domingo, 25 de julho de 2010

LEITURA BOA E ATUAL

COMO LER A BÍBLIA


Tendo presente os fundamentos básicos do Método de Leitura Popular da Bíblia, que vem sendo trabalhado a partir do Concílio Vaticano II, especialmente na América Latina, podemos tirar algumas conclusões, a partir da reflexão de Luis Mosconi.


1. Bíblia não é farmácia onde se compram remédios para determinada doença. A Bíblia é mais como um raio-X. Revela o estado de saúde e aponta sugestões. A escolha do remédio fica por nossa conta.


2. A Bíblia não traz respostas mágicas para todo tipo de problema. Não diz o que devo fazer concretamente.

Aponta caminhos, luzes, linhas de orientação. As concretizações devem ser feitas por nós.


3. A Bíblia é como a luz que ilumina uma sala. A arrumação da sala é tarefa nossa.


4. A Bíblia não deve justificar e sim interpelar, questionar, converter.


5. A Bíblia aponta caminhos e dá força para a caminhada. Quem deve organizar a caminhada somos nós, a partir das situações concretas de hoje.


6. A Bíblia e a vida são dois livros que desafio: de um lado, um universo de membros católicos que: ou dividem suas forças em atividades isoladas; ou se dizem católicos, mas que não têm convicção de sua fé; ou atuam de modo proselitista dentro da própria Igreja, defendendo o seu movimento, a sua pastoral, o seu grupo, a sua paróquia. De outro lado, um contingente cada vez maior de pessoas que: ou perde o sentido da vida; ou mantém uma prática religiosa individualista; ou opta por outra Igreja/espiritualidade; ou se mantém indiferente; ou constrói a sua vida de forma completamente independentemente.

As atividades tradicionais da Igreja, organizadas em torno dos ritos sacramentais, do modo como são realizadas, não dão conta destes desafios. É necessário procurar outras saídas.

Pensamos que é possível uma pastoral orgânica, mas, para tanto, há algumas questões que precisam ser enfrentadas.

Dentre elas destacamos duas frentes: uma na dimensão metodológica, outra na dimensão eclesiológica. Embora não separadas, há aspectos que são específicos de cada dimensão.

Iniciemos pela frente da dimensão eclesiológica.


É urgente e necessário:

· recolocar o Reino de Deus e sua justiça em precisam andar juntos. Somos chamados a descobrir a Palavra de

Deus que está dentro dos dois livros.

. É preciso resgatar as utopias da Bíblia e vivenciar tudo isso em nosso cotidiano. A leitura bíblica precisa ser acompanhada de mística e espiritualidade.

A palavra mística lembra mistério, experiência de algo profundo, que não aparece, não se vê, mas existe. Uma das maiores crises atuais, que as pessoas enfrentam, é a ausência de motivações profundas para seu agir.


O problema, porém, não é somente ter ou não motivações, mas é importante nos perguntarmos que tipos de motivações impulsionam nosso agir. A mística cristã é uma experiência profunda, existencial, envolvente com o mistério da Santíssima Trindade; por ela se acolhe a Jesus Cristo como razão última e mais importante da vida, a ponto de afirmar com o apóstolo Paulo: “Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). A mística cristã gera esperança, ressurreição e insurreição diante das situações de morte.

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