sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NA CRUZ, O AMOR DO PAI 1

Na cruz e ressurreição, a Face amorosa do Pai - I

De modo paradoxal e misterioso, vários textos do Novo Testamento afirmam insistentemente que o amor carinhoso do Pai manifesta-se sobretudo na entrega que ele fez de seu Filho: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único...” (Jo 3, 16); “Deus é Amor. Nisto se manifestou o amor de Deus por nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4,8b-10).

Toda a existência humana de Jesus é revelação da paternidade amorosa de Deus. Ora, tal revelação chega ao máximo na entrega da cruz e na vitória da ressurreição. Várias vezes nos evangelhos Jesus afirma que será entregue (voz passiva): “O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens” (Mc 9,31 e par; cf. 10,33.45 e par; Mc 14,41s; Mt 26,45b-46). Este passivo, chamado “passivo divino” pelos exegetas, revela que Deus é o autor primeiro dessa entrega: é por ele, pelo Pai, que o Filho será entregue! Mas, de que modo uma tal entrega é manifestação de um Deus de Amor? Como pode uma entrega assim manifestar a paternidade de Deus? Que pai entrega seu filho?

Primeiramente, é necessário ter em mente que o Filho que será entregue é aquele no qual o Pai se compraz (cf. Mt 3,17; Mc 1,11), é o Filho amado (cf. Mc 1,11; 9,7; Mt 17,5), aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo (cf. Jo 10,36). Podemos dizer que o Filho é a alegria do Pai, é sua razão de ser – somente no Filho o Pai é Pai! Sem ele o Pai não seria amor, não poderia amar! É este Filho que o Pai entrega: o Filho único, como único era o filho de Abraão: “Toma teu filho, teu único, que amas, Isaac... e o oferecerás em holocausto...” (Gn 22,2). Assim, de modo nenhum se deve pensar um Pai frio e indiferente diante da entrega do Filho amado. Entregando o Filho, o Pai mesmo se entrega no seu ser mais íntimo, na sua paternidade! O Filho livre e amorosamente, na pura confiança, se deixa entregar, porque sabe que é o Amado do Pai: “Por isso o Pai me ama, porque dou minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la; esse é o preceito que recebi do meu Pai” (Jo 8,17s).

Portanto, a entrega do Filho é por amor ao Pai e no Amor do Pai. Mas isso não significa que tal entrega foi isenta de sofrimento: foi o pecado do mundo, que levou Jesus à morte. O homem, que desde o início quis ser como Deus, levou à morte o Filho de Deus; o homem, na sua sede de autonomia, de usurpação, na sua resistência em ser como o Filho: “Restava-lhe ainda alguém: o filho amado!... ‘Este é o herdeiro. Vamos, matemo-lo, e a herança será nossa’” (Mc 12,6s). O Pai, porque é amor, como o pai do filho mais novo, respeita a liberdade do homem: é um Deus que cria espaço para a nossa liberdade; que prefere morrer na morte do seu Filho para não matar a liberdade que nos concedeu. Assim, na cruz, manifesta-se toda a força do pecado do mundo, do “não” do homem à paternidade de Deus: Judas entrega Jesus ao Sinédrio, expressando toda a traição e infidelidade ao amor (cf. Mc 14,10); o Sinédrio entrega Jesus a Pilatos, exprimindo toda deturpação da paternidade de Deus, convertendo a religião em tirania e o Deus da vida em deus de morte (cf. Mc 15,1) e Pilatos entrega Jesus à morte, traindo sua consciência pelo apego ao poder deturpado em auto-serviço (cf. Mc 15,15). O Pai respeita a liberdade humana; no seu amor onipotente, amor paterno, apresenta-se impotente para salvar o Filho “único e amado” da morte!

Na cruz o Pai com-padece com o seu Filho: imola-o por amor do mundo e, como Abraão, “não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou” (Rm 8,32). Como Abraão, o Pai de Jesus aparece imolado: o Filho entrega-se sem defesa à vontade do Pai, confiando nele. O Pai vê-se envolvido no sacrifício de seu Filho único; é sua paternidade mesma que está em jogo! Em sua dolorosa paixão, Jesus é, portanto, o Rosto do Pai, da com-paixão do Pai! Certamente o sofrimento do Pai é diverso daquele que conhecemos: o sofrimento humano é por limitação e imperfeição; o do Pai é por exuberância do seu Ser pleno, absoluta liberdade do seu agir e por superabundância de amor que livremente se deixa compadecer no drama humano do Filho eterno. A felicidade de Deus é inalterável, porque ela é plenitude de amor. Ora, é próprio de grande amor poder fazer a dor coabitar com a alegria, numa mistura na qual a felicidade superabunda e absorve a dor. A única dor incompatível com a felicidade é a causada pelo rompimento com o amado. Isto não se dá jamais em Deus! Aliás, já os rabinos de Israel intuíam este mistério quando, pensando no sofrimento de Israel, colocavam o Salmo 90,15 na boca do Deus de Israel: “Na angústia estarei com ele...” Os rabinos liam: “Com ele, estarei na angústia!” E se explicava, na Haggadah da Páscoa, comentando a passagem da sarça ardente: “O Santo - bendito seja ele - disse a Moisés: ‘Não percebes que eu habito na angústia como Israel na angústia habita? Saibas que, do lugar em que te falo, do meio dos espinhos da sarça, participo de dentro da angústia, se assim se pode falar de Adonai!”

Assim, no Pai a compaixão faz parte de sua eterna felicidade de amar: ele contempla eternamente o sofrimento do seu Cristo – acontecido no tempo da história humana – e o ama com admiração e piedade e com o coração para sempre “co-movido” de “com-paixão” e generosidade... e amando gera o Filho de seu Amor. Também na cruz o Pai gera o Filho amado! Como veremos mais adiante, é na cruz que o Filho é plenamente gerado pelo Pai na sua humanidade! Por tudo isso, contemplando o mysterium crucis, podemos exclamar: “Deus é amor!” (1Jo 4,8,16).


(Do blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)
Na cruz e ressurreição, a Face amorosa do Pai - II

Mas este amor imolado não estaria plenamente revelado sem a ressurreição. Um pouco antes da sua paixão Jesus pedira: “Pai, glorifica o teu nome!” E o Pai respondera: “Eu o glorifiquei e o glorificarei novamente!” (Jo 12,28) O Pai glorificará o seu nome de Pai ao ressuscitar o Filho Jesus. O Filho, na cruz, entregara tudo ao Pai, fazendo-se totalmente pobre; entregara como último gesto de total abandono, o Santo Espírito (cf. Jo 19,30). Agora, o Pai dá-lhe em plenitude este mesmo Espírito, Espírito de Glória, Espírito de Deus Pai (cf. 1Pd 4,14). É isto que São Paulo quer dizer quando afirma que Jesus foi ressuscitado pela Glória do Pai (cf. Rm 6,4) ou ressuscitado pelo Espírito Santo (cf. Rm 8,11) ou vivificado pelo Espírito (cf. 1Pd 3,18) ou ainda transformado no Espírito (cf. 1Cor 15,45). É o Espírito o Amor no qual o Pai gera o Filho e no qual o Filho é gerado pelo Pai. Ora, ressuscitando, glorificando a natureza humana do Filho Jesus, o Pai o gera como Filho na sua humanidade, Filho divinizado, Filho sentado à sua direita. Por isso mesmo os primeiros cristãos vão contemplar a ressurreição de Jesus como a maior obra do Pai, em sua paternidade: “Anunciamo-vos a Boa Nova: Deus ressuscitou Jesus, como está escrito no Salmo 2: Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!” (At 13,32s). Ao ressuscitar Jesus, o Pai o plenifica com o Espírito no qual ele é Pai e Jesus é Filho. Agora, ressuscitado, Jesus vive somente por seu Pai, que o gera na cruz e ressurreição. Por isso mesmo João considerava a cruz e ressurreição como a hora da Glória de Jesus, hora de passar para o Pai: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai...” (Jo 13,1)

Até mesmo em sua natureza humana, antes terrestre, igual à nossa, Jesus vive agora somente pelo seu Pai, pelo Espírito de seu Pai: ele agora vive somente para o seu Pai, de modo pleno e absoluto! Toda a existência humana de Jesus é de tal modo filializada, que o Pai pode, agora, pronunciar também sobre o homem Jesus aquela palavra que desde a eternidade, no Amor, pronuncia sobre o Filho eterno: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!” Na ressurreição o homem Jesus alcança o ápice do seu ser Filho e o Pai alcança o cume da sua paternidade em relação ao Filho feito homem. A partir de agora, para nós cristãos Deus é o “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 1,3), aquele Deus que ressuscitou Cristo dos mortos (cf. Rm 8,11; 1Cor 6,14; 2Cor 4,14). Deus é total, simples e absolutamente Pai do Filho feito homem, Jesus Cristo e Jesus ressuscitado é total e absolutamente o Filho do eterno Pai. Somente o Pai de Jesus tem direito absoluto ao título de Pai: “A ninguém na terra chameis Pai” (Mt 23,9). Ou seja, somente ao Deus de Jesus cabe com propriedade este nome de Pai. Chamar alguma criatura de pai é uma pobre analogia ao mistério infinito de Deus.

Assim, a cruz e a ressurreição - a Páscoa do Senhor - são o momento culminante da manifestação da paternidade amorosa de Deus, momento em que o Filho feito homem é plenamente gerado nas dores do parto da cruz, momento da volta à casa paterna, momento em que o Pai compassivo vem-lhe ao encontro, abraça-o com o laço do Espírito, cobre-o de beijo, com o Espírito Consolador e o reveste com a melhor veste, aquela da Glória e da imortalidade! Mais que nunca, o Pai tem somente uma palavra: “Tu és o meu Filho; eu hoje te gerei!” e o Filho somente pode exclamar: “Abbá, Pai!”


(Do blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

domingo, 22 de agosto de 2010

PARA PENSAR

(Do Blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

Para pensar - I


Vivemos num mundo que refuta o Pai: refuta tudo quanto nos tutela e parece infantilizar; mundo da autonomia, no qual o homem reduz tudo ao seu horizonte e aos seus critérios. Nietzsche já revelava esta mentalidade no final do século passado: “O maior dentre os últimos acontecimentos – que Deus morreu, que a fé no Deus cristão fez-se incrível – já lançou suas primeiras sombras sobre a Europa...”

Com estas palavras terríveis, o filósofo constatava a morte de Deus na consciência do Ocidente, que o apagou de sua consciência coletiva sócio-cultural. Mas, apesar do ateísmo prático, o problema da fé em Deus não pode ser tranqüila e pacificamente descartado pelo homem; trata-se, ao invés, de uma questão que coloca em questão o próprio homem. É importante perceber que o problema da fé em Deus está associado a três grandes dimensões da existência humana:

· A origem e fundamento da vida: Experimentamos a realidade como inconsistente em si mesma (cf. Ecl 1,2-11.14). E isto nos coloca o problema de Deus. Até mesmo o panteísmo e o ateísmo são respostas a este problema. A resposta judeu-cristã a esta questão é um Deus criador, origem e fim da existência humana. Ora, a modernidade mudou a compreensão do mundo e da natureza, passando da contemplação ao pragmatismo explorador! No entanto, se olharmos bem, quanto mais a ciência avança, tanto mais se percebe a grandiosidade e, ao mesmo tempo, a fragilidade do universo... recolocando de modo insistente e incômodo a questão sobre Deus!

· O sentido da existência: A questão surge diante da consciência da morte e torna-se presente em cada experiência da falta de sentido de muitas situações da vida. Inevitavelmente surge a pergunta sobre Deus: Onde ele está? Por que se cala? Tal experiência nos faz pressentir que a resposta não se encontra neste mundo, em nossa realidade intra-mundana, abrindo-nos, então, para a busca de um Absoluto que nos possa salvar... Caso contrário o homem deve conformar-se a ser somente um grito sem resposta, uma sede não saciada, uma carência sem plenitude possível!

· A pergunta sobre o bem e o mal: Somos potencialmente capazes do melhor e do pior; por isso buscamos normas universais de conduta que nos permitem optar pelo bem. Ora, se Deus não existe, tudo é permitido, pois não é possível responder a esta pergunta fundamental: se não há um bem e um mal últimos a partir do qual avaliar e julgar toda conduta, se não há uma referência última, para além de nós mesmos, de nossa subjetividade, então é impossível justificar uma conduta moral. Não basta o sentido da dignidade humana e da solidariedade: sem uma raiz última em que fundamentar tais valores, também eles perecerão! Ora, o Deus da tradição judeu-cristã aparece como a interpelação última que nos faz sentir responsáveis pelo mundo e pelos outros: ele nos descobre o rosto do próximo; ele é o defensor das vítimas – não está nunca com o opressor, mas com o oprimido e não vê a história do ponto de vista dos vencedores, mas do ponto de vista dos massacrados. Também aqui, portanto, o mundo é obrigado a procurar um fundamento moral mais profundo e mais sólido que os humanismos secularizados que estão na moda. Nem mesmo todas as belas profissões de fé nos direitos humanos e na paz e justiça entre os povos têm conseguido livrar o mundo atual de injustiças e violências brutais e gritantes!

PARA PENSAR 2

(Do Blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

Para pensar - II


Por tudo isso é claro que o homem - se quer ser fiel a si mesmo -, que uma sociedade - se deseja ser sadia -, não podem fazer pouco de perguntar sobre Deus... Um Deus que responda à questão “que é” e “para que é” o ser humano. Ora, o drama é que o mundo atual silenciou a questão de Deus, construindo uma existência preocupada simplesmente com o intra-mundano, abdicando de buscar o Absoluto! Daí o secularismo e o relativismo, a abdicação da verdade e a indiferença aos valores: tudo vale porque nada vale!

Isto se manifesta fundamentalmente em duas atitudes de hoje: a fuga ante a morte e a mentalidade de aproveitar a vida numa dissipação do consumismo hedonista, do cultural como espetáculo e do turismo como distração. Assim, o sentido da vida é banalizado e ficam poucos resquícios de Deus!

A conseqüência última de uma tal situação é o medo, velado e nunca admitido: “O homem numas muitas vezes se exalta como norma absoluta. Noutras deprime-se até ao desespero. Donde sua hesitação e angústia” (GS 12b).

Mas que significa uma tal rejeição de Deus na sua providência paterna? Por que o homem o refuta? No fundo, a rejeição do Pai é medo de encarar a morte. Viver é conviver com a idéia que tudo, antes ou depois, terminará. A perspectiva da morte compromete a cada momento o sentido da vida: o que haverá após a morte? Que sentido tem minha vida? Para onde vão meus esforços, sofrimentos, renúncias, minhas poucas consolações?

O Pai aparece neste horizonte como aquele ninho de amor e aconchego ao qual podemos nos abandonar sem reservas, o porto onde nossos cansaços e ânsias repousarão, o coração no qual temos a certeza de não sermos rejeitados. O Pai é, portanto, a evocação da origem, da ânsia e saudade de felicidade que sentimos; o Pai é evocação do seio materno, da pátria, da casa, da intimidade, daquele diante de quem podemos ser nós mesmos, da Face bendita à qual podemos olhar sem temor.

A necessidade que o homem tem do Pai é equiparável à necessidade de um ponto de referência, de um refúgio, uma intimidade, um ser compreendido e acolhido. O Pai é pai e mãe! Sem esse seio acolhedor o homem se desumaniza, desestrutura-se, perde sua identidade e o sentido de vida e de relação com o mundo e com os outros: sem consciência de ser filho o homem perde também a consciência de ser irmão! “A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus. E não vive plenamente segundo a verdade a não ser que reconheça livremente aquele amor e se entregue ao seu Criador” (GS 19a).

ALERTA

(Do blog de Dom Henrique Soares - http://costa_hs.blog.uol.com.br/)

Alerta aos navegantes...


Do Cântico Espiritual, de São João da Cruz, (séc. XVI), sacerdote e doutor da Igreja:

Não há obra melhor que o amor.

A propósito, convém notar, que enquanto a alma não chega a este estado de união de amor, convém-lhe exercitar o amor tanto na vida ativa como na contemplativa.

É mais precioso diante dele e da alma um pouquinho de puro amor e aproveita mais à Igreja, embora pareça que não faz nada, que todas essas obras juntas. Porque, enfim, para este fim de amor fomos criados.

Advirtam, pois, aqui os que são muito ativos e que pensam abraçar o mundo com as suas prédicas e obras exteriores, que dariam muito mais a Deus, além do bom exemplo que dariam, se gastassem sequer a metade desse tempo com Deus na oração, mesmo que não tivessem chegado a uma tão alta oração. De outra forma, tudo é martelar e fazer pouco mais q e nada e, às vezes, nada e até, às vezes, dano.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ALGUNS CONSELHOS

Caros e amados irmãos e irmãs,

O Senhor nos resgatou a preço de Seu Sangue: valorizemo-Lo.

Gostaria de partilhar com vocês o não dito, o subentendido,... em tempo eleitoral.

Em primeiro lugar, tenho o dever de concordar e assim difundir o que nos ensina a Igreja, em particular, o nosso Bispo.

Não tenha eu a audácia de pagãos batizados que escolhem a que conselhos ou regras da Igreja seguir.

Se não é para vender o voto, também não é honesto mentir pegando nesse dinheiro sujo que andam oferecendo para colocar nome em listas.

O que eu fizer na surdina aos olhos humanos será como que em vídeo para os olhos de Nosso Senhor!

Não posso dizer-me cristão se apoio candidatos que divulgam a violência, nem aqueles que vivem dizendo que vão "limpar as ruas", ou seja, matar e matar e matar...

Não me posso dizer cristão se apoio o aborto ou se desejo votar em quem defende o aborto.

Eu seja anátema, nunca me diga cristão, se eu defender casamentos homossexuais ou votar naquele que defende tal.

. . .

Sinceridade de Propósito!

Este é o segredo revelado a todo que se diz cristão.

Cristão Católico Apostólico Romano tem o dever de professar e guiar sua vida tal qual o Credo (que aos domingos são recitados nas Missas pelo mundo inteiro).

Cristão: ou sou ou eu não sou!

Não me posso dizer cristão se concordo "só com algumas coisas" de Cristo.

A Sinceridade de Propósito é mister no meu trabalho - para que eu não me esqueça qual conduta na empresa; é mister na minha vida conjugal - para que nunca aja como solteiro; é mister na vida cristã - para que eu nunca me esqueça o que me ensina o Cristo por Sua Igreja.

EU NÃO VOTO EM QUEM ME OFERECE DINHEIRO.

EU NÃO ME COLOIO COM QUEM ME CONVIDA A TAPIAR OS COMPRADORES DE VOTOS.

EU NÃO VOTO EM "FICHA SUJA".

EU NÃO VOTO EM QUEM DEFENDE ABORTO.

EU NÃO VOTO EM QUEM DEFENDE CASAMENTO ENTRE HOMOSSEXUAIS.

EU NÃO VOTO EM INIMIGOS DA IGREJA.

EU NÃO VOTO EM QUEM SE DIZ A FAVOR DA REDUÇÃO DA MENOR IDADE PENAL.

EU NÃO VOTO EM QUEM DEFENDE O ASSASSÍNIO COMO FORMA DE JUSTIÇA.

...

Ufa!!!...

Rezo pedindo ao Senhor bons governantes. Porque, afinal de contas, só ELE sabe do coração de cada um.

Santo Antonio Maria Claret,

Rogai por nós!

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Eudes Inacio, sJpVM

DA CONVIVÊNCIA ECLESIAL

Caros irmãos e irmãs,

Desejo-lhes a solidariedade capaz de unir e animar rumo ao Céu.

Após estes dias sem postar no blog, retorno, agora, querendo partilhar de algumas vivências na comunidade eclesial.

Espero que sirva para vocês. Em havendo críticas a me serem feitas, aceito com os ombros dispostos.

Da Amizade

- Antes de tomar alguém como confidente, pergunte-o se deseja sê-lo.
- Quando um amigo falar um seu segredo, é porque o que lhe foi dito foi superior à capacidade de guardar.
- Amigo de verdade não desce até o fundo do poço, nem encobre a descida, mas aconselha a todo instante que a descida não fará bem e tem consequências.

Do Essencial para um Grupo Jovem

- 3 A's: Amor, Amizade e Alegria.
- O Amor é servir
- A Amizade é partilhar
- A Alegria é a força para servir e partilhar.

- A Alegria não é expressão do riso, mas o estado de espírito que encontra paz mesmo em meio ao desespero.
- O desespero só pode ser frutífero quando crivado pela Alegria.

- A Tolerância é companhia da Amizade; a intolerância é a inimiga da Felicidade.
- Não se confunda Tolerância com complacência.
- Complacente é aquele que concorda mesmo quando está tudo errado.
- Quem não adverte no erro, não tem Amizade.

- O Amor no Grupo é o servir.
- Quando se ama, não se nega servir nem se escolhe o tipo de serviço.
- Quem resmunga no servir mostra-se incapacitado, no momento, de amar.

- Projetar-se para o serviço do próximo só se for em Cristo:
- Nenhum ato de caridade é verdadeiro se não for por Cristo.
- Socorrer o outro só para amenizar é ressuscitá-lo para a morte;
- Socorrer em Cristo é ressuscitar para a Vida Eterna.

- Tentar socorrer o outro requer primeiro pensar no que Cristo deseja.

- Um Grupo sem Alegria está fadado ao enfadonho: todo cargo é fardo!

- Um Grupo sem meta, objetivo, não sabe sequer onde está e para quê existe. Deve ser reorganizado ou extinto.

- A humildade do servo não está em servir o outro, mas na sua disposição de renunciar-se inteiramente pelo Cristo.

- A humildade é o primeiro e único degrau para subir até o Céu. A escada é o Cristo.

- O modelo de jovem a ser seguido não pode ser ninguém que se possa tocar ou ver.
- Só Cristo deve ser imitado, seguido, copiado.

- Uma alma não tem preço: não economizemos R$ 2,10 de passagem, nem R$ 1,00 na lan, nem 20,00 numa Bíblia, nem R$ ?? para comprar um brinde para animar seu grupo.

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Caríssimos, espero ter contribuído.

Espero comentários.

SALVE MARIA IMACULADA!!

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Eudes Inacio, sJpVM

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CARTA AOS COORDENADORES E LÍDERES

Caros irmãos e irmãs,

A Paz de Cristo e o Amor de Maria sejam nossa medida!

Como membro da Pastoral da Juventude da Arquidiocese, ofereço, como intenção humilde de apoio, escrevo hoje àqueles e àquelas que são coordenadores, líderes, referência em seu grupo ou movimento.

Como articulador da PJ da Diocese de Maceió, tenho tido a oportunidade de ouvir os vários comentários e lamentos dos coordenadores, líderes, de grupos e movimentos. As dores são muitas!;

Coordenador com mais de duas funções;

Cobrança de tudo quanto é lado;

Poucos interessados na liderança;

Quase ninguém quer estar à frente;

Falta de apoio dos adultos;

Padre que não apóia;

Falta de ânimo;

Espiritualidade (entenda-se rezar, oração) em baixa;

Falta de criatividade;

Mesmice; e o

Pentágono: Família-Trabalho-Estudo-Igreja-Eu.


Ufa!...


Quanta coisa, não?


E, por mais incrível que pareça, há, na comunidade eclesial, quem diga “jovem não quer nada com a vida”.

Espera lá! Chega de opiniões bobas e desorientadas de adultos sem mumificados!


Chamo de adultos mumificados aqueles que, quando se fala de jovem, já têm uma crítica a fazer.


Até agora não vi muitos adulto-de-carreira-eclesial se candidatando a doar seu tempo, sua atenção, ou seu dinheiro para ajudar a juventude de sua comunidade.


Ei, espere aí, não é daqueles que quando veem os jovens já vão logo dizendo: “por que não vão rezar?” ou “eu vou ajudar vocês, vamos fazer uma campanha...” (sic!) Só mala! (sic!). Desculpa, gente, mas assim é brincadeira!!!!


Quando chega um adulto “com boa intenção” é só pra mandar. Onde estão os que 1º olham, 2º sentem, 3º amam e 4º servem (não chegam para mandar.)


É servir!!!! Tem gente pensando que só serve a Deus quem trabalha com adulto ou gritando em praça pública.

Quando muito, os “santos adultos-de-carreira-eclesial”, quando jovens, varriam o Templo ou jogavam bola? Gastavam dinheiro com passeios ou davam tudo em dízimo? Iam namorar ou para a Missa? São pós-graduados por que se dedicaram até se afastando da Igreja ou sempre aceitaram a Missão de ir ao outro, inclusive nas horas de estudo?...

Ir ao encontro do distante é salutar. Eu adito dizendo que o trabalho pastoral é santificante: Cuidar dos que estão em nossas paróquias, conversando ou batendo papo nos pátios; agregar celebrando a vida dentro de nossas comunidades eclesiais.

Quem mais além desses coordenadores jovens se preocupam em ensinar e corrigir as falhas na catequese? Que se dedicam em planejar como atrair e congregar os jovens mais arredios em nossa comunidade? Que não recebem elogios públicos por passar 80% ou 90% de suas vidas se dedicando aos “que não querem nada com a vida”? Que não trabalham, mas mandam mensagens cristãs na internet, pagando lan-house? Que se preocupam em não comungar para não dar mau exemplo aos seus? Que choram por não terem apoio nem em casa nem na comunidade eclesial?


Que são vocês? Para mim, vocês são santos!

...

Irmãos e irmãs,coordenadores e coordenadoras, vocês são os santos santificadores de nossa juventude! Suas vidas são ofertório vivo, oferenda agradável no Altar do Senhor.


Não esperem prêmios e elogios de quem quer que seja; nem se insuflem por estes que escrevo. CONTENTAI-VOS EM SERVIR AO SENHOR, POIS ELE É A VOSSA HERANÇA! PREFIRAM OS DONS QUE VÊM DO ALTO!


É no socorro e serviço a esses jovens que vocês, muitas vezes, mal conhecem, mas se dedicam, que está a vossa santificação.


Finalizo com as palavras do bom servo Paulo de Tarso, que há, mais ou menos, 1960 anos já dizia:


Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Col 3,2-4.15-17)


Amém! Maran athá! (1Cor 16,23)


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Eudes Inacio, sJpVM

sábado, 7 de agosto de 2010

CULTO CRISTÃO

Caros irmãos e irmãs,

Continuo a busca por expor sobre o CULTO CRISTÃO.

Hoje, nem tiro nem acrescento o escrito de Dom Henrique Soares.

Nele, veremos mais sobre o "ser" sacerdote e o Culto.

Leiamos com atenção.

Ser padre, sacerdote de Jesus! - II

Seria errôneo e injusto pensar o culto judaico como uma realidade meramente material e exterior, sem alma. São inúmeros os textos do Antigo Testamento que mostram o quanto para o judeu piedoso o culto litúrgico do Templo era agradável e querido por Deus, pois tratava-se da expressão da vida (cf. Dt 26,1-10; 12). O grito dos profetas era precisamente contra um culto que não exprimia o coração empenhado na aliança do Senhor; um culto que se tornava falso e hipócrita! O grito profético contra o culto meramente externo revela o zelo pelo culto litúrgico que exprimisse o coração piedoso e adorante em relação ao Senhor Deus.

Ainda assim, este culto do Antigo Testamento era provisório e imperfeito por três motivos fundamentais: (1) oferecia-se uma vítima irracional, inconsciente, sem sentimento algum, cujo sangue derramado representava a vida do próprio ofertante, que se entregava a Deus; (2) a identidade entre a vítima ofertada e o fiel ofertante era apenas simbólica, de modo que o ofertante não tinha realmente como se colocar todo na vítima: esta o representava, mas não era ele realmente; (3) o ofertante é apenas um homem marcado pelos próprios pecados, por mais boa vontade que tivesse.

Demos um passo adiante. A mesmíssima estrutura do sacerdócio da antiga Aliança é encontrada no Novo Testamento: Jesus é o único Sacerdote, o Sacerdote perfeito e eterno (cf. Hb 7,20-25; 8,1-3.6), que cumpre e leva à plenitude o sacerdócio do povo de Israel: ele concentra em si todo o Israel, qual personalidade corporativa (cf. Mt 2,15 // Os 11,1; Mt 4,1-10// Dt 6,13.16; 8,3; Jo 15,1// Is 5,1-7). Mas, dando-nos o seu Espírito no Batismo e nos fazendo participantes do seu mistério pascal na Eucaristia, ele nos uniu à sua missão, fazendo de nós um povo sacerdotal: “Cristo fez de nós um reino e sacerdócio para Deus seu Pai!” (Ap 1,6). Isso aparece de modo implícito na 1Cor 10,16s; 12,2-30 e em Ef 2,14-16; 4,4-6.11-13 e Cl 1,18.24; 3,15, quando São Paulo afirma que somos membros do Corpo de Cristo e todos bebemos do seu único Espírito (cf. 1Cor 12,13); aparece também em Rm 12,1-2, onde o Apóstolo nos convida a que nos ofereçamos como uma hóstia viva agradável a Deus. Aparece ainda de modo explícito na 1Pd 2,9 e no Ap 1,6, que chamam os cristãos de povo sacerdotal. Então, o único sacerdócio de Cristo em nada é afetado quando dizemos que todos nós participamos do seu único sacerdócio, pois que bebemos todos do seu único Espírito, graças ao Batismo e demais sacramentos. O sacerdócio único e perfeito de Cristo atua no mundo através do seu povo santo, que é a Igreja, toda ela povo sacerdotal.

Aqui convém uma observação importantíssima: que significa dizer que a Igreja é um povo sacerdotal? Significa que, como o Israel do Antigo Testamento, mas agora de um modo pleno e definitivo, nós somos o povo que diante de Deus presta o verdadeiro culto em Cristo em nome de toda a criação, e diante da humanidade testemunha e anuncia o rosto do verdadeiro Deus: o Pai do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. Os cristãos nunca serão a totalidade da humanidade: no meio dela são um tico, como o sal no alimento, como o fermento na massa, como pequena mecha de luz na treva. Como povo sacerdotal, a Igreja é chamada a viver numa profunda atitude de apego à sua identidade e serena abertura ao diálogo.


[Texto retirado do blog de Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar de Aracaju: http://costa_hs.blog.uol.com.br/]

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SALVE MARIA IMACULADA!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SOBRE O TEMPO


NO RITMO DOS MONGES

O tempo como mistério divino

Como se experienciava o tempo na Antigüidade


Kronos, o desapiedado pai do tempo.

Os gregos conheciam duas palavras referentes a "tempo" e, a cada um desses conceitos, eles relacionavam uma divindade. Isso mostra que, para eles, o tempo era um mistério divino, e não apenas algo exterior, podendo ser medido por um relógio.

A palavra própria para tempo era chronos. Chronos era identificado com o deus Kronos, o "desapiedado pai do tempo" (Seifert 155), filho de Urano (céu) e Gaia (terra).

Ele libertou seus irmãos do corpo da Terra, para dentro do qual Urano tinha repelido os recém-nascidos.

Assim, tornou-se o comandante dos Titãs, com sua irmã Rheia, Kronos gerou os deuses do Olimpo.

Porém, por medo de um sucessor masculino, devorou seus filhos. Apenas o filho mais novo, Zeus, conseguiu ser salvo por Rheia, que entregou ao irmão uma pedra enrolada em fraldas. Depois de crescido, Zeus obrigou o pai a vomitar seus irmãos e irmãs. Com a ajuda deles, Zeus derrotou Kronos e, em seguida, passou a governar, de cima do Olimpo, o destino dos humanos.

Ao interpretarmos esse mito, um aspecto essencial do tempo torna-se bem visível: ele devora seus filhos, pois tem medo de um sucessor; teme o futuro. Gostaria de derramar tudo na própria goela, pois o medo o caracteriza e impulsiona. Esse antigo mito grego ressalta o medo que muita gente tem de perder o controle sobre o tempo.

Realmente, até hoje, nas coisas mais normais de cada dia, podemos observar que, em um tempo que é medido somente pelo "cronômetro", nada pode desabrochar. Aí não é de se admirar que os "filhos" sejam devorados. O que não se submete ao tempo - e crianças não se deixam apertar no laço estreito do nosso tempo mensurável – é proibido de desabrochar. Submetemo-nos ao tempo mensurável.

Marcamos prazos, contando os minutos, e não paramos de olhar o relógio para ver se os outros obedecem à hora marcada e se nós mesmos chegaremos na hora combinada.

O tempo mensurável obriga-nos a ficar em um cotidiano rígido. O deus Kronos é um tirano. Hoje em dia, a maior parte das pessoas sofre, creio eu, a pressão de sua tirania. Mas o domínio de Kronos não leva a um aproveitamento efetivo do tempo. Gera apenas aflição e angústia, sem nenhuma fecundidade. Nenhuma novidade brota. Nada surge para ficar. Tudo passa freneticamente.

Em seu livro Momo, Michael Ende deu uma nova interpretação a esse mito. Ele conta uma história sobre os senhores de uma Caixa Econômica do Tempo, que oferecem a seus clientes uma conta de economizar tempo, com a qual gostariam de roubar o tempo que lhes resta. Reconheceram que Momo, a criança que vive totalmente em cada momento, é seu pior inimigo. Querem a todo custo se apoderar dele. Mas a tartaruga carrega Momo são e salvo para longe de seus perseguidores.

Os senhores grisalhos, nos seus automóveis, pisam no acelerador, mas não avançam nem um passo, enquanto Momo e sua tartaruga, mesmo andando devagarzinho, escapam aos perseguidores. Momo, a criança que sabe entregar-se a cada momento, acaba sendo mais rápido do que os senhores agitados da Caixa Econômica do Tempo. São senhores grisalhos, cinzentos, senhores sem cor e sem vida, que apenas funcionam, mas não sabem mais viver.


Kairos, o deus do momento certo

Outro termo utilizado para "tempo" na tradição grega é kairos. É o momento certo, a oportunidade, o proveito, a medida correta. Para os gregos, Kairos era um deus masculino; para os romanos, tratava-se de uma deusa, Occasio. As imagens do deus grego têm asas nos pés ou nos ombros. Ele anda nas pontas dos pés ou está em cima de rodas, e segura uma balança sobre uma navalha. Interessante é a cabeça: na frente, há um topete, mas o restante é careca.

Para os gregos, isso significava que era preciso pegar a oportunidade pelo topete. Se aquele momento passou, ninguém mais o alcança. Por isso é preciso enfrentar o Kairos e agarrá-lo, logo que aparecer. Para os pitagóricos, Kairos representa o número sete.

Isso lembra a narrativa da Criação na Bíblia. O sétimo dia, em que Deus descansa, mostra algo da qualidade atribuída a Kairos pela antiga escola de filósofos


A plenitude do tempo - o conceito bíblico

No Novo Testamento, kairos tem um significado importante. É o momento decisivo em que Deus oferece a salvação ao ser humano. Mas os humanos não reconheceram o momento da graça (cf. Lc 19,44). No evangelho de Marcos, a primeira palavra de Jesus é: "Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo" (Mc 1,15a).

Kairos é sempre aquele momento em que me encontro com Deus, em que ele quer me mostrar sua proximidade, dando-me sua graça e dedicação. Cabe a mim entregar-me a esse instante e decidir em favor da proximidade sanadora e amorosa de Deus, em vez de fugir para longe de mim mesmo e dele, para dentro de um tempo que apenas decorre.

O tempo que "se cumpre", assim entendido, é aquele em que tempo e eternidade coincidem. E o tempo ao qual Deus dá plenitude. Os místicos refletiram sobre sua plenitude, principalmente o mestre Eckhart, quando descreve como o próprio Deus imergiu no tempo, transformando-o. Pela encarnação de Deus, o tempo ganhou outra qualidade: não é mais um bem escasso, do qual o ser humano tem de aproveitar o mais possível, mas o lugar onde a criação se une com Deus. Quem está totalmente presente, mesmo em um só momento, alcança a plenitude do tempo; Deus é sua plenitude. Essa pessoa está unida consigo mesma e com Deus, e o tempo parou para ela.

Na sua segunda carta aos Coríntios, Paulo cita o profeta Isaías: "No tempo da graça eu te escutei, no dia da salvação eu te ajudei" (Is 49,8a). Depois ele afirma: "No momento favorável, eu te ouvi; no dia da salvação, eu te socorri" (2Cor 6,2a). O texto grego diz literalmente: "Agora é o tempo muito bem-vindo (kairos euprosdektos)"'.

Dektos é aquilo que se pode aceitar, aquilo que dá prazer, que é agradável. De acordo com Paulo, o tempo agradável é aquele marcado pelo beneplácito de Deus e por sua presença. É o tempo desejado, que cumpre os meus desejos de segurança, de cura, de ser salvo e remido, portanto, tem uma boa qualidade. É caracterizado por graça, amor, cura, integridade, plenitude.

Todo anseio de um tempo de salvação, de um tempo em que o ser humano é curado e realiza a sua verdadeira essência chegou à sua plenitude em Jesus Cristo. Por isso vivemos agora no tempo da graça e da benevolência divinas. Depende de nós a realização da benevolência divina em nós e a nossa plena presença para possibilitar o encontro com o Deus presente.>>


[Do Livro IM ZEITMASS DER MÖNCHE, Anselm Grün. Paulinas, 2006]

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CELEBRANDO A PALAVRA


Ontem, recebi uma telefonema da "cura" da Capela de São Dom Bosco que me convidava a fazer a Celebrção da Palavra; respondi que teria que pedir permissão ao Padre Ernesto (o pároco) e ela dissera que ele já consentiria. Liguei para ele para confirmar: realmente ele permitira e orientara assim. Aceitei o convite para esse Momento a ser iniciado às 16h.

Das 14h às 15h30min, permaneci na Matriz de Nossa Senhora das Graças para uma formação de Catequese com o generoso irmão seminarista Carlos. De lá, parti para a segunda missão: a Celebração da Palavra - pela 1ª vez, sozinho.

Lá, fui bem acolhido; cumpri minha missão nervoso mas sereno (vai entender!...).

No comentário às Escrituras para o 18º Domingo do Tempo Comum, falei da importância de abraçarmos as coisas do alto; que a ganância é idolatria; que tudo que se interpõe entre nós e Deus é idolatria; que quando permitimos que alguém ou alguma coisa se coloque entre nós e Deus, significa que ainda não compreendemos o que Cristo nos diz; que devemos valorizar as nossas coisas de cristãos, e o sermos cristãos; que devemos fazer Sinal da Cruz, rezar Ave-Maria e ensinar as crianças a rezarem; que vaidade vai além de colocar objetos - entra no contexto de nos acharmos suficientes belos e inteligentes a ponto de ignorarmos a necessidade e a ação de Deus em nossa vida; que nós tocamos a Divindade quando comungamos, que somos especiais por isso - que toda Eucaristia é momento santo aqui e no Céu; e, por fim, que se realmente quisermos alcançar as coisas do alto, devemos mais nos prostrar diante de nosso Senhor: quanto mais de joelhos, mais deitados e reconhecedores da necessidade de Deus, mais alto iremos - quanto mais baixo nos pusermos, mais alto iremos.

Após, veio a parte mais importante da Celebração - a Comunhão.

Ao final, elogiaram-me (um perigo para o ego! Confesso, sem falsa modéstia, isso me incomoda.) e pedi que rezassem por mim.

Irmãos e irmãs em Cristo que socorre até aqueles que, no arroubo de andar sobre as águas, afundam.

Salve Maria Imaculada!

A experiência de fazer a Celebração da Palavra é maravilhosa. Saí de casa já extasiado pela oportunidade. Estar no altar, falar ao Povo de Deus, próximo ao Senhor, estar ali pela Igreja, na Igreja, como Igreja é ímpar!

Contudo, nada do que fiz substitui a Santa Missa com um Sacerdote, alguém que tem as mãos ungidas por um apóstolo de Cristo.

Rezemos todos os dias por nossos sacerdotes e ministros ordenados.

Rezem, em especial, por seu pároco, qual como seja, rezem!

Rezem por seu Bispo, qual como faça, rezem!

Rezem por seu diácono, qual como esteja, rezem!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo por nos dar os Sacramentos por meio de seus Ministros oficiais desde os Apóstolos!

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Eudes Inacio, sJpVM