sexta-feira, 18 de junho de 2010

NOSSA LITURGIA

A liturgia não é um espectáculo, um espectáculo que necessite de realizadores geniais nem de atores de talento.

A liturgia não vive de surpresas “simpáticas”, de ideias “cativantes”, mas de repetições solenes, não deve exprimir a atualidade e o efêmero, mas o mistério do Sagrado.

Na verdade, a liturgia não consiste na simples reevocação do triunfo pascal, mas na sua real presença, e como tal na participação no diálogo entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Igreja, enquanto “comunhão de santos” de todos os tempos e de todos os lugares, é o verdadeiro tema da liturgia, que assim deixa de ser exposta ao arbítrio de qualquer grupo ou indivíduo, quer se trate de sacerdotes, quer de especialistas. Qualquer ato de criatividade que aspire a ser expressão da autonomia humana encontra-se no pólo oposto relativamente à criatividade litúrgica, que nasce da disponibilidade de receber e de partilhar.

São muitos os que pensam e dizem que a liturgia deve ser “feita” por toda a comunidade, para que seja verdadeiramente sua. Trata-se de uma visão que conduz a que o seu “sucesso” passasse a ser avaliado em termos de eficácia espectacular, de entretenimento. Deste modo, porém, perdeu-se o proprium litúrgico, que não deriva daquilo que nós fazemos, mas daquilo que aqui acontece: Uma coisa que nós, em conjunto, não podemos de fato fazer.

Na liturgia opera uma força, um poder que nem sequer toda a Igreja pode outorgar-se: aquilo que aí se manifesta é Algo completamente diferente que, através da comunidade (que, como tal, não é senhora, mas serva, mero instrumento) chega a nós… Para os católicos, a liturgia é a Pátria comum, a própria fonte da sua identidade: também por esta razão deverá ser “predeterminada”, “imperturbável”, porque através do ritual manifesta-se a Santidade de Deus.

Ao contrário, a revolta contra aquela que foi chamada a “velha rigidez rubricista”, acusada de limitar a “criatividade”, veio envolver também a liturgia na voragem do “faça você mesmo”, banalizando-a, porque a colocou ao nível da nossa medíocre medida”.

A atenção está cada vez menos dirigida para Deus e assume cada vez maior importância aquilo que fazem as pessoas que aqui se encontram e que não desejam de forma alguma submeter-se a um “esquema preparado de antemão”.

“A verdadeira educação litúrgica não pode consistir na aprendizagem nem no exercício de actividades exteriores, mas na introdução do poder transformador de Deus, que, através do acontecimento litúrgico pretende transformar-nos a nós e ao mundo. Neste aspecto, a educação litúrgica dos sacerdotes e dos leigos é hoje deficitária a um nível preocupante. Há nesta área muito a fazer”. (Papa Bento XVI)

[fonte: http://www.sdplviseu.web.pt]


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Quando formos à Santa Missa, pensemos nisto acima.


Nosso povo padece por falta de instrução.


Catequese para batizados, já!


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Eudes Inacio, sJpVM

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