domingo, 22 de agosto de 2010

PARA PENSAR 2

(Do Blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

Para pensar - II


Por tudo isso é claro que o homem - se quer ser fiel a si mesmo -, que uma sociedade - se deseja ser sadia -, não podem fazer pouco de perguntar sobre Deus... Um Deus que responda à questão “que é” e “para que é” o ser humano. Ora, o drama é que o mundo atual silenciou a questão de Deus, construindo uma existência preocupada simplesmente com o intra-mundano, abdicando de buscar o Absoluto! Daí o secularismo e o relativismo, a abdicação da verdade e a indiferença aos valores: tudo vale porque nada vale!

Isto se manifesta fundamentalmente em duas atitudes de hoje: a fuga ante a morte e a mentalidade de aproveitar a vida numa dissipação do consumismo hedonista, do cultural como espetáculo e do turismo como distração. Assim, o sentido da vida é banalizado e ficam poucos resquícios de Deus!

A conseqüência última de uma tal situação é o medo, velado e nunca admitido: “O homem numas muitas vezes se exalta como norma absoluta. Noutras deprime-se até ao desespero. Donde sua hesitação e angústia” (GS 12b).

Mas que significa uma tal rejeição de Deus na sua providência paterna? Por que o homem o refuta? No fundo, a rejeição do Pai é medo de encarar a morte. Viver é conviver com a idéia que tudo, antes ou depois, terminará. A perspectiva da morte compromete a cada momento o sentido da vida: o que haverá após a morte? Que sentido tem minha vida? Para onde vão meus esforços, sofrimentos, renúncias, minhas poucas consolações?

O Pai aparece neste horizonte como aquele ninho de amor e aconchego ao qual podemos nos abandonar sem reservas, o porto onde nossos cansaços e ânsias repousarão, o coração no qual temos a certeza de não sermos rejeitados. O Pai é, portanto, a evocação da origem, da ânsia e saudade de felicidade que sentimos; o Pai é evocação do seio materno, da pátria, da casa, da intimidade, daquele diante de quem podemos ser nós mesmos, da Face bendita à qual podemos olhar sem temor.

A necessidade que o homem tem do Pai é equiparável à necessidade de um ponto de referência, de um refúgio, uma intimidade, um ser compreendido e acolhido. O Pai é pai e mãe! Sem esse seio acolhedor o homem se desumaniza, desestrutura-se, perde sua identidade e o sentido de vida e de relação com o mundo e com os outros: sem consciência de ser filho o homem perde também a consciência de ser irmão! “A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus. E não vive plenamente segundo a verdade a não ser que reconheça livremente aquele amor e se entregue ao seu Criador” (GS 19a).

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