segunda-feira, 5 de junho de 2017

Sou fraco o suficiente para ser Vicentino?

Eis que estava sucumbindo a tantas dúvidas, questionamentos internos, existenciais e técnicos.
Fui ao Twitter e, logo na primeira página, uma postagem da @famvinES me saltou aos olhos: "¿Soy lo suficientemente débil como para ser vicenciano?"

Senti a bondade de nosso Senhor naquele texto... Em espanhol, da Família Vicentina, o texto que me trouxe consolações e Esperança.

[...] Estou convencido de que São Vicente se perguntou: "Eu sou fraco o suficiente para servir?" Será que somos fracos e necessitados, não doentes ou deficientes? Ser necessitados significa que também nós estamos abertos a ajudar; não somos autossuficientes e absolutamente independentes. A pessoa que serve, um homem ou uma mulher chamada pelo amor para servir aos pobres, deve ser fraco, não deve ser tão forte que não precise de nada, ou que sempre possa ajudar, sempre sabendo o que é certo, tendo sempre disponível recursos e energia necessária. Ninguém é tão perfeito, ou tem de tudo, que não precise fazer perguntas ou ter feridas interiores. Mais pessoalmente: como posso estar aberto ao sofrimento e dor, se não os experimento? São Paulo afirma que é na fraqueza que o poder de Deus atinge a sua coroa e é suficiente. Então, nós conhecemos e vivemos a Verdade, em nossa tarefa de serviço, a vida de Jesus é suficiente.

Muitas vezes, uma vida de serviço com as suas exigências pode ser esmagadora. Tentar ser inteligente, sábio, poderoso e cheio de recursos não é uma resposta. Necessitamos primeiro olhar para o Senhor que nos fortalece como somos e nos dá o que precisamos para servir neste mundo quebrado. Um servidor não faz tudo, não resolve tudo; um servidor serve e confiaNa fraqueza, esforça-se e luta para ajudar, consolar, mudar, perdoar. Um servidor que confia não tem medo de fraqueza e, portanto, não é vencido por ela. Um servidor que é fraco e sabe que o Senhor dá o que precisa, dá e dá de novo e nunca esgotado. Aquele que é fraco o suficiente para servir nunca se fecha, ainda que esteja cansado; nunca se desespera, ainda que seja oprimido. Aquele que é fraco o suficiente para servir confiante o suficiente para se juntar a morte do Senhor, para levar a ressurreição do Senhor para aqueles a quem ele ou ela é chamado e enviado. Tal fraqueza, enquanto rejeita a força e a autossuficiência, necessita de coragem.

[...] Mas, por agora, podemos perguntar-nos:
  • Estou eu "em sintonia" com minhas fraquezas?
  • Eu posso realmente compreender a fraqueza dos outros, se eu não me permito aceitar minhas fraquezas?
FONTE: http://famvin.org/es/2017/06/04/lo-suficientemente-debil-vicenciano/

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A República está morta!

Caros,

A República do Brasil tem um Executivo que elege o Judiciário; um Legislativo chantageador do Executivo, que faz "Capitanias Hereditárias" na máquina pública; um Judiciário devendo favores políticos e financeiros, soltando bandidos ou abonando os saqueadores da Nação.
Eleição com urnas eletrônicas "maquiadas" para declarar eleito quem paga melhor ao hacker.
Nação?... Sei não. Apátridas temos, aos montes.
Nação, Pátria, Povo, Valores cívicos, Símbolos pátrios, ... Noções da "Moral e Cívica" de outrora, banida do domínio público, por quem ama a perda de valores para melhor ludibriar o povo.
Por que não começar do zero?
Por que não as forças armadas intervirem antes que tenhamos um total estado de anomia?
Por que não a dissolução do Congresso? Sei de bons agentes políticos, mas recebendo rios de dinheiro, com tudo pago e o cidadão brasileiro precisando trabalhar até a morte para receber um salário mínimo... Não, não temos Pátria! Os apátridas sentenciou o povo brasileiro à escravidão: do medo, de viver de esmolas (bolsas...), trabalho até a morte (sem descanso, sem aposentadoria), exceto os apátridas, que vivem de regalias e se aposentam com milhares de Real em suas contas e com apenas oito anos de serviço...
Apátridas tratados não como servidores, mas como senhores dos que os elegem...
Apátridas que criaram um Estado dentro do Estado.
Apátridas que, uns, financiados pelo tráfico e corrupção, permitiram os bolsões do tráfico de drogas e colunas de corrupção no serviço público...

domingo, 7 de maio de 2017

Um lugar com ninguém

É uma sala
Um quarto
Decorado com quadros
Estátuas
Lembranças
Não passo muito lá
Não entro muito lá
Não fico muito lá
Mas está sempre...

Cômodo da casa pequena
Cômodo da memória
Repouso de ideias e vestígios
Por vezes
Sapatos, bolsas de viagens
Nunca usados
Pouco usados
Abandonados
Mas, ali

Na extensão do complexo
Emaranhado tensões do eu
Do nós
De ninguém

Onde sempre estado
Nunca visitado
Mas ocupa um espaço físico
Onde memórias não
Olhar para ele
Às vezes, recorda
Não entro, não fico, não vou

Assombra, arremete, traz
Assim, eu lá
Eu aqui
Mas lá
É extensão de mim.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Em tempos de Advento,

Lex orandi, Lex credendi.



O adágio latino nos impele a pensar como rezamos, como cremos.
Nas celebrações da Santa Missa, o Cristo é desfigurado: a Liturgia da Palavra, Cristo que nos fala, é desfigurada pelas leituras ao som ruim. Mas isso não é o pior. A homilia, que deveria nos reforçar a Palavra de Deus está tão desvirtuada quanto: não se comentam (explica) as leituras. Por vezes o celebrante faz um arranjos que só mostram que ele é vaidoso: fala de tudo, menos do que as leituras nos sugerem. Na verdade, será que o celebrante é incapaz de relacionar? Seria uma desconexão com a Liturgia ou um intento treineiro, propositado ideologicamente ou uma Teologia própria?

Pensando nisso, celebrantes que seguem a onda pentecostal arremedam-se por desejar provocar arrepios, sentimentalismos, mas o foco não é o Cristo ou o Espírito. Cristo é tido como curandeiro ou simplesmente esquecido: até o Crucificado é tirado do Presbitério para serem postas imagens do Ressuscitado glorioso (é mais "cool") ou de santos.

O Espírito Santo é tido como "objeto". Ele não vai à frente como nuvem, não paira sobre as pessoas para fazê-las pregar o Evangelho. Não! Ele é "escravo" dos sentidos humanos - dizem que só está atuando em quem se arrepia, chora, desmaia ou fala línguas estranhas... Escravizado, não guia; é guiado. Escravizado, "sopram Ele" nos microfones e dizem "receba!"... Pobre Espírito!!! Pobre povo que pensa haver domesticado Deus.

Show-men... Pregadores que são mais importantes que o Cristo... Eles têm o Espírito, e Cristo lhos serve... O Cristo eucarístico passeia em suas mãos para mostrar quem detém Deus, quem é "o cara". Cristo preso no ostensório, como troféu e exibição... O Deus na mão do celebrante, que o manipula.
Não me refiro à adoração eucarística, mas aos passeios na multidão, que mais exibem as vestes sacerdotais que o sentido eucarístico.

As "explicações" pentecostalizadas das leituras sempre terminam com promessas, nunca com exigências ao povo... Nunca há apelo à conversão ou à penitência, mas apelos ao "escravizado deus" que tem que obedecer às exigências do povo porque ele (o escravo) prometeu.

Já os celebrantes à moda da Teologia da Libertação, materialistas quais o próprio ridículo Marx, desfiguram o Cristo: não fez milagres, era libertário, era um líder social... Para estes, as curas, pura simbologia; multiplicação dos pães, apelo ao comunismo... Um Jesus revolucionário... A assembleia para a Eucaristia se assemelha a uma reunião sindical: a classe trabalhadora oprimida pelos ricos...

As leituras, para estes "libertários" sempre falam de opressão e são sempre apelo à revolução...(Valha-nos Deus!). Nunca falam da luta contra o pecado, mas apelam ao fratricídio em nome do "reino de deus na Terra". O inimigo do homem não é Satanás (que nem existe para uns) ou o pecado, mas as opressões econômica e social.

Pentecostalizados e TL's são todos pela imanência, nunca pela transcendência: estes pelo reino na terra e o homem como resposta pela ação social; aqueles por "coisificarem" deus a serviço do homem. Não há apelo conversão...

Missas longas... cheias de cantorias e estrelismos...

Misericórdia celebrada, mas não vivida com os mais necessitados. Espetáculo de pompas que celebrantes induzem a celebrar o que não vive ele nem a comunidade.

Antigamente, o método pastoral passava pelo ver-julgar-agir-celebrar. Hoje, já vai direto ao celebrar; mas celebrar o quê? Diz-se que se celebra a Misericórdia de Deus, mas não há nada concreto; não sai da Missa. Não passa da festa. E há quem só vai a "essa missa", que é legal, animada; mas não às outras... Disse um amigo meu: "Missas da Graça, e as demais são desgraçadas ou sem graça"?

Deus é a resposta!
Ele sim, se faz nascer numa manjedoura, numa família pobre. A Igreja em sua Liturgia faz apelo à conversão e à penitência neste Advento.
A vigilância para não ofender a Deus. A Caridade para com o próximo... Estes valores evangélicos do Cristo nosso irmão e Senhor.

Contextualizando como São Vicente de Paulo: os pobres são nossos mestres e senhores.

domingo, 31 de julho de 2016

UMA REDE DE AMIZADE

« Je voudrais enserrer le monde dans un réseau de charité« .


"Eu gostaria cercar o mundo numa rede de caridade". (Beavdo. Ozanam) 

O sonho, desejo, do jovem universitário de Sorbonne, França, de mostrar aos descrentes, aos comunistas e aos compatriotas que sua Igreja não era desatenta aos pobres, fê-lo convidar outros seis amigos jovens da renomada universidade para a criação de uma "Conferência de caridade" (1833), capaz de desde atender aos pobres sem fogo de lenha em casa,  a debater em colóquios públicos. Um apologeta! 
Em jornais, em debates, nas faculdades, nas ruas, nas Igrejas,... nos lares pobres da França, com gravetos na mão e um coração ardente de amor à sua Igreja, à sua Fé, ao Deus Pai, Misericordioso. 
Frederico Ozanam fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo -  SSVP (1835)! Quisera uma rede de caridade, e partiu de uma rede de amizade. Sim, de uma rede de amizade! Ele chamou seus amigos e estes,  a outros... 
Ozanam (1813-1853) viveu seus quarenta anos de vida intensamente, seus dez últimos anos como Confrade. Não vira que seu gesto de amizade se transformara em rede de caridade. 
Hoje, a SSVP, enredada no mundo continua o gesto do jovem Ozanam: partindo de uma rede de amizade, cria-se uma rede de caridade. 
Eis o que relembro aos confrades e consócias: uma Conferência vive da rede de amizade para espalhar a rede de caridade! 

«É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). 

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Eudes Inacio, Cfd. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

EDUCAÇÃO E CATEQUESE CATÓLICAS

Discipulus libros Magistri portat. 
(O discípulo leva os livros do Professor).

Educação e Catequese Católicas

É fato: foram relegadas a secundários planos uma educação ou catequese catedrática ou livresca em nossas paróquias, ao menos nos últimos dois decênios.
Sob alegações diversas, entre as quais a "o importante é a vivência, não a leitura", ou o "o espírito que conduzirá seu saber... ", ou até a ameaça "que adianta saber tanto e não viver...", relegamos aos jovens uma preguiça de ler e de saber. Matamos a sede deles não com Sabedoria, mas com um axioma que sugeria que a sede seria saciada sozinha.
Ainda hoje, uns tantos jovens se aventuram nas leituras e saberes que passam da Filosofia, da Política e da nossa Teologia, e são tachados por isso!
Ainda há uns que dizem: por que não leem a Bíblia? (sic!). Ora, quando na Catequese, tiveram receio de mandá-los e deles cobrar leituras sob pensamento que "jovens não gostam de ler..." (sic!) -  se atentassem para feiras de livros ou assemelhados, veriam o equívoco.
Sim! Jovens leem! Mas o medo de afastar da Catequese por parte do catequista, ou que este pareça rigoroso, ou medo de "parecer escola", tornou a Catequese um assunto fadado a breves reminiscências, quase esquecidas.
Uma Catequese rasa, medrosa, piegas, superficial ou ativista nos trouxe até aqui.
Seriam tempos de reflexão no que estamos fazendo?

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Eudes Inacio,
Catequista