sexta-feira, 2 de julho de 2010

COMO REZAR NA MISSA.


QUANDO A LITURGIA SE TORNA MERA BRINCADEIRA


“A história do bezerro de ouro alerta para um culto autocrático e egoísta em que, no fundo, não se faz questão de Deus, mas sim em criar um pequeno mundo alternativo por conta própria. Aí, então a Liturgia se torna mera brincadeira. Ou pior: ela significa o abandono do Deus verdadeiro, disfarçado debaixo de um tampo sacro.” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.16)

“Este culto torna-se uma celebração da comunidade para com ela própria; ele é uma auto-afirmação. A adoração de Deus torna-se num rodopio em volta de si próprio: o comer, o beber, o divertir-se; A dança em volta do bezerro de ouro é a imagem do culto à procura de si, tornando-se numa espécie de auto-satisfação frívola.” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.16)



QUANDO SE TORNA CELEBRAÇÃO DE SI


“Cada vez menos é Deus que se encontra em destaque, cada vez mais importância ganha tudo o que as pessoas aqui reunidas fazem e que em nada se querem submeter a um “esquema prescrito”. O sacerdote que se volta para a comunidade forma, juntamente com ela, um círculo fechado em si. A sua forma deixou de ser aberta para cima e para frente; ela encerra-se em si própria. Voltar-se em conjunto para o Oriente, não era uma “celebração da parede” e não significava do sacerdote “virar costas ao povo”: no fundo, isso não tinha muita importância. Porque da mesma maneira como as pessoas na Sinagoga se voltavam para Jerusalém, elas voltavam-se aqui em conjunto “para o Senhor”. (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.59)

“Considero as inovações mais absurdas das últimas décadas aquelas que põem de lado a cruz, a fim de libertar a vista dos fiéis para o sacerdote. Será que a cruz incomoda a eucaristia? Será que o sacerdote é mais importante do que o Senhor” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.62)



QUANDO VIRA DIVERSÃO DE GÊNERO RELIGIOSO


“A dança não é uma forma de expressão cristã. Já no século III, os círculos gnósticos-docéticos tentaram introduzi-la na Liturgia. Eles consideravam a crucificação apenas como uma aparência: segundo eles, Cristo nunca abandonou o corpo, porque nunca chegou a encarnar antes de sua paixão; consequentemente, a dança podia ocupar o lugar da Liturgia da Cruz, tendo a cruz sido apenas uma aparência. As danças cultuais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas, invocação, magia analógica, êxtase místico; porém, nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior da Liturgia do “sacrifício da Palavra”. É totalmente absurdo, na tentativa de tornar a Liturgia “mais atraente”, recorrer a espetáculos de pantominas de dança, possivelmente com grupos profissionais, que muitas vezes, terminam em aplauso. Sempre que haja aplauso pelos aspectos humanos na Liturgia, é sinal de que a sua natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso.” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.147)


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Caros irmãos e irmãs,


Transcrevi tais textos acima dos sítios (http://advhaereses.blogspot.com/2009/05/quando-liturgia-se-volta-para-o-culto_09.html) e (http://sacerdotibus.blogspot.com/2009/05/quando-liturgia-se-volta-para-o-culto.html), podem conferir.


Deixo claro que não sou contrário às manifestações particulares de adoração e amor ao Senhor Jesus.


Só quero expor que estão acontecendo banalizações, exageros e omissões durante o Santo Sacrifício da Missa. Sabemos que até amor quando é exacerbado causa mal-estar.


Em outro artigo postado por mim, já havia meu protesto contra o "medo do silêncio" em que os cristãos estão se incorrendo nas celebrações.


Quanto às danças, durante o ato litúrgico da Santa Missa, são inadimissíveis.


Há exageros até nos enfeites (flores, cortinas, arranjos...) que beiram até o mal gosto.


E o que fica disso? Que então fazer na Missa?


Advirto: Enquanto não soubermos o que é a Missa, por que se celebra nem como se celebra - não só os sacerdotes devem sabê-lo!- nem qual o sentido de nossa presença na celebração, continuaremos a ir ao Templo esperando relaxamento, espetáculo, distração, entretenimento, ou por mero cumprimento de dever.


Podem alguns dizer: - "ah, mas a culpa é da Igreja!... a Missa tem que ser mais animada... veja os crentes (protestantes) sabem conquistar, cativar... e além do mais, a Igreja é muito retrógrada..."


Que dizer dessas "afirmações"?


Eu digo:


1 - A culpa é da Igreja, todos os cristãos, inclusive do descontente. Chega da besteira de dizer que Igreja é só dos sacerdotes. Todo cristão batizado, quer goste ou não, faz parte d'Ela. Sendo Cristo a Cabeça e nós o Corpo.

Continuo dizendo que, se fosse para ganhar dinheiro ou algum benefício, todos correriamos atrás; mas como se trata de algo espiritual e para Deus, nem nos mexemos: só esperamos.


2 - Sobre animar a Missa, é para quê? Seria para não dormirmos? Ora, local de dormir é na cama. O espetáculo da Missa é o Senhor, o Cordeiro imolado que se oferece por nós: o Sacrifício Perfeito do homem de Nazaré, Filho de Deus, sem pecado, oferece-se como vítima perfeita, sem defeitos, para que não precisemos mais sacrficar animais (que não são perfeitos) por nossos pecados.

Se quisermos mais emoção que estas palavras, assistamos ao filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson.


3 - Sobre os "crentes" e seus "cultos"... Bem, se lermos mais que um versículo decorado, veremos que o que fazem nem se chamaria culto [não me refiro às denominações que ainda preservam a Santa Comunhão]. E sobre cativar, há muitas "$eita$" que estão doidinhas por uma "conver$$ão verdadeira" ou que "a$$eitemo$ a Je$u$". É o marketing: converte mai$, quem mai$ cativa, ou conven$$e mai$.

Se o centro do Culto não for Deus, é idolatria.



4 - Retrógrada, a Igreja? Xii... acho que há um erro metodológico nessa afirmação. Contrária ao progresso? Partindo de que nós somos o Corpo da Igreja e Cristo é a Cabeça da Igreja, estaria Cristo... temos certeza desta afirmação?... A Igreja é de Cristo. E, além do mais, o que temos hoje melhor para oferecer ao Pai que não seja o próprio Filho?

Pensemos um Cristo "moderninho" dizendo paz e amor aos fariseus e aos saduceus porque tudo é de Deus; ou, o que importa é que estão seguindo a Deus... ou ainda, Cristo dizendo: pare de sofrer agora! vou lhes dar pão, carro, casa, empresa... Não seria um novo evangelho esse? Ou ainda, Cristo dizendo a Pedro: tu serás pescador de contas-correntes.


Quem quiser uma igrejinha moderninha, crie a sua: ponha uma frase ameaçadora aos pagãos para que logo se convertam, faça promessas, cobre os 50-ízimo, dê shows, faça espetáculos com muita gritaria e bateria, daí,... Tchan-raann! [onomatopéia massa]


Agora só faltava essa: Cristo implorando e fazendo palhaçadas para agradar um bando de nós.


A Igreja de Cristo não está aberta a negócios. O único compromisso da Igreja de Cristo é com o próprio Cristo. "O católico que escolhe seus dogmas e seus mandamentos não é católico, é protestante." (Gustavo Corção)


Quem não quiser ser cristão, esforce-se para sê-lo. E quem já é cristão, dê testemunho porque o é.



Costumo dizer que quando tiramos os olhos da Cruz, já idolatramos.

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Salve Maria Imaculada!


Eudes Inacio, sJpVM.

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