sexta-feira, 25 de junho de 2010

NA VEZ DA MORTE

Caros irmãos e irmãs,

Nesta sexta fui a um velório (do pai de um amigo-irmão meu). Quase já havia sublimado a sensação que adiquiri há 362 dias quando da morte de minha mãe... Êta sensação estranha!

Fiquei observando as pessoas, o ambiente: central de velório, mais de um corpo sendo velado, lágrimas, risos, disfarces, preocupações financeiras a respeito do fato...

Minha reflexão voltou-se sobre nossa existência. É fato: haveremos de morrer. Ninguém escapa da morte. Nem o próprio Deus se absteve de tal encontro.

Mas por que Jesus não quis "pular" a morte? Para mostrar para nós, tolos materialistas, que a vida em Deus é bem mais que isso que agora comemos, construímos, compramos, gastamos e / ou destruímos.

"Deus é Amor", diz o evangelista João em sua primeira epístola. Teria o Amor nos criado para que todos os dias levantássemos, comêssemos, trabalhássemos, descansássemos, dormíssemos e, no outro dia, voltássemos a trabalhar, comer,... no fim, terra na cara, ou sete palmos de terra, ou morar em cemitério, ou, simplesmente, morrer? Só para isso fomos criados? Passar a vida perdendo saúde para juntar dinheiro e, após muitos anos de labuta, ter dinheiro para pagar plano de saúde?... Seria este o propósito Divino? Não!

Há um propósito que nós queremos ignorar - é isso mesmo, nós queremos ignorar -. O Amor nos criou para o Amor, para vivermos no Amor, por Amor viver e ao Amor voltar. Saímos d'Ele (o Amor) e nunca nos deixou. Ele nos impele, procura, deseja, constrange... Ama. (cf. IICor 5,14)

Há milhares de anos vêm (o Amor) nos paquerando, flertando, conquistando-nos, acariciando-nos, defendendo-nos. Não quis somente ficar sendo chamado de Amado à distância (lá, no Céu), fez-Se homem, fez-Se gente, para ser tocado, visto, sentido, beijado (ainda que por traição)... o Amado Amor entra na história. Não mais atemporal, como quem fica vívido enquanto tudo que ama passa: permitiu-Se entrar na história. Não quis ser chamado de "manipulador" pois Ele mesmo desceu à história.

Entrando na história, o Amor soube viver o Amado: foi pequeno, frágil, filho de mulher; teve sede, fome e frio; calejou seus pés nesta terra; padeceu amando o Amado. Cruzou a morte - mostrou-nos Vida. Quem nos separaria do Amor? A morte? Não! Não por nosso mérito ou desejo, mas pela virtude do Amor para com seu Amado. (cf. Rm 8,35ss)

Agora, podem estar se perguntando: que tem isso a ver com o velório? Tem, e muito. Pois é no encontro da vida com a morte (no velório) que "apreciamos" a passagem, a transcendência, a migração - quando a Igreja do Céu recebe mais um Amado da Igreja na história.

Na morte, o consolo é o encontro com o Amor, que não fez objeção em sair do Céu para sofrer até a morte por causa de nós, Seu Amado.

O Apóstolo Paulo já antegozava tal esplendor quando dizia que "morrer é lucro" (cf. Fl 1,21). Que é mais proveitoso ou lucrativo para o Amado que se encontrar com seu Amor?

Plantemos na terra a sementes dos frutos que desejamos colher no Céu: Amemos tanto aqui que o Céu, que é Amor, nos reacolherá.

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Eudes Inacio, sJpVM
servo de Jesus pela Virgem Maria.

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