sexta-feira, 9 de julho de 2010

CRISTÃO CANSADO, DESANIMADO,... DESISTINDO

Caros irmãos e irmãs que me acompanham nesta jornada eletrônica,

Creio ser de ampla difusão os argumentos e queixas de diferentes agentes de diferentes pastorais sobre o cansaço, a falta de compromisso, o desânimo, a desilusão com suas missões.

Acabei de ler o Boletim Brasileiro da SSVP (maio/junho 2010) e nele me chamou a atenção o desabafo de um confrade da SSVP. Ele falava como quem chorasse, clamando por compromisso, seriedade e amor à causa do pobre, salientando o restabelecimento do foco da Obra Vicentina; e termina seu artigo dizendo que "a SSVP precisa de um Cristão, mas não um cristão qualquer, um Cristão que vive e pratica a obra assumida."

Ah, quantas vezes já ouvi queixas semelhantes!... E quantas vezes eu as fiz... Não é particularidade da Sociedade Vicentina, vem do começo: o catequista relutante em aprender, o catequisando idem; o crismando e o crismado desorientados; membros de grupos de jovens sem foco e se acabando; as legionárias que só rezam quando "A" ou "B" vier; pastorais sem ânimo; o padre distraído na ação pastoral...

Seria uma falência de nossas Comunidades? Bem, do jeito que escrevi acima, vocês podem até dizer que penso que sim, mas eu digo que não! Não, eu não acho nisso falência, mas oportunidade para milagres, testemunhos e revigoramento.

Mas, como? Vocês podem se perguntar. Digo eu: voltando para Jerusalém. Voltando para onde tudo "terminou"; onde a desilusão foi profunda e o fracasso ficou visível , exposto para que todos vissem.

Lembremos dos discípulos de Emaús, leiam Lc 24,1-40. Vejamos:

Os discípulos desanimaram, estavam sem perspectiva, voltavam (certamente) para suas casas, para suas lidas cotidianas; deixavam Jerusalem com o fracasso exposto num morro (Calvário).

Cristo os acompanhou. Eles não O reconheceram, porque a expectativa havia sido superada pelo desânimo. Cristo ouvi-os. Perguntou-lhes por que estavam tristes.

Eles contaram (evangelizaram) o forasteiro (Cristo) como "os seus sacerdotes" e os "seus magistrados" tinham matado seu amor, seu Mestre. Falaram de sua frustração de expectativas de Cristo "errado": o Cristo que eles queriam não era compatível com O que encontraram.

Aí, vem Missa:

Era Domingo. Cristo os chamou de "burrinhos" (para mim, um tipo de Ato Penitencial - tipo: confessamos que somos lentos, Senhor). Já haviam rezado o Credo (pois relataram a fé em Jesus de Nazaré e Sua ressurreição - mas ainda não criam com Fé). Houve as leituras do Antigo Testamento (com Homilia do próprio Cristo). Aí, então, vem a Comunhão, no partir do Pão.

E depois do partir do Pão, o que aconteceu? O coração desanimado, frio, voltou a "arder". Depois do partir do Pão é que tiveram sentido as Escrituras.

Agora vem a melhor parte. Depois dessa "Missa" (que, diga-se, é o meu modo de me animar neste Evangelho), voltaram para Jerusalém, voltaram para a Igreja, para os onze e os demais irmãos reunidos. E, quando falavam sobre o partir do Pão, de novo Cristo se faz no meio deles, dá-lhes a Paz e os anima mostrando Suas Chagas perguntando-os por que estavam perturbados e cheios de dúvidas.

Então:

Está aí, minha compreensão sobre tais ocorrências em nossas comunidades atualmente. O trajeto é inverso: quando tudo está perdido, não é para voltar para casa, mas voltar à Igreja, pois quem experimentou o Cristo na sua Caminhada, sempre volta para a Igreja e, lá, o Cristo volta a aparecer e tira suas dúvidas.

É verdade que precisamos de pessoas animadas, compromissadas, entusiasmadas, etc. A primeira tem que ser EU. Não devemos esperar por "milagreiros" entusiastas, devemos é nos ajoelhar, rezar e rezar de joelhos. Na Eucaristia, nossas respostas, nosso novo encontro com o Senhor.

Confiemos mais na Graça, pois o Senhor sempre faz questão de nos acompanhar para nos fazer voltar a Jerusalém.


Salve Maria Imaculada!
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Eudes Inacio, sJpVM.
servo de Jesus pela Virgem Maria.




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