpáticos e aliados os que sorriem mais...

Diz-me sempre o meu velho pai, o senhor Inacio de Taquarana, nos seus 78 anos de vida: - "Meu filho, o mau do sabido é pensar que todo mundo é besta". Verdade!

Chegam de mansinho, com retórica farta de sinônimos, bajulações e temas que só interessam ao interlocutor em questão: venenos saborosos.

Preferem parecer gentis a corrigirem qualquer conduta adversa aos Princípios ora idos.

Que resta a um homem sem Princípios?

"Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?" (cf. Mc 8,36)

Ensinou-me tantas vezes o então reitor da Igreja de Nossa Senhora do Livramento, Padre Henrique Soares: "Meu filho, um homem tem que honrar as calças que veste". Verdade.

Já o culto Paulo de Tarso disse aos efésios que não fossem incoerentes naquilo que tinham como Princípios e tivessem a coragem de falar abertamente suas opiniões. (cf. Ef 5,11). Semelhantemente o Filho de Deus nos ensinou que devemos dizer sim, quando for sim; e não, quando for não (cf. Mt 5,37), arrematando que se não fosse pra falar a Verdade, o que fosse falado seria da parte do maligno.

+ + +

Finalizo esta reflexão com este trecho do Salmo 93:

Até quando, Senhor, triunfarão os ímpios?
Até quando se desmandarão em discursos arrogantes, e jactanciosos estarão esses obreiros do mal?
Eles esmagam o povo, Senhor, e oprimem Vossa herança.
O Senhor conhece os pensamentos dos homens, e sabe que são vãos.
Feliz o homem a quem ensinais, Senhor, e instruís em Vossa Lei,
para lhe dar a paz no dia do infortúnio, enquanto uma cova se abre para o ímpio,
porque o Senhor não rejeitará o seu povo, e não há de abandonar a sua herança
Quando em meu coração se multiplicam as angústias, vossas consolações alegram a minha alma.
Acaso poderá aliar-se a Vós um tribunal iníquo, que pratica vexames sob a aparência de lei?
Atentam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente.
Mas o Senhor certamente será o meu refúgio, e meu Deus o rochedo em que me abrigo.

+ + +

Que vossa sabedoria me dirija,
Vossa justiça me contenha,
Vossa clemência me console,
Vosso poder me proteja

Tornai-me, Senhor, prudente nas decisões,
corajoso nos perigos
paciente nas adversidades
e humilde na prosperidade.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

INIMIGOS DO EVANGELHO

Por Padre Valmir Galdino, resp. do Setor Juventude da Arquidiocese de Maceió

Nos últimos tempos eclodiram muitas denominações religiosas. Somos quotidianamente bombardeados por propostas atraentes, e por que não dizer ultramiraculosas, que nos vem através, por intermédio dos meios de comunicação. Eles ocupam um singular ambiente para a divulgação e propagação da “fé”.

São anunciadas curas extraordinárias que nem mesmo Jesus, o do evangelho, realizou. Curas espantosas e sensacionais, para não dizer sensacionalistas. São verdeiros “shows da fé”. Espetáculos em nome de um evangelho chocho, sem graça, sem vida nem referencial. Um evangelho mascarado, anestesiado e troncho, algo torto, mal-acabado, mal-feito, tosco.

Impressiona-nos o “profissionalismo” dos ditos pastores. Homens de pouca cultura adestrados para enganar, para falar de um Jesus imaginário, fazedor de milagres, um milagreiro cínico e barato. Mas que cobra caro para a concretização de tais milagres. Cobra a carteira inteira, com cédulas e até mesmo poucas moedas.

Em que tempo estamos mergulhados, pois quando observamos as pregações vemos que são vazias de conteúdo, são apenas repetições mal elaboradas de versículos. São pregações que nunca conduzem à prática de uma corresponsabilidade fraternidade, de uma vivência do amor, aquele pregado por Jesus, o Filho de Deus, o da Cruz.

Elas, as pregações, conduzem a todo momento ao que costumamos chamar de teologia da prosperidade, não ao seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. As ditas “pregações” anunciam “milagres” que significam muitos bens: casas, ou melhor, mansões, carros de luxo, muito, mais muito dinheiro no banco, nos cofres. Uma infinidades de coisas, ou seja, bens materias que sofrerão a ferrugem e a traça.

Por conseguinte, nossas avenidas perderam a beleza de edifícios magnânimos, verdadeiras obras de arte. Cederam, que pena, seus espaços para longas fachadas que estampam bem claro o nome e, sobretudo, o rosto dos fundadores (apóstolos, bispos, pastores) das instituições ditas evangelhélicas. São homens trajando ternos e gravatas, mulheres bem vestidas que enfeiam a paisagem das ruas e avenidas das cidades. Tais apóstolos, bispos e pastores, por meio de fotos, imagens bem elaboradas são os sicerones da “fé”, os obreiros do senhor, tutores e fazedores de milagres.

É lamentável, profundamente lamentável perceber que o Evangelho, boa notícia de salvação de Jesus para nós, transformou-se em meio de vida. Virou motivo de escândalo no sentido bem pejorativo mesmo da palavra. É lastimável notar que muitos são atraídos para a ísca, para o engano dos que se intitulam pastores de Jesus.

Quanta farsa, quanto engano. Até quando teremos que conviver com estes lôbos vestidos de ovelhas. Enganadores do povo sofrido, marcado pela dor, pelas adversidades da vida. Que venha, venha mesmo, o Senhor em nosso socorro. Que o Evangelho do nosso Senhor e Salvador penetre as nossas vidas e almas, para não cairmos nas armadilhas dos filhos das trevas e nunca da luz.

(do site: http://www.arquidiocesedemaceio.org.br/blogs/pe-valmir-juventude/58/inimigos-do-evangelho)