terça-feira, 8 de junho de 2010

FALTA DE FÉ, MAS NÃO SE SABE FÉ EM QUÊ!

Como acho que já perceberam, meus caros companheiros de leitura deste blog, tenho me dedicado a falar sobre fatos relacionados à caminhada cristã na vida eclesial.

Quero falar do que vejo e escuto; não do "ouvi dizer"...

Nesta caminhada na Igreja, não foram poucas nem isoladas as vezes que presencei cristãos reclamando da Fé: ou que A perderam, ou que A descobriram só agora, ou que mudariam de Fé, ou que abandonariam a Fé... ou que Ela não existe.

Em todos esses casos percebi semelhança: quem falava não estava disposto à busca, à entrega. Simplesmente, dizia-se cansado. A maioria se dizia estar insatisfeito com alguma pessoa; outro tanto não via sentido para prosseguir (tentando).

Mas, que é a Fé? Você já parou para se perguntar sobre? Que conclusão obteve?... Eu já me pus a me perguntar; fazer lucubrações... Hoje, sinto-me consolado - não conformado! Mas, por que não "conformado"? Por que "conformado" lembra con-forma ou na mesma forma e o meu consolo vem da não necessidade qualquer formatação da Fé.

A Fé é um Dom de Deus. É pessoal. É intransferível (apesar de ser comunitária). Por ser um Dom de Deus, não pode ser criada em mim. Por ser pessoal, não é igual nem para gêmeos univitelinos (kkk). Por ser inalienável, não posso incuti-la no coração do outro; é comunitária pois, como de Deus, sempre tem significado no trato com o outro.

A Fé é de caso íntimo. É Deus no coração se dando e abrindo os olhos para o outro. Como qualquer Dom, seu significado leva sempre ao outro.

Deus "tem fé" em mim e em você. Ele nos dá o que Dele esparge, transborda e É. Se aceitarmos ser preenchidos pelo Dom, a Ele espargiremos, n'Ele transbordaremos e seremos (Fiéis)!

Quanto mais fino o trato com o outro, maior a nossa resposta ao Dom. Se não confiamos no outro, nem a ele não socorremos, nem com ele. Se não perdoamos, não socorremos, nem nos importamos com o outro, é evidente a ausência do Dom ou seu embotamento.

  • Perder a Fé por causa de um amigo ou parente, mostra-se indigno de ser cristão (cf. Mt 10,37).
  • Se o papel do Dom é levar ao outro, que se vai fazer em outra denominação religiosa que tem o mesmo dever para com o outro - se não se consegue amar e perdoar aqui, que lhe faz pensar que lá será verdadeiro?
  • O que espera "ganhar" por ter Fé? Não bastaria o Dom? (cf. Mt 6,33)
  • Como inteligir o Espírito de Deus? Por que pensar que se pode apreender o Dom? (cf. Jo 4,24)
  • Estaria a Fé na Escritura? Como pautar o Dom pessoal na Bíblia se ela mesma já é a expressão dos outros que, por causa da Fé, resolveram por Ela escrever.
  • Por que o medo do por vir? (cf. Mt 8,26)
  • Não é o que nos dizem que nos imprime Fé e altera nossa vida, mas antes nossa vontade em se prestar a Deus. (cf. Mc 4,40; Mt 9,29)
"Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis". (Mt 21,22)

"Disse-lhe Jesus: Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê.
Imediatamente exclamou o pai do menino: Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!" (Mc 9,23-24)

"Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita." (Santo Agostinho)

Chega de comodismo. Chega de acusar o outro. Chega de se pensar merecedor; basta saber-se necessitado e confiar!

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Eudes Inacio, sJpVM.

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