sábado, 31 de julho de 2010

MERGULHO.

Caros irmãos e irmãs que me acompanham nesta Caminhada rumo ao Coração do Pai,

Paz e Bem!

Convido-lhes a este mergulho:

"Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada". (Jo 14,23)

Vamos pensar com carinho nestes dizeres de Cristo nosso Senhor.

...

No Antigo Testamento (ou no novo colóquio "ecumênico", Primeiro Testamento), o povo quis sempre colocar Deus no Templo e, por este Templo, lutaram, brigaram, mataram.

Saduceus - oligarcas: gostavam de manter o status quo; Fariseus - seguidores da Lei ao pé-da-letra: até mandavam matar quem não seguisse a Lei; Zelotes - os "brabos": uma teologia que tinha que eliminar qualquer inimigo do Estado; Essênios - "hippies", monges, eremitas: discordavam do Templo, do Estado,... tudo pra lá.

Jesus, o filho do carpinteiro, o filho "daquela" Mulher, vem e diz que adorarão ao Pai nem aqui nem ali, mas em Espírito e em verdade (Jo 4,23-24) e que Deus, que sempre morava no Templo, agora vai morar dentro de quem O amar, e Ele e Pai virão morar nele. Êta judeuzinho chato, esse tal de Jesus!... Jesus Cristo conseguiu desagradar a todos:

Expulsou os vendilhões do Templo (Jo 2,13-17) - condenando o comércio da fé;

Insinuou que o Templo seria destruído (Jo 2,19) - destruiria a "Morada" de Deus?;

Ensinou a amar os inimigos, fazer bem aos que o odeiam (Mt 5,44), pagar a César o que é dele (Mt 22,21) - pensemos o que os zelotes devem ter achado disso!;

Na hora do aperreio, quando tudo parecia acabado e os apóstolos "perdido o Mestre", naquela Galiléia cheia de idolatrias e perseguições, Ele mandou os apóstolos para as montanhas começar uma nova comunidade alternativa? Não. Ele, ressuscitado, faz questão de aparecer a eles e mandá-los para o olho do furacão, a Galiléia! (Mt 26,32; 28,7.10.16; Mc 14,28; 16,7).

Vemos agora que Jesus não era um essênio hippiezinho maluco, nem um fariseu louco reformado, nem um saduceu moderninho, nem um zelote adepto da Teologia da Libertação. Ele era e é simplesmente o Cristo, o Filho de Deus vivo (Mt 16,16).

Se não aceitamos Este Cristo, sejamos anátema.

Maran atha
! (1Cor 16,22; Ct 2,8; 6,3)

Vem, Senhor Jesus!

+ + +

Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria

MERGULHO.

Caros irmãos e irmãs que me acompanham nesta Caminhada rumo ao Coração do Pai,

Paz e Bem!

Convido-lhes a este mergulho:

"Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada". (Jo 14,23)

Vamos pensar com carinho nestes dizeres de Cristo nosso Senhor.

...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CATEQUESE: EXERCÍCIO DE HUMILDADE

Caros irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

Desejo-lhes Graça e Paz da parte d'Aquele que, não querendo mais ser associado ao imaginário nosso, desceu dos Céus, fez-se carne e habitou entre nós.

Como de costume, às quartas-feiras, a partir das 18 horas, junto a Paulo e Fátima, sob o olhar de nosso pároco (Ernesto Amynthas), pratico a catequese batismal num Encontro de Pais e Padrinhos.

A cada quarta-feira, o dever de nos deslocarmos para a Matriz de Nossa Senhora das Graças, estando prontos para recebermos pais e padrinhos com o carinho (o mínimo que podemos retribuir pela bondade que Senhor nos dispensa sempre, independente dos méritos, até porque não temos quaisquer).

Verdade que boa parte dos pais e padrinhos (para não dizer a maioria absoluta) não está lá por puro prazer ou vontade. Esta é a realidade.

Não por isso, nós nos esforçamos para evangelizar e catequizar aqueles e aquelas que, como nós são portadores do Espírito - porque n'Ele foram batizados -, e buscamos suscitar o Amor que é a Semente do Evangelho.

A cada quarta-feira, novas descobertas fazemos e nos edificamos uns aos outros com o trato, a relação com o Povo de Deus, além da leitura do Evangelho do dia, o Catecismo da Santa Igreja e o que nos suscita o Espírito Santo de Deus.

De nossa parte, o esforço nos estudos, no falar e, principalmente, no viver, no testemunhar. E assim ensinamos, partilhamos, convivemos.

Catequese! Catequese!

Como sugere o Diretório da Arquidiocese de Maceió, a vida do catequista é a primeira forma catequese.

Sobre o esforço cristão, à luz dos escritos de Anselm Grün, cabe à Misericórdia Divina a possibilidade de melhoramento e não às nossas sublimações e lampejos.

Não. Não há nada além da abertura à Bondade Divina para que mais sejamos semelhantes ao Amor. Não há fórmulas nem ascese capazes de, por virtus, aproximar-nos do Amor. Somente o despojamento e a plena confiança no Amor nos torna capazes de amar.

Por isso, esforcemo-nos para reconhecer que nossos esforços não nos aproximam do Amor. Mas aprendamos que é o Amor que se digna vir até nós.

Quanto mais humano e prático o esforço, mais inútil como capacidade de Amor é.

Neste mundo do "prático", do "faça você mesmo", do "basta se esfoçar mais", nossas relações têm se tornado utilitaristas e descartáveis: vale o quanto custa, literalmente.

Lutamos e lutamos para conseguirmos algo e sublimamos os valores que nos motivaram. É um risco letal para o Amor, para Deus. Letal até para Deus (Amor): matamos Deus quando investimos fórmulas para adquiri-Lo. Até mesmo orações que se propõem a aquisições da Divindade são letais para o pedinte ou "rezador". Confiar, pedir e esperar são os verbos mais adequados no trato com Deus.

A maior Graça que a humanidade já obteve da Divindade não foi por meio de suas palavras, mas a própria vontade (se assim posso chamar) da Divindade trouxe Deus até nós: as preces não vão até o Senhor, é o Senhor que vem até o orante.

Por isso, pôr-se à disposição do Amor: porque o Amor está diante de nós e em nós. A humildade, do latim humus (terra), é a melhor forma de se colocar aberto ao Amor. Vir debaixo, da terra - da cara no pó e os joelhos chão - é recomendado.

Lembremos que Deus desceu ao humus, também se humilhou e deu a Vida.

A nós catequistas o humus:

- Humildade
- Olhar para a terra
- Rezar com a cara no pó

Salve Maria Imaculada!

+ + +

Eudes Inacio, sJpVM.
servo de Jesus pela Virgem Maria.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O SENHOR VEIO EM MEU SOCORRO.

Caríssimos irmãos e irmãs,

No texto que escrevi "Ó Senhor, minha única água" mostrei-me inquieto e sedento. Mas, mais uma vez, visitando o blog de Dom Henrique Soares, vi o escrito do Padre e Cardeal Henri de Lubac.

Confesso: o Bispo de Acúfida se emocionou; e emocionei-me também.

Minha luta intrínseca é contra mim (parece redundante, não é?) e não contra a Igreja de Deus, mas como membro da Casa de Deus, zelo por suas Tradição e Verdade.

E o texto abaixo me vem como um unguento salutar de Nosso Senhor.

+++

A Igreja, "lugar" onde encontramos Deus

Caro Internauta, com alegria ofereço-lhe mais este belo texto do Padre e Cardeal Henri de Lubac. Sempre que penso nele ou escrevo sobre ele ou apresento um texto seu me comovo! Homem de Deus, homem de fé, homem verdadeiramente católico, homem que soube obedecer e sofrer pela Igreja, homem de amor límpido e fiel ao Papa! Quando injustiçado, não se amargurou; quando silenciado, obedeceu; quando incompreendido, suportou com amor; quando reabilitado e exaltado, não se ensoberbeceu! Que Deus nos conceda teólogos e cristãos como o queridíssimo Pe. Henri de Lubac, mestre de João Paulo II e de Bento XVI!


Desde algum tempo vem-se falando muito da Igreja; muito mais que antes e, sobretudo, num sentido mais compreensível. Alguns acreditam inclusive que se fala dela um tanto demasiado e com demasiada desconsideração. E se perguntam se não seria melhor esforçar-se simplesmente – como fizeram tantas gerações – esforçar-se para viver nela. De tanto considerá-la a partir de fora para estudá-la, não se habituaria alguém no mais profundo de si mesmo a separar-se dela? Não se corre o perigo, se não de cortar, ao menos de afrouxar os laços íntimos, sem os quais não se pode ser verdadeiramente católico? Tantos venenos, tantos problemas sutis, com toda a agitação intelectual que supõem, serão por acaso compatíveis com aquela antiga simplicidade e com aquele espírito de obediência que caracterizaram sempre os filhos fiéis da Igreja?


A Igreja não é uma realidade deste mundo que se pode medir e analisar como se queira. Enquanto durar a presente condição, a Igreja não pode ser conhecida com toda perfeição, mas permanece oculta sob um véu. Pois a Igreja é um mistério de fé. Como os demais mistérios, também ela ultrapassa a capacidade e as forças de nossa inteligência. E mais ainda: pode-se afirmar que ela torna-se para nós como o lugar onde confluem todos os mistérios; porém, o mistério exclui toda indagação curiosa. Deve-se crê-lo na obscuridade. Deve-se meditá-lo em silêncio.


Se vivemos na Igreja, temos de combater as lutas da Igreja de hoje. Devemos dar a adesão do nosso entendimento à doutrina da Igreja tal como hoje se encontra elaborada. Ainda supondo que fosse lícito, seria uma grande ilusão acreditar que se poderia reter em seu exato teor e em toda a sua fecundidade a fé de uma época anterior, desprezando o que desde então se foi fazendo mais explícito. O próprio erro e a rebelião, por perfeitamente que tenham sido vencidos, impõem em certa medida um novo estilo e outra ênfase à existência do homem fiel como à expressão da verdade.


Com efeito, por uma parte, à série de erros e desvios que apareceram ao longo dos séculos passados, que deram origem a tantos cismas, que provocaram tantas discussões, conflitos e desordens e que ainda continuam produzindo entre nós seus frutos, vão juntando-se outros, mais sutis, que às vezes minam a consciência católica mesmo naqueles que de modo algum sentem a tentação do cisma ou da heresia formal. São as incompreensões de todo tipo que derivam seja do individualismo que até pouco tempo estava presente em toda parte, sejam dos falsos coletivismos que tomaram o lugar do individualismo. São as ilusões, as impaciências ou as críticas que quase sempre vão acompanhadas de um esfriamento da fé. É também, às vezes, o fato de confundir os diferentes níveis e são as idéias demasiadamente “naturais”, que a apologética moderna nem sempre pode evitar totalmente: assim a Igreja parece fundada em princípios demasiadamente humanos, dão-lhe objetivos humanos ou então explicam-na por analogias humanas demasiadamente pouco contrastadas, ao invés de contemplá-la, tal como Deus o fez, no mistério do seu ser sobrenatural.


A Igreja não é Deus, mas “a Igreja de Deus”. Ela é sua Esposa inseparável, que o serve na fé e na justiça, a Casa de Deus onde ele nos recebe para perdoar os nossos pecados. Nesta Igreja, que é a coluna da verdade, é onde nós cremos retamente em Deus e onde o glorificamos. Tal é provavelmente a principal razão para se fazer menção dela no Credo, onde parece que no princípio não figurou como um artigo de fé junto com os demais, mas como uma espécie de conclusão. Nomeava-se a Igreja ao final, depois de ter-se concluído a exposição da fé católica na Trindade. E mais tarde, quando, tal qual hoje, é seguido de vários outros artigos, pode-se continuar dizendo que todo o Símbolo terminava nela, porque, ao fim das contas, nela se apóia toda a autoridade do Símbolo... Ela é, com efeito, o Lugar escolhido pelo Senhor para que nela seja invocado o seu nome. Ela é o Templo no qual se adora a Trindade e o santuário imutável fora do qual, salvo a desculpa da ignorância invencível, ninguém pode esperar a salvação... Ela é o corpo das três Pessoas. Ela é também aquela Casa preparada no alto dos montes, Casa anunciada pelos profetas, para onde haverão de confluir um dia todas nações para viver unidas nela sob a Lei do único Senhor. Ela é a câmara do tesouro, onde os Apóstolos depositaram a Verdade, que é o Cristo. Ela é a única Sala onde o Pai de família celebra os desposórios de seu Filho. Como também nela é que nós recebemos o perdão e por ela temos acesso à Vida e a todos os dons do Espírito. Não podemos crer nela como cremos no Autor da nossa salvação, porém cremos que ela é a Mãe que nos traz a regeneração.


[os grifos são do Apóstolo da Acúfida]

(fonte: Blog de Dom henrique Soareshttp://costa_hs.blog.uol.com.br/)

domingo, 25 de julho de 2010

Ó SENHOR, MINHA ÚNICA ÁGUA.

Caros irmãos e irmãs,

Tenho me sentido impelido a auto execração, à humilhação: luto contra mim mesmo, contra o pequeno homem que quer ser maior que eu mesmo.

Quem me conhece, sabe que sou enérgico e não modero no zelo ao Senhor e à Sua Igreja. Não, não falo isso para me vangloriar (até porque, no sentido stricto, é uma glória vã), mas porque me sinto incomodado após algumas falas minhas, tamanha necessidade de expressar a Verdade, doa em quem doer (inclusive em mim mesmo). Chego a ser arrogante por não permitir outras modalidades de expressão contrárias à Verdade. Nada, além de Cristo!

Alguns, como minha esposa, alertam-me para minha intolerância, ou o "ser dono da verdade", ou pela dureza nas afirmações.

Temo. Temo de verdade perder o discipulado. E temo, ainda mais, a dissimulação da verdade, o relativismo em que os meios religioso e não-religioso estão se submetendo: é o espírito deste mundo que assim deseja.

Acredito que só o Aquele que é meu Senhor é capaz de me dar a graça de não me dispersar (em palavras ou atitudes)

SENHOR,
Vos peço humildemente
Não me deixeis dispersar, me perder
Não me permita nada além do Vosso desejo
Não me deixeis voltar ao vômito.
Pois só me sinto bem olhando para Vossas mãos
Delas eu espero tudo que preciso.

Amo-O, mais que a mim,
Pois eu não me basto
Não sou capaz de saciar do Bem que só Vós tendes.

Tarde, muito tarde Vos encontrei:
Não Vos quero perder;
Dai-me a Graça de ser sempre Vosso servo.

Que não haja espaço em mim que não para Vos louvar e agradecer
Que o meu zelo sirva ao Vosso propósito
O mais alto que preciso chegar é debaixo de Vossos olhos, ó meu Senhor.

Sim, Senhor, obrigado por me alertardes
Enquanto eu me indignar, ainda que contra mim,
Sei, Senhor, Vós não me abandonastes.

Obrigado!

Ave Crux Spes Unica!

+ + +

Eudes Inacio, sJpVM.

SANTIDADE DE VIDA

Que Santidade de Vida!
Composição: Ricardo Sá

Que santidade de vida! Que homens devemos ser!
Pois se tudo no Céu e na terra o Senhor chamará,
que respeito para com Deus, que luta devemos travar!
No Novo Céu e na Nova Terra iremos morar.

Somos, Senhor, Tua Igreja,
que aguarda e apressa Tua vinda gloriosa.
Que o Senhor nos encontre em paz, puros e santos.
Somos, Senhor, Tua Igreja,
que aguarda e apressa Tua vinda gloriosa.
Que o Senhor nos encontre em paz, puros e santos.

Que é feito da Sua promessa?
Perguntam e zombam de Deus!

Mas o Senhor virá, Ele não tardará!
Que eu seja santo, santo, santo,
pois Deus é santo, santo, santo.

Que a santidade da minha vida
apresse o Senhor e Ele logo virá
Mas o Senhor virá, Ele não tardará
Que eu seja santo, santo, santo,
pois Deus é santo, santo, santo.

Qua a santidade na minha vida
apresse o Senhor e Ele logo virá

Somos, Senhor, Tua Igreja
que aguarda e apressa Tua vinda gloriosa.
Que o Senhor nos encontre em paz, puros e santos.
Somos, Senhor, Tua Igreja,
que aguarda e apressa Tua vinda gloriosa.
Que o Senhor nos encontre em paz, puros e santos.

(ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=mbDAPGYd3gg&feature=player_embedded#! )


LEITURA BOA E ATUAL

COMO LER A BÍBLIA


Tendo presente os fundamentos básicos do Método de Leitura Popular da Bíblia, que vem sendo trabalhado a partir do Concílio Vaticano II, especialmente na América Latina, podemos tirar algumas conclusões, a partir da reflexão de Luis Mosconi.


1. Bíblia não é farmácia onde se compram remédios para determinada doença. A Bíblia é mais como um raio-X. Revela o estado de saúde e aponta sugestões. A escolha do remédio fica por nossa conta.


2. A Bíblia não traz respostas mágicas para todo tipo de problema. Não diz o que devo fazer concretamente.

Aponta caminhos, luzes, linhas de orientação. As concretizações devem ser feitas por nós.


3. A Bíblia é como a luz que ilumina uma sala. A arrumação da sala é tarefa nossa.


4. A Bíblia não deve justificar e sim interpelar, questionar, converter.


5. A Bíblia aponta caminhos e dá força para a caminhada. Quem deve organizar a caminhada somos nós, a partir das situações concretas de hoje.


6. A Bíblia e a vida são dois livros que desafio: de um lado, um universo de membros católicos que: ou dividem suas forças em atividades isoladas; ou se dizem católicos, mas que não têm convicção de sua fé; ou atuam de modo proselitista dentro da própria Igreja, defendendo o seu movimento, a sua pastoral, o seu grupo, a sua paróquia. De outro lado, um contingente cada vez maior de pessoas que: ou perde o sentido da vida; ou mantém uma prática religiosa individualista; ou opta por outra Igreja/espiritualidade; ou se mantém indiferente; ou constrói a sua vida de forma completamente independentemente.

As atividades tradicionais da Igreja, organizadas em torno dos ritos sacramentais, do modo como são realizadas, não dão conta destes desafios. É necessário procurar outras saídas.

Pensamos que é possível uma pastoral orgânica, mas, para tanto, há algumas questões que precisam ser enfrentadas.

Dentre elas destacamos duas frentes: uma na dimensão metodológica, outra na dimensão eclesiológica. Embora não separadas, há aspectos que são específicos de cada dimensão.

Iniciemos pela frente da dimensão eclesiológica.


É urgente e necessário:

· recolocar o Reino de Deus e sua justiça em precisam andar juntos. Somos chamados a descobrir a Palavra de

Deus que está dentro dos dois livros.

. É preciso resgatar as utopias da Bíblia e vivenciar tudo isso em nosso cotidiano. A leitura bíblica precisa ser acompanhada de mística e espiritualidade.

A palavra mística lembra mistério, experiência de algo profundo, que não aparece, não se vê, mas existe. Uma das maiores crises atuais, que as pessoas enfrentam, é a ausência de motivações profundas para seu agir.


O problema, porém, não é somente ter ou não motivações, mas é importante nos perguntarmos que tipos de motivações impulsionam nosso agir. A mística cristã é uma experiência profunda, existencial, envolvente com o mistério da Santíssima Trindade; por ela se acolhe a Jesus Cristo como razão última e mais importante da vida, a ponto de afirmar com o apóstolo Paulo: “Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). A mística cristã gera esperança, ressurreição e insurreição diante das situações de morte.

terça-feira, 20 de julho de 2010

DO SER BATIZADO: O CRISTÃO!

Caros irmãos e irmãs,


Exponho a vocês os textos abaixo para refletirmos sobre o Batismo e a Trindade (Deus)!


"Antes de todas as coisas conservai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os Três de uma maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe… A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em sí mesmo é Deus todo inteiro… Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha no seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim" [São Gregório de Nazianzo, o Teólogo (330-379): Or. 40,41].


E:


"A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé num só Deus, Pai e onipotente, que fez o céu e a terra, os mares, e tudo quanto nele existe e num só Cristo, Filho de Deus, que se fez carne para a nossa salvação; e no Espírito Santo, que mediante os profetas predisse a salvação por meio do amado Jesus Cristo nosso Senhor, a sua dupla vinda, o seu nascimento da Virgem, a sua paixão e ressurreição dentre os mortos, e que diante dele todo joelho se dobrará no céu, na terra e nos infernos, e toda língua o proclame (Fl 2, 10-11). Então, sobre todos os seres, pronunciará o seu justo julgamento. As almas dos maus, os anjos prevaricadores e apóstatas, precipita-los-á no fogo eterno com os homens pecadores, injustos, iníquos e blasfemadores. Os justos, porém, os santos, aqueles que guardaram os seus mandamentos e perseveraram no seu amor, receberão dele a vida, terão dele a imortalidade e gozarão da glória eterna.


Esta é a doutrina que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé ela anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.


Da mesma forma que o Sol, criatura de Deus, é um só e é idêntico em todo o mundo, assim também o ensino da verdade, que brilha em toda parte e ilumina a todos os homens, que querem chegar ao conhecimento da verdade (cf. 1Tm 3, 15), é sempre o mesmo.” [Santo Ireneu (140-202): Adv. Haer. 1,9]


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domingo, 18 de julho de 2010

RELIGIÃO x POLÍTICA

Caros irmãos e irmãs,

Ao cristão, Cristo. É o apelo mais convencional para todos que se dizem cristãos, principalmente nestes dias em que vivemos apelos aos presentes, às compras, ao uso, ao descarte, à reciclagem, à vida sem problemas.

Tomemos cuidado com os venenos que este mundo nos tem sugerido como necessários à nossa felicidade.

Somos culpados por votarmos em indivíduos violentos, não-cristãos, sem-noção, anti-éticos. E o que é que isso gera?

Vejamos um exemplo:

Quem liberou e estimula os bancos a emprestarem à vontade e a tarifarem à vontade?

Quem permite propagandas que estimulam a degeneração e asfixia das famílias?

Quem estimula a venda de remédios e preservativos e também apóia ao aborto?

Quem nos taxa, nos tarifa e nos cobra impostos?

Quem recebe 20 salários mínimos e diz não poder aumentar o salário mínimo de simples funcionários?

Quem? Quem?

Nosso voto tem consequências. O cristão não tem o direito de vender ou comprar voto.

Estamos vivendo ainda a ditadura do "separar Política de Religião" ou "Religião e Política não se discutem".

Vivemos à sombra de erros passados há séculos. Pois, desde o século XVIII, vem-se pregando a separação da Religião do Estado - a criação do Estado laico. (sic! piada).

Nós católicos temos sido orientados há anos a não nos envolver com política; e o que isso tem gerado? Omissão, descaso, sacrilégios e apostasias.

Como podemos permitir que se criem leis contra os valores e a opinião da maioria dos brasileiros?: casamento entre homossexuais, "direito" ao aborto,...

Este Estado que vivemos é "laico" e queria tirar os crucifixos das paredes. Daqui a pouco nos proibirá de falarmos em Jesus Cristo em público para "não ofender a liberdade religiosa" (sic!).

Advirto: tantas e quantas vezes nós vivermos e fizermos só para nós, cometeremos idolatria. Julgar que o melhor para o homem é o homem é um absurdo inconcebíbel!

Nós católicos ficamos apáticos às eleições enquanto os inimigos da Igreja se tornam deputados e senadores e nos armam ciladas. Protestantes e ateus se fortalecem enquanto dizemos "odeio esse negoço de política!"... Que é que é isso? Até quando vamos esperar que nossos algozes tirem a sorte sobre nós e nossos bens?

Já bastaram os enganos dos séculos passados. Agora é hora de cristão católico se interessar por Política!

Tomemos os exemplos bíblicos de Neemias 5,1-12 e I Sm 8,4-20 e vejamos como para o povo de Deus sempre a Religião inferiu na Política.

A Religião é o apelo de Deus; na Política, o apelo toma forma de resposta.


Lembremos: Se tiramos os olhos da Cruz, começamos a idolatrar.
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Eudes Inacio, sJpVM

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Da Idolatria




Dioper agapetoi mou feugete apo tHs eidolatreias.

dioper agapEtoi mou pheuget apo tEs eidOlatreias.

“Portanto, caríssimos meus, fugi da idolatria.” (ICor 10,14)








Quando tiramos os olhos da Cruz de Cristo, começamos a idolatria.

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|Eudes Inacio, sJpVM|



quinta-feira, 15 de julho de 2010

SER COORDENADOR DE PASTORAL

Caros irmão e irmãs,

Não sou coordenador de pastoral, mas participo da PJ Arquidiocesana, e achei muito importante o texto abaixo:

Ser Coordenador de Pastoral


A palavra "PASTORAL" deriva de PASTOR. Seu significado está estreitamente ligado à alegoria do "Bom Pastor", Jesus intitulou-se pastor das ovelhas. A pastoral, portanto está diretamente ligada a ação do pastor no cuidado das ovelhas. No Quarto Evangelho ouvimos Jesus dizer: "Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância. Eu sou o Bom Pastor" (Jo 10,10).
Essa ação pastoral é assumida pela comunidade como um todo, onde todos são pastores uns dos outros.

Trabalho pastoral, portanto, é toda a tarefa vocacional específica de serviço desenvolvida pela comunidade local, a fim de contribuir no processo de evangelização, transformando os reinos deste mundo, no reino de nosso Senhor Jesus Cristo.


Nenhuma tarefa pastoral específica pode ser confundida com a totalidade da ação da Igreja, pois esta será sempre composta de um conjunto de pastorais sempre interligadas umas as outras. Assim teremos ações voltadas para dentro e para fora da comunidade já existente.

Sendo a Igreja como prolongamento de Cristo, no tempo e no espaço, pode-se dizer:

PASTORAL é toda atividade da Igreja como Igreja. É a própria vida da Igreja quando age e se manifesta em cada situação do mundo atual, edificando-se a si mesma.

Fazer pastoral é continuar a missão de Jesus. É serviço, é ação, trabalho desenvolvido a favor da vida.

É ação organizada da Igreja para atender uma determinada situação, uma realidade específica.

A pastoral é o agir da Igreja no mundo! Similar a ação dos pastores, tem como intenção coordenar, "animar", de "defender" e "alimentar" a evangelização.

O pastor nunca age sozinho, mas em unidade com a Igreja de Cristo; "na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
A pastoral é essencialmente comunitária. É toda a Igreja, hierarquia e leigos, que é responsável pela pastoral. Cada um, porém, conforme seus dons e carismas, isto é, na medida em que participa de Cristo-Pastor.

O objeto da PASTORAL é todo homem e mulher no seu todo (a), isto é, corpo, alma e espírito, que deve ser salvo. Quanto à mensagem a comunicar, refere-se ao Cristo vivo, real, concreto (não apenas uma noção abstrata), o Cristo que é, ao mesmo tempo, doutrina e vida da Igreja, o qual forma uma só unidade com a sua Igreja, o Cristo total, seu Corpo Místico. Portanto, não pode haver "dicotomia" entre doutrina e vida de Igreja.

Objetivos da pastoral
Evangelizar, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, por meio do serviço, do diálogo, do anúncio e do testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pelos pobres, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária.

Funções pastorais
A Igreja realiza a sua ação através de três funções pastorais:

Função profética: abrange as diversas formas do ministério da Palavra de Deus (evangelização, catequese e homilia), bem como a formação espiritual dos;

Função litúrgica: refere-se à celebração dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia, à oração e aos sacramentais;

Função real: diz respeito à promoção e orientação das comunidades, à organização da caridade e à animação cristã das realidades terrestres. Neste último aspecto, a ação da Igreja engloba campos da sociedade como a saúde, a juventude, a solidariedade social e a educação.

Os agentes de pastoral são servidores de Cristo e trabalham para que o projeto de Deus seja conhecido e vivido.

A COORDENAÇÂO
A coordenação de pastoral é um serviço importantíssimo nas comunidades. A boa coordenação, aberta a Deus e às pessoas, faz a comunidade prosperar e o Reino de Deus acontecer. É um serviço que deve proporcionar prazer e felicidade.
A coordenação deve ser mais alegria que sofrimento, porque a palavra “Evangelho”, em si, é “Boa Notícia”, e um coordenador estressado, desanimado ou acomodado, não consegue anunciá-lo bem à comunidade.

O COORDENADOR JESUS
Na bíblia, podemos analisar Jesus coordenador:

1) João 13, 1-9 (O lava-pés): Jesus amou seus coordenados ensinando que a coordenação é um serviço à comunidade; o serviço deve ser a marca da comunidade e não a dominação e a servidão. Ensinou que todo trabalho é importante.

2) Marcos 4, 35-41 (A tempestade acalmada): Jesus vê que na outra margem há gente que precisa dele. No barco, acalma os discípulos para depois ensinar que se ele está presente ninguém perece. Às vezes, parece que Jesus dorme nos dias de hoje... O coordenador acalma, transmite esperança e coragem; mantém o equilíbrio, sem apavorar-se diante das dificuldades.

O QUE FAZ UM COORDENADOR?
1) Ele inclui as pessoas. O coordenador cristão soma os dons que o grupo possui.
2) Ele anima e conduz o grupo, nas turbulências (acalmando) e na calmaria (provocando movimento).
3) Ele leva o grupo a atingir seu objetivo.
4) Ele se apresenta para ajudar a resolver os problemas, nunca para provocá-los.
5) Ele delega responsabilidades, tarefas e poderes de decisão.

DE QUE PRECISA PARA COORDENAR BEM?
1) Transitar pelo grupo todo – manter diálogo com todos.

2) Ter uma caminhada comum com o grupo – um bom tempo de participação, para saber o valor das conquistas e o sofrimento dos erros cometidos.

3) Conhecer bem o assunto que coordena e ter noções básicas de outros assuntos ligados ao que coordena.

4) Saber decidir: pessoas indecisas transmitem insegurança. Após examinar bem a realidade, ouvir os envolvidos e buscar o auxílio necessário; cabe ao coordenador a decisão sobre a maioria dos assuntos. Os mais importantes, é claro, são decididos pelo grupo.

5) Ser equilibrado: não estar excessivamente animado ou desanimado; hoje querendo tudo e amanhã nada, controlando seus impulsos para manter-se na linha do objetivo traçado pelo grupo. A abertura para o diálogo com o mundo começa pelo diálogo interior

6) Conhecer seus pontos fortes e fracos: ninguém é perfeito, mas o coordenador será chamado a falar em público, escrever, dialogar, negociar e organizar. Assim, ele deve desenvolver suas aptidões e buscar auxílio para suprir suas limitações.

7) Observar, ouvir e falar com seu grupo: cada pessoa é importante, cada fato deve ser trabalhado e estudado, como também a realidade (particular e coletiva) nunca deve ser esquecida.

8) Fazer partilha com outras pastorais: fomos acostumados a resolvermos apenas os problemas do nosso grupo imediato. O coordenador precisa articular-se com outros coordenadores para resolver problemas comuns, sendo verdadeiramente “Igreja de Cristo”. Colocando em pratica a Pastoral de Conjunto.

9) Fidelidade: afinal, o Reino que buscamos não é meu e nem seu, é de Deus.

COORDENAR EM EQUIPE
A melhor maneira de coordenar se realiza em comunidade, em equipe. Um coordenador que fica no cargo por anos seguidos tende a se desgastar por tanto trabalhar ou a acomodar-se.

O primeiro foge quando pode e o segundo tende a se perpetuar no poder. A solução é montar uma equipe partindo das necessidades do grupo, criando assessorias (e preparando novos líderes): secretário, assessor de comunicação, de liturgia, de formação, de eventos, etc...

É preciso dividir tarefas, responsabilidades e autonomia, formando uma “família” que promova reuniões regulares e divida alegrias e desafios.

Se o Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, pequenino, que se torna a maior das árvores, a coordenação deve ser simples, mas com solidez e competência, criando raízes em Jesus Cristo.

SOMBRAS PASTORAIS (texto extraido do Site da Diocese de Santo André)
1. Messianismo. É a mania de fazer planos pastorais, sem consultar a vontade de Deus. Daí vem o estrelismo das pessoas que se projetam a si mesmas. Deus fica em segundo lugar, serve de estepe para que nossos planos não falhem segundo nossa vontade, nossas ideologias e nossas óticas.

2. Ativismo. Pouca oração e muita agitação. Vale o que eu faço e não o que eu sou. A pastoral vira profissão, burocracia. O ativismo leva à impaciência apostólica. É fruto do vazio interior e da vaidade pessoal.

3. Perfeccionismo. Busca-se o êxito, o sucesso, o resultado. A confiança não está na graça de Deus mas nos planos e ações bem escritas nos livros pastorais e nas pessoas envolvidas. Tudo deve dar certo.

4. Mutismo. Consiste em calar verdades, omitir correções e falar só o que agrada. As grandes verdades silenciadas são: a castidade, o purgatório, o inferno, a infidelidade conjugal, a renuncia. O que importa é agradar. Por isso, há falta de profetismo.

5. Pessimismo: Prega-se problemas, incertezas, azedumes e queixas. A Palavra de Deus não é proclamada. No seu lugar estão as dúvidas, suspeitas e vazios do pregador, do catequista, do pastoralista. Joga-se sobre o povo, problemas pessoais não resolvidos.

6. Falta de esperança. É o pecado do reducionismo que consiste em reduzir a esperança, não crer na ressurreição, na eternidade, na vida futura. Tudo fica reduzido a este mundo, à matéria, à ciência experimental. Sem esperança não há consistência.

7. Burocracia. As pessoas são deixadas de lado e esquecidas. Cumprem-se as leis, marca-se o ponto, tudo vira pura burocracia eclesiástica e administração. O burocrata cumpre o dever, mas abandona as pessoas, os pobres, os sofredores. O que importa é o funcionamento da máquina eclesial.

8. Discriminação. Uns são privilegiados e outros descartados. Uns bem recebidos, outros rejeitados. Faz-se acepção de pessoas. Os ricos, os amigos, os privilegiados têm vez, os outros são discriminados.

9. Sectarismo. É a falta de abertura, de pluralismo e de ecumenismo. Sectário é que secciona, busca o que lhe interessa e agrada. É o grupismo. Só meu grupo, minha espiritualidade, meu movimento, minha pastoral, meu interesse é que vale. O sectário ignora o outro, o diferente e o despreza, critica e combate. Falta o espírito de comunhão e de unidade. É a pastoral de gavetas e sem articulação que acaba no paroquialismo.

10. Carreirismo. É quem busca promoção. Fecha-se na sua experiência e desfaz a experiência dos outros. Eu é que estou certo os outros estão errados. O carreirista acha-se insubstituível e infalível. Não solta os cargos. Perpetua-se no poder. É grudado na sua função. Mata a pastoral pelo apego ao poder. Não quer mudança nem transferência. Não dá lugar para os outros.

11. Individualismo. É quem espera gratificações, recompensas, aplausos e louvores. Precisa toda hora de elogios, pois do contrário cai em aflição ou na crítica azeda. O que vale é a sua imagem, sua fama, a projeção de si.

12. Perda da alegria. Faz tudo por obrigação, cai na rotina, vive na superficialidade. Não tem entusiasmo perdeu a alegria e o humor. Vem a amargura e a dramatização da vida.

13. A mesmice. É quem perdeu a criatividade, caiu na instalação, na mediocridade. Faz tudo sem amor, instala-se nos próprios defeitos e os justifica. Tem explicação para todos os seus erros e desleixos. Não muda e não se dispõe a mudar.

14. Vitimismo. É quem se acha injustiçado, rejeitado e por isso vive na apatia, arranja doenças, apega-se a defeitos psicológicos para justificar o vitimismo. Vive mais cuidando de si do que da pastoral do rebanho.

15. A inveja pastoral. Consiste em menosprezar o trabalho dos outros, aumentar seus defeitos, competir e tratar os outros com cinismo. O invejoso procura bloquear o sucesso alheio. Acontece aqui a “contradição dos bons”, ou seja, não recebemos apoio e incentivo dos nossos colegas, amigos, irmãos de caminhada, pelo contrário, somos invejados, incompreendidos e criticados.
Para uma sadia evangelização precisamos da “conversão pastoral” pela qual venceremos as sombras pastorais, como aponta o Documento de Aparecida.


Dom Orlando Brandes (Arcebispo de Londrina)



Coordenador (a): Reze, peça sabedoria, confesse, comungue, leia muito, informe-se, cresça! Entregue-se nas mãos de Deus e seja feliz!


Bibliografia:
Coordenador de pastoral – Um serviço à comunidade, Ed. Vozes

(Fonte: teologiaon-line.blogspot.com)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Que se deve entender por “espiritualidade”?

O objeto da espiritualidade pode ser considerado uma perene preocupação do ser humano, mas, pelo que dissemos, resulta claro que a reflexão crítica e comparada sobre a espiritualidade em um contexto global é um fenômeno muito recente. Igualmente recente é o esforço no sentido de formular uma definição mais clara para o termo “espiritualidade”, cujo significado, como se sabe, é vago e genérico. Em um contexto

cristão tradicional, a espiritualidade estava intimamente ligada à celebração dos mistérios cristãos, especialmente a eucaristia, e se acha vinculada aos ideais cristãos de santidade e perfeição, pregados pelo evangelho.

A palavra “espiritualidade” finalmente encontrou seu espaço em diferentes línguas européias e, de acordo com o Oxford English Dictionary, de 1500 em diante o termo passou a designar “a qualidade ou condição de ser espiritual; que se liga ou diz respeito às coisas do espírito, em oposição aos interesses materiais ou mundanos”.

Aqui já temos a indicação de uma forte polaridade, que muitas vezes se traduz por um dualismo claro e mutuamente exclusivo, em virtude do qual o espiritual é visto como diferente de e freqüentemente oposto ao material, corpóreo e temporal. No cristianismo, mas também em outras religiões, o ideal espiritual muitas vezes se incorpora em grupos de indivíduos que praticam o ascetismo, o monaquismo e a renúncia ao mundo, com uma sólida tradição de negação do valor do corpo e do mundo. Muitas religiões não dispõem de um termo preciso para designar o conceito de espiritualidade. Em Taiwan, por exemplo, durante uma conferência sobre a espiritualidade da mulher contemporânea, ocorrida em 1996, fui informada de que não existe uma palavra na língua chinesa para designar a idéia de “espiritualidade”, muito embora a população local estivesse bastante envolvida na discussão em torno dos “valores espirituais”, dada a proximidade das eleições políticas naquele país.

Aparentemente, os diversos candidatos à presidência estavam buscando as bênçãos dos líderes espirituais, sobretudo as de uma importante monja budista, cuja influência sobre as pessoas parecia mais forte que a dos políticos. Esse é um bom exemplo da interação entre o espiritual e o político. Independentemente de sua origem cristã e ocidental, o conceito de espiritualidade universalizou-se agora, sendo utilizado como código para indicar a busca de direção, de sentido e de valores espirituais. O espiritual muitas vezes é concebido como busca interior, em contraste com o material, o físico e o exterior. Em muitos contextos tradicionais da espiritualidade, o termo tem realmente essa acepção.

Alguns entendem que o espiritual é mais amplo, mais disseminado e menos institucionalizado do que o religioso, ao passo que outros consideram o espiritual como o verdadeiro centro e coração da religião, que se expressa particularmente por meio da experiência místico-religiosa. Visando evitar uma concepção dualista e falsamente idealizada de espiritualidade, muitos autores tentam propor uma definição mais abrangente e inclusiva. Em trabalhos recentes, a espiritualidade tem sido descrita como um empenho para crescer em termos de sensibilidade _ para consigo mesmo, para com os outros, para com a criação não-humana e para com Deus _ ou como uma exploração daquilo que diz respeito ao processo de humanização. Nesse sentido, a espiritualidade está relacionada com a busca da plena humanidade. Para Sandra Schneiders, a espiritualidade é “aquela dimensão do ser humano em virtude da qual a pessoa é capaz de uma integração autotranscendente com a Realidade Última, seja ela qual for para o indivíduo em questão. Nesse sentido, todo ser humano é capaz de espiritualidade ou é um ser espiritual”.

O termo “espiritualidade” é aplicado aqui a uma dimensão de todos os seres humanos, à atualização dessa capacidade, bem como ao estudo dessa dimensão.


(A ESPIRITUALIDADE NA VISÃO DE PIERRE TEILHARD DE CHARDIN. Por: Ursula King. Revista de Teologia e Cultura/ Cyberteologia. Paulinas.)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

CRISTÃO CANSADO, DESANIMADO,... DESISTINDO

Caros irmãos e irmãs que me acompanham nesta jornada eletrônica,

Creio ser de ampla difusão os argumentos e queixas de diferentes agentes de diferentes pastorais sobre o cansaço, a falta de compromisso, o desânimo, a desilusão com suas missões.

Acabei de ler o Boletim Brasileiro da SSVP (maio/junho 2010) e nele me chamou a atenção o desabafo de um confrade da SSVP. Ele falava como quem chorasse, clamando por compromisso, seriedade e amor à causa do pobre, salientando o restabelecimento do foco da Obra Vicentina; e termina seu artigo dizendo que "a SSVP precisa de um Cristão, mas não um cristão qualquer, um Cristão que vive e pratica a obra assumida."

Ah, quantas vezes já ouvi queixas semelhantes!... E quantas vezes eu as fiz... Não é particularidade da Sociedade Vicentina, vem do começo: o catequista relutante em aprender, o catequisando idem; o crismando e o crismado desorientados; membros de grupos de jovens sem foco e se acabando; as legionárias que só rezam quando "A" ou "B" vier; pastorais sem ânimo; o padre distraído na ação pastoral...

Seria uma falência de nossas Comunidades? Bem, do jeito que escrevi acima, vocês podem até dizer que penso que sim, mas eu digo que não! Não, eu não acho nisso falência, mas oportunidade para milagres, testemunhos e revigoramento.

Mas, como? Vocês podem se perguntar. Digo eu: voltando para Jerusalém. Voltando para onde tudo "terminou"; onde a desilusão foi profunda e o fracasso ficou visível , exposto para que todos vissem.

Lembremos dos discípulos de Emaús, leiam Lc 24,1-40. Vejamos:

Os discípulos desanimaram, estavam sem perspectiva, voltavam (certamente) para suas casas, para suas lidas cotidianas; deixavam Jerusalem com o fracasso exposto num morro (Calvário).

Cristo os acompanhou. Eles não O reconheceram, porque a expectativa havia sido superada pelo desânimo. Cristo ouvi-os. Perguntou-lhes por que estavam tristes.

Eles contaram (evangelizaram) o forasteiro (Cristo) como "os seus sacerdotes" e os "seus magistrados" tinham matado seu amor, seu Mestre. Falaram de sua frustração de expectativas de Cristo "errado": o Cristo que eles queriam não era compatível com O que encontraram.

Aí, vem Missa:

Era Domingo. Cristo os chamou de "burrinhos" (para mim, um tipo de Ato Penitencial - tipo: confessamos que somos lentos, Senhor). Já haviam rezado o Credo (pois relataram a fé em Jesus de Nazaré e Sua ressurreição - mas ainda não criam com Fé). Houve as leituras do Antigo Testamento (com Homilia do próprio Cristo). Aí, então, vem a Comunhão, no partir do Pão.

E depois do partir do Pão, o que aconteceu? O coração desanimado, frio, voltou a "arder". Depois do partir do Pão é que tiveram sentido as Escrituras.

Agora vem a melhor parte. Depois dessa "Missa" (que, diga-se, é o meu modo de me animar neste Evangelho), voltaram para Jerusalém, voltaram para a Igreja, para os onze e os demais irmãos reunidos. E, quando falavam sobre o partir do Pão, de novo Cristo se faz no meio deles, dá-lhes a Paz e os anima mostrando Suas Chagas perguntando-os por que estavam perturbados e cheios de dúvidas.

Então:

Está aí, minha compreensão sobre tais ocorrências em nossas comunidades atualmente. O trajeto é inverso: quando tudo está perdido, não é para voltar para casa, mas voltar à Igreja, pois quem experimentou o Cristo na sua Caminhada, sempre volta para a Igreja e, lá, o Cristo volta a aparecer e tira suas dúvidas.

É verdade que precisamos de pessoas animadas, compromissadas, entusiasmadas, etc. A primeira tem que ser EU. Não devemos esperar por "milagreiros" entusiastas, devemos é nos ajoelhar, rezar e rezar de joelhos. Na Eucaristia, nossas respostas, nosso novo encontro com o Senhor.

Confiemos mais na Graça, pois o Senhor sempre faz questão de nos acompanhar para nos fazer voltar a Jerusalém.


Salve Maria Imaculada!
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Eudes Inacio, sJpVM.
servo de Jesus pela Virgem Maria.




ANUNCIAR CRISTO É OBRIGAÇÃO DO CRISTÃO

Caros irmãos e irmãos,


Eis o que nos fala o Texto da Conferência dos Apóstolos no Brasil:


Anunciar a fé não é tarefa opcional


(Anúncio Querigmático e Evangelização Fundamental. Nº 77. CNBB. Subsídio nº 4)


“Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-Lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confi ou ao nos chamar e nos escolher” (DAp, n. 18). Esta tarefa missionária não é opcional, porque “somos missionários para proclamar o Evangelho de Jesus Cristo e, nEle, a Boa Nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação” (DAp, n. 103). Não é tarefa opcional por ser “parte integrante da identidade cristã porque é a extensão testemunhal da vocação mesma” (DAp, n. 144). “Quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo (cf. At 1,8)”(DAp, n. 145).


Sigla:


DAp – Documento de Aparecida


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Eudes Inacio, sJpVM

quarta-feira, 7 de julho de 2010

NADA ANTEPOR A CRISTO

Caros irmãos e irmãs,

Eu me encaminha para escrever sobre a nossa necessidade do desapego, despojamento; confiar na Graça, na Misericórdia Divina. Daí, visitei, como de rotina, o site de D. Henrique Soares, e vi o texto de S. Basílio Magno (330-379), monge e bispo de Cesaréia da Capadócia, doutor da Igreja: não tive dúvidas nem acréscimos a fazer. Eis o texto:

"Nosso Senhor Jesus Cristo disse a todos, por várias vezes e dando diversas provas: "Se alguém quiser vir após mim, que renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" e também "Aquele de entre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo". Parece, pois, exigir a renúncia mais completa... "Onde estiver o teu tesouro, diz noutra altura, aí estará o teu coração" (Mt 6,21). Portanto, se reservarmos para nós bens terrestres ou qualquer provisão fugaz, o nosso espírito permanece ali atolado como que na lama. É então inevitável que a nossa alma fique incapaz de contemplar Deus e se torne insensível aos desejos dos esplendores do céu e dos bens que nos foram prometidos. Só poderemos obter esses bens se os pedirmos sem cessar, com um desejo ardente que, de resto, nos tornará leve o esforço para os atingir.

Renunciar a nós mesmos é, pois, soltar os laços que nos prendem a esta vida terrestre e passageira, libertar-nos das contingências humanas, a fim de sermos mais capaz de caminhar na via que conduz a Deus. É libertar-nos dos entraves a fim de possuir e usar bens que são "muito mais preciosos do que o ouro e a prata" (Sl 18,11). E, para dizer tudo, renunciar a nós mesmos é transportar o coração humano para a vida no céu, de tal forma que possamos dizer: "A nossa pátria está nos céus" (Fl 3,20). E, sobretudo, é começar a tornar-nos semelhantes a Cristo, que se fez pobre por nós, ele que era rico (2 Cor 8,9). Devemos assemelhar-nos a ele se quisermos viver conforme o Evangelho."

(Fonte: http://www.padrehenrique.com/index.php/padres-da-igreja/917-nada-antepor-a-cristo)

"Christo nihil praeponere"

Eis aí, meus irmãos e irmãs, como nos tornarmos semelhantes ao Cristo.

Ao cristão, CRISTO!

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Eudes Inacio, sJpVM.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CULTURA CONSUMISTA E OS JOVENS

Fonte: http://www.zenit.org/article-25405?l=portuguese

Cultura consumista ameaça os jovens, adverte o Papa

Encontro na catedral de Sulmona

SULMONA, ITÁLIA, domingo, 4 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Entre as sombras que “obscurecem o horizonte” dos jovens não há apenas dificuldades de ordem econômica, mas também a ameaça da “cultura consumista” que cria “falsos valores”, adverte Bento XVI.

O Papa se reuniu nesta tarde de domingo com um grupo de jovens na catedral de Sulmona, ao final de sua visita apostólica à cidade da região de Abruzos.

Em suas palavras, baseadas nas experiências relatadas pelos jovens presentes, o Pontífice constatou que “sombras obscurecem vosso horizonte: são problemas concretos, que tornam difícil olhar para o futuro com serenidade e otimismo”.

“Há falsos valores e modelos ilusórios (...), que prometem preencher a vida, quando na verdade a esvaziam”, prosseguiu.

Conforme explicou o Papa, “a cultura consumista atual” tende a “a esmagar o homem no presente, fazendo-o perder o senso do passado, da história; mas, ao fazer isso, priva-o também da capacidade de compreender a si próprio, de perceber os problemas, e de construir o amanhã”.

“Por isso, caros jovens, quero dizer-vos: o cristão é alguém que tem boa memória, que ama a história e procura conhecê-la”, disse o Papa.

Bento XVI esteve na cidade de Sulmona, nos Abruzos – região duramente atingida pelo terremoto de 6 de abril de 2009 – por ocasião do oitavo centenário do nascimento do Papa Celestino V (1209 – 1296).

Antes de retornar ao Vaticano, o Pontífice se recolheu em oração silenciosa diante das relíquias de seu antecessor, na cripta da catedral.

MEDO DO SILÊNCIO

(Fonte: http://www.zenit.org/article-25404?l=portuguese)

“Não tenhais medo do silêncio”, pede Bento XVI

Homilia na Praça Garibaldi em Sulmona

SULMONA, ITÁLIA, domingo, 4 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O silêncio é um instrumento poderoso para ouvir a voz de Deus, sublinhou Bento XVI nesta manhã de domingo na homilia que proferiu durante a celebração eucarística realizada na Praça Garibaldi, em Sulmona.

A visita pastoral do Papa à região dos Abruzos tem lugar na ocasião do Ano Jubilar convocado pelos bispos de Abruzos e Molise, em comemoração aos 800 anos do nascimento de Pietro da Morrone, que se tornou Papa com o nome de Celestino V.

O 192º Papa da Igreja católica foi eleito em 1294, mas renunciou poucos meses mais tarde para retornar à vida de eremita.

Deste Pontífice, canonizado pelo Papa Clemente V em 1313, podem-se tirar “alguns ensinamentos ainda válidos em nossos dias”, sublinhou Bento XVI, lembrando primeiramente que Celestino V “foi um ‘buscador’ de Deus, um homem desejoso de encontrar respostas para as grandes questões de nossa existência: quem sou, de onde venho, porque vivo, por quem vivo?”.

“Ele se põe a viajar em busca da verdade e da felicidade, se põe em busca de Deus e, para ouvir sua voz, decide desligar-se do mundo e viver como um eremita. O silêncio passa a ser assim o elemento que caracteriza sua vida cotidiana”.

Para nós, acostumados a viver “em uma sociedade para qual todo espaço e todo momento devem ser ‘preenchidos’ com iniciativas, atividades e sons”, a verdade é que “com frequência não resta tempo para escutar e para dialogar”, razão pela qual seu testemunho ganha especial importância, observou o Papa.

“Não tenhamos medo de fazer silêncio dentro e fora de nós, se quisermos ser capazes não apenas de perceber a voz de Deus, como também a voz dos que estão ao nosso lado, a voz dos outros”, exortou.

A importância da graça

Um segundo elemento importante que aprendemos da vida de Celestino V, prosseguiu o Papa, é fato de que sua descoberta do Senhor “não foi resultado do esforço, mas tornou-se possível mediante a Graça do próprio Deus”.

“Aquilo que era, aquilo que possuía, não provinha dele próprio: foram-lhe doados, era graça, e era portanto também responsabilidade diante de Deus e diante dos outros”.

“Ainda que nossa vida seja muito diferente”, reconheceu o Pontífice, “também para nós vale o mesmo: tudo o que é essencial à nossa existência nos foi doado sem nossa intervenção”.

“O de que eu viva não depende de mim; o fato de terem sido pessoas a me introduzirem na vida, que me ensinaram a amar e ser amado, que me transmitiram a fé e abriram meu olhar para Deus: tudo isto é graça e não foi feito por mim”. “Por nós mesmos, nada poderíamos ter feito, se não nos tivesse sido doado”, acrescentou.

Por essa razão, o Bispo de Roma exortou a “manter sempre abertos os ‘olhos interiores’, aqueles de nosso coração”.

“Se nós aprendermos a conhecer Deus em sua bondade infinita, então seremos capazes de ver, maravilhados, também em nossas vidas – como os Santos –, os sinais daquele Deus que está sempre próximo, que é sempre bom e que nos diz ‘Tenha fé em mim!’”, concluiu.

DO MINISTÉRIO DA CATEQUESE

Caros irmãos e irmãs,

Sabiam que a Catequese é um Ministério? E, para mim, um dos mais importantes e de fundamental relevância em nossa vida.

A Igreja reconhece que, “no conjunto de ministérios e serviços com os quais ela realiza a sua missão evangelizadora, ocupa lugar destacado o ministério da catequese” (DNC 39).

Quem é o catequista senão aquele/la semelhantes aos 72 discípulos que foram levar a Boa Nova? Onde o Bispo (apóstolo de Cristo) ou seus colaboradores (os padres) não podem ir ou fazer (por falta de tempo, muitas vezes), o catequista faz suas vezes levando a Mensagem ao pé do ouvido de crianças, jovens e adultos.

Catequese, do grego katechein (fazer eco, ecoar), é ecoar a mensagem do Deus Amor que ama a humanidade e propõe um Caminho de volta ao Seu Coração.

O papa João Paulo II, dizia: “Mesmo com a multiplicação dos serviços eclesiais e extra-eclesiais, o ministério dos catequistas permanece ainda necessário e tem características peculiares: os catequistas são agentes especializados, testemunhas diretas, evangelizadores insubstituíveis, que representam a força basilar das comunidades cristãs” (RM 73).

Nosso primeiro papa já nos insitava à doação “Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Ou seja, doutro ângulo:

“O segredo da vida não é correr atrás das borboletas.
Mas cuidar do jardim, de modo que elas venham até você”
(Mário Quntana)

Isto é ser catequista!

Mas aquele que não recebeu oficialmente o ministério também continua sendo ministro daeu vos fiz. (...) Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”(Jo 13,15.35).
Palavra e da Catequese, porque é um servidor da comunidade. Pois seu mandato continua brotando do testamento espiritual do Senhor na última ceia: “Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo que

Desafios de ser Catequista.

Um dos maiores problemas enfrentados pela catequese hoje é a formação permanente. Muitos não participam ativamente, inserindo-se na comunidade e em comunhão com a Igreja que conferiu o mandato de catequista. A conseqüência da falta de compromisso com a formaçãocontinuada será a educação de cristãos desvinculados da vida e da comunidade, para uma prática
descompromissada e individualista.

A Proposta!

O processo da formação litúrgica na catequese possui os seguintes elementos:


a) a centralidade do mistério pascal de Cristo na vida dos cristãos e em todas as celebrações;


b) a liturgia como um momento celebrativo da História da Salvação. Ela é a memória da obra da Salvação, pela qual Deus redimiu o mundo; nela essa obra é levada a efeito, projetando-a para a sua realização plena no futuro (escatologia);


c) a liturgia como exercício do sacerdócio de Jesus Cristo e ação nossa em conjunto com Ele presente na celebração, pela força do Espírito Santo;


d) a dimensão celebrativa da liturgia, como uma ação ritual e simbólica, em que a assembléia é o sujeito, e o Ressuscitado preside a oração da comunidade, atualiza a Salvação na vida e na história de seus participantes;


e) a compreensão não só intelectual dos ritos e símbolos como reveladores da ação pascal de Cristo e experiências de encontro com o Ressuscitado;

f) a dimensão comunitária da liturgia com sua variedade de ministérios, exercidos com qualidade;


g) o exercício de preparar boas celebrações, realizá-las adequadamente e proclamar claramente a Palavra;


h) a participação dos cristãos na Eucaristia como o coração do domingo (cf. NMI 36);


i) o aprofundamento do conhecimento da Palavra na catequese como ajuda para a celebração da Palavra de Deus, sobretudo nas comunidades, impossibilitadas de terem a celebração eucarística dominical;


j) a espiritualidade pascal, ao longo do ano litúrgico, como caminho de inserção gradativa no mistério pascal de Cristo;


k) a espiritualidade penitencial ou de conversão mediante a celebração do sacramento da Reconciliação;


l) o sentido dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, como sinais da comunhão com Deus, em Cristo, que marcam, com sua graça, momentos fortes da vida e atualizam a Salvação no nosso dia-a-dia;


m) aprofundamento do sentido da presença de Maria no mistério de Cristo e da Igreja, e na vida de oração e serviço solidário dos cristãos, bem como a prudente e razoável devoção aos santos;


n) redimensionamento bíblico-litúrgico da religiosidade popular (bênçãos, romarias, caminhadas, novenas, festas dos padroeiros, ofícios divinos).


Então:


O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o SENHOR está presente, é fiel.

Catequista, você é especial para Deus! Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.


SIGLAS

DNC - CNBB, Diretório Nacional de Catequese (2002-2005)

NMI - João Paulo II , Novo Millennio Ineunte (em 2001, no término do Grande Jubileu do ano 2000)

RM - João Paulo II , Carta Encíclica Redemptoris Missio sobre a validade permanente do mandato missionário (1990)


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Eudes Inacio,
sJpVM