sábado, 26 de junho de 2010

CARTA DO PASTOR.


Província Eclesiástica de Maceió

Arquidiocese de Maceió

Av. Dom Antônio Brandão, 559-A Farol CEP 57021-190 Maceió-AL

Tel.: (82) 3223-2732 Telefax: (82) 3372-7046 CNPJ: 12.155.388/0001-89

“Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos para

o céu, rezou sobre eles a benção, partiu-os e deu aos discípulos para que os

servissem à multidão. Todos comeram e ficaram saciados...” (Lc 9, 16-17)

Sensibilizados com os últimos acontecimentos que destruíram boa parte de nosso Estado de Alagoas, nos irmanamos com a Cáritas e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Nordeste II, para mostrarmos o rosto da Igreja de Maceió: “Missionária e Samaritana”, em meio aos irmãos flagelados, atingidos pelas fortes chuvas que devastaram nossa região.

O quadro geográfico foi criado em decorrência do elevado nível das águas nas cabeceiras dos rios, situados em Pernambuco, os quais, hidrograficamente, deságuam nas regiões dos Vales do Paraíba, Mundaú e Camaragibe.

Nossa situação é da calamidade pública, muitas famílias perderam tudo e estão à mercê de ajudas, pois lhes faltam: Água potável, alimentos e abrigo, entre outras coisas necessárias ao sustento humano digno. Segundo os boletins oficiais, nosso rio Mundaú subiu seis metros repentinamente na sexta-feira dia 18, causando enchente no Vale do Mundaú. Há registro de que 177.282 pessoas foram afetadas pelas chuvas e 56 desaparecidas, sendo 500 vítimas somente no município de União dos Palmares. Até agora, 26.141 pessoas estão desabrigadas e 47.687 estão desalojadas. Há 21 municípios atingidos e 15 deles decretaram estado de calamidade pública. Mais de 4.000 casas foram destruídas.

Ao tomarmos conhecimento, mobilizamos toda a Arquidiocese em um grande mutirão de solidariedade, disponibilizando a Igreja de São Gonçalo do Amarante, no centro da cidade, como ponto de arrecadação de donativos, e posteriormente, organizamos uma equipe na cidade de União dos Palmares por estar no centro da região atingida. Os sacerdotes que atendem estes municípios deram o destino das doações generosas e promoverão momentos com celebrações para alimentá-los espiritualmente.

Somos conscientes da gravidade do problema e sabemos que esta movimentação é paliativa, porque precisamos pensar com este povo vitimado, a maneira correta para o recomeço de uma nova vida. Tratam-se de pessoas pobres que perderam tudo o que tinham, inclusive a moradia. Nossa tarefa como Igreja é de gerirmos juntos com os poderes públicos, sem alimentarmos uma política partidária em tempo de campanhas, mas promovermos a dignidade da pessoa humana que está totalmente desprovida do necessário para a sobrevivência.

“Vinde, abençoados por meu Pai! Tomai posse do Reino preparado para vós desde a criação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, fui peregrino e me acolhestes, estive nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava na cadeia e viestes ver-me. (...) Eu vos garanto: todas as vezes que fizestes isso a um desses meus irmãos menores, a mim o fizestes.” (Mt 25, 34-40)

Como Igreja de Maceió, posso afirmar que abraçaremos esta causa e fortaleceremos com a ajuda de todos, o nosso “Fundo de Solidariedade”, uma conta da Arquidiocese que já foi anteriormente aberta com o intuito de manter os trabalhos sociais que realizamos em várias entidades beneficentes, mantidas, graças a generosidade do povo de Deus.

As doações poderão ser depositadas no Banco Real, Agência 1538, conta 4.094750-6. No caso de alimentos, roupas e remédios, A Igreja de São Gonçalo continuará aberta para a arrecadação. Vamos fazer nossa parte como cristãos católicos!

Agradeço de modo particular aos fiéis desta Arquidiocese pela generosidade e espírito fraterno, que despertou o coração de muitos a este gesto de Igreja que nos faz viver o ideal do Evangelho de Jesus Cristo: A partilha como gesto concreto do amor.

Dom Antonio Muniz Fernandes, O.Carm.

Arcebispo Metropolitano de Maceió

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