sábado, 7 de agosto de 2010

CULTO CRISTÃO

Caros irmãos e irmãs,

Continuo a busca por expor sobre o CULTO CRISTÃO.

Hoje, nem tiro nem acrescento o escrito de Dom Henrique Soares.

Nele, veremos mais sobre o "ser" sacerdote e o Culto.

Leiamos com atenção.

Ser padre, sacerdote de Jesus! - II

Seria errôneo e injusto pensar o culto judaico como uma realidade meramente material e exterior, sem alma. São inúmeros os textos do Antigo Testamento que mostram o quanto para o judeu piedoso o culto litúrgico do Templo era agradável e querido por Deus, pois tratava-se da expressão da vida (cf. Dt 26,1-10; 12). O grito dos profetas era precisamente contra um culto que não exprimia o coração empenhado na aliança do Senhor; um culto que se tornava falso e hipócrita! O grito profético contra o culto meramente externo revela o zelo pelo culto litúrgico que exprimisse o coração piedoso e adorante em relação ao Senhor Deus.

Ainda assim, este culto do Antigo Testamento era provisório e imperfeito por três motivos fundamentais: (1) oferecia-se uma vítima irracional, inconsciente, sem sentimento algum, cujo sangue derramado representava a vida do próprio ofertante, que se entregava a Deus; (2) a identidade entre a vítima ofertada e o fiel ofertante era apenas simbólica, de modo que o ofertante não tinha realmente como se colocar todo na vítima: esta o representava, mas não era ele realmente; (3) o ofertante é apenas um homem marcado pelos próprios pecados, por mais boa vontade que tivesse.

Demos um passo adiante. A mesmíssima estrutura do sacerdócio da antiga Aliança é encontrada no Novo Testamento: Jesus é o único Sacerdote, o Sacerdote perfeito e eterno (cf. Hb 7,20-25; 8,1-3.6), que cumpre e leva à plenitude o sacerdócio do povo de Israel: ele concentra em si todo o Israel, qual personalidade corporativa (cf. Mt 2,15 // Os 11,1; Mt 4,1-10// Dt 6,13.16; 8,3; Jo 15,1// Is 5,1-7). Mas, dando-nos o seu Espírito no Batismo e nos fazendo participantes do seu mistério pascal na Eucaristia, ele nos uniu à sua missão, fazendo de nós um povo sacerdotal: “Cristo fez de nós um reino e sacerdócio para Deus seu Pai!” (Ap 1,6). Isso aparece de modo implícito na 1Cor 10,16s; 12,2-30 e em Ef 2,14-16; 4,4-6.11-13 e Cl 1,18.24; 3,15, quando São Paulo afirma que somos membros do Corpo de Cristo e todos bebemos do seu único Espírito (cf. 1Cor 12,13); aparece também em Rm 12,1-2, onde o Apóstolo nos convida a que nos ofereçamos como uma hóstia viva agradável a Deus. Aparece ainda de modo explícito na 1Pd 2,9 e no Ap 1,6, que chamam os cristãos de povo sacerdotal. Então, o único sacerdócio de Cristo em nada é afetado quando dizemos que todos nós participamos do seu único sacerdócio, pois que bebemos todos do seu único Espírito, graças ao Batismo e demais sacramentos. O sacerdócio único e perfeito de Cristo atua no mundo através do seu povo santo, que é a Igreja, toda ela povo sacerdotal.

Aqui convém uma observação importantíssima: que significa dizer que a Igreja é um povo sacerdotal? Significa que, como o Israel do Antigo Testamento, mas agora de um modo pleno e definitivo, nós somos o povo que diante de Deus presta o verdadeiro culto em Cristo em nome de toda a criação, e diante da humanidade testemunha e anuncia o rosto do verdadeiro Deus: o Pai do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. Os cristãos nunca serão a totalidade da humanidade: no meio dela são um tico, como o sal no alimento, como o fermento na massa, como pequena mecha de luz na treva. Como povo sacerdotal, a Igreja é chamada a viver numa profunda atitude de apego à sua identidade e serena abertura ao diálogo.


[Texto retirado do blog de Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju: http://costa_hs.blog.uol.com.br/]

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SALVE MARIA IMACULADA!

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